O espírito natalino cada dia mais morre. Daqui a alguns anos não vamos nem mais desejar "feliz natal". Vamos apenas falar "Porra vagabundo, bom feriado".
Penso nisso todo natal que passa. Não vejo luzinhas piscando nas ruas, não vejo árvores montadas.
Por isso não vou desejar um feliz natal pra vocês ai que tão lendo isso aqui. Tenho quase certeza que vocês vão ter um feliz natal à maneira de vocês. Ficando em casa pra descansar, filando um rango na casa do vizinho, indo dormir cedo, trocando uns presentes... Vão aproveitar o "feriado" da melhor forma possível. Muitos de vocês sequer mergulham nesse espírito. Não decoram a casa, não montam a árvore. Eu mesmo sou um desses. Não é como se fosse errado, mas eu realmente não tenho mais empolgação para isso.
Mas enfim, meu feliz natal mesmo é pra quem realmente precisa de um natal feliz. De um natal com comida talvez. Meu feliz natal é pra quem ainda acredita que papai noel possa trazer alguma felicidade pra uma vida sofrida. Desejo um feliz natal a quem está preso injustamente, pra quem não vê a família a meses, anos... Meu feliz natal é pra quem sofre de sol a sol pra conseguir comprar alguma coisinha pra dar pro filho, mesmo que seja um saco de feijão. Meu feliz natal é pra quem sofre. E brasileiro, muitas vezes, é sofrido. É pra quem realmente merece, não somente um natal feliz, mas sim, uma vida feliz.
24/12/2013
17/11/2013
I'll do my Crying in the Rain.
O coração bateu mais rápido. As mãos suaram, as pernas estremeceram. Os olhos marejaram, a respiração ofegou. Não conseguia fixar os olhos no único lugar que deveria olhar. Sua pele se arrepiou, sua bochecha corou. O vento urrava, mas não atrapalhava. Sua boca tremeu. A barriga revirou como se houvessem borboletas de gelo voando dentro de tão pequenino espaço. Seu corpo não respondia, simplesmente. Aquilo que era lido em gestos do corpo, com olhares e beijos, enfim era dito por lábios molhados. O tempo que demorou para passar, que surrou eles, enfim estava zerado. E talvez não fosse hoje, seria amanhã ou depois. Mas o momento nunca mais se apagará. E essa viagem que começou ensolarada e terminou chuvosa tem para mim uma trilha sonora particular. Uma música que sempre me comoveu, que me acompanhou em diversos momentos tristes da vida. Não sei como, ela passou a ter um novo significado. É engraçado, como consegui deixar minhas últimas dúvidas nos céus limpos e trazer a tona um choro descabido pós-tudo. Eu chorei na chuva sim, e foi de felicidade.
25/10/2013
Dois caminhos para uma mesma conclusão.
Ela estava sentada no banquinho, lendo com um belo sorriso no rosto. Com fones no ouvido, ouvindo suas músicas preferidas. / Ela estava eufórica, falsamente frustrada pelos beijos que eu fingia dar, mas não completava.
Olhou para mim instantes antes de que eu chegasse perto dela. Pousou sua íris acima das lentes do seu óculos delicado, quase tão delicado quanto a dona. / Esperava com afinco que eu completasse aquele ritual, mas era em vão, eu não a beijaria, pois queria que o fizesse.
Levantou-se e com um abraço apertado me recepcionou. Beijou-me nas bochechas, depois encostou seus lábios nos meus e disse bem baixinho: Olá. / Instintivamente ela agarrou minha nuca e me beijou fortemente, com a mesma paixão que via em seus olhos brilhantes.
Em seguida, pegou em minhas mãos e me levou em direção a árvore da pracinha. Deitou-me em seu colo e afagou meus cabelos. Perguntou sobre meu dia, sobre meus dias, sobre os dias com ela. / Eu achava o máximo ver aquela menina delicada libertar seus instintos selvagens para mim. Seu olhar continuava sereno, mas com um bocado de volúpia transbordando também.
Trouxe-me doces, histórias para me contar. Disse sobre sua vida também, queria que eu soubesse de cada pedaço dela. Do passado, só contava o que havia de bom, do futuro, apenas os sonhos. E aquilo parecia deveras animador. / Segurou minhas mãos contra a parede, jogou minha cabeça para o lado, senti o seu perfume doce permear minha mente. Usou suas mãos para me trazer de volta a vida, e como fazia isso bem.
Eu estava experimentando uma água que não conhecia ainda: O lado bom da vida. O descompromisso que acabou tornando o compromisso a coisa mais agradável possível. Olhei bem no fundo dos seus olhos antes de a beijar, pois eu tinha algo a lhe dizer, agora que todas as dúvidas haviam se dissipado. / Aquela sensação de me trazer de volta à vida, de me dar o prazer máximo de dar o mesmo prazer, aquilo tudo que presenciava tinha o sabor que a muito havia se perdido de meus lábios: A vida. Não havia mais jeito, não podia negar mais a ela, nem a ninguém.
Moça, eu te amo / Moça, eu te amo.
Olhou para mim instantes antes de que eu chegasse perto dela. Pousou sua íris acima das lentes do seu óculos delicado, quase tão delicado quanto a dona. / Esperava com afinco que eu completasse aquele ritual, mas era em vão, eu não a beijaria, pois queria que o fizesse.
Levantou-se e com um abraço apertado me recepcionou. Beijou-me nas bochechas, depois encostou seus lábios nos meus e disse bem baixinho: Olá. / Instintivamente ela agarrou minha nuca e me beijou fortemente, com a mesma paixão que via em seus olhos brilhantes.
Em seguida, pegou em minhas mãos e me levou em direção a árvore da pracinha. Deitou-me em seu colo e afagou meus cabelos. Perguntou sobre meu dia, sobre meus dias, sobre os dias com ela. / Eu achava o máximo ver aquela menina delicada libertar seus instintos selvagens para mim. Seu olhar continuava sereno, mas com um bocado de volúpia transbordando também.
Trouxe-me doces, histórias para me contar. Disse sobre sua vida também, queria que eu soubesse de cada pedaço dela. Do passado, só contava o que havia de bom, do futuro, apenas os sonhos. E aquilo parecia deveras animador. / Segurou minhas mãos contra a parede, jogou minha cabeça para o lado, senti o seu perfume doce permear minha mente. Usou suas mãos para me trazer de volta a vida, e como fazia isso bem.
Eu estava experimentando uma água que não conhecia ainda: O lado bom da vida. O descompromisso que acabou tornando o compromisso a coisa mais agradável possível. Olhei bem no fundo dos seus olhos antes de a beijar, pois eu tinha algo a lhe dizer, agora que todas as dúvidas haviam se dissipado. / Aquela sensação de me trazer de volta à vida, de me dar o prazer máximo de dar o mesmo prazer, aquilo tudo que presenciava tinha o sabor que a muito havia se perdido de meus lábios: A vida. Não havia mais jeito, não podia negar mais a ela, nem a ninguém.
Moça, eu te amo / Moça, eu te amo.
15/10/2013
Por trás de toda escuridão, um Anjo caído reza.
"Sinto uma respiração quente e fraca batendo em meus ombros. Instintivamente virei minha cabeça para trás, tentando entender o que acontecia. Fui dominado por uma visão catastrófica que passou em minha cabeça numa fração de segundos. Vi o que não devia ver. Balancei a cabeça e enfim: Nada aconteceu."
Em casa, caído e ajoelhado, rezei um pai-nosso pedindo por salvação. Acabava de pecar contra Deus, contra mim mesmo, contra a humanidade. Era fácil eliminar o que estava dando errado, aliás muito divertido. Se não encaixava, simples, eu removia. É essa a graça de ser um padre amaldiçoado.
Do alto do meu apartamento, ouvi uma senhora gritar lá embaixo. Corri pelas escadas enquanto ajeitava meu terno. Uma mulher se retorcia pelo chão com os olhos esbugalhados, queimando em chamas vivas. Seus olhos aliás derretiam. Tirando um crucifixo do paletó recém posto, gritei:
- Leve daqui todos os seus pecados, originais ou os do tipo comprados em lojas de souvenirs.
Nada aconteceu. O calibre do crucifixo não era grande o suficiente hoje.
- Você sabe quem sou eu, o que eu represento? Reflita a minha existência, maldito demônio!
Não havia jeito. Ele não ouvia, não respondia. Eu, um homem respeitado por décadas como o melhor exorcista, estava sendo totalmente ignorado por uma existência profana. Não poderia culpar ninguém também, afinal, vivemos num mundo em que matamos nossos próprios anjos, tornando o imperdoável em cetim creme completamente tolerável.
Havia um dilema ali: Eu tentaria ir até o fim ou deixaria a pobre velha perecer na frente de tantas pessoas assustadas?
E eu acabei por tomar a decisão que qualquer padre exorcista gabaritado e velho tomaria:
Fui até o bar e tomei uma bela dose de whisky, sem gelo.
Foi neste exato momento que senti a respiração em meus ombros. Seria o Diabo em pessoa querendo me levar pro inferno?
Não, hoje não. Ainda não.
A mulher já estava irreconhecível, e quando cheguei perto dela, ela levantou do chão sem flexionar nenhum membro (talvez a vontade-mor do demônio fosse fugir, ou atacar, não sei) e dali parou, prostrada no meio da calçada desgastada. Olhou em meus olhos, com aquelas chamas que em nada lembravam um olhar. Três passos separavam minhas mãos do rosto dela, e esses três passos foram dados para que sorrateiramente eu encaixasse minhas mãos em sua mandíbula. Em seguida, o urro, a dor, o medo. Era o medo de estar confrontando novamente o velho guerreiro, a onça que nunca deveria ter sido cutucada. Já era tarde da noite, as poucas pessoas em volta somadas, não davam o número de janelas com luzes ligadas, com pessoas apurrinhadas com aquela barulheira demoníaca.
Gritei meia dúzia de palavras em latim, como se fosse adiantar algo. Abri minha bíblia de bolso, recitei versos apocalípticos, joguei sal, cuspi em sua cara. Nada.
Nada surtia efeito, mas aquela alma maldita, por algum motivo, sentia medo de mim.
Então, instintivamente, decidi fazer o que acabara de sentir: Prostei-me em seus ombros, senti seu cheiro de enxofre e enfim fiquei cara-a-cara, nariz-a-nariz com ela. Olhei bem lá dentro, mesmo com meus olhos ardendo em brasa. Enxerguei naquela escuridão, um anjo caído rezando por liberdade, pedindo por força divina para o abençoar. Clamando pelo bem dos céus, ou pela destruição dos céus. E era naquela vida, na vida de uma velha destruída, que testaria o poder que lhe libertaria...
Desfoquei de seus olhos, larguei seu rosto. Olhei para os céus e tentei entender qual o real motivo de tanto sofrimento no mundo. Uma única lágrima rolou, caindo diretamente no meu sapato de camurça, surrado.
Enfim, balbuciei uma frase sem nexo:
"O senhor é uma farsa, e a todos faltará.".
E o espírito enfim saiu da mulher.
Em casa, caído e ajoelhado, rezei um pai-nosso pedindo por salvação. Acabava de pecar contra Deus, contra mim mesmo, contra a humanidade. Era fácil eliminar o que estava dando errado, aliás muito divertido. Se não encaixava, simples, eu removia. É essa a graça de ser um padre amaldiçoado.
Do alto do meu apartamento, ouvi uma senhora gritar lá embaixo. Corri pelas escadas enquanto ajeitava meu terno. Uma mulher se retorcia pelo chão com os olhos esbugalhados, queimando em chamas vivas. Seus olhos aliás derretiam. Tirando um crucifixo do paletó recém posto, gritei:
- Leve daqui todos os seus pecados, originais ou os do tipo comprados em lojas de souvenirs.
Nada aconteceu. O calibre do crucifixo não era grande o suficiente hoje.
- Você sabe quem sou eu, o que eu represento? Reflita a minha existência, maldito demônio!
Não havia jeito. Ele não ouvia, não respondia. Eu, um homem respeitado por décadas como o melhor exorcista, estava sendo totalmente ignorado por uma existência profana. Não poderia culpar ninguém também, afinal, vivemos num mundo em que matamos nossos próprios anjos, tornando o imperdoável em cetim creme completamente tolerável.
Havia um dilema ali: Eu tentaria ir até o fim ou deixaria a pobre velha perecer na frente de tantas pessoas assustadas?
E eu acabei por tomar a decisão que qualquer padre exorcista gabaritado e velho tomaria:
Fui até o bar e tomei uma bela dose de whisky, sem gelo.
Foi neste exato momento que senti a respiração em meus ombros. Seria o Diabo em pessoa querendo me levar pro inferno?
Não, hoje não. Ainda não.
A mulher já estava irreconhecível, e quando cheguei perto dela, ela levantou do chão sem flexionar nenhum membro (talvez a vontade-mor do demônio fosse fugir, ou atacar, não sei) e dali parou, prostrada no meio da calçada desgastada. Olhou em meus olhos, com aquelas chamas que em nada lembravam um olhar. Três passos separavam minhas mãos do rosto dela, e esses três passos foram dados para que sorrateiramente eu encaixasse minhas mãos em sua mandíbula. Em seguida, o urro, a dor, o medo. Era o medo de estar confrontando novamente o velho guerreiro, a onça que nunca deveria ter sido cutucada. Já era tarde da noite, as poucas pessoas em volta somadas, não davam o número de janelas com luzes ligadas, com pessoas apurrinhadas com aquela barulheira demoníaca.
Gritei meia dúzia de palavras em latim, como se fosse adiantar algo. Abri minha bíblia de bolso, recitei versos apocalípticos, joguei sal, cuspi em sua cara. Nada.
Nada surtia efeito, mas aquela alma maldita, por algum motivo, sentia medo de mim.
Então, instintivamente, decidi fazer o que acabara de sentir: Prostei-me em seus ombros, senti seu cheiro de enxofre e enfim fiquei cara-a-cara, nariz-a-nariz com ela. Olhei bem lá dentro, mesmo com meus olhos ardendo em brasa. Enxerguei naquela escuridão, um anjo caído rezando por liberdade, pedindo por força divina para o abençoar. Clamando pelo bem dos céus, ou pela destruição dos céus. E era naquela vida, na vida de uma velha destruída, que testaria o poder que lhe libertaria...
Desfoquei de seus olhos, larguei seu rosto. Olhei para os céus e tentei entender qual o real motivo de tanto sofrimento no mundo. Uma única lágrima rolou, caindo diretamente no meu sapato de camurça, surrado.
Enfim, balbuciei uma frase sem nexo:
"O senhor é uma farsa, e a todos faltará.".
E o espírito enfim saiu da mulher.
O Concerto da Nova Era.
Se tudo é passageiro, então que vivamos só o agora. Olhemos para os lados, vejamos. Há alguém do seu lado que te quer?
Sinta, ouça, respire. Existe um sentido para o seu ritual matinal?
Ore, clame, tenha fé. Se tudo passa, tudo continuará passando.
Indague-se, planeje, copie. Veja o lado bom das coisas.
Prometa, jure, cumpra. Sempre terá alguém para lhe cobrar.
Cuide, preserve, proteja. Será que alguém quer roubar?
Ande, caminhe como um cão, sinta tudo ao seu redor.
Sinta como se tudo fosse pela última vez. Se algo se foi, é porque deveria ir. Mas se der para recuperar, lute até não dar pé.
Trabalhe, siga em frente. Sempre há planos para moldar.
Acredite, pois ainda é cedo.
Queime, destrua, quebre. O que é ruim haverá de perecer.
Limpe, brilhe, vá. Vá além do que acham que se pode ir.
Junte, agrupe. O que seria de uma coleção incompleta?
Se apaixone, ame. O mais profundo, que puder.
Se por ventura ainda se magoar, acredite, valerá a pena.
Nunca é o fim, por mais que algumas coisas sejam inexplicáveis.
Afinal, só o trabalho duro pode vencer o talento nato.
10/10/2013
É José.
Os dias nasciam monótonos, as noites caíam frias. Todos os dias eram de sentimentos vazios, e as noites elas se preenchiam com falsas esperanças. Afinal, já era de algum tempo que amor não significava nada.
Nada não por menosprezo, mas sim por medo. E medo de amar é pior do que de morrer.
Aquilo que o levou pra vala, que o deixou doente, que o fez se tornar aquilo que vangloriava-se de não ser. Era um ser que vive pra noite, que experimenta o sabor forte desse coquetel de luxúria e volúpia. Tinha medo também dessa vida, mas menos, bem menos. Preferia acordar entre os pedaços de pizza a estar nos braços de um novo romance, pintado de forma esparramada, quase que torto por obrigação. Não. Não era de amor que ele precisava, era de súplicas. Ele queria a atenção do mundo para a sua pobre desilusão, coitado.
Pobre coitado mesmo, ninguém disse que a vida seria fácil, José.
E não foi.
As dores tomavam cada vez mais conta da sua vida. Físicas e sentimentais, nada mais importava. Dor já era passional. Alguns blefes apareciam, clamavam sua atenção. Ele levantava os olhos por cima do horizonte, mas não enxergava futuros, talvez presentes, mas nunca algo necessário para olhar para trás e ver seu passado se apagar. Ele gostava do estrago, da maldição, da vida imaginária de bad boy, com seus alargadores e seus planos para tatuagens, do seu cigarro mata rato e seu vício invasivo por remédios controlados. Aquilo era vida, era a forma perfeita de se sentir útil num mar de inutilidade, para um bando de inúteis que também sofriam do mesmo mal, o de amores fracassados, e olhe só como a vida une os semelhantes! Pena, muitas vezes também os corrompem.
Por algumas vezes tentou abrir seu coração, sua mente, ou qualquer coisa que o valesse, só pra ver se era possível ser feliz. Era, era possível, mas não o suficiente. Ele não queria um amor pra recordar apenas, ele queria uma felicidade pro canto da boca, pro fio dos cabelos da perna, um amor pra aquecer seus pés e incentivador para a jornada que era curar-se de seus vícios. Um amor para alisar seus cabelos e dizer: Você é o cara. Mas não, ele não era o cara. Era professor, mauricinho, pobre, fraco, forte, estranho, normal. Um mero aprendizado para todas por que passava, um sentimento oco que por vezes era bradado como amor só para não fazer mal a quem era interlocutor nessa história toda.
E José, do alto disso tudo, só observava. Maldito era ele por se auto-amaldiçoar, por querer estar lá, por adorar esse maldito estrago que lhe sorvia todo o bem e só lhe entregava o mal.
Não culpemos José. Ele já estava no fundo do poço que jamais quisestes chegar. Era o homem de uma noite só, a maldição de inúmeras meninas que se apaixonavam e não eram correspondidas. Podre por dentro e por fora também. E sempre sorrindo, ele fingia. Adorava ser a marionete do mundo que se representava muito bem com seus blocos de euforias sodomizadas.
E não havia tempo de brincar de ser feliz. Não havia sequer necessidade. Talvez vontade.
Houve um breve instante em que perseguiu isso. Quis tomar um jeito, se enveredar para o lado certo do que achava certo de verdade. Não bastou, e não por ser pouco, e sim por simplesmente não ser, não querer, não necessitar exatamente do que lhe fora oferecido em bandeja de prata.
Ai se fechou de vez. Morreu pra vida, e para a morte também.
Tomou seu último porre, fez a sua última oração, fumou seu último cigarro e limpou o seu interior. Enfim acordou novamente, agora em um quarto limpo. Bateu a poeira do rosto e decidiu que não se doaria a mais ninguém facilmente, e deu a cara a tapa pra esse Deus que só faz sofrer. E meus amigos, José conseguiu.
O curso das águas o trouxe para o topo do morro, quase morto de medo de dar um pequeno passo para a humanidade, mas um grande passo para um homem. E ele, até ali uma prova viva de fraqueza, se tornara um pedaço forte. Agora, já velho, fodido e cheio de maldições nas costas, enfim aprendia a viver.
E como era correto? Não sabia. Só sentia.
Sua afobação pelo certo quase tirou de suas mãos o presente mais valioso que já havia encontrado. E esse hiato de felicidade na sua vida trouxe pra si a tal liberdade em perceber de fato, que felicidade de verdade era estar amarrado com corda invisível no coração da pessoa amada.
Enfim, uma amada. Sem confissões ou popularidade. Apenas sua amada.
É José, você venceu na vida.
Nada não por menosprezo, mas sim por medo. E medo de amar é pior do que de morrer.
Aquilo que o levou pra vala, que o deixou doente, que o fez se tornar aquilo que vangloriava-se de não ser. Era um ser que vive pra noite, que experimenta o sabor forte desse coquetel de luxúria e volúpia. Tinha medo também dessa vida, mas menos, bem menos. Preferia acordar entre os pedaços de pizza a estar nos braços de um novo romance, pintado de forma esparramada, quase que torto por obrigação. Não. Não era de amor que ele precisava, era de súplicas. Ele queria a atenção do mundo para a sua pobre desilusão, coitado.
Pobre coitado mesmo, ninguém disse que a vida seria fácil, José.
E não foi.
As dores tomavam cada vez mais conta da sua vida. Físicas e sentimentais, nada mais importava. Dor já era passional. Alguns blefes apareciam, clamavam sua atenção. Ele levantava os olhos por cima do horizonte, mas não enxergava futuros, talvez presentes, mas nunca algo necessário para olhar para trás e ver seu passado se apagar. Ele gostava do estrago, da maldição, da vida imaginária de bad boy, com seus alargadores e seus planos para tatuagens, do seu cigarro mata rato e seu vício invasivo por remédios controlados. Aquilo era vida, era a forma perfeita de se sentir útil num mar de inutilidade, para um bando de inúteis que também sofriam do mesmo mal, o de amores fracassados, e olhe só como a vida une os semelhantes! Pena, muitas vezes também os corrompem.
Por algumas vezes tentou abrir seu coração, sua mente, ou qualquer coisa que o valesse, só pra ver se era possível ser feliz. Era, era possível, mas não o suficiente. Ele não queria um amor pra recordar apenas, ele queria uma felicidade pro canto da boca, pro fio dos cabelos da perna, um amor pra aquecer seus pés e incentivador para a jornada que era curar-se de seus vícios. Um amor para alisar seus cabelos e dizer: Você é o cara. Mas não, ele não era o cara. Era professor, mauricinho, pobre, fraco, forte, estranho, normal. Um mero aprendizado para todas por que passava, um sentimento oco que por vezes era bradado como amor só para não fazer mal a quem era interlocutor nessa história toda.
E José, do alto disso tudo, só observava. Maldito era ele por se auto-amaldiçoar, por querer estar lá, por adorar esse maldito estrago que lhe sorvia todo o bem e só lhe entregava o mal.
Não culpemos José. Ele já estava no fundo do poço que jamais quisestes chegar. Era o homem de uma noite só, a maldição de inúmeras meninas que se apaixonavam e não eram correspondidas. Podre por dentro e por fora também. E sempre sorrindo, ele fingia. Adorava ser a marionete do mundo que se representava muito bem com seus blocos de euforias sodomizadas.
E não havia tempo de brincar de ser feliz. Não havia sequer necessidade. Talvez vontade.
Houve um breve instante em que perseguiu isso. Quis tomar um jeito, se enveredar para o lado certo do que achava certo de verdade. Não bastou, e não por ser pouco, e sim por simplesmente não ser, não querer, não necessitar exatamente do que lhe fora oferecido em bandeja de prata.
Ai se fechou de vez. Morreu pra vida, e para a morte também.
Tomou seu último porre, fez a sua última oração, fumou seu último cigarro e limpou o seu interior. Enfim acordou novamente, agora em um quarto limpo. Bateu a poeira do rosto e decidiu que não se doaria a mais ninguém facilmente, e deu a cara a tapa pra esse Deus que só faz sofrer. E meus amigos, José conseguiu.
O curso das águas o trouxe para o topo do morro, quase morto de medo de dar um pequeno passo para a humanidade, mas um grande passo para um homem. E ele, até ali uma prova viva de fraqueza, se tornara um pedaço forte. Agora, já velho, fodido e cheio de maldições nas costas, enfim aprendia a viver.
E como era correto? Não sabia. Só sentia.
Sua afobação pelo certo quase tirou de suas mãos o presente mais valioso que já havia encontrado. E esse hiato de felicidade na sua vida trouxe pra si a tal liberdade em perceber de fato, que felicidade de verdade era estar amarrado com corda invisível no coração da pessoa amada.
Enfim, uma amada. Sem confissões ou popularidade. Apenas sua amada.
É José, você venceu na vida.
30/09/2013
Sin City?
Joelhos no chão, mãos ultrapassando as nuvens, suas orações em silêncio.
Dor de verdade é essa da terra seca penetrando em suas pernas, da força inata da natureza consumindo seu corpo.
Dor de partir, de te ver partir, de se partir ao meio.
E não há nada de errado com todos esses filhos da puta que atiram contra sua face.
Sem armas, sem mãos. É apenas maldição.
Inaptos. Tolos.
Dormindo debaixo de nossas cobertas, imaginando essa onda de pecados capitalistas. Porcos ativistas.
Do céu cai a chuva da discórdia, que permeia a terra com medo enlatado.
Sin City? Não, esse lugar é real.
É muito mais do que um pedaço de gibi, um pedaço de subconsciente.
Apenas o retrato falado de uma glória do passado. Um pecado do futuro.
É a jóia rara dos ímpios. Ou quem sabe o maior pecado dos justos.
Um lugar onde o coração já não bate, apenas os bolsos.
Onde sua carteira é batida.
Bem vindo ao mundo real, lugar de gente feliz.
Dor de verdade é essa da terra seca penetrando em suas pernas, da força inata da natureza consumindo seu corpo.
Dor de partir, de te ver partir, de se partir ao meio.
E não há nada de errado com todos esses filhos da puta que atiram contra sua face.
Sem armas, sem mãos. É apenas maldição.
Inaptos. Tolos.
Dormindo debaixo de nossas cobertas, imaginando essa onda de pecados capitalistas. Porcos ativistas.
Do céu cai a chuva da discórdia, que permeia a terra com medo enlatado.
Sin City? Não, esse lugar é real.
É muito mais do que um pedaço de gibi, um pedaço de subconsciente.
Apenas o retrato falado de uma glória do passado. Um pecado do futuro.
É a jóia rara dos ímpios. Ou quem sabe o maior pecado dos justos.
Um lugar onde o coração já não bate, apenas os bolsos.
Onde sua carteira é batida.
Bem vindo ao mundo real, lugar de gente feliz.
24/09/2013
Because.
A noite estava estranha. O vento soprava forte, mas não ouriçava os pelos do corpo. O frio não pairava naquela terra tropical. Mas havia mais com o que se preocupar. O céu estava estrelado, mas tão estrelado, que crédulos diriam que Deus salpicou poeira cósmica no céu. E incrédulos também.
E no meio de um bate boca, vinte e poucos anos depois, que encontrávamos aquela criatura engraçada, sentada a frente de um bar numa cadeira de madeira maciça, com seu copo de água. "Água hidrata, é suficiente" dizia ele. E o que importa realmente, é o que está por dentro.
Meio que sem querer, olhou pro lado acompanhando a velocidade dos carros na pista, e foi assim que a viu.
Ele não reparou na sua roupa, somente o suficiente para constatar que era linda. O céu havia deixado cair uma estrela.
Seus olhares não se trocaram, pobre rapaz. Ela talvez nem lembre mais de você.
Abusado, ousado, convicto, direto. Mas só em seus sonhos.
Pessoalmente era a pessoa mais babaca que existia. Não sabe nem dizer um olá.
- Olá! Disse ela
Se emudeceu, levantou as mãos e a viu passar. Sua felicidade já havia se completado, ela reparou nele.
Ela falou com todos no local, abraçou as crianças, sorriu para as fotos. Não derrapou em nenhum momento, afinada como sempre. E como num quê sem porquê sentou na cadeira vaga da mesa desse pobre rapaz.
Tadinho, nem estava arrumado, foi lá só pra prestigiar os amigos. Como poderia chamar a atenção da sua moça desejada?
Mas chamou, com direito a peças e ironias da vida.
Entre seus goles de água, apareceram os de vinho. Recusadas por ele, não por ela.
A conversa não parecia ter qualquer nexo, mas suas bocas não paravam de se mexer. Eles tinham tanto em comum e muito a discordar. Nada disso importava afinal, pois o garçon derrapou e deixou cair a taça de vinho do casal ao lado. Foi aí que os risos se reencontraram.
Ousado, disse quase que tremendo na cadeira:
- Olha, mas que sorriso lindo que você tem!
Depois pensou na porcaria de cantada que mandou.
Ela agradeceu, e sorriu. Dessa vez um sorriso só pra ele, guardado a sete chaves.
Não era muito fácil para ele entender o porque ela havia saído da vida dele, assim, pelas portas dos fundos, sem dizer nada. Só que naquela noite mais nada importava, era ela e ele, ele e ela.
Ela o pegou pelas mãos e saiu correndo pela rua, para surpresa de todos ali presentes. Alguns gritos de "olha a viadagem" não conseguiram quebrar o clima deles. Aliás o clima era deles, um mundo particular ali construído, o que nos faz pensar que mundos paralelos realmente existem, e existem nos corações de cada ser disposto a se entregar ao próximo.
Correram pela rua e riram mesmo sem fôlego. Aquela risada cansada, sem qualquer explicação. Ou havia?
Ao lado de uma borracharia velha, já abandonada, ela o jogou no muro e o beijou. E não era só um beijo que ali nascia, era muito mais. A começar que para ele, era uma sensação não experimentada já a algum tempo, já que pensava calmamente todos os dias sobre qualquer coisa, menos na mulher que desejava. Trabalho, casa, vida, estudo, médico, família, bolsa, carro, esporte, natação, ovo mexido... Tudo havia sido posto à frente, não por importância, e sim por culpa do ócio de seu corpo.
Ele retribuiu o beijo com suas mãos que acariciavam seu rosto de forma suave. Contornavam silenciosamente as bochechas de Rose, que suspirava entre um beijo e outro.
Agarrando-o pelos cabelos, beijou-lhe o pescoço. Os corpos se esquentaram, as mãos se agitaram, os corpos foram unificados. Ao avanço do sinal, ela pegava as duas mãos dele e as prendia na parede, como quem lhe dizia: Ainda não, me conquiste, me tenha por inteira. E o que poderia ser frustração para qualquer humano com camarões na cabeça, foi uma gota de felicidade em forma de orvalho que lhe caía na testa. Levou-a até o portão de sua casa, passando por todo tipo de lugar, sempre dançando junto dela qualquer som que se ecoasse pelas ruas, fosse uma buzina ou o ranger de portões.
Beijos e mais beijos, e aquela incapacidade de dizer: Até logo.
Quem fica longe por muito tempo, não pensa em largar o outro. Nunca mais.
Even because...
E no meio de um bate boca, vinte e poucos anos depois, que encontrávamos aquela criatura engraçada, sentada a frente de um bar numa cadeira de madeira maciça, com seu copo de água. "Água hidrata, é suficiente" dizia ele. E o que importa realmente, é o que está por dentro.
Meio que sem querer, olhou pro lado acompanhando a velocidade dos carros na pista, e foi assim que a viu.
Ele não reparou na sua roupa, somente o suficiente para constatar que era linda. O céu havia deixado cair uma estrela.
Seus olhares não se trocaram, pobre rapaz. Ela talvez nem lembre mais de você.
Abusado, ousado, convicto, direto. Mas só em seus sonhos.
Pessoalmente era a pessoa mais babaca que existia. Não sabe nem dizer um olá.
- Olá! Disse ela
Se emudeceu, levantou as mãos e a viu passar. Sua felicidade já havia se completado, ela reparou nele.
Ela falou com todos no local, abraçou as crianças, sorriu para as fotos. Não derrapou em nenhum momento, afinada como sempre. E como num quê sem porquê sentou na cadeira vaga da mesa desse pobre rapaz.
Tadinho, nem estava arrumado, foi lá só pra prestigiar os amigos. Como poderia chamar a atenção da sua moça desejada?
Mas chamou, com direito a peças e ironias da vida.
Entre seus goles de água, apareceram os de vinho. Recusadas por ele, não por ela.
A conversa não parecia ter qualquer nexo, mas suas bocas não paravam de se mexer. Eles tinham tanto em comum e muito a discordar. Nada disso importava afinal, pois o garçon derrapou e deixou cair a taça de vinho do casal ao lado. Foi aí que os risos se reencontraram.
Ousado, disse quase que tremendo na cadeira:
- Olha, mas que sorriso lindo que você tem!
Depois pensou na porcaria de cantada que mandou.
Ela agradeceu, e sorriu. Dessa vez um sorriso só pra ele, guardado a sete chaves.
Não era muito fácil para ele entender o porque ela havia saído da vida dele, assim, pelas portas dos fundos, sem dizer nada. Só que naquela noite mais nada importava, era ela e ele, ele e ela.
Ela o pegou pelas mãos e saiu correndo pela rua, para surpresa de todos ali presentes. Alguns gritos de "olha a viadagem" não conseguiram quebrar o clima deles. Aliás o clima era deles, um mundo particular ali construído, o que nos faz pensar que mundos paralelos realmente existem, e existem nos corações de cada ser disposto a se entregar ao próximo.
Correram pela rua e riram mesmo sem fôlego. Aquela risada cansada, sem qualquer explicação. Ou havia?
Ao lado de uma borracharia velha, já abandonada, ela o jogou no muro e o beijou. E não era só um beijo que ali nascia, era muito mais. A começar que para ele, era uma sensação não experimentada já a algum tempo, já que pensava calmamente todos os dias sobre qualquer coisa, menos na mulher que desejava. Trabalho, casa, vida, estudo, médico, família, bolsa, carro, esporte, natação, ovo mexido... Tudo havia sido posto à frente, não por importância, e sim por culpa do ócio de seu corpo.
Ele retribuiu o beijo com suas mãos que acariciavam seu rosto de forma suave. Contornavam silenciosamente as bochechas de Rose, que suspirava entre um beijo e outro.
Agarrando-o pelos cabelos, beijou-lhe o pescoço. Os corpos se esquentaram, as mãos se agitaram, os corpos foram unificados. Ao avanço do sinal, ela pegava as duas mãos dele e as prendia na parede, como quem lhe dizia: Ainda não, me conquiste, me tenha por inteira. E o que poderia ser frustração para qualquer humano com camarões na cabeça, foi uma gota de felicidade em forma de orvalho que lhe caía na testa. Levou-a até o portão de sua casa, passando por todo tipo de lugar, sempre dançando junto dela qualquer som que se ecoasse pelas ruas, fosse uma buzina ou o ranger de portões.
Beijos e mais beijos, e aquela incapacidade de dizer: Até logo.
Quem fica longe por muito tempo, não pensa em largar o outro. Nunca mais.
Even because...
16/09/2013
Rascunho.
Começou como uma folha branca. Simples, apenas pauta e nada mais.
Do céu, avistava-se um gigante lápis, sedento para desenhar.
Mas como assim, do nada ele aparecia? Sim senhor!
No início eram apenas riscos. Curvas desconexas vindas de dedos suados.
Uma curva bonita aqui, outra ali, mas nada que fosse realmente interessante.
Passa borracha, mão gigante!
E passou.
Uma nova tentativa, vamos lá.
O lápis foi apontado, polvilhando grafite naquele branco já encardido.
Suavemente, a ponta foi pressionada, e desenhos mais suaves apareceram.
Ainda não era suficiente, os detalhes estavam estranhos, lembravam Dalí.
E dali, e aqui, e dá-lhe a borracha a apagar.
Essa história se sucedeu por várias e várias vezes, até que o papel ficasse febril de tanto ser apagado.
A névoa cinza dominava toda aquele ondulado papel opaline. A luz já não passava por grande parte daquele papel.
De repente, outra mão apareceu ali. Expulsou aquela mão feia e trouxe seu próprio lápis.
Mas havia pouco espaço ali para desenhar, já que aquele papel estava registrado com tanto rabisco sólido.
Algumas noites em branco, uma pequena tentativa. O céu azul, o céu cinza, o céu negro.
Vários momentos passaram. Mas a página nunca era virada.
A mão se afastou, raciocinou, respeitou.
Foi embora, mas voltou com uma pena, sulcada de tinta.
Deixou ali uma marquinha.
Um pinguinho.
E esperou.
Frágil, absorveu aquela gota de tinta.
Por fim, desenhou uma rosa, bem no cantinho, mesmo que quase ninguém visse.
Mas o papel viu. O papel registrou.
Embranqueceu um bocado. Talvez fosse um recado.
- Não rabisques se a intenção for só borrar meu humilde ser. Não marque forte aquilo que não quer ter.
Ora, era só o rascunho! A obra-prima? Um dia, quem sabe.
Por ora, a pena era suficiente para percorrer por lá, e fechar com vinhas as rosas que eram desenhadas em cada borda, sem o consentimento de ninguém, mas com uma vontade incrível de fazer o desenho perfeito.
Do céu, avistava-se um gigante lápis, sedento para desenhar.
Mas como assim, do nada ele aparecia? Sim senhor!
No início eram apenas riscos. Curvas desconexas vindas de dedos suados.
Uma curva bonita aqui, outra ali, mas nada que fosse realmente interessante.
Passa borracha, mão gigante!
E passou.
Uma nova tentativa, vamos lá.
O lápis foi apontado, polvilhando grafite naquele branco já encardido.
Suavemente, a ponta foi pressionada, e desenhos mais suaves apareceram.
Ainda não era suficiente, os detalhes estavam estranhos, lembravam Dalí.
E dali, e aqui, e dá-lhe a borracha a apagar.
Essa história se sucedeu por várias e várias vezes, até que o papel ficasse febril de tanto ser apagado.
A névoa cinza dominava toda aquele ondulado papel opaline. A luz já não passava por grande parte daquele papel.
De repente, outra mão apareceu ali. Expulsou aquela mão feia e trouxe seu próprio lápis.
Mas havia pouco espaço ali para desenhar, já que aquele papel estava registrado com tanto rabisco sólido.
Algumas noites em branco, uma pequena tentativa. O céu azul, o céu cinza, o céu negro.
Vários momentos passaram. Mas a página nunca era virada.
A mão se afastou, raciocinou, respeitou.
Foi embora, mas voltou com uma pena, sulcada de tinta.
Deixou ali uma marquinha.
Um pinguinho.
E esperou.
Frágil, absorveu aquela gota de tinta.
Por fim, desenhou uma rosa, bem no cantinho, mesmo que quase ninguém visse.
Mas o papel viu. O papel registrou.
Embranqueceu um bocado. Talvez fosse um recado.
- Não rabisques se a intenção for só borrar meu humilde ser. Não marque forte aquilo que não quer ter.
Ora, era só o rascunho! A obra-prima? Um dia, quem sabe.
Por ora, a pena era suficiente para percorrer por lá, e fechar com vinhas as rosas que eram desenhadas em cada borda, sem o consentimento de ninguém, mas com uma vontade incrível de fazer o desenho perfeito.
12/09/2013
Tac.
Um peão pode ter poder para ser torre, bispo, cavalo ou rainha, mas se não for nomeado nada, não importa a boa vontade de quem o vê, ele será apenas um peão.
Infelizmente, peões são apenas sacrifícios.
Descartáveis soluções.
Só que depois de tapar o buraco, o peão vai embora. Some. Morre.
Aí... só na próxima partida você vai poder decidir se um mero peão pode ser sua peça mais importante, ou se vai deixar ele morrer novamente.
Infelizmente, peões são apenas sacrifícios.
Descartáveis soluções.
Só que depois de tapar o buraco, o peão vai embora. Some. Morre.
Aí... só na próxima partida você vai poder decidir se um mero peão pode ser sua peça mais importante, ou se vai deixar ele morrer novamente.
29/08/2013
O Canto de Tinúviel.
Já na tarde da madrugada, já tão próximo do sol quente e fervoroso que iria secar o asfalto gélido. Do alto da rua vinha nosso adorável mendigo. Maltrapilho, com uma capa robusta mas surrada e sapatos em mesmo estado. Em mãos, uma garrafa qualquer, com qualquer líquido que possuísse álcool. Talvez fosse álcool inclusive. Talvez fossem apenas sonhos engarrafados.
Na esquina da perdição ele capotou. Tropeçou nos pés dos drogados e rolou rua abaixo até que as latas de lixo fizessem o barulho de um strike duvidoso. Também pudera, varias latas ficaram de pé, tamanha fraqueza daquele corpo. Sua barriga roncava, era a fome que lhe perturbava. Começavam a vir os pensamentos de outrora à sua cabeça. A mesa farta de sua casa, seus bolsos forrados com seda, confortáveis. Talheres, copos e a louça brilhosa. Nem lembrava mais quando o pai da escuridão o levou, apenas sabia que a rua era seu pertence mais valioso e sua vida era seu caminho mais doloroso.
A esquina clareava, o sol começava a brotar num céu cinzento e esfumaçado. Seu estomago ainda doía, ele queria mais. Talvez o álcool, mas ele se perdera nos sacos de lixo. E não era nem pelo medo de procurar, pois se afundar no lixo não era assustador para ele. Não, na verdade era muito mais do que apenas comer ou beber. Era se completar com alguma coisa. Néctar dos deuses ou alimento do moinho dos ventos, não sabia ao certo, mas ele queria sentir novamente o prazer de se completar.
E já sem saber para aonde olhar, no que focar e o que fazer, já farto de sua vida e com lágrimas que lhe penetravam até as entranhas, eis que surgia ofuscante junto ao sol Tinúviel. Voando cheia de graça, pousou-lhe nos ombros e lhe cochichou uma música. No início, nada daquilo fazia sentido. Depois, as notas eram de fácil entendimento para ele, que assim que as entendeu, se recompôs e entendeu que não era alimento para o corpo muito menos pro espírito que ele precisava, e sim de calma e paz para a sua cabeça surrada. Só com a cabeça no lugar é que nosso adorável mendigo poderia reaprender a sentir fome, a largar o vício e enfim, interpretar a vida como seu pertence mais valioso, e as ruas como o seu caminho mais doloroso.
Enfim partia Tinúviel rumo aos céus, assoviando. Afinal, sorrisos só foram feitos para lábios.
Na esquina da perdição ele capotou. Tropeçou nos pés dos drogados e rolou rua abaixo até que as latas de lixo fizessem o barulho de um strike duvidoso. Também pudera, varias latas ficaram de pé, tamanha fraqueza daquele corpo. Sua barriga roncava, era a fome que lhe perturbava. Começavam a vir os pensamentos de outrora à sua cabeça. A mesa farta de sua casa, seus bolsos forrados com seda, confortáveis. Talheres, copos e a louça brilhosa. Nem lembrava mais quando o pai da escuridão o levou, apenas sabia que a rua era seu pertence mais valioso e sua vida era seu caminho mais doloroso.
A esquina clareava, o sol começava a brotar num céu cinzento e esfumaçado. Seu estomago ainda doía, ele queria mais. Talvez o álcool, mas ele se perdera nos sacos de lixo. E não era nem pelo medo de procurar, pois se afundar no lixo não era assustador para ele. Não, na verdade era muito mais do que apenas comer ou beber. Era se completar com alguma coisa. Néctar dos deuses ou alimento do moinho dos ventos, não sabia ao certo, mas ele queria sentir novamente o prazer de se completar.
E já sem saber para aonde olhar, no que focar e o que fazer, já farto de sua vida e com lágrimas que lhe penetravam até as entranhas, eis que surgia ofuscante junto ao sol Tinúviel. Voando cheia de graça, pousou-lhe nos ombros e lhe cochichou uma música. No início, nada daquilo fazia sentido. Depois, as notas eram de fácil entendimento para ele, que assim que as entendeu, se recompôs e entendeu que não era alimento para o corpo muito menos pro espírito que ele precisava, e sim de calma e paz para a sua cabeça surrada. Só com a cabeça no lugar é que nosso adorável mendigo poderia reaprender a sentir fome, a largar o vício e enfim, interpretar a vida como seu pertence mais valioso, e as ruas como o seu caminho mais doloroso.
Enfim partia Tinúviel rumo aos céus, assoviando. Afinal, sorrisos só foram feitos para lábios.
26/08/2013
Moça do Cabelo Bonito.
Moça do cabelo bonito, você é muito bonita sabia?
Um dia desses fiquei pensando em ti. Ah, sou novo demais para me deixar levar, mas me deixa sonhar?
Eu quero ser feliz, brincar com meu nariz, feito Los Hermanos sem barba.
Me chegar na sua vida, já que a porta tava aberta, parecia até premeditado moça esperta.
Me chegar na sua vida, já que a porta tava aberta, parecia até premeditado moça esperta.
Mas moça do cabelo bonito, você é muito bonita sabia?
Seus olhos, sua ferrugem e essa boca cheia de sorrisos recém-saídos do forno.
Esse seu corpo que chacoalha de forma sexy, com qualquer roupa que lhe cai bem.
Qualquer coisa lhe cai bem. Qualquer você é sexy.
Mas moça do cabelo bonito, você é muito bonita!
Eu sei, eu sei. Não quero avançar as coisas! Com a minha idade, eu só posso pensar em futebol, em estudar e crescer na vida.
Mas uma criança não precisa ter ambições, não precisa de alimento para a cabeça.
Eu quero é saciar meu coração, dar asas a minha imaginação.
É talvez estar no seu colo enquanto sonho sem nenhuma indignação.
Mas moça, você me aguenta no colo?
Talvez seja delicada demais para isso. Você pode me dar a mão então? Ai será problema resolvido!
E moça, não se preocupa, não quero doce antes da janta. Nem jantar eu queria!
Mas fica aqui, brinca comigo, me dá um pouco da sua atenção.
E no final do dia, me leva pra sua cama e me deixe dormir ao seu lado.
Não pense safadeza ôxe! É muito mais que essas saliências!
Eu quero é te ver dormir menina do cabelo bonito.
Quero eu poder te pegar no colo quando crescer.
Mas manter meus sonhos intactos, inalterados.
Já que hoje habita em mim a mais pura criança que já se fez presente.
Criança boba, que sonha contigo todas as noites, todos os dias e as tardes também.
Com o giz de cera ela só sabe imitar em traços estranhos o seu belo corpo esguio e seu cabelo enfeitado.
Então deixe meu achado recuperado te dizer mais uma vez senhora moça?
Moça do cabelo bonito, você é muito bonita, sabia?
Moça do cabelo bonito, você é muito bonita, sabia?
21/08/2013
Divisor de Águas.
Num dia você acorda viciado, comendo de tudo e reclamando da vida. No outro, não pode mais fumar, comer nada que seja prazerosamente bom e acreditando que tudo pode melhorar. Eu sinceramente não entendo o funcionamento da cabeça humana, mas francamente, estou diante da maior provação da minha vida, o momento exato em que, de uma vez por todas, terei que me provar que sou muito mais do que um punhado de carne fraca, que eu posso ser realmente o cara forte que todos acham que sou, menos eu mesmo. Ah, como era estranho acordar sem motivos para acordar, e como é estranho acordar agora querendo prolongar minha qualidade de vida, sendo que antes nem motivo pra viver eu tinha. A única coisa que peço, e peço a mim mesmo, é força. Força não para superar os obstáculos cavernosos de agora, e sim pra aprender com tudo isso.
11/08/2013
Filho, traz o cigarro do pai que tá no quarto, por favor.
Já é de alguns anos que o dia dos pais não significa nada para mim. Esse ano mesmo, fui pego de surpresa, descobri com postagens nas redes sociais. Fotos dos pais vivos, dos que já se foram, dos heróis e dos que criaram heróis.
Eu tenho todos os motivos do mundo para odiar meu pai. Não deu praticamente nada de pensão para ajudar com meu crescimento. Depois que me mudei para Araruama, ele nunca mais me procurou. Nossas conversas foram limitadas a algumas ligações esporádicas que eu fazia para saber como ele estava. Durante muito tempo, eu sequer soube o que era pai. Minha mãe evitava falar dele, meu irmão não compartilhava o período em que ele esteve em casa e minha família materna não gosta dele, e quando falavam, falavam das suas traições, suas vigarices e seus erros. Dedos apontados na cara de quem você sequer conhece.
Mas eu só o odeio por um motivo em especial.
Aos 13 anos, tive a oportunidade de visitar ele no Rio de Janeiro. Era até então, a terceira vez que eu o veria (isso claro, desconsiderando a infância sem recordações), e a primeira vez em 5 anos, ou seja: Quem era meu pai? Ele era mesmo aquele homem cheio de defeitos que todos falavam? Não sabia se eu o odiava ou se ele era apenas indiferente para mim. Quando cheguei lá, tive um choque. Ele não se parecia em nada com as fotos que eu via dele. Gordo, careca e fumante compulsivo, seu apartamento era rodeado de peças de computador quebradas, cinzeiros abarrotados de cinzas e bombinhas de asma em cada cômodo. Roupas bagunçadas, e ele não tinha muitos móveis, exceto um sofá esburacado e um rack velho, também abarrotado de papéis sem importância. A princípio eu ficaria lá 3 dias. Só que esses 3 dias viraram 3 meses, devido a problemas que minha mãe passava aqui em Araruama. E sabem do que mais? Não houve um único dia naqueles 3 meses em que eu não tenha me divertido. Eu nem precisava de uma TV. Foram partidas de xadrez valendo sanduíches, de Elifoot 98 (jogo qual eu o viciei) e de tantos outros jogos eletrônicos. Histórias engraçadas da época em que ele viveu com minha mãe, com minha avó e com a minha irmã. Era uma outra faceta da minha família, um lado que eu nunca conheceria se eu não tivesse ficado lá tanto tempo. Até tive o convite de morar com ele, para ajudar nos meus estudos, mas eu sempre fui agarrado a minha mãe, por isso, não consegui ficar lá. As vezes me arrependo, as vezes fico feliz que não tenha ficado, mas minha raiva permanece. Meu pai é cheio de defeitos, problemas e doenças. Um cara problemático, e até certo ponto, doido. Mas ele sabia ser um pai de verdade. Dedicava seu pouco tempo pra conversar, esclarecer minhas dúvidas e me incentivava a ser alguém na vida, sem seguir seu exemplo. Confessava seu arrependimento por ter sido um péssimo pai, um péssimo esposo, um péssimo exemplo para um filho que mal conhecia. Minha raiva pai, é que você poderia ter sido meu herói, poderia ter sido uma parte importante de minha vida, um pedaço relevante de minha construção de caráter, mas você optou por se isolar do mundo (não só de seus filhos) a ter que enfrentar seus medos. Consigo imaginar sua reação ao te contar da primeira namorada, dos esporros e da rigidez na criação, assim como com meu irmão, imagino até como teria sido seu incentivo ao meu primeiro emprego. Talvez eu tivesse seguido numa faculdade... Enfim. Tudo que me resta de lembrança de ti são aqueles 3 meses de 2003, as férias mais divertidas da minha vida, e um rancor imenso por você não ter sido o pai que saberia ser. Não pai, não posso dizer que te amo, mas tenho certeza de algo: Você é o melhor pai do mundo que eu jamais tive.
Eu tenho todos os motivos do mundo para odiar meu pai. Não deu praticamente nada de pensão para ajudar com meu crescimento. Depois que me mudei para Araruama, ele nunca mais me procurou. Nossas conversas foram limitadas a algumas ligações esporádicas que eu fazia para saber como ele estava. Durante muito tempo, eu sequer soube o que era pai. Minha mãe evitava falar dele, meu irmão não compartilhava o período em que ele esteve em casa e minha família materna não gosta dele, e quando falavam, falavam das suas traições, suas vigarices e seus erros. Dedos apontados na cara de quem você sequer conhece.
Mas eu só o odeio por um motivo em especial.
Aos 13 anos, tive a oportunidade de visitar ele no Rio de Janeiro. Era até então, a terceira vez que eu o veria (isso claro, desconsiderando a infância sem recordações), e a primeira vez em 5 anos, ou seja: Quem era meu pai? Ele era mesmo aquele homem cheio de defeitos que todos falavam? Não sabia se eu o odiava ou se ele era apenas indiferente para mim. Quando cheguei lá, tive um choque. Ele não se parecia em nada com as fotos que eu via dele. Gordo, careca e fumante compulsivo, seu apartamento era rodeado de peças de computador quebradas, cinzeiros abarrotados de cinzas e bombinhas de asma em cada cômodo. Roupas bagunçadas, e ele não tinha muitos móveis, exceto um sofá esburacado e um rack velho, também abarrotado de papéis sem importância. A princípio eu ficaria lá 3 dias. Só que esses 3 dias viraram 3 meses, devido a problemas que minha mãe passava aqui em Araruama. E sabem do que mais? Não houve um único dia naqueles 3 meses em que eu não tenha me divertido. Eu nem precisava de uma TV. Foram partidas de xadrez valendo sanduíches, de Elifoot 98 (jogo qual eu o viciei) e de tantos outros jogos eletrônicos. Histórias engraçadas da época em que ele viveu com minha mãe, com minha avó e com a minha irmã. Era uma outra faceta da minha família, um lado que eu nunca conheceria se eu não tivesse ficado lá tanto tempo. Até tive o convite de morar com ele, para ajudar nos meus estudos, mas eu sempre fui agarrado a minha mãe, por isso, não consegui ficar lá. As vezes me arrependo, as vezes fico feliz que não tenha ficado, mas minha raiva permanece. Meu pai é cheio de defeitos, problemas e doenças. Um cara problemático, e até certo ponto, doido. Mas ele sabia ser um pai de verdade. Dedicava seu pouco tempo pra conversar, esclarecer minhas dúvidas e me incentivava a ser alguém na vida, sem seguir seu exemplo. Confessava seu arrependimento por ter sido um péssimo pai, um péssimo esposo, um péssimo exemplo para um filho que mal conhecia. Minha raiva pai, é que você poderia ter sido meu herói, poderia ter sido uma parte importante de minha vida, um pedaço relevante de minha construção de caráter, mas você optou por se isolar do mundo (não só de seus filhos) a ter que enfrentar seus medos. Consigo imaginar sua reação ao te contar da primeira namorada, dos esporros e da rigidez na criação, assim como com meu irmão, imagino até como teria sido seu incentivo ao meu primeiro emprego. Talvez eu tivesse seguido numa faculdade... Enfim. Tudo que me resta de lembrança de ti são aqueles 3 meses de 2003, as férias mais divertidas da minha vida, e um rancor imenso por você não ter sido o pai que saberia ser. Não pai, não posso dizer que te amo, mas tenho certeza de algo: Você é o melhor pai do mundo que eu jamais tive.
07/08/2013
Quem quer.
Quem quer, não cria desilusões, não cria falso moralismo.
Quem quer, não provoca, conquista.
Quem quer, sabe o que faz com as próprias mãos.
Quem quer, vai a luta e traz pra casa o sonho almejado.
Quem quer, não abandona, não deixa na porta do vizinho.
Quem quer, para no momento certo.
Quem quer, é humilde pra admitir suas limitações.
Quem quer, entende o mundo à sua volta.
Quem quer, faz de tudo mesmo que seja limitado.
Quem quer, vai até o fim.
Quem quer, quer de fato.
Quem quer, não provoca, conquista.
Quem quer, sabe o que faz com as próprias mãos.
Quem quer, vai a luta e traz pra casa o sonho almejado.
Quem quer, não abandona, não deixa na porta do vizinho.
Quem quer, para no momento certo.
Quem quer, é humilde pra admitir suas limitações.
Quem quer, entende o mundo à sua volta.
Quem quer, faz de tudo mesmo que seja limitado.
Quem quer, vai até o fim.
Quem quer, quer de fato.
02/08/2013
Mero dissabor não caracteriza dano moral.
Em meio a ataques de aneurisma e surtos de psicodelismo, estava lá o real motivo para tanto espasmo: Ódio. Não sabia como se implantara ali, nem tampouco se iria embora, mas era real, e tal como real, lhe deixava marcas salientes na pele. Nunca havia experimentado desta nova faceta (até porque, ele nunca a quis expor), e algo lhe dizia que agora era permanente, tal como a navalhada de um estilete na mesa de madeira. Lixe, pinte, nivele. Ela sumirá, mas sumirá grande parte da mesa também.
Nas ruas cinzentas de Libertine City, ele era só mais um anjo caído, rezando a desgraça de seus fiéis seguidores. No colo, nada de ombro amigo. No céu, não havia mais refúgio, muito menos no inferno. Tampava então os ouvidos e ouvia o som oco de sua cabeça, e a mesma explodia. Uma breve olhada na poça d'agua e bom, era apenas uma sensação passageira, a cabeça ainda estava lá, para seu total descaso.
A alguns anos atrás uma bela jovem lhe chamou a atenção. Charmosa por ser, indiferente a olhos nus. Seu estilo não parecia nada anormal, suas botas também eram bem simples. Talvez o mexer dos cabelos, ou o sorriso? Não. Ela era definitivamente normal. Sorriso normal, imperfeito. O céu da sua boca resplandecia mais do que o estrelado lá do alto. Avante e adiante, seguiu então a lhe seguir. Com olhos marejados, definhava sem nem saber para onde as cinzas o levava. Um altar? Um caixão? Uma sesta de fim de tarde?
Assim se seguiram os anos. Ela envelheceu, as rugas lhe marcaram, os filhos apareceram e seu corpo padeceu. Não ascendeu aos céus, não foi vendida ao Diabo. Tudo que lhe restava eram ossos num caixão, e um buquê matinal, sempre trazido pelo seu amante espiritual. Anjo? Criatura? Criador? Nada sabia sobre si mesmo. Um espírito leviano? Ahh... como um ser não sabe daonde veio?
Frustrações inacabadas, talvez sem volta, sem porta dos fundos nem atalho. Apenas era. Um capote no ar, uma queda ao chão. O som forte de sua queda acordava multidões caídas em eterno sono, sem escapatória para ninguém. A sua força agora era a de dez mil homens furiosos, loucos ensandecidos por sexo repreendido e destruidores por ser. Ser, talvez não ser. Era a questão afinal?
A questão era que ninguém o via, e se quisesse dar cabo de si mesmo, seria inútil. No geral, seu dissabor não caracterizava qualquer dano moral, tampouco cerebral. Tudo que lhe restava eram horas e horas de pura nostalgia, pelo que nunca viveu, pelo que nunca saboreou. Aqueles olhos negros, sedentos por uma nova vida, um novo sorriso, ele nunca alcançou. E numa última tentativa frustrada, ascendeu aos céus à procura de respostas, a procura de alguém que lhe dissesse o que fazer. Ingênuo... Extinguiu sua existência já na camada de ozônio. Anjos nunca foram resistentes ao calor de um corpo, como seriam capazes de aguentar os raios de um sol? Mas afinal, ele era mesmo anjo?
Era. O anjo dela. E a cinética que era máxima, acabou variando, e aqueles dois corpos inexistentes, acabaram criando uma história que nunca existiu.
Nas ruas cinzentas de Libertine City, ele era só mais um anjo caído, rezando a desgraça de seus fiéis seguidores. No colo, nada de ombro amigo. No céu, não havia mais refúgio, muito menos no inferno. Tampava então os ouvidos e ouvia o som oco de sua cabeça, e a mesma explodia. Uma breve olhada na poça d'agua e bom, era apenas uma sensação passageira, a cabeça ainda estava lá, para seu total descaso.
A alguns anos atrás uma bela jovem lhe chamou a atenção. Charmosa por ser, indiferente a olhos nus. Seu estilo não parecia nada anormal, suas botas também eram bem simples. Talvez o mexer dos cabelos, ou o sorriso? Não. Ela era definitivamente normal. Sorriso normal, imperfeito. O céu da sua boca resplandecia mais do que o estrelado lá do alto. Avante e adiante, seguiu então a lhe seguir. Com olhos marejados, definhava sem nem saber para onde as cinzas o levava. Um altar? Um caixão? Uma sesta de fim de tarde?
Assim se seguiram os anos. Ela envelheceu, as rugas lhe marcaram, os filhos apareceram e seu corpo padeceu. Não ascendeu aos céus, não foi vendida ao Diabo. Tudo que lhe restava eram ossos num caixão, e um buquê matinal, sempre trazido pelo seu amante espiritual. Anjo? Criatura? Criador? Nada sabia sobre si mesmo. Um espírito leviano? Ahh... como um ser não sabe daonde veio?
Frustrações inacabadas, talvez sem volta, sem porta dos fundos nem atalho. Apenas era. Um capote no ar, uma queda ao chão. O som forte de sua queda acordava multidões caídas em eterno sono, sem escapatória para ninguém. A sua força agora era a de dez mil homens furiosos, loucos ensandecidos por sexo repreendido e destruidores por ser. Ser, talvez não ser. Era a questão afinal?
A questão era que ninguém o via, e se quisesse dar cabo de si mesmo, seria inútil. No geral, seu dissabor não caracterizava qualquer dano moral, tampouco cerebral. Tudo que lhe restava eram horas e horas de pura nostalgia, pelo que nunca viveu, pelo que nunca saboreou. Aqueles olhos negros, sedentos por uma nova vida, um novo sorriso, ele nunca alcançou. E numa última tentativa frustrada, ascendeu aos céus à procura de respostas, a procura de alguém que lhe dissesse o que fazer. Ingênuo... Extinguiu sua existência já na camada de ozônio. Anjos nunca foram resistentes ao calor de um corpo, como seriam capazes de aguentar os raios de um sol? Mas afinal, ele era mesmo anjo?
Era. O anjo dela. E a cinética que era máxima, acabou variando, e aqueles dois corpos inexistentes, acabaram criando uma história que nunca existiu.
22/07/2013
Quase sem por quês.
No momento mais nada a ver, naquele instante mais inesperado, aquela situação mais atípica. É ali que as coisas realmente acontecem. É se surpreendendo sem esperar, esperando sem querer, querendo sem ter porquê. Mas por quê? Não o porquê isso tudo, e sim o porquê dos por quês. Feridas não cicatrizadas, cicatrizes bem cuidadas, e cuidados descuidados, Cuidados em pensar, cuidados em amamentar o destino. Inesperado, inconsequente, eloquente. Perfeitamente então. É querer por perto, quem está por perto, quem está bem longe. É desafiar a física quântica, o Deus da bíblia e o lider do ginásio. Absurdo bizarrismo, falso moralismo, somente estrelismo. Um grande abismo. Mas não se importa quem muito exporta para fora de si as idéias exatas dos por quês. Sempre perguntáveis, sempre questionáveis. O que querer, o que fazer? Se jogar no mar de rosas, sufocar na nuvem de gás. Quem muito pensa, pouco observa, e com o tempo aprendi que observar só me dá lugar de destaque pra ver a felicidade alheia. E lá eu, enterrado na areia sem minha sereia. Apenas creia. Apenas seja atípico. Apenas se liberte. É perda de tempo total se dar ouvidos aos próprios pensamentos ensurdecedores. O que eu quero hoje é o que eu quero pra sempre, e meu sempre é meu, e quase já é seu também.
20/07/2013
Culpa?
De que? Eu? Não, eu não sinto culpa de nada. Na verdade durmo todos os dias com a cabeça tranquila em meu velho travesseiro. Sempre dei meu máximo, sempre tentei tudo que pude, e usei de todos os artifícios para que meus grandes amores dessem certo. Não deram. Mas não se preocupem, eu ainda tenho os chifres, as noites mal-dormidas, as malditas lágrimas nunca confessadas, os soluços de preocupação e principalmente, as mágoas por ouvir sempre que os erros eram meus, quase sempre sem querer. E acreditem, eu já não culpo mais ninguém, a não ser eu mesmo. Não por ter errado. Como disse, minha cabeça encosta tranquilamente todas as noites no travesseiro. Me culpo por ter sido tão passional com quem só quis entrar, arreganhar a maldita porta, bagunçar a minha casa e ir embora, deixando apenas um bilhete e um afago, como se esse tipo de coisa curasse sentimentos agonizantes.
07/07/2013
O Dom da Pureza.
Acordei. Dor de estômago, sono e amargueza. O primeiro cigarro que não serve só para saciar o vício. Acendo ele e o coloco no cinzeiro de madeira, deixando a fumaça subir e ir se moldando por cada objeto que passa, até sumir. Se eu tirasse 10 mil fotos, em cada uma eu enxergaria um desenho diferente nela: Um carro, o sol, a morte. Na minha janela, eu me avistava, já que a chance dela ser aberta era de um por cento. Mais um dia normal, mais um domingo normal, com gosto de tédio e o bônus de um dedo machucado. Fiquei pensando na amargura de algumas palavras, na doçura de outras e na saliência dos acentos. Na saliência dos acertos. Ninguém sabe para onde o mundo vai, ninguém conta as horas para o próximo amor, ou para o velho, mas sempre vamos contar para o ônibus que vai passar, ou para o carro que queremos comprar. No instante que nossos desejos viram obsessões, eles se corrompem e deixam de ser puros. Quando sentimentos viram perseguições, deixam de ser um ideal: Se tornam um câncer. A operação não é das mas fáceis, talvez a quimioterapia para certas doenças da alma nem funcione, mas podem amenizar. E se vazar radioatividade pela sua pele, com certeza você vai se orgulhar. O álcool, o chocolate, talvez o tabaco. Talvez um filme gostoso debaixo do edredon, um sexo descompromissado, uma vela na frente do altar, não importa: A cura somos nós que determinamos, e tal como remédios, elas demoram para surtir efeito. Mas surtem. Tem gente que tende a chamar o Chorão de poeta, talvez eu roube uma frase dele: Não tão complicado demais, mas nem tão simples assim.
Demoramos para perceber, mas a pureza de uma alma infantil está em nossos corações, e tenhamos certeza: só cala um coração infantil aquele que perdeu a esperança de viver. Não sufoquemos no nosso próprio vômito, não deixemos que os pássaros morram no céu. A saudade dói, mas ela serve, principalmente, para dizer que uma hora deu certo. E pode dar certo outra vez, só basta não se tornar obsessão.
Meu cigarro acabou e eu não dei um único trago nele. Será que eu mudei? Não... minha criança ainda está sufocando.
05/07/2013
Me Torture.
Ele já não sabia mais quando o luto terminaria. Do alto de suas certezas, ele padecia do maior problema: Medo de viver. Havia experimentado toda a vida que podia, que queria, havia provado todos os lábios que queria provar, realizara todos os desejos sórdidos do capitalismo em doses únicas, porém escassas. E algo lhe faltava. Esse luto improvável, esse medo inconveniente de seguir em frente, mesmo que as possibilidades não fossem únicas, e quase todas boas. Teimava em gritar todos os dias "BOM DIA!" ao mundo, mas o mundo lhe torturava com acontecimentos do cotidiano que não esperava. Um liquidificador quebrado, um pneu furado, um frango queimado. O tempo corria, a vida o apertava, ele queria mais, só que mais querer era mais mentir, e se virasse para cima a sua vida, ela a esmurraria de baixo, e se o tempo passasse e o rosto mudasse, esse rosto só mostraria o que não é real. Se importava, mas não era poupado, e seus sentimentos cada vez mais iam para longe, deixando uma marca profunda e forte em sua alma. E lá, no fundo dessa alma, cada vez mais ele se escondia, querendo entender o porquê de procurarmos e não encontrarmos, e o porquê que quando largamos as coisas de mão, elas acontecem. O seu único desejo, talvez o mais ridículo desejo agora, era o de poder dormir debaixo de uma ponte, sendo torturado mais ainda pela vida, mas podendo procurar novamente a tão sonhada casa para se aconchegar. Não saberá nunca se voltará para debaixo da ponte, ou se nunca a habitará, mas sabe que aonde está, ele só quer mudar. E abrir novamente sua alma para uma nova tortura.
03/07/2013
O certo, o errado e o universo.
O universo, nosso universo particular, gira sem parar. Move, dança e chuta longe pro céu toda forma de sonho possível. É nesse mundo, no nosso mundinho, que vivemos o que, provavelmente, nunca viveremos. E só não vivemos pois teimamos em empilhar pedras escrotas em formato de montanha na frente de nossos espíritos eternamente juvenis. Talvez seja necessário para todos nós falar "Eu não posso prosseguir mais" quando na verdade podemos prosseguir sempre, pois talvez seja interessante haver um limite. Um limite para andar, para desbravar, para se cativar e ser cativado. As portas na verdade, sempre estão abertas para as possibilidades, mas só deixamos o próximo prosseguir, enquanto nós, efetivamente, nunca cruzamos a porta, pois é muito mais amedrontador ser feliz do que ser infeliz. A questão, o ponto chave é: É possível amar ao próximo sem se amar?
Não, provavelmente não.
Mas não podemos nos culpar. Não, não podemos. Mas quem iremos culpar?
Não podemos prosseguir com dúvidas, então nos programamos para travar a cada problema aparentemente sem solução. É aonde todos nós erramos, no medo de acertar.
O medo de acertar, esse amedrontador colosso que nos defronta com o nariz empinado e braços firmes. É ele o culpado. O medo de errar? Ah, esse é um anão, quase insignificante, que voa se você soprar com um pouco de firmeza.
Por que seguimos com nossos medos de acertar? Arriscar já foi sinônimo de vida, e hoje é de morte.
E não há nada que nos salvará. Pois hoje em dia, é errado querer ser certo.
Não, provavelmente não.
Mas não podemos nos culpar. Não, não podemos. Mas quem iremos culpar?
Não podemos prosseguir com dúvidas, então nos programamos para travar a cada problema aparentemente sem solução. É aonde todos nós erramos, no medo de acertar.
O medo de acertar, esse amedrontador colosso que nos defronta com o nariz empinado e braços firmes. É ele o culpado. O medo de errar? Ah, esse é um anão, quase insignificante, que voa se você soprar com um pouco de firmeza.
Por que seguimos com nossos medos de acertar? Arriscar já foi sinônimo de vida, e hoje é de morte.
E não há nada que nos salvará. Pois hoje em dia, é errado querer ser certo.
22/06/2013
O Aparador de Pipas.
Joãozinho era um garoto muito serelepe. Corria e brincava todos os dias apos a escola pelos becos da favela. De cima de sua laje, via lá embaixo um mundo totalmente diferente do que presenciava lá em cima. Não sentia inveja dos que estavam lá embaixo, mas se indagava pelos motivos para não se misturarem. De segunda a sexta, a velha camisa branca desbotada do colégio municipal dava espaço a um peito nu cheio de cicatrizes visíveis. O céu era seu limite, e sim, falo literalmente. Do alto de seu imponente império, empinava as vezes sua pipa de estimação. Tinha ciumes dela. Era a sua velha pipa do Flamengo, com rabiola de fitas pretas e vermelhas, que sua mãe havia ajudado a confeccionar. O muleque era bom. Com cerol na linha, sempre cortava os "meninos ricos" do mundo lá de baixo, e volta e meia aparava uma infinidade de pipas. Como disse, era só as vezes que sua pipa dava o ar da graça pelos céus do Rio de Janeiro. Havia uma história por trás dela: Sua mãe havia morrido dias depois de ajudar ele a fazer sua pipa, e Joãozinho, ainda com seus 7 anos, nunca mais esqueceria do último gesto de ternura que sua mãe lhe proporcionou antes de partir. Era como se aquela pipa tivesse sido enviada dos céus, e levantar ela era o máximo que podia fazer para chegar o mais próximo da sua mãe. Em dias normais, ele empinaria qualquer uma das pipas que sempre aparava, mas quando a saudade doía, lá estava a pipa do Flamengo, imponente, e todos nas ruas próximas sabiam: Joãozinho pintou na área. Naquele amor pela mãe, não deixava sua pipa por nada, e com toda a sua habilidade, já se passava muito tempo desde que ninguém vencia ele. Toda remendada, cada vez mais maltratada pelo tempo, ele se orgulhava mais do durex colando o papel do que da cicatriz no peito de quando se rasgou no vergalhão pra correr atrás de pipa. Mas não dava pra atrasar o tempo. Ele sabia que não podia guardar a pipa para sempre, pois pipas foram feitas para ficar no céu, assim como sabia que, eventualmente ela partiria. E sua invencibilidade acabou. Ele assistiu calmamente sua pipa partir sozinha, sem que nenhum dos seus inimigos ricos do mundo exterior tivessem tido algo a ver. Era apenas o destino. Derrotado pelo destino. Sua bela pipa voava para bem longe, rumo a sabe Deus pra onde. Será que voava rumo a terra proibida? Ou talvez para a lagoa lá próxima? Um valão? A casa do vizinho de rua? Nunca soube. Com uma lágrima no rosto aparada pelo vento, Joãozinho disse adeus. Demorou para se acostumar, mas Joãozinho aprendeu a viver sem elas. Sem sua mãe, e sem sua pipa. Essa nunca foi uma história sobre o menino pobre do morro e suas mazelas oriundas dos problemas sociais, nem tampouco da mãe que morreu vítima da AIDS. É apenas uma lição simples que Joãozinho aprendeu desde cedo: A vida continua.
18/06/2013
Chiclet's
Era um rosto pálido que brotava nas memórias. Talvez fruto de um programa de edição de imagens muito bem usado, ou talvez apenas a palidez de sofrimentos passados, mas estava lá ela. Linda e esbelta, com seus cabelos negros e roupas casuais, pronta para o próximo round. Pronta para que alguém tomasse o assalto para si, esperando tal como se esperasse um ônibus muito atrasado. Estava ela, com olhos vívidos, talvez a única figura realmente animadora naquele rosto tão surrado pelas bagagens da vida, e não era como se ela aparentasse ter 50 anos. Não não, ela era linda e, provavelmente, não haveria de se retocar nada ali, mas ainda sim, havia algo de errado. Uma morena de papo ávido, cheia de informações úteis misturadas com a futilidade doce do dia-a-dia que não cabe a ninguém julgar. Não era possível enxergar o seu sorriso, mas em minha mente ele se apresentava lindamente, como se fossem vários tabletes de chiclet's, um ao lado do outro, sincronizados e brancos, tal como deveriam ser. Ela implorava pelo meu perdão, sendo que não havia o que se perdoar. E queria minha mão para lhe massagear o ego maltratado. Era noite e ela talvez quisesse o dia, só que o dia custava a lhe aparecer. Dia que nunca apareceu, afinal. Como num toque de recolher, a sirene soou, e ela bateu em retirada. Levou consigo as memórias póstumas de algo que nunca aconteceu. Era agora eu a lhe adicionar bagagem extra, talvez apenas uma camisa surrada a mais em sua mala, mas lá estava eu, misturado junto dos arpões, da máscara de mergulho e da calçada de pedrinhas que eu nunca conheci. Talvez em outra dimensão, num dejávù perdido por ai, eu estivesse agora a lhe apresentar um mundo totalmente diferente. Mas, por ter optado pelo aleatório, hoje tudo que levo dela é o sorriso de chiclet's que eu nunca vi.
13/06/2013
Seis Meses para Um Final de Ano.
Seis meses, um meio ano. Metade de um ano que faz esquecer totalmente a outra metade, que passa rápido mas deixa marcas, deixa feridas, deixa alegrias. Metade de um ano e você pode presenciar uma virada de ano, ou um natal frustrado. Quem sabe um carnaval traiçoeiro, ou um dia dos namorados vindouro. Meio ano, que com mais meio ano forma um ano, um inteiro, somente um.
Um.
Unidade integral, intransferível, durável por uma eternidade em corações aquecidos. Preenchível com sonhos doces e bombons da garoto, recheados de volúpia e concretizações.
Seis meses para um ano, um ano para mais meio ano.
O tempo que passa rápido, voa feito uma andorinha orgulhosa de seus feitos, como se voar fosse uma dádiva divina. E é.
Seis meses, e a comemoração não foi junto de ti, mesmo que na sua viagem eu estivesse lá, dentro de seu coração, junto da caixinha de bombom.
Um ano para sermos o casal do ano. Meio ano e éramos o par perfeito. Um ano em que tudo combinava e mesmo a complexidade era diferente, complementar, dispostos a se distrairem.
Meio ano de uma receita milagrosa.
Um ano de pura teimosia, de segredos instransferíveis, essas coisas chatas e improdutivas que só fodem pessoas fodas. De chamadas de atenção e chamadas num celular velho, dado pela mãe. Meio ano de alegrias numa cama, deitado à distância com meus sonhos embebedados em combustível lacrimoso.
Um ano, que tomava mais seis meses para si e formavam, perfeitamente, dezoito meses.
Um ano e seis meses para ter em mãos um mês para cada momento, tanto quanto um anel para cada sentimento, ou um beijo para cada alegria compartilhada.
Pessimismo ao receber um abraço, otimismo em ouvir um não. A tradução perfeita, ao mesmo tempo desconexa e oblíqua é: Era certo.
Seis meses de certezas, um ano de constatações.
Não dá para evitar a saudade, e ela vem de hoje, virá de sempre. Pois seis meses podem ser, perfeitamente, uma vida inteira.
Um.
Unidade integral, intransferível, durável por uma eternidade em corações aquecidos. Preenchível com sonhos doces e bombons da garoto, recheados de volúpia e concretizações.
Seis meses para um ano, um ano para mais meio ano.
O tempo que passa rápido, voa feito uma andorinha orgulhosa de seus feitos, como se voar fosse uma dádiva divina. E é.
Seis meses, e a comemoração não foi junto de ti, mesmo que na sua viagem eu estivesse lá, dentro de seu coração, junto da caixinha de bombom.
Um ano para sermos o casal do ano. Meio ano e éramos o par perfeito. Um ano em que tudo combinava e mesmo a complexidade era diferente, complementar, dispostos a se distrairem.
Meio ano de uma receita milagrosa.
Um ano de pura teimosia, de segredos instransferíveis, essas coisas chatas e improdutivas que só fodem pessoas fodas. De chamadas de atenção e chamadas num celular velho, dado pela mãe. Meio ano de alegrias numa cama, deitado à distância com meus sonhos embebedados em combustível lacrimoso.
Um ano, que tomava mais seis meses para si e formavam, perfeitamente, dezoito meses.
Um ano e seis meses para ter em mãos um mês para cada momento, tanto quanto um anel para cada sentimento, ou um beijo para cada alegria compartilhada.
Pessimismo ao receber um abraço, otimismo em ouvir um não. A tradução perfeita, ao mesmo tempo desconexa e oblíqua é: Era certo.
Seis meses de certezas, um ano de constatações.
Não dá para evitar a saudade, e ela vem de hoje, virá de sempre. Pois seis meses podem ser, perfeitamente, uma vida inteira.
31/05/2013
...
Existe um grande problema na minha vida e eu não sei solucionar ele de nenhuma forma.
É muito simples, mas me traz muita angústia. E sabem o que é?
As pessoas me acham perfeito. Ou bem, quase.
Vejam só, eu sou mandado embora dos meus empregos pois sou qualificado demais. E se sou qualificado, ganho mais, e se ganho mais, sou uma despesa a mais.
Um objeto indesejável no meio da engrenagem, interrompendo o fluxo de peões.
Descartável como um papel que absorveu o café da mesa. Simples e funcional, fui embora.
Sem conseguir manter uma identidade, pulo de galho em galho.
Vivendo assim, um dia de cada vez, tomando na tarraqueta. É.
Certa vez uma menina me disse: Você ainda vai se foder muito nessa vida por ser bonzinho demais.
Curioso, pois ela foi a primeira a pular do barco. E desde ai, o sossego nunca mais me encontrou.
Primeiro tentei virar o inverso do que eu era. Numas boas doses de álcool, a vergonha saia. O cigarro entrava em cena e minha mente ia embora. Estava eu ali, sendo o politicamente incorreto mas... o que é intrínseco nunca morre. E não morreu mesmo.
Ai eu virei o novo eu, um babaca e viciado. Procurando entre a multidão uma sobra pra eu idolatrar.
Não veio.
Quando veio, eu era perfeito demais.
Bonito demais.
Legal demais.
Forte demais.
Ora, eu sou forte pois suporto os problemas do dia-a-dia? Sou pobre, fudido (e agora desempregado), mas quanta gente é assim também e é indigna? É ladrão, é assassino, é estuprador?
Eu adoraria ouvir que tenho boa índole. Mas esse elogio eu ainda não recebi, não.
Corro tão atrás do diferente, do novo, do início, mas tudo que encontro é "você é tão bom, que parece um sonho, e eu tenho medo", ou "rapaz, você trabalha muito bem, mas não tenho como pagar pelo seu serviço".
Diabos, eu tenho 23 anos e já tenho 5 experiências profissionais. 23 anos e 7 experiências amorosas.
23 anos, experiência demais, e experiência nula.
Sabe qual é o meu problema, de verdade? É ser transparente demais.
Quem sabe se eu fosse mais filho da puta, vocês realmente gostariam de mim, não é?
Pois eu não sou perfeito, eu não sou bom... não, nada disso.
Queria eu ser, mas eu tenho uma porrada de defeitos.
Vocês sabem disso, não é? Eu só não sou o que vocês procuram, e seria mais digno apenas ouvir isso da vida, maldita vida.
Que me tirou o diploma que eu queria, por ser bom filho também.
É muito simples, mas me traz muita angústia. E sabem o que é?
As pessoas me acham perfeito. Ou bem, quase.
Vejam só, eu sou mandado embora dos meus empregos pois sou qualificado demais. E se sou qualificado, ganho mais, e se ganho mais, sou uma despesa a mais.
Um objeto indesejável no meio da engrenagem, interrompendo o fluxo de peões.
Descartável como um papel que absorveu o café da mesa. Simples e funcional, fui embora.
Sem conseguir manter uma identidade, pulo de galho em galho.
Vivendo assim, um dia de cada vez, tomando na tarraqueta. É.
Certa vez uma menina me disse: Você ainda vai se foder muito nessa vida por ser bonzinho demais.
Curioso, pois ela foi a primeira a pular do barco. E desde ai, o sossego nunca mais me encontrou.
Primeiro tentei virar o inverso do que eu era. Numas boas doses de álcool, a vergonha saia. O cigarro entrava em cena e minha mente ia embora. Estava eu ali, sendo o politicamente incorreto mas... o que é intrínseco nunca morre. E não morreu mesmo.
Ai eu virei o novo eu, um babaca e viciado. Procurando entre a multidão uma sobra pra eu idolatrar.
Não veio.
Quando veio, eu era perfeito demais.
Bonito demais.
Legal demais.
Forte demais.
Ora, eu sou forte pois suporto os problemas do dia-a-dia? Sou pobre, fudido (e agora desempregado), mas quanta gente é assim também e é indigna? É ladrão, é assassino, é estuprador?
Eu adoraria ouvir que tenho boa índole. Mas esse elogio eu ainda não recebi, não.
Corro tão atrás do diferente, do novo, do início, mas tudo que encontro é "você é tão bom, que parece um sonho, e eu tenho medo", ou "rapaz, você trabalha muito bem, mas não tenho como pagar pelo seu serviço".
Diabos, eu tenho 23 anos e já tenho 5 experiências profissionais. 23 anos e 7 experiências amorosas.
23 anos, experiência demais, e experiência nula.
Sabe qual é o meu problema, de verdade? É ser transparente demais.
Quem sabe se eu fosse mais filho da puta, vocês realmente gostariam de mim, não é?
Pois eu não sou perfeito, eu não sou bom... não, nada disso.
Queria eu ser, mas eu tenho uma porrada de defeitos.
Vocês sabem disso, não é? Eu só não sou o que vocês procuram, e seria mais digno apenas ouvir isso da vida, maldita vida.
Que me tirou o diploma que eu queria, por ser bom filho também.
17/05/2013
Execução Aurora.
Do gelo eu vim, sem chance alguma de lutar pelo calor da vida. Suportei a dor de ver afundar o único pedaço remanescente de humanidade de meu ser, abotoado a belas rosas vermelhas. A melancolia emanava em meu ser, sedento por objetivos secundários, preenchedores num peito vazio. Insuportável ver o brilho loiro junto à palidez de seu rosto que outrora era ávido. Árduo foi o treinamento para amadurecer, e árduo foi para conseguir minha couraça protetora. No interior de meu corpo residia você, linda e bela, como nunca deixaria de ser. Aos meus mestres, dediquei a evolução de meu ser, e rompi os laços gelados da minha vil humanidade. Conquistei o mundo, confrontei perigos e vitoriei muitas vezes, mesmo que de forma dolorosa. Sem sentidos e sem sensações. Esse era eu, amargurado por nunca alcançar-te. E quando afundastes de vez, eu fui ao teu encontro em vão. A dolorosa despedida tecida com violinos chorosos, assistida de pé por quem ensinou a ser forte. E forte mesmo eu me tornei quando removi a couraça e deixei o peito à mostra, pronto para a execução fatal. Execução mortal que levou tudo, inclusive minhas lágrimas, porém eu fiquei de pé, e entendi que só agora é que eu saberia o que é viver.
16/05/2013
Se Quiser Falar de Amor.
O amor não é nada poético como sugerem os poemas. Na verdade, ele é torto e bizarro, cheio de defeitos mas, ainda sim, encantador. É briga, é chateação, é traição, é porrada... mas ele tá lá, todo escroto. O amor é um baita de um filho da puta.
Se você sonha com aquele amor lindo, debaixo da luz da lua e coberto por estrelas que riscam o céu, esquece. Abre os olhos, e vai ver uma pia lotada de louças sujas, calcinhas penduradas no box e até o cheiro desagradável do lixo que o imbecil deixou destampado. Esqueçam até aquele papo de "passarinhos verdes" ou "borboletas no estômago", pois quase sempre vai ser tapa na cara e soco no estômago mesmo.
Muitas vezes eles dizem "que olhos lindos" mas também querem dizer "puta que pariu que peitões". Elas podem falar "Você não é chato, mô" e estarem doidas para ver você calar a boca, com direito a vontade de espetar um cigarro em brasa na tua fuça. Aliás, quantas vezes você já quis chutar o saco do seu namorado, pra ver ele agonizar no chão? E você ai, jogando seu RPG online, quantas vezes já não quis broxar de propósito só pra fazer a mulher se achar gorda? Mas não fazemos nada disso. Bem, as vezes fazemos uma asneira pra chamar a atenção mas... enfim. Sabem por quê quase nunca o fazemos? Por que é amor. E essa merda mexe lá dentro da gente, com nossa insanidade, com nossos hormônios, com nossa vontade fugaz de fugir só pra ver o outro correr atrás. No fundo, tu quer mimar aquela anta que queimou tua cara, ou tá louca pra fazer o sexo mais wild do mundo com seu namorado grosso e insensível. E ai vão sair pra passear, tomam sorvetes e açaís por ai. Vêem filmes, séries, desenhos e até novelas. Vão no show chato do Capital Inicial pois ela ama, e depois vão no Mc Donalds já que ele adora Big Mac.
O amor até que é lindo, mas é rodeado das feiuras. Se você amar, vai também sofrer, engolir sapos, enlouquecer de stress por tudo estar fora do lugar, e ainda sim, manter o sorriso na cara, à espera do próximo mimo do seu adorável par gêmeo. Pois amar é escolher por quem abrir mão de certas coisas, pra depois poder se encaixar e ser um só.
Se você sonha com aquele amor lindo, debaixo da luz da lua e coberto por estrelas que riscam o céu, esquece. Abre os olhos, e vai ver uma pia lotada de louças sujas, calcinhas penduradas no box e até o cheiro desagradável do lixo que o imbecil deixou destampado. Esqueçam até aquele papo de "passarinhos verdes" ou "borboletas no estômago", pois quase sempre vai ser tapa na cara e soco no estômago mesmo.
Muitas vezes eles dizem "que olhos lindos" mas também querem dizer "puta que pariu que peitões". Elas podem falar "Você não é chato, mô" e estarem doidas para ver você calar a boca, com direito a vontade de espetar um cigarro em brasa na tua fuça. Aliás, quantas vezes você já quis chutar o saco do seu namorado, pra ver ele agonizar no chão? E você ai, jogando seu RPG online, quantas vezes já não quis broxar de propósito só pra fazer a mulher se achar gorda? Mas não fazemos nada disso. Bem, as vezes fazemos uma asneira pra chamar a atenção mas... enfim. Sabem por quê quase nunca o fazemos? Por que é amor. E essa merda mexe lá dentro da gente, com nossa insanidade, com nossos hormônios, com nossa vontade fugaz de fugir só pra ver o outro correr atrás. No fundo, tu quer mimar aquela anta que queimou tua cara, ou tá louca pra fazer o sexo mais wild do mundo com seu namorado grosso e insensível. E ai vão sair pra passear, tomam sorvetes e açaís por ai. Vêem filmes, séries, desenhos e até novelas. Vão no show chato do Capital Inicial pois ela ama, e depois vão no Mc Donalds já que ele adora Big Mac.
O amor até que é lindo, mas é rodeado das feiuras. Se você amar, vai também sofrer, engolir sapos, enlouquecer de stress por tudo estar fora do lugar, e ainda sim, manter o sorriso na cara, à espera do próximo mimo do seu adorável par gêmeo. Pois amar é escolher por quem abrir mão de certas coisas, pra depois poder se encaixar e ser um só.
14/05/2013
Eu, Ela e o Silêncio.
Era aproximadamente 20:00h quando o despertador do celular apitou incessantemente. Aquele barulho infernal que ecoava por toda a casa foi suficiente para me acordar. Uma breve piscadela de olhos e me lembrei de um compromisso as nove.
- Eu e essa maldita mania de deixar tudo em cima da hora! Arrrrgh
E lá ia eu, correndo pela casa, tomando um banho alucinado e escovando os dentes com a mesma fúria que um faminto devora um banquete. Passei rapidamente a gilete na cara maltratada e passei meu odioso perfume. Nem lembrava bem o motivo de estar saindo, mas só sair já seria suficiente.
Botei o pé na condução e lembrei: Ah, praça!
Batendo os pezinhos estava ela, num vestido verde longo e lápis nos olhos. Acho que ela nunca vai me perdoar por ser tão atrasado...
- Como você está linda! E eu gosto quando passa só o lápis nos olhos...
- Eu passei muito mais que lápis! Estou com batom, sombra e ainda fiz as unhas! E você está desconversando, senhor atrasado! Pois diga, qual é o motivo da demora dessa vez?
- Minha casa foi invadida por estranhas criaturas fedorentas e eu tive que as expulsar...
Nesse instante eu fiz a cara mais fofa que possam imaginar, tipo Gato de Botas do Shrek.
- Odeio esses seus argumentos sem fundamento algum, mas vamos logo que estamos atrasados.
Juro que até essa altura eu sequer sabia pra onde íamos, mas a companhia dela, mesmo que brava, era agradável o suficiente pra eu não me importar.
Andamos um pouco e chegamos à praia, onde estava tendo uma festa a fantasia. Bom, ao menos eu acho, pois a maioria das pessoas estavam vestidas de pinguim. E isso não é o mais bizarro de tudo, pois nós dois eramos os únicos normais ali, o que na verdade, nos fazia ser estranhos.
Passado o susto, comecei a andar pela areia e a sentir ela entrar pelo meu tênis. Geralmente eu odeio essa sensação chata de granulação-grudenta nos meus pés mas tudo bem, importante é que a noite estava bela, com direito a estrelas cadentes.
Voltei meus olhos para a pista de dança (Lê-se: Areia) e vi ela lá, estática. O olhar dela perdido em direção à praia era provavelmente uma das melhores visões que eu teria daquela noite. Bastou eu dar alguns passos em direção a ela para que ela saísse do seu transe particular e me brindasse com um belo sorriso largo, que só pertence a ela, e junto dele aquele olhar bobo, quase que fechando os olhos.
- Ei, tudo bem? Ela perguntou.
Agora quem havia entrado em transe era eu.
- Sim sim, eu só... estava reparando que você passou batom.
- Passei nada! Eu falei para te confundir.
- Porquê faz isso comigo?
Ela sorriu e me chamou de bobo. Por alguns instantes nos calamos, e mesmo que a música ecoasse em nossas cabeças, nos mantínhamos presos em outra dimensão, onde nosso silêncio tornava emudecedor toda a nossa projeção visual. Eram apenas eu, ela e o silêncio.
Quando me dei conta, estávamos abraçados, dançando. E mesmo eu, formado e com doutorado em pisar nos pés das donzelas, estava lá dançando de forma exemplar. Parecia um sonho, ter ela finalmente nos meus braços, me olhando de forma fixa e sem titubeios. Claro que também parecia um sonho eu estar dançando bem...
- Já pensou se esse momento se eternizasse?
- Seria mágico mocinha. Só que não temos máquina do tempo para voltarmos para cá todo instante...
- Bobagem. É por isso que inventaram os beijos!
- Como? O que você quer dizer com...
Me tascou um beijo! Que ousada!
Houve um breve momento de questionamento, mas dai meu corpo se entregou aos encantos dela. Num primeiro momento, apenas larguei o corpo. Depois, e com calma, me aproximei junto à sua estrutura física e a conduzi para dentro de mim, ao som de nossa trilha sonora. Quando eu finalmente aceitei tudo aquilo, ela parou de me beijar.
- Porquê parou?
- Eu preciso memorizar seu rosto agora. Se não o fizer, nunca vou acreditar que és real.
- Realmente, isso parece um sonho. Do qual eu nunca mais pretendo acordar. Não sem você.
E antes que eu tivesse a atitude máscula de a ter em meus braços e retribuir o beijo, eu comecei a escutar um barulho ensurdecedor, irritante, chato, desconexo e...
Era aproximadamente 7:30h quando o despertador do celular apitou incessantemente. Aquele barulho infernal que ecoava por toda a casa foi suficiente para me acordar. Uma breve piscadela de olhos e me lembrei que eu tinha que ir trabalhar...
- Eu e essa maldita mania de deixar tudo em cima da hora! Arrrrgh
E lá ia eu, correndo pela casa, tomando um banho alucinado e escovando os dentes com a mesma fúria que um faminto devora um banquete. Passei rapidamente a gilete na cara maltratada e passei meu odioso perfume. Nem lembrava bem o motivo de estar saindo, mas só sair já seria suficiente.
Botei o pé na condução e lembrei: Ah, praça!
Batendo os pezinhos estava ela, num vestido verde longo e lápis nos olhos. Acho que ela nunca vai me perdoar por ser tão atrasado...
- Como você está linda! E eu gosto quando passa só o lápis nos olhos...
- Eu passei muito mais que lápis! Estou com batom, sombra e ainda fiz as unhas! E você está desconversando, senhor atrasado! Pois diga, qual é o motivo da demora dessa vez?
- Minha casa foi invadida por estranhas criaturas fedorentas e eu tive que as expulsar...
Nesse instante eu fiz a cara mais fofa que possam imaginar, tipo Gato de Botas do Shrek.
- Odeio esses seus argumentos sem fundamento algum, mas vamos logo que estamos atrasados.
Juro que até essa altura eu sequer sabia pra onde íamos, mas a companhia dela, mesmo que brava, era agradável o suficiente pra eu não me importar.
Andamos um pouco e chegamos à praia, onde estava tendo uma festa a fantasia. Bom, ao menos eu acho, pois a maioria das pessoas estavam vestidas de pinguim. E isso não é o mais bizarro de tudo, pois nós dois eramos os únicos normais ali, o que na verdade, nos fazia ser estranhos.
Passado o susto, comecei a andar pela areia e a sentir ela entrar pelo meu tênis. Geralmente eu odeio essa sensação chata de granulação-grudenta nos meus pés mas tudo bem, importante é que a noite estava bela, com direito a estrelas cadentes.
Voltei meus olhos para a pista de dança (Lê-se: Areia) e vi ela lá, estática. O olhar dela perdido em direção à praia era provavelmente uma das melhores visões que eu teria daquela noite. Bastou eu dar alguns passos em direção a ela para que ela saísse do seu transe particular e me brindasse com um belo sorriso largo, que só pertence a ela, e junto dele aquele olhar bobo, quase que fechando os olhos.
- Ei, tudo bem? Ela perguntou.
Agora quem havia entrado em transe era eu.
- Sim sim, eu só... estava reparando que você passou batom.
- Passei nada! Eu falei para te confundir.
- Porquê faz isso comigo?
Ela sorriu e me chamou de bobo. Por alguns instantes nos calamos, e mesmo que a música ecoasse em nossas cabeças, nos mantínhamos presos em outra dimensão, onde nosso silêncio tornava emudecedor toda a nossa projeção visual. Eram apenas eu, ela e o silêncio.
Quando me dei conta, estávamos abraçados, dançando. E mesmo eu, formado e com doutorado em pisar nos pés das donzelas, estava lá dançando de forma exemplar. Parecia um sonho, ter ela finalmente nos meus braços, me olhando de forma fixa e sem titubeios. Claro que também parecia um sonho eu estar dançando bem...
- Já pensou se esse momento se eternizasse?
- Seria mágico mocinha. Só que não temos máquina do tempo para voltarmos para cá todo instante...
- Bobagem. É por isso que inventaram os beijos!
- Como? O que você quer dizer com...
Me tascou um beijo! Que ousada!
Houve um breve momento de questionamento, mas dai meu corpo se entregou aos encantos dela. Num primeiro momento, apenas larguei o corpo. Depois, e com calma, me aproximei junto à sua estrutura física e a conduzi para dentro de mim, ao som de nossa trilha sonora. Quando eu finalmente aceitei tudo aquilo, ela parou de me beijar.
- Porquê parou?
- Eu preciso memorizar seu rosto agora. Se não o fizer, nunca vou acreditar que és real.
- Realmente, isso parece um sonho. Do qual eu nunca mais pretendo acordar. Não sem você.
E antes que eu tivesse a atitude máscula de a ter em meus braços e retribuir o beijo, eu comecei a escutar um barulho ensurdecedor, irritante, chato, desconexo e...
Era aproximadamente 7:30h quando o despertador do celular apitou incessantemente. Aquele barulho infernal que ecoava por toda a casa foi suficiente para me acordar. Uma breve piscadela de olhos e me lembrei que eu tinha que ir trabalhar...
10/05/2013
09/05/2013
Um Romance Pintado.
Soprou rápido o tempo por aqui, e magoou uma centena de pessoas. Vamos entender então que a felicidade não é conquistada por todos, mas apenas por quem está disposto a tudo. Talvez nossa vida fosse mais legal se abríssemos o portal do amanhã, se descarregássemos a vontade os nossos baldes de lágrimas feitas de suor e açúcar. As vezes eu tento ganhar de dez a zero, mas nunca dá certo. Sem cheat é impossível, pura questão de opinião. Ok, é tarde para provar muita coisa, mas como é difícil acreditar nisso né? O que é amar? Ninguém consegue responder essa. Será que os romances são pintados por alguém que não quer que sejamos felizes? Um romance, aquilo impossível de ser ganhado na força. Loucura amar um amor louco, pintado da derrota.
Uma Chance.
Precise, tenha.
Consiga, perca.
Jogue a partida.
Comece, acabe.
Entenda, rabisque.
Tudo tem um significado.
Roube, detenha.
Saiba, mude.
Dê início ao jogo sem fim.
Você pode me mudar.
E eu posso mudar o mundo.
Só existe uma chance.
Todos tem sua chance.
Você pode me mudar.
Mas nunca mudar o meu total.
Trabalhe, ganhe.
Minta, glorifique.
Tenha mais paciência!
Paraíso, Inferno.
Água, fogo.
Fogo que batiza o filho.
Coloque, rebata.
Chore e corra.
Tenha pena de todos.
Uma chance, uma única chance para mudar.
Tente de novo, consiga sua vitória.
Consiga, perca.
Jogue a partida.
Comece, acabe.
Entenda, rabisque.
Tudo tem um significado.
Roube, detenha.
Saiba, mude.
Dê início ao jogo sem fim.
Você pode me mudar.
E eu posso mudar o mundo.
Só existe uma chance.
Todos tem sua chance.
Você pode me mudar.
Mas nunca mudar o meu total.
Trabalhe, ganhe.
Minta, glorifique.
Tenha mais paciência!
Paraíso, Inferno.
Água, fogo.
Fogo que batiza o filho.
Coloque, rebata.
Chore e corra.
Tenha pena de todos.
Uma chance, uma única chance para mudar.
Tente de novo, consiga sua vitória.
Paranoia.
Ei, é paranoia.
Dê adeus à minha nóia.
Afinal, é pura loucura,
Passiva de obsessão.
Essa esfera negra,
cheia de trevas.
Dissipadora de pó,
Sugadora de variantes.
Desovando por ai,
Códigos de energia.
Simetrizando a voz,
do que é inexplicável.
É, congelou-me,
Até o último grau do termômetro.
Ei, é paranoia.
Dê adeus à minha nóia.
Dê adeus à minha nóia.
Afinal, é pura loucura,
Passiva de obsessão.
Essa esfera negra,
cheia de trevas.
Dissipadora de pó,
Sugadora de variantes.
Desovando por ai,
Códigos de energia.
Simetrizando a voz,
do que é inexplicável.
É, congelou-me,
Até o último grau do termômetro.
Ei, é paranoia.
Dê adeus à minha nóia.
Feridas Partidas.
Eu espero para entender, uma chance para lutar.
Não é o bastante para amargar as feridas na pele.
Me guio mal pela vida, com medo do arrependimento.
Ainda não é o bastante, para esquecer essas feridas.
Quem me dera voar por ai, ser seu sono para entrar em seu sonho.
Mas ainda não é o bastante, para suportar essas feridas.
Se eu tivesses aquelas penas de anjo, voaria por você.
Infelizmente não é o bastante, para suplicar por feridas.
Me sinto partido, aberto para ser magoado.
Fatalmente insuficiente, mas com feridas expostas.
Por dentro um falho, por fora um aprendiz.
Em qualquer lugar, com as minhas lindas feridas.
Não é o bastante para amargar as feridas na pele.
Me guio mal pela vida, com medo do arrependimento.
Ainda não é o bastante, para esquecer essas feridas.
Quem me dera voar por ai, ser seu sono para entrar em seu sonho.
Mas ainda não é o bastante, para suportar essas feridas.
Se eu tivesses aquelas penas de anjo, voaria por você.
Infelizmente não é o bastante, para suplicar por feridas.
Me sinto partido, aberto para ser magoado.
Fatalmente insuficiente, mas com feridas expostas.
Por dentro um falho, por fora um aprendiz.
Em qualquer lugar, com as minhas lindas feridas.
Teatro da Vida.
A maior dor talvez não seja morrer, e sim ser ignorado, como se existir fosse um problema sério. Ser ignorado na multidão, deixado para trás por todos e afogado em problemas únicos. Perder alguém também pode ser uma dor, ainda mais se for em vida. Ser deixado de lado por quem estava ao seu lado, que poderia ser seu braço. A maior dor talvez não seja morrer, e sim ser esquecido. Ser deixado numa estrada de barro, descalço e sem mantimento pelo seu guia. Dor talvez oriunda de uma culpa, talvez por nossa própria negligência, olhar para trás e ver seus amigos não te telefonarem para dar um alô. Já pensou naquele cumprimento que não foi dado após uma conquista? Ah, mas problemas resolvidos perdem a graça. A maior dor talvez não seja quebrar um membro, mas sim ver a indiferença de um rosto que acabou de descobrir do que é feito nosso coração. O que dói na vida é ver aqueles que foram tão amigos, sempre ocupados quando precisamos de um consolo espiritual. Nas aflições somos nós, mas apenas um singular para sentir a dor. Talvez dores pesadas quando transportadas sozinho. Cada um com seu papel no teatro, o tal teatro da vida, e temos o dever de dizer sempre que aqui jamais será enterrado uma dor. Não é necessário se importar com a solução, já que nunca será punido por isso. Talvez seja esquecido, ignorado, apagado. E ai, a maior dor será fazer exatamente o que eles lhe fizeram.
Eu sei.
Sei que quase perece de vontade de gritar inúmeras coisas para mim. Sinto de ti aquela vontade de me chamar para qualquer coisa sem nexo, pelo puro prazer de ter minha companhia. Ou talvez para caminhar, andar, correr e parar. Tudo isso junto ou misturado, talvez nenhum ou talvez apenas. E aquelas cabeças que vão e voltam, entorpecidas pelo barulho sedutor do vento e que volta e meia teimam em querer se encontrar? Só não vale culpar o vento, por mais que vente muito por aqui.
Sei também que morre de vontade de me contar 1001 histórias malucas sobre batons, baratas, batatas e balas. E inclusive bataralatas, por mais que isso nem exista. E se você fechar meus olhos de propósito, eu nunca saberei se é para roubar ou se é para conquistar. Não que eu vá fugir.
No seu peito, eu sei que reside toda uma vontade interminável de que tudo isso passe, e é 100% certo que irei ver você pular pelas ruas esburacadas só para chegar mais rápido. Isso não faz sentido para ninguém, mas ainda sim, vai ser mais rápido, pode apostar.
Sei que vive olhando para a lua, quase que de forma vegetativa, apenas por fazer. Talvez por isso seja tão iluminada, vive roubando a luz dela. Como pode roubar tanto? Aliás, eu não tenho certeza, isso é apenas uma suposição.
Ah! Sei também que vive com vontade de me pedir para dar uma volta, só que você pode talvez se esquecer que quem dá voltas, encontra o mesmo ponto, cedo ou tarde. E falando de tarde, que nunca me deu o prazer remoto de te ter nos braços até que o sol fosse embora, me lembrei dos três amiguinhos: Passado, presente e futuro, mas... não é como se eu confiasse no futuro. Não, não. O futuro tá lá, longe, mesmo que seja o futuro minuto. Apenas acredito em mim mesmo. De mais, apenas competência e coragem.
Sei também que morre de vontade de me contar 1001 histórias malucas sobre batons, baratas, batatas e balas. E inclusive bataralatas, por mais que isso nem exista. E se você fechar meus olhos de propósito, eu nunca saberei se é para roubar ou se é para conquistar. Não que eu vá fugir.
No seu peito, eu sei que reside toda uma vontade interminável de que tudo isso passe, e é 100% certo que irei ver você pular pelas ruas esburacadas só para chegar mais rápido. Isso não faz sentido para ninguém, mas ainda sim, vai ser mais rápido, pode apostar.
Sei que vive olhando para a lua, quase que de forma vegetativa, apenas por fazer. Talvez por isso seja tão iluminada, vive roubando a luz dela. Como pode roubar tanto? Aliás, eu não tenho certeza, isso é apenas uma suposição.
Ah! Sei também que vive com vontade de me pedir para dar uma volta, só que você pode talvez se esquecer que quem dá voltas, encontra o mesmo ponto, cedo ou tarde. E falando de tarde, que nunca me deu o prazer remoto de te ter nos braços até que o sol fosse embora, me lembrei dos três amiguinhos: Passado, presente e futuro, mas... não é como se eu confiasse no futuro. Não, não. O futuro tá lá, longe, mesmo que seja o futuro minuto. Apenas acredito em mim mesmo. De mais, apenas competência e coragem.
07/05/2013
E essas pílulas, ein?
Sei que ando escrevendo que nem uma máquina, mas eu gostaria de comentar sobre isso.
Anda rolando pelo facebook uma imagem tipo: Qual pílula você escolheria?
São várias pílulas de várias cores, e cada uma com um poder específico. Vejamos.
Amarela: Dá a capacidade de ler a mente de qualquer pessoa num raio de 100 metros, mas só pode usar cinco vezes ao dia, com um total máximo de 30 minutos.
Verde: Dá a capacidade de voar, mas só pode usar três vezes ao dia, com total máximo de 1 hora.
Azul: Faz de você um foderoso em qualquer esporte, mas as toxinas da pílula fatalmente o matarão após 10 anos.
Laranja: Você consegue ficar "na onda" sem nenhuma erva, pode usar quatro vezes ao dia num total máximo de 45 minutos.
Vermelha: Você pode acessar a internet com sua mente, pode usar seis vezes ao dia num total de 1 hora.
Rosa: Você pode mudar sua forma para qualquer coisa, pode usar duas vezes por dia num total de 2 horas.
Cinza: Dá a habilidade de fazer uma pessoa se apaixonar por você com um simples toque. Pode usar 10 vezes na sua vida, e tem a possibilidade de reverter o processo.
Preta: Pode ver o futuro com máxima para cinco anos, pode usar quantas vezes quiser, mas usar esse poder em público trará muitos problemas para sua vida diária.
Incrivel como no mínimo umas 80% das pessoas ficam em dúvida entre uma qualquer e a cinza. Ou seja, quão triste é não ter a pessoa que amamos? E até aonde pode ir nosso egoísmo em querer que uma pessoa nos ame sem que seja por nossos méritos puros?
As outras mais escolhidas sempre envolvem terceiros, ou benefício próprio. Tipo a Amarela pra poder "sempre estar preparado", a Preta para "ganhar sempre na loteria", a Rosa para "comer altas minas", ou até as banais, tipo a Laranja ou a Vermelha. Meu, quem escolheria ter internet na cabeça? Parece coisa de Cybercops...
Não vi uma única pessoa responder Verde, exceto eu, e só a escolheria unicamente pra saber qual a sensação de poder voar livremente por ai.
Me acharam tão idiota que eu quase chorei em posição fetal.
Anda rolando pelo facebook uma imagem tipo: Qual pílula você escolheria?
São várias pílulas de várias cores, e cada uma com um poder específico. Vejamos.
Amarela: Dá a capacidade de ler a mente de qualquer pessoa num raio de 100 metros, mas só pode usar cinco vezes ao dia, com um total máximo de 30 minutos.
Verde: Dá a capacidade de voar, mas só pode usar três vezes ao dia, com total máximo de 1 hora.
Azul: Faz de você um foderoso em qualquer esporte, mas as toxinas da pílula fatalmente o matarão após 10 anos.
Laranja: Você consegue ficar "na onda" sem nenhuma erva, pode usar quatro vezes ao dia num total máximo de 45 minutos.
Vermelha: Você pode acessar a internet com sua mente, pode usar seis vezes ao dia num total de 1 hora.
Rosa: Você pode mudar sua forma para qualquer coisa, pode usar duas vezes por dia num total de 2 horas.
Cinza: Dá a habilidade de fazer uma pessoa se apaixonar por você com um simples toque. Pode usar 10 vezes na sua vida, e tem a possibilidade de reverter o processo.
Preta: Pode ver o futuro com máxima para cinco anos, pode usar quantas vezes quiser, mas usar esse poder em público trará muitos problemas para sua vida diária.
Incrivel como no mínimo umas 80% das pessoas ficam em dúvida entre uma qualquer e a cinza. Ou seja, quão triste é não ter a pessoa que amamos? E até aonde pode ir nosso egoísmo em querer que uma pessoa nos ame sem que seja por nossos méritos puros?
As outras mais escolhidas sempre envolvem terceiros, ou benefício próprio. Tipo a Amarela pra poder "sempre estar preparado", a Preta para "ganhar sempre na loteria", a Rosa para "comer altas minas", ou até as banais, tipo a Laranja ou a Vermelha. Meu, quem escolheria ter internet na cabeça? Parece coisa de Cybercops...
Não vi uma única pessoa responder Verde, exceto eu, e só a escolheria unicamente pra saber qual a sensação de poder voar livremente por ai.
Me acharam tão idiota que eu quase chorei em posição fetal.
Chuveiros.
Ser pobre é conhecer muito mais da vida. Não que ricos não a conheçam, mas dentro de seus iates com nomes escrotos ou de seus carros esportivos, tudo o que conseguem ver é a beleza comprada e sorrisos estampados absurdamente sedentos por pó de grana.
Eu vi dor. E na verdade as vezes, ainda vejo.
Mas admito que volta e meia quero ser rico, desfrutar um pouco da vida e isso ora me enoja, ora me alegra.
Cá estou, um cara simples e sem porra alguma para lhes oferecer, enquanto todos os outros são tatuados, fortes, amarelos e inteligentes. E eu não os invejo. Na verdade nem gosto do que sou, tampouco quero mudar esse paradigma.
Debaixo dos copos que abandonam vorazmente a mesa está a dignidade de muitos nós. E a cada gole dessa seiva alcoólica, jogamos junto um pouco dela. Ironia pura dizer que nos alimentamos de nós mesmos, só que sem nos absorver novamente por completo. Afinal, tudo que muito se refina, uma hora deixa de existir. Uma orgia incessante de complexos vitamínicos revirantes em nossos vis estômagos, toda nossa ideologia derrubada por terra, terra que se torna impróspera a cada ideal destruído. Vou pra casa, abandono minha magrela na parede e tomo um banho quente do meu chuveiro comprado em três vezes de oito reais e quarenta e sete centavos. E pasmem, a água que me lava, é a mesma que a que cai de seus chuveiros robustos.
Ah... a riqueza mundana. Ela é asquerosamente maravilhosa. Mas ainda sim, asquerosa.
Eu vi dor. E na verdade as vezes, ainda vejo.
Mas admito que volta e meia quero ser rico, desfrutar um pouco da vida e isso ora me enoja, ora me alegra.
Cá estou, um cara simples e sem porra alguma para lhes oferecer, enquanto todos os outros são tatuados, fortes, amarelos e inteligentes. E eu não os invejo. Na verdade nem gosto do que sou, tampouco quero mudar esse paradigma.
Debaixo dos copos que abandonam vorazmente a mesa está a dignidade de muitos nós. E a cada gole dessa seiva alcoólica, jogamos junto um pouco dela. Ironia pura dizer que nos alimentamos de nós mesmos, só que sem nos absorver novamente por completo. Afinal, tudo que muito se refina, uma hora deixa de existir. Uma orgia incessante de complexos vitamínicos revirantes em nossos vis estômagos, toda nossa ideologia derrubada por terra, terra que se torna impróspera a cada ideal destruído. Vou pra casa, abandono minha magrela na parede e tomo um banho quente do meu chuveiro comprado em três vezes de oito reais e quarenta e sete centavos. E pasmem, a água que me lava, é a mesma que a que cai de seus chuveiros robustos.
Ah... a riqueza mundana. Ela é asquerosamente maravilhosa. Mas ainda sim, asquerosa.
06/05/2013
Singelo.
Diante de tanto encanto, não sei como me contenho, já que mesmo que eu as vezes pense em impedir que me leia, no final você percebe com a maior facilidade o quanto me derreto por você. E mesmo que o medo de que dê errado exista, no fim eu sempre estarei aqui.
Sozinho?
Sonhar com o que não existe e acreditar no amanhã. Me consumir em desculpas e decifrar o tempo do tempo. O que me completa é procurar por respostas. Adoro olhar à minha volta, mesmo que seja para constatar a minha solidão. Não sei os caminhos que possuo, mas continuo olhando à volta. Sempre sozinho, tudo fora do controle. Nunca sei o que esperar, muito menos do que preciso. O que era diferente no início, hoje é algo que se funde. Dois podem ser um, e é isso que representa: Estar sozinho é figurado, pois sempre estou com você. Então estar sozinho é aleatório, e a ajuda é subjetiva, e se eu olho para o nada, percebo que tenho pouca porcentagem de tempo sozinho.
Será que se eu fixar meus olhos no horizonte, eu te enxergo dentro de mim?
Será que se eu fixar meus olhos no horizonte, eu te enxergo dentro de mim?
Picadeiro.
Meus mundos são armas, e minha munição é você.
Por favor não ria, não subestime minha cabeça.
Nós somos o nosso próprio futuro, a nossa Hollywood desleixada.
Mal colada, e com pedaços cibernéticos.
Nossas mentes homicidas, tão insanas.
Não tente mudar, somos apenas insanos.
Sem crenças, sem nenhum final.
A única chance que temos não será aproveitada.
Pegue de volta a minha alma, cheia de buracos.
Falo com a maldição, nome pra'lma e coração.
Choro por pessoas que já foram possuídas.
Que tal um up? Compaixão nunca é demais.
Inferno não! Sem caminho estipulado.
Inferno sim! Seu caminho será o meu caminho.
Essa é a frágil linha entre o bem e o mal.
E mesmo que eu caia desta linha inexistente, eu sobrevivo.
Minha vida é um circo, o picadeiro é o inferno.
Não quero salvações, mas também não quero olhar para trás.
Por favor não ria, não subestime minha cabeça.
Nós somos o nosso próprio futuro, a nossa Hollywood desleixada.
Mal colada, e com pedaços cibernéticos.
Nossas mentes homicidas, tão insanas.
Não tente mudar, somos apenas insanos.
Sem crenças, sem nenhum final.
A única chance que temos não será aproveitada.
Pegue de volta a minha alma, cheia de buracos.
Falo com a maldição, nome pra'lma e coração.
Choro por pessoas que já foram possuídas.
Que tal um up? Compaixão nunca é demais.
Inferno não! Sem caminho estipulado.
Inferno sim! Seu caminho será o meu caminho.
Essa é a frágil linha entre o bem e o mal.
E mesmo que eu caia desta linha inexistente, eu sobrevivo.
Minha vida é um circo, o picadeiro é o inferno.
Não quero salvações, mas também não quero olhar para trás.
Parece um Detalhe.
Olhe mais um pouco e me diga o que vê.
Não banque a idiota, é revoltante essa sua desunião.
Se eu ficar sozinho, saberei sair daqui.
Lutar sozinho é difícil, mas antes só do que mal acompanhado.
Não venha me dizer que nunca assistiu Lua de Cristal.
Afinal, quem não gosta de nostalgia?
Uma breve corrosão astral,
e a sua agilidade para conter hemorragias.
Saia e olhe, veja tudo sobre o que te falei.
Entenda e me diga: Eu estava errado?
Valeu a pena, afinal?
Foi uma dor sem sentido?
Parece um detalhe, mas fez eu perceber o mal.
Só você é cura pra minha solidão.
Parece um detalhe, mas fez eu perceber o mal.
Tentei negar, mas a verdade é que sempre pode acabar.
Não banque a idiota, é revoltante essa sua desunião.
Se eu ficar sozinho, saberei sair daqui.
Lutar sozinho é difícil, mas antes só do que mal acompanhado.
Não venha me dizer que nunca assistiu Lua de Cristal.
Afinal, quem não gosta de nostalgia?
Uma breve corrosão astral,
e a sua agilidade para conter hemorragias.
Saia e olhe, veja tudo sobre o que te falei.
Entenda e me diga: Eu estava errado?
Valeu a pena, afinal?
Foi uma dor sem sentido?
Parece um detalhe, mas fez eu perceber o mal.
Só você é cura pra minha solidão.
Parece um detalhe, mas fez eu perceber o mal.
Tentei negar, mas a verdade é que sempre pode acabar.
05/05/2013
Primeiro de Maio.
Tinha gosto de quero-mais, aquela despedida forçada. Num instante já parecia uma história de filme, daquelas que a gente persiste, persiste mas não entende o final. E tudo o que se via eram dois jovens sorridentes, embriagados por tudo que estava acontecendo, desde uma confissão inocente até um beijo ardente, daqueles que quando abrimos os olhos, chegamos a nos enxergar nos olhos da pessoa, tamanho é a quantidade de brilho que eles emitem.
Naquele dia percebi que o que parecia mentira havia se tornado uma história real. Naquele instante, naquele exato momento toda a indignação, o orgulho e a revolta se dissiparam, e tudo o que restou foram um punhado de sentimentos aleatórios, que faziam as bochechas dele ficarem rosadas, e as dela ficarem coradas.
O incrível havia se tornado verdade: O respeito dela, a aceitação dele, os motivos relevantes e o carinho que não acabaria apenas pela falta do tão sonhado título que o cavaleiro buscava, já que ele sequer se arrepende de ter tentado.
A verdade é que a história não muda. O que está escrito na pele jamais se apaga, e não importa o que aconteça, nada mudará que durante um breve instante eles tiveram a felicidade descompromissada, que agora é apenas felicidade no sentido amplo e pleno, pois apenas a existência do outro já parece ser o suficiente para manter todo um corpo aquecido.
Num dia considerado o dia do trabalho, o tal jovem não poderia esperar que fosse tão fácil conseguir chegar aonde quer, mas uma certeza lhe restou: Se ele conseguir o espaço que tanto almeja, então saberá que realmente merece essa história. Até lá, ele faz o que melhor sabe fazer: Observar.
Naquele dia percebi que o que parecia mentira havia se tornado uma história real. Naquele instante, naquele exato momento toda a indignação, o orgulho e a revolta se dissiparam, e tudo o que restou foram um punhado de sentimentos aleatórios, que faziam as bochechas dele ficarem rosadas, e as dela ficarem coradas.
O incrível havia se tornado verdade: O respeito dela, a aceitação dele, os motivos relevantes e o carinho que não acabaria apenas pela falta do tão sonhado título que o cavaleiro buscava, já que ele sequer se arrepende de ter tentado.
A verdade é que a história não muda. O que está escrito na pele jamais se apaga, e não importa o que aconteça, nada mudará que durante um breve instante eles tiveram a felicidade descompromissada, que agora é apenas felicidade no sentido amplo e pleno, pois apenas a existência do outro já parece ser o suficiente para manter todo um corpo aquecido.
Num dia considerado o dia do trabalho, o tal jovem não poderia esperar que fosse tão fácil conseguir chegar aonde quer, mas uma certeza lhe restou: Se ele conseguir o espaço que tanto almeja, então saberá que realmente merece essa história. Até lá, ele faz o que melhor sabe fazer: Observar.
03/05/2013
As vezes, costumo falar de mim sem me esconder por trás de máscaras.
Acho que me perdi durante a construção de minha pessoa, sobretudo no que deve ser um homem.
Vejo tanto cara por ai traindo suas namoradas, noivas, esposas e elas lá, super felizes, alegres, sempre com aqueles sorrisos estampados quando estão de mãos dadas com eles. Eu vejo a traição como uma das coisas mais nojentas e sórdidas que o ser humano pode praticar com o seu/sua parceiro(a). Que atire a primeira pedra quem nunca desejou por um instante um outro alguém, mas daí a praticar... É baixo, é imoral.
Fui criado apenas pela minha mãe. Meu pai a traía constantemente, e se fosse apenas por isso, eles ainda teriam um casamento, o que pra mim já é deveras absurdo. O que a fez largar aquele homem foi, entre outras coisas, nós. Entende-se por nós eu, meu irmão e ela mesma. Meu irmão ainda teve um pai, eu não. Talvez meu pai tenha sido meu próprio irmão, mas mesmo sendo um bocado mais velho, acho que ele não estava muito grande para dar conselhos. Coube a minha mãe construir meu caráter como homem, e eu a agradeço todos os dias por ter me ensinado o quão nojento e asqueroso um homem pode se tornar quando se deixa levar pelos seus instintos. Só que quanto mais olho para o mundo, para as pessoas, para a vida, mais percebo que os "homens de verdade" é que tem um lugar certo no mundo. Aprendi a ser cordial, educado, gentil e amável. Descobri que uma mulher deve ser tratada com carinhos e atenção, e vivi toda minha vida achando que deveria dar a elas um lugar de destaque. Bom, colecionei bem mais decepções do que qualquer outra coisa. Já colhi muita ingratidão, a começar por traições. Quanto mais vivo, mais me decepciono. Meu círculo de amizades está afunilado, já não confio em quase ninguém. Grande parte dos meus amigos que se dizem irmãos, na verdade são Judas. Eu, que sempre prezei a honestidade, já fui criticado por ser idiota demais. Eu, que sempre prezei os métodos corretos, já fui chamado de otário por não furar filas. Eu, que sempre prezei a fidelidade, já fui chamado de imbecil por não ter comido fora sem ninguém saber. Será que o mundo é dos espertos mesmo? A vida é um eterno entra-e-sai de druguinhos? Algo tipo "olha que mina gostosa, vou comer ela agora e largar de lado, ai ela vai gamar em mim e eu vou pisar nela feito uma puta asquerosa". As vezes sinto que eu é quem sou a puta asquerosa, e a vida, o homem cruel. Será que eu sou mesmo destruidor de corações, ou será que o único coração que eu consigo destruir é o meu? São perguntas demais para alguém não inserido no contexto atual. Que se foda a modéstia, sou um bom filho, um bom amante, um bom homem, e cá estou eu, perdido num mundo repleto de pessoas que não conseguem decifrar bulhufas de minha cabeça infantil. Já até tentei me inserir nesse mundo estranho, com vários copos de vodka e várias carteiras de cigarro detonadas. E o que eu consegui com isso? Apenas um maldito vício e dores estomacais. Pobre, fudido e sem sonhos palpáveis. O que mantém meu corpo em pé é a minha mãe, pobre mulher que lutou grande parte da vida para me dar um pedaço de pão. Sem ela, eu nunca teria descoberto a brilhante trilha dolorosa (porém honrada), que eu seguiria para me tornar um homem de valores, num mundo de machões de latão.
Vejo tanto cara por ai traindo suas namoradas, noivas, esposas e elas lá, super felizes, alegres, sempre com aqueles sorrisos estampados quando estão de mãos dadas com eles. Eu vejo a traição como uma das coisas mais nojentas e sórdidas que o ser humano pode praticar com o seu/sua parceiro(a). Que atire a primeira pedra quem nunca desejou por um instante um outro alguém, mas daí a praticar... É baixo, é imoral.
Fui criado apenas pela minha mãe. Meu pai a traía constantemente, e se fosse apenas por isso, eles ainda teriam um casamento, o que pra mim já é deveras absurdo. O que a fez largar aquele homem foi, entre outras coisas, nós. Entende-se por nós eu, meu irmão e ela mesma. Meu irmão ainda teve um pai, eu não. Talvez meu pai tenha sido meu próprio irmão, mas mesmo sendo um bocado mais velho, acho que ele não estava muito grande para dar conselhos. Coube a minha mãe construir meu caráter como homem, e eu a agradeço todos os dias por ter me ensinado o quão nojento e asqueroso um homem pode se tornar quando se deixa levar pelos seus instintos. Só que quanto mais olho para o mundo, para as pessoas, para a vida, mais percebo que os "homens de verdade" é que tem um lugar certo no mundo. Aprendi a ser cordial, educado, gentil e amável. Descobri que uma mulher deve ser tratada com carinhos e atenção, e vivi toda minha vida achando que deveria dar a elas um lugar de destaque. Bom, colecionei bem mais decepções do que qualquer outra coisa. Já colhi muita ingratidão, a começar por traições. Quanto mais vivo, mais me decepciono. Meu círculo de amizades está afunilado, já não confio em quase ninguém. Grande parte dos meus amigos que se dizem irmãos, na verdade são Judas. Eu, que sempre prezei a honestidade, já fui criticado por ser idiota demais. Eu, que sempre prezei os métodos corretos, já fui chamado de otário por não furar filas. Eu, que sempre prezei a fidelidade, já fui chamado de imbecil por não ter comido fora sem ninguém saber. Será que o mundo é dos espertos mesmo? A vida é um eterno entra-e-sai de druguinhos? Algo tipo "olha que mina gostosa, vou comer ela agora e largar de lado, ai ela vai gamar em mim e eu vou pisar nela feito uma puta asquerosa". As vezes sinto que eu é quem sou a puta asquerosa, e a vida, o homem cruel. Será que eu sou mesmo destruidor de corações, ou será que o único coração que eu consigo destruir é o meu? São perguntas demais para alguém não inserido no contexto atual. Que se foda a modéstia, sou um bom filho, um bom amante, um bom homem, e cá estou eu, perdido num mundo repleto de pessoas que não conseguem decifrar bulhufas de minha cabeça infantil. Já até tentei me inserir nesse mundo estranho, com vários copos de vodka e várias carteiras de cigarro detonadas. E o que eu consegui com isso? Apenas um maldito vício e dores estomacais. Pobre, fudido e sem sonhos palpáveis. O que mantém meu corpo em pé é a minha mãe, pobre mulher que lutou grande parte da vida para me dar um pedaço de pão. Sem ela, eu nunca teria descoberto a brilhante trilha dolorosa (porém honrada), que eu seguiria para me tornar um homem de valores, num mundo de machões de latão.
Expurgo.
Te corto a garganta, arruíno sua bonança. Largo um soco na sua cara, ah que doce o gosto de seu sangue. Entope-me com essa sensação de destruição, enquanto penetro tua carne com o mais enferrujado dos pregos que encontrei. Torturo-te, e torturo como quem quer rasgar em mil pedaços um único papel. Fodo seus tímpanos com meus urros possuídos por ira. Destroço suas pernas... posso chamar de patas? Talvez eu tire a carne e mostre os ossos para você, ou lhe faça comer seu próprio dorso. Minha serra está pronta, tinindo para lhe estuprar. Empalar com um vil pedaço de concreto em formato de tubo, explodo todo seu corpo de dentro para fora. Tripas, coração, pulmões... Acho que foi a última coisa que viu. Um coração destroçado. Sim, um coração destroçado.
02/05/2013
Outono.
Quantas folhas no chão, o outono chegou.
Todo o clima mudou, o tempo mudou, a vida mudou.
Nunca gostei de mudanças bruscas, mas a passagem do verão para o outono é diferente pois é singela. As árvores pareciam mais atrativas, mais bonitas, a terra molhada vinha a se fundir em meus tênis surrados, e o frio já incomodava. Meu casaco de algodão já tinha uma utilidade maior do que ficar dobrado numa gaveta lotada de naftalina.
Um dia, na minha rotina diária rumo ao trabalho, reparei que as folhas já haviam caido no chão. Eram secas, estranhas e sem vida. Mas no meio de tantas delas, encontrei uma especial. Era vermelha, cheia de detalhes sinuosos e bela por ser, quase não fazia sentido ter caído da árvore. E não destacava-se apenas por ser assim mágica, e sim por ser, mesmo assim, frágil. Por algum tempo eu apenas a fitei de longe, tentando decifrar se era necessário pegá-la para mim, ou se eu deveria deixá-la ali na terra junto das demais, para que quando o vento chegasse, ela pudesse voar com as demais para todos os cantos possíveis e impossíveis.
Curioso como só, eu não ia me contentar com pouco. Caminhei em sua direção, só para chegar mais perto. Aquelas pintas vermelhas em sua estrutura me fascinavam, quase como se tivessem sido feitas por mim. Os pequenos buracos demonstravam que ela já havia sofrido com o tempo. Não iria demorar muito para que eu a pegasse enfim com as mãos, e a observasse mais de perto. Sentia suas nervuras e a lia, tal como um cego com seu braile. E quanto mais eu olhava, mais queria entender, e quanto mais eu entendia, mais a queria possuir.
Mas e o vento? Ah sim, o vento.
Maldito vento que passava ali toda hora, levando as folhas para outros quintais. E todas eram apenas folhas, tal qual a minha folha especial. Claro que ela iria voar, e mesmo que eu tentasse a perseguir feito um ladrão de borboletas, eu não conseguiria manter ela comigo. Era o destino dela voar o mais alto que pudesse e sozinha, afim de encontrar seu verdadeiro destino no céu nublado que se desenhava no horizonte. Por um breve momento tive minha folha mágica, e eu sei que se for da vontade do vento, eu apararei sua queda, quando ela cair.
Todo o clima mudou, o tempo mudou, a vida mudou.
Nunca gostei de mudanças bruscas, mas a passagem do verão para o outono é diferente pois é singela. As árvores pareciam mais atrativas, mais bonitas, a terra molhada vinha a se fundir em meus tênis surrados, e o frio já incomodava. Meu casaco de algodão já tinha uma utilidade maior do que ficar dobrado numa gaveta lotada de naftalina.
Um dia, na minha rotina diária rumo ao trabalho, reparei que as folhas já haviam caido no chão. Eram secas, estranhas e sem vida. Mas no meio de tantas delas, encontrei uma especial. Era vermelha, cheia de detalhes sinuosos e bela por ser, quase não fazia sentido ter caído da árvore. E não destacava-se apenas por ser assim mágica, e sim por ser, mesmo assim, frágil. Por algum tempo eu apenas a fitei de longe, tentando decifrar se era necessário pegá-la para mim, ou se eu deveria deixá-la ali na terra junto das demais, para que quando o vento chegasse, ela pudesse voar com as demais para todos os cantos possíveis e impossíveis.
Curioso como só, eu não ia me contentar com pouco. Caminhei em sua direção, só para chegar mais perto. Aquelas pintas vermelhas em sua estrutura me fascinavam, quase como se tivessem sido feitas por mim. Os pequenos buracos demonstravam que ela já havia sofrido com o tempo. Não iria demorar muito para que eu a pegasse enfim com as mãos, e a observasse mais de perto. Sentia suas nervuras e a lia, tal como um cego com seu braile. E quanto mais eu olhava, mais queria entender, e quanto mais eu entendia, mais a queria possuir.
Mas e o vento? Ah sim, o vento.
Maldito vento que passava ali toda hora, levando as folhas para outros quintais. E todas eram apenas folhas, tal qual a minha folha especial. Claro que ela iria voar, e mesmo que eu tentasse a perseguir feito um ladrão de borboletas, eu não conseguiria manter ela comigo. Era o destino dela voar o mais alto que pudesse e sozinha, afim de encontrar seu verdadeiro destino no céu nublado que se desenhava no horizonte. Por um breve momento tive minha folha mágica, e eu sei que se for da vontade do vento, eu apararei sua queda, quando ela cair.
26/04/2013
Três.
Eram três da manhã e eu só pensava em dormir. De um lado para o outro, em todas as posições possíveis, talvez até de cabeça para baixo. Mas não, o sono não vinha e eu decidi me render e passar a noite em claro.
Um copo de leite, um copo de café e um copo de whisky. Todo mundo tem seus rituais estranhos, não é?
Dei três passos e já estava na sala novamente. A preguiça de achar o controle da TV era tanta que me contentei apenas com aquele LM velho que ironicamente estava perto do controle. Agora eu tinha o corujão, uma carteira com três cigarros velhos e um copo já pela metade de whisky paraguaio.
Contei até três e dei uma tragada. Era a primeira tragada em três meses, e tinha um gosto horrível, uma mistura de areia com mofo que quase transformou meus pulmões em saco de pancadas. Mas não bastava, e eu precisava me certificar que parar de fumar havia sido a melhor decisão da minha vida mas após a terceira tragada eu já estava intimamente ligado ao meu velho amor, o único que me entendia, o único que me satisfazia, o único que me completava. E antes que eu terminasse com ele, eu já entrava num dilema sobre o vício, as consequências maléficas, os pulmões dissecados na embalagem do cigarro e... ah, outra tragada.
Era o mesmo sabor pútrido, os mesmos desenhos da fumaça no ar e aquela sensação banal de estar no topo do mundo, ditando as regras e sendo o que eu bem quisesse ser. Até que veio o sol, se esgueirando entre as pequenas brechas da janela na minha sala, me fazendo cair na real que eu havia apagado num sono que não encontrava há meses.
Esse era eu, entregue novamente ao vício, ao sono e a angústia de falhar miseravelmente, perdido novamente naquelas cinzas que em breve, me reduziriam também a cinzas.
Um copo de leite, um copo de café e um copo de whisky. Todo mundo tem seus rituais estranhos, não é?
Dei três passos e já estava na sala novamente. A preguiça de achar o controle da TV era tanta que me contentei apenas com aquele LM velho que ironicamente estava perto do controle. Agora eu tinha o corujão, uma carteira com três cigarros velhos e um copo já pela metade de whisky paraguaio.
Contei até três e dei uma tragada. Era a primeira tragada em três meses, e tinha um gosto horrível, uma mistura de areia com mofo que quase transformou meus pulmões em saco de pancadas. Mas não bastava, e eu precisava me certificar que parar de fumar havia sido a melhor decisão da minha vida mas após a terceira tragada eu já estava intimamente ligado ao meu velho amor, o único que me entendia, o único que me satisfazia, o único que me completava. E antes que eu terminasse com ele, eu já entrava num dilema sobre o vício, as consequências maléficas, os pulmões dissecados na embalagem do cigarro e... ah, outra tragada.
Era o mesmo sabor pútrido, os mesmos desenhos da fumaça no ar e aquela sensação banal de estar no topo do mundo, ditando as regras e sendo o que eu bem quisesse ser. Até que veio o sol, se esgueirando entre as pequenas brechas da janela na minha sala, me fazendo cair na real que eu havia apagado num sono que não encontrava há meses.
Esse era eu, entregue novamente ao vício, ao sono e a angústia de falhar miseravelmente, perdido novamente naquelas cinzas que em breve, me reduziriam também a cinzas.
24/04/2013
Sobre Estrelas e Multidões.
Os detalhes hoje em dia parecem se apagar no meio da multidão, multidão devassa que corre sem parar todos os dias, perseguindo ideais que eu particularmente não persigo muito menos entendo. Não que signifique que eu não precise dessas coisas, mas de verdade, é que eu as vezes me sinto como o único a enxergar o romantismo que uma curva esburacada na estrada pode proporcionar, ou a tranquilidade que olhar para o mar pode me trazer.
Queria eu que as pessoas percebessem mais e mais que os problemas do dia-a-dia poderiam ser muito mais atenuados se apenas contássemos estrelas, não no intuito de descobrir quantas possam existir, e sim de descobrir quantas almas nos habitam. Essas pessoas que se preocupam demais com concreto, com papel, com o sólido, mas quase nunca param para constatar que o inanimado dentro de nós precisa ser alimentado com algo muito mais forte do que fumaça ou glicose.
É raro ver no meio dessa multidão algo que seja mais reluzente que ouro ou diamante, algo que brilhe mais do que uma estrela. É, aquelas estrelas que eu acho que deveríamos contar.
Talvez eu seja um caso raro de romântico mal compreendido, ou apenas um imbecil perdido no meio da multidão. Sabe, aqueles imbecis que sonham alto com amores inexistentes, com amigos que dão a mão sem se importar com a pressão dos ombros, com pessoas que se importam com sonhos feito esses. Talvez um imbecil que sonha com o impossível, mas que ainda sim sonha.
Não importa, quero contar as estrelas desse céu infinito o tanto quanto eu puder, enquanto vejo vocês se limitando à desistência, apenas por não conseguirem ver por trás das nuvens.
Queria eu que as pessoas percebessem mais e mais que os problemas do dia-a-dia poderiam ser muito mais atenuados se apenas contássemos estrelas, não no intuito de descobrir quantas possam existir, e sim de descobrir quantas almas nos habitam. Essas pessoas que se preocupam demais com concreto, com papel, com o sólido, mas quase nunca param para constatar que o inanimado dentro de nós precisa ser alimentado com algo muito mais forte do que fumaça ou glicose.
É raro ver no meio dessa multidão algo que seja mais reluzente que ouro ou diamante, algo que brilhe mais do que uma estrela. É, aquelas estrelas que eu acho que deveríamos contar.
Talvez eu seja um caso raro de romântico mal compreendido, ou apenas um imbecil perdido no meio da multidão. Sabe, aqueles imbecis que sonham alto com amores inexistentes, com amigos que dão a mão sem se importar com a pressão dos ombros, com pessoas que se importam com sonhos feito esses. Talvez um imbecil que sonha com o impossível, mas que ainda sim sonha.
Não importa, quero contar as estrelas desse céu infinito o tanto quanto eu puder, enquanto vejo vocês se limitando à desistência, apenas por não conseguirem ver por trás das nuvens.
22/04/2013
Desenhista.
Debaixo desse sol quente é que ele caminha.
Escaldante como o forno, tão real quanto natural.
O tempo apagou as digitais, o rosto e o seu nome.
Liberto de suas antigas histórias, desenha exatamente o que quer.
Novos braços mais fortes, pois não quer que nada fuja dali.
As pernas continuariam esguias, pois as vezes é bom correr.
Em seu peito, desenha harmonicamente traços até que complexos.
Claro, pois é necessário que seja confortável.
Os cabelos podem ser curtos, pois já não é mais aquela criança de outrora.
E pretos, ele não poderia esquecer disso.
Um por um, desenhava arduamente os traços desejados.
Um por um, desenhava suas formas sem tocar no lápis.
Quando se deu conta, era outro alguém que desenhava.
Era um sorriso novo que se desenhava.
Um novo abraço que se desenhava.
Quando se deu conta, estava entregue ao destino.
Debaixo do sol, escaldante e árido.
Mas era de novo alguém.
Independente do lugar, estava ali, completo.
Escaldante como o forno, tão real quanto natural.
O tempo apagou as digitais, o rosto e o seu nome.
Liberto de suas antigas histórias, desenha exatamente o que quer.
Novos braços mais fortes, pois não quer que nada fuja dali.
As pernas continuariam esguias, pois as vezes é bom correr.
Em seu peito, desenha harmonicamente traços até que complexos.
Claro, pois é necessário que seja confortável.
Os cabelos podem ser curtos, pois já não é mais aquela criança de outrora.
E pretos, ele não poderia esquecer disso.
Um por um, desenhava arduamente os traços desejados.
Um por um, desenhava suas formas sem tocar no lápis.
Quando se deu conta, era outro alguém que desenhava.
Era um sorriso novo que se desenhava.
Um novo abraço que se desenhava.
Quando se deu conta, estava entregue ao destino.
Debaixo do sol, escaldante e árido.
Mas era de novo alguém.
Independente do lugar, estava ali, completo.
21/04/2013
Titereiro.
O reforço necessário, a verdade nua e crua. O mal temerário de uma mente conflitante.
Rio de desespero, de aflição e medo. Melancólica despedida para fins abstratos e inconstantes.
Se de todo o mal fosse apenas uma sombra inóspita no meio da multidão, eu sequer observaria e ponderaria condecorações. Mas um braço direito levantado sob meus próprios ombros a afundar-me em areia movediça, é pedir demais para não reparar.
Um único método apurativo para olhar-te na penumbra e confundir-te com o véu amado de minha eterna gratidão.
Salpico-lhe o mais doce ódio que sequer existe em veias de ferro.
Está encerrado a construção nefasta de seus eternos rasgos em minha pele morna. Finalmente levou tudo que poderia levar de costas e trouxas largas. O instante se foi, o inverno partiu. Quantas horas mais desejaria comer este podre e desavisado combate? Ora pois, apenas de forma covarde necessitastes de minha singela introspecção. Titereiro de almas vazias, enganado por uma melodia falsa. Liberdade. Enfim.
16/04/2013
Sou Um Animal Sentimental.
Aquela velha mania de viver épocas que sequer vivi, de chorar dores que nunca senti.
Uma coisa louca, sonhar o que nunca sonhei e sorrir por motivos inexistentes.
Saber dosar a loucura diária que é apenas viver minhas ilusões ilusórias.
Não acreditar em nada real só porque assim é justo, é coeso.
E quando plano nas nuvens sem sequer tirar os pés do chão?
Vivo uma busca árida por luz e escuridão, mesmo que em nem precise disso.
É curioso e até um pouco agradável, essa mania doida de ser quem eu nunca pude ser.
De respirar uma era que eu não pude respirar.
Essa coisa gostosa, de ouvir músicas que não falam nada sobre mim... mas que eu insisto em me encaixar nelas.
De se apegar a objetos que nunca me pertenceram, de dizer frases que nunca me foram ditas.
Incrível, mas todos os dias tenho uma sensação louca de ter nascido na década certa, mas no ano errado.
Queria ter aproveitado mais as cores, o neon, a moda tosca e os games 8 bits.
Ou ter usado aqueles casaquinhos toscos que a vovó fazia, e que só fez para meus primos.
A única coisa que me sobra de alento é que tenho apenas 23 anos, quando já poderia ter 33...
Uma coisa louca, sonhar o que nunca sonhei e sorrir por motivos inexistentes.
Saber dosar a loucura diária que é apenas viver minhas ilusões ilusórias.
Não acreditar em nada real só porque assim é justo, é coeso.
E quando plano nas nuvens sem sequer tirar os pés do chão?
Vivo uma busca árida por luz e escuridão, mesmo que em nem precise disso.
É curioso e até um pouco agradável, essa mania doida de ser quem eu nunca pude ser.
De respirar uma era que eu não pude respirar.
Essa coisa gostosa, de ouvir músicas que não falam nada sobre mim... mas que eu insisto em me encaixar nelas.
De se apegar a objetos que nunca me pertenceram, de dizer frases que nunca me foram ditas.
Incrível, mas todos os dias tenho uma sensação louca de ter nascido na década certa, mas no ano errado.
Queria ter aproveitado mais as cores, o neon, a moda tosca e os games 8 bits.
Ou ter usado aqueles casaquinhos toscos que a vovó fazia, e que só fez para meus primos.
A única coisa que me sobra de alento é que tenho apenas 23 anos, quando já poderia ter 33...
13/04/2013
Cerveja!
Meu caro amigo, boêmio de alma e coração.
Coração lotado de pessoas, de tão grande que és.
Devido ao tamanho de sua graça, talvez nunca lhe venha a ira.
Ou apenas não sejamos capazes de te encarar assim.
Avareza, cólera, preguiça, gula.
Incrível como nenhum pecado encaixa em ti.
Dono de uma ingenuidade única, diria quase que infantil.
Mas no bom sentido, pois ingenuidade anda em falta hoje.
Sempre munido de palavras grotescas,
e de notas pitorescas.
Não importa o quanto diga e profira ao mundo,
seu violão é seu melhor amigo, quase um irmão.
Vive se alimentando de amores passados.
Remoendo solidão e angústia apenas em seu reduto.
Quando resolve sair da caverna, apenas sorrisos, apenas abraços.
Ah, meu caro amigo boêmio, a mim não enganas.
Engraçado como é as vezes irritante, e ao mesmo tempo cativador.
Seria capaz de ter 10 mil mulheres em seus pés.
Seria capaz de ter 10 mil mulheres em seus pés.
Fosse por beleza ou por simpatia, mas as teria.
Exceto se não fosse um grande punhado de repelente ambulante.
Vaga de cidade em cidade, não encontra sua direção.
Vaga de coração em coração, só encontra oscilação.
Mas é engraçado o seu jeito de extravasar.
Por vezes um pé no saco, em casa.
Algumas outras vezes costuma ser mais legal
Vamos tomar uma cerveja, meu amigo?
O álcool foi quem me apresentou a ti.
E foi numa mesa de bar que te expliquei meus sofrimentos.
Foi entre goles secos que me disseste suas aflições.
Ah, o álcool que só tem significado ao lado de meu amigo!
Anseio um dia ver tua felicidade.
Pois dentre todos os homens que conheço,
és o mais honrado, o mais merecedor.
Ainda mais num mundo tão frágil feito o nosso.
Foi uma honra ter sido confundido contigo, meu nobre amigo boêmio.
Foi uma honra ter sido confundido contigo, meu nobre amigo boêmio.
Rapidinha da Madrugada.
Porquê se preocupar com futuro, se existe todo um presente aqui, jogando na sua cara em letras garrafais para que leia as seguintes palavras: "APROVEITE, APROVEITE".
Julgue o básico, o importante. O suficiente para viver apenas este momento.
E o resto virá. Palavra de escoteiro.
Julgue o básico, o importante. O suficiente para viver apenas este momento.
E o resto virá. Palavra de escoteiro.
12/04/2013
Belo e Bela.
De todas as maneiras, em todos os sentidos, em qualquer forma expressada, me admira tanto que eu queira tanto demonstrar o tanto que és importante para a minha vil pessoa. Odioso modo de pensar, na realidade nem sei o que pensar, mas expurgo todo esse sentimento feliz pelos olhos e deixo transbordar em minha saliva. É com esse jeito sonso que carrego, que eu lhe trago mil rosas carimbadas com o vermelho que tanto lhe agrada. Tão importante me lembrar que mal lhe conheço, que pouco toco em ti, que meu nariz ainda não fora capaz de sentir todos os inúmeros cheiros que seu corpo docemente pode exalar. E isso é importante sim, pois mantém meus pés no chão e faz com que eu dê apenas um pequeno passo quando na verdade outros seres respirantes já teriam tentado dar dez longos passos. É assim que eu apenas observo, me deliciando com a serenidade de sua pessoa, a qual eu costumo dizer que se assemelha a um brilho angelical. Olho atento para esse sorriso que mal se esconde em seus lábios, para esses olhinhos que se fecham quando ficam brilhantes, parecidos com poeira estelar. És querida por mim e me desperta um prazer sugestivo em estar sempre presente, tanto nos bons quanto nos maus momentos. E presente por estar, assim digamos, perto de ti, e disposto a lhe entregar um puta sorriso aberto ou o mais apertado dos abraços, sempre que os precisar. E o tempo? Ah, o adorável tempo. Como és capaz de me distrair enquanto viajo em suas longas tranças ruivas? Que me faz escorregar em suas adoráveis curvas, que me prende em um olhar fixo, numa mudeza tranquilizante. Tão singelo, que rima com banguelo, que rima com martelo, que só me lembra do que é belo. E belo mesmo é me perder na infinidade deliciosa de seu abraço. Belo mesmo é ter me convencido que o simples tornou tudo perfeito. Belo mesmo é perceber que não importa o título, e sim o motivo.
10/04/2013
Um Homem Quando Está em Paz, Não Quer Guerra com Ninguém.
Não me refiro a paixão ou riquezas. Nem de estabilidade e muito menos de saúde.
Me refiro a paz.
Paz, a sensação mais perfeita que já experimentei.
Sabem como é lindo estar passando mal, ter contas infinitas para pagar (e consequentemente não ter dinheiro nem pra tomar uma cervejinha), ver pessoas brigando com você sem nenhum motivo aparente e mesmo assim você conseguir se manter calmo e pensar na melhor solução para tudo?
Sim, isso é paz interior. E olha que eu nem ando recorrendo a religiões.
Mas me motiva muito saber que sou capaz de dar meu melhor. E eu sei que o melhor que posso fazer sempre vai solucionar os problemas.
Pior que nem adianta mais o mundo querer jogar a culpa de seus erros pra cima de mim. Eu passei a lavar as mãos pra essas coisas. Pra tudo, aliás.
Cuido do que é meu.
Meu, pronome possessivo altamente perfeito para essa situação.
Um homem quando está em paz, não quer guerra com ninguém. Não quer tomar as dores do próximo para si. Ele entende que todo mundo entra aonde quer, e sai se quiser. Pode até não poder mais, mas um dia pode. E não é demérito algum reconhecer a derrota. Pro que quer que seja.
Perdi muito, e errei muito nessa (curta) vida. Mas ando com uma vontade infinita de acertar agora.
Uma vontade infinita que começa na hora de levantar, com um sorriso no rosto e que vai até eu dormir com o mesmo sorriso estampado.
Isso não é alegria, meus caros. Isso é paz.
Isso é a certeza de estar no caminho certo.
Isso é amor próprio.
E é esse o amor que eu sempre quis. Pois só se pode amar alguém depois que o sujeito aprende a se amar.
Me refiro a paz.
Paz, a sensação mais perfeita que já experimentei.
Sabem como é lindo estar passando mal, ter contas infinitas para pagar (e consequentemente não ter dinheiro nem pra tomar uma cervejinha), ver pessoas brigando com você sem nenhum motivo aparente e mesmo assim você conseguir se manter calmo e pensar na melhor solução para tudo?
Sim, isso é paz interior. E olha que eu nem ando recorrendo a religiões.
Mas me motiva muito saber que sou capaz de dar meu melhor. E eu sei que o melhor que posso fazer sempre vai solucionar os problemas.
Pior que nem adianta mais o mundo querer jogar a culpa de seus erros pra cima de mim. Eu passei a lavar as mãos pra essas coisas. Pra tudo, aliás.
Cuido do que é meu.
Meu, pronome possessivo altamente perfeito para essa situação.
Um homem quando está em paz, não quer guerra com ninguém. Não quer tomar as dores do próximo para si. Ele entende que todo mundo entra aonde quer, e sai se quiser. Pode até não poder mais, mas um dia pode. E não é demérito algum reconhecer a derrota. Pro que quer que seja.
Perdi muito, e errei muito nessa (curta) vida. Mas ando com uma vontade infinita de acertar agora.
Uma vontade infinita que começa na hora de levantar, com um sorriso no rosto e que vai até eu dormir com o mesmo sorriso estampado.
Isso não é alegria, meus caros. Isso é paz.
Isso é a certeza de estar no caminho certo.
Isso é amor próprio.
E é esse o amor que eu sempre quis. Pois só se pode amar alguém depois que o sujeito aprende a se amar.
04/04/2013
A Escolha é Sua.
Porra, li isso hoje numa embalagem pra viagem do McDonalds e fiquei intrigado.
Primeiro que nem tem McDonalds aqui em Araruama, e isso me deixa muito, muito triste. E feliz também, já que se tivesse, provavelmente eu seria hoje um homem endividado e gordo... E isso fomenta minha indagação: A escolha é minha?
Mas é claro que é! E eu escolheria ser um gordo com artérias entupidas e cheio de papa embaixo do queixo fino que eu possuo. Claro, essa não é a escolha que eu propriamente escolhi, pois eu apenas escolheria ser feliz comendo 2 hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim mas... Tudo tem seu preço, não é?
Mas será que esse preço está sempre assim, tão claro? Pois é óbvio que quem come muito esse lixo sólido dos fast-foods da vida está assumindo o risco de morrer de parada cardíaca em cima de uma maca velha e suja que tem cheiro de hospital público.
Sei lá.
Sério, sei lá.
Se paro para pensar, chego a conclusão que toda atitude que tomei tinha como contrapartida riscos que eu correria.
Por exemplo: Ontem cortei o cabelo pois não aguentava mais ficar com o cabelo bagunçado feito um retardado. E mesmo sabendo que estaria reduzindo pela metade a eficiência de eventuais cafunés, eu fui lá e cortei.
Conclusão: Agora eu me olho no espelho e me pareço com um dedão, de tão horrível que ficou.
Bom, a escolha foi minha, não é? Foi, claro que foi.
Não adianta ler isso ai, do outro lado, e franzir a testa dizendo: Mimimi, mas existem coisas que acontecem sem que a gente saiba que vai acontecer.
Claro! Até porque imprevisibilidade também é um risco que a gente corre.
Então por que diabos a gente reclama tanto? Tudo é uma escolha, e tudo é um risco.
Deveríamos parar de condenar as escolhas e chorar pelas consequências.
Até porquê, de tanto que se erra uma hora o presente se acerta. e o imprevisível se torna uma grata surpresa.
E parabéns ao Mc Donalds, por me deixar com tanta vontade de ser feliz.
Primeiro que nem tem McDonalds aqui em Araruama, e isso me deixa muito, muito triste. E feliz também, já que se tivesse, provavelmente eu seria hoje um homem endividado e gordo... E isso fomenta minha indagação: A escolha é minha?
Mas é claro que é! E eu escolheria ser um gordo com artérias entupidas e cheio de papa embaixo do queixo fino que eu possuo. Claro, essa não é a escolha que eu propriamente escolhi, pois eu apenas escolheria ser feliz comendo 2 hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim mas... Tudo tem seu preço, não é?
Mas será que esse preço está sempre assim, tão claro? Pois é óbvio que quem come muito esse lixo sólido dos fast-foods da vida está assumindo o risco de morrer de parada cardíaca em cima de uma maca velha e suja que tem cheiro de hospital público.
Sei lá.
Sério, sei lá.
Se paro para pensar, chego a conclusão que toda atitude que tomei tinha como contrapartida riscos que eu correria.
Por exemplo: Ontem cortei o cabelo pois não aguentava mais ficar com o cabelo bagunçado feito um retardado. E mesmo sabendo que estaria reduzindo pela metade a eficiência de eventuais cafunés, eu fui lá e cortei.
Conclusão: Agora eu me olho no espelho e me pareço com um dedão, de tão horrível que ficou.
Bom, a escolha foi minha, não é? Foi, claro que foi.
Não adianta ler isso ai, do outro lado, e franzir a testa dizendo: Mimimi, mas existem coisas que acontecem sem que a gente saiba que vai acontecer.
Claro! Até porque imprevisibilidade também é um risco que a gente corre.
Então por que diabos a gente reclama tanto? Tudo é uma escolha, e tudo é um risco.
Deveríamos parar de condenar as escolhas e chorar pelas consequências.
Até porquê, de tanto que se erra uma hora o presente se acerta. e o imprevisível se torna uma grata surpresa.
E parabéns ao Mc Donalds, por me deixar com tanta vontade de ser feliz.
Mas Que Porra?
Oh, tive uma ótima ideia para um poema mas... ah. Já escreveram antes de mim.
Talvez eu queira começar a falar sobre bolas de beisebol. Alguém já falou sobre bolas de beisebol?
Putz, alguém já deve ter falado.
E sobre bolas de basquete? Ah... também.
Então calma ai. Vou mudar o foco. Vou falar sobre música!
Mas não, eu não sei tocar violão. Nem gaita. Nem sem ligar o mini system lá de casa.
Aliás, eu não tenho mini system. Nem Micro system, Master system ou Sega saturn.
Já tive um dia, e era bem divertido.
Não pera, não quero desviar do assunto.
Mas qual era mesmo o assunto?
Por favor, estou confuso!
Ah sim, música. Música faz bem à alma, ao corpo e ao coração.
E acho que nem existem estudos que falem sobre isso. Ou existem?
Nunca li sobre, pelo menos.
Aliás, será que existe algo que nunca tenha sido falado? Inventado?
Será que existe algum sentimento que eu nunca tenha vivido?
E será que as coisas só existem se eu as sentir? Acho que não ein...
Bom, pelo menos o mini system eu sei que existe, eu é que não tenho.
Mas de música o que eu sei é que é muito sem graça dançar sozinho.
Pera, que porra isso tem a ver?
Que seja. Imagina, você lá todo gostosão dançando e se movimentando como se não houvesse amanhã!
É divertido, muito divertido! Só que não. E ainda consegue ser tedioso quando acaba.
Seu corpo dói, sua cabeça gira e isso tudo foi sem motivo algum, sabe?
Você queria estar lá, dançando feito um louco, querendo pagar de sensual, mas na verdade... estava a quilômetros de distância disso.
Mas falando sobre dores corporais, eu adoro elas. Mas só gosto delas quando me lembro que são resultantes da companhia de alguém especial.
Sabe, tipo uma mordida, ou um soco de brincadeira.
Sinto como se fosse uma forma de deixar impresso em mim que a pessoa esteve ali.
"Não chegue perto, essa parte é minha RAWR".
Mas que merda, sobre o que eu estou falando?
Eu estou com gripe, cansado, suando e cheio de trabalho pra fazer! Ouvindo The Cure e Incubus aloucadamente! Aloucadamente pensando no que nunca pensei em pensar. No que nunca pensei que pensaria. Pensando em como estou sendo redundante... E no quanto eu não estou me importando com isso.
Ah mano, para. Já passou da hora de ser repetitivo, cansei de lenga-lenga, de remoer os erros, de procurar os acertos. Bola pra frente, eu quero mais é ser diferente.
Talvez eu queira começar a falar sobre bolas de beisebol. Alguém já falou sobre bolas de beisebol?
Putz, alguém já deve ter falado.
E sobre bolas de basquete? Ah... também.
Então calma ai. Vou mudar o foco. Vou falar sobre música!
Mas não, eu não sei tocar violão. Nem gaita. Nem sem ligar o mini system lá de casa.
Aliás, eu não tenho mini system. Nem Micro system, Master system ou Sega saturn.
Já tive um dia, e era bem divertido.
Não pera, não quero desviar do assunto.
Mas qual era mesmo o assunto?
Por favor, estou confuso!
Ah sim, música. Música faz bem à alma, ao corpo e ao coração.
E acho que nem existem estudos que falem sobre isso. Ou existem?
Nunca li sobre, pelo menos.
Aliás, será que existe algo que nunca tenha sido falado? Inventado?
Será que existe algum sentimento que eu nunca tenha vivido?
E será que as coisas só existem se eu as sentir? Acho que não ein...
Bom, pelo menos o mini system eu sei que existe, eu é que não tenho.
Mas de música o que eu sei é que é muito sem graça dançar sozinho.
Pera, que porra isso tem a ver?
Que seja. Imagina, você lá todo gostosão dançando e se movimentando como se não houvesse amanhã!
É divertido, muito divertido! Só que não. E ainda consegue ser tedioso quando acaba.
Seu corpo dói, sua cabeça gira e isso tudo foi sem motivo algum, sabe?
Você queria estar lá, dançando feito um louco, querendo pagar de sensual, mas na verdade... estava a quilômetros de distância disso.
Mas falando sobre dores corporais, eu adoro elas. Mas só gosto delas quando me lembro que são resultantes da companhia de alguém especial.
Sabe, tipo uma mordida, ou um soco de brincadeira.
Sinto como se fosse uma forma de deixar impresso em mim que a pessoa esteve ali.
"Não chegue perto, essa parte é minha RAWR".
Mas que merda, sobre o que eu estou falando?
Eu estou com gripe, cansado, suando e cheio de trabalho pra fazer! Ouvindo The Cure e Incubus aloucadamente! Aloucadamente pensando no que nunca pensei em pensar. No que nunca pensei que pensaria. Pensando em como estou sendo redundante... E no quanto eu não estou me importando com isso.
Ah mano, para. Já passou da hora de ser repetitivo, cansei de lenga-lenga, de remoer os erros, de procurar os acertos. Bola pra frente, eu quero mais é ser diferente.
02/04/2013
Da Tempestade à Calmaria.
Talvez nem com um milhão de palavras eu pudesse traduzir o que andou acontecendo por aqui.
Alguém passou, deixou tudo bagunçado, abriu as janelas e entupiu os ralos.
A poeira ficou nos móveis.
A terra ficou nos tapetes.
As manchas pesadas ficaram nas camisas.
Os azulejos ficaram encardidos.
A pia lotada de louças sujas.
Coisas agarradas nas paredes...
Ufa! Pensei que não terminaria.
Estaria até agora falando se eu já não estivesse faxinando toda essa bagunça enquanto falava.
Falar.
Falar demais e não analisar foi um grande erro.
Ô se foi.
Mas e agora José?
Agora as coisas começaram a ir pros lugares!
Roupas mais limpinhas, paredes brilhando...
Claro que ainda tem poeira pra ser batida, claro que ainda tem grama pra aparar mas... Quem se importa? De pouco em pouco a perfeição vem na nossa direção.
Ao menos a casa já está aberta a muito tempo, minha cara.
Pode entrar, a casa é sua.
Mas feche a porta.
Alguém passou, deixou tudo bagunçado, abriu as janelas e entupiu os ralos.
A poeira ficou nos móveis.
A terra ficou nos tapetes.
As manchas pesadas ficaram nas camisas.
Os azulejos ficaram encardidos.
A pia lotada de louças sujas.
Coisas agarradas nas paredes...
Ufa! Pensei que não terminaria.
Estaria até agora falando se eu já não estivesse faxinando toda essa bagunça enquanto falava.
Falar.
Falar demais e não analisar foi um grande erro.
Ô se foi.
Mas e agora José?
Agora as coisas começaram a ir pros lugares!
Roupas mais limpinhas, paredes brilhando...
Claro que ainda tem poeira pra ser batida, claro que ainda tem grama pra aparar mas... Quem se importa? De pouco em pouco a perfeição vem na nossa direção.
Ao menos a casa já está aberta a muito tempo, minha cara.
Pode entrar, a casa é sua.
Mas feche a porta.
28/03/2013
O Início...
de tudo. Eis uma grande questão.
Como se originou o mundo?
As árvores, micróbios, planetas, espaço, água, eu, as estrelas.
Bom, eu não consigo compreender essa complexidade.
E não consigo atribuir isso a um Deus. Ou a dois, dez, mil...
Tá, talvez mil conseguissem. Não é o caso.
Como isso poderia ser criado por um Deus?
E como esse Deus não se mostra a seus “bonecos inventados”?
Teoricamente, não dá pra acreditar em Deus. Em nenhum deles.
Teoricamente.
Vemos pessoas sendo curadas milagrosamente.
Vemos pessoas sobrevivendo de tragédias sinistras.
Sim, é obra divina.
E quando morrem milhares de pessoas numa guerra?
É obra divina.
Ops, tava na hora do sujeito morrer.
Assim, eu creio num mundo melhor. Num mundo feito pelos homens que acreditam nos homens.
E que tem a noção de que podem viver em harmonia, sem acreditar que exista alguém superior ditando as regras.
O paraíso minha gente, muito provavelmente não existe num plano astral. Mas pode existir, aqui mesmo.
Basta os homens deixarem de acreditar no inacreditável, e começarem a agir em prol deles mesmos.
Como se originou o mundo?
As árvores, micróbios, planetas, espaço, água, eu, as estrelas.
Bom, eu não consigo compreender essa complexidade.
E não consigo atribuir isso a um Deus. Ou a dois, dez, mil...
Tá, talvez mil conseguissem. Não é o caso.
Como isso poderia ser criado por um Deus?
E como esse Deus não se mostra a seus “bonecos inventados”?
Teoricamente, não dá pra acreditar em Deus. Em nenhum deles.
Teoricamente.
Vemos pessoas sendo curadas milagrosamente.
Vemos pessoas sobrevivendo de tragédias sinistras.
Sim, é obra divina.
E quando morrem milhares de pessoas numa guerra?
É obra divina.
Ops, tava na hora do sujeito morrer.
Assim, eu creio num mundo melhor. Num mundo feito pelos homens que acreditam nos homens.
E que tem a noção de que podem viver em harmonia, sem acreditar que exista alguém superior ditando as regras.
O paraíso minha gente, muito provavelmente não existe num plano astral. Mas pode existir, aqui mesmo.
Basta os homens deixarem de acreditar no inacreditável, e começarem a agir em prol deles mesmos.
27/03/2013
Sorte dele.
Eu tava olhando em minha biblioteca pessoal e tentei achar nela uma pessoa feito você. Falhei miseravelmente.
Não em achar alguém igual, mas em pesquisar mesmo. Depois de uns 3 minutos pensando, decidi já te dar o título de "maluquinha". Mas é uma maluquice boa, sô.
Fiquei pensando também se você tem culpa da chuva estar caindo hoje. Mas na verdade, a chuva tem sorte de cair em você. E você, é você! Pode até parecer redundante, mas num geral, é mágico de se constatar.
Acho que nem as rosas de seu quintal são belas feito ti. Até tentam, mas não passam perto.
Sabe aquele vento raro que passa as vezes? Aquele meio-vento que sopra aleatoriamente de vez em nunca nas nossas vidas? Por ventura eu vi você brincando de ser feliz justamente no momento em que um vento desses passou. Logo eu, a felicidade em pessoa, embasbacado com a felicidade ao lado.
Felicidade tão~tão mais radiante, tão~tão mais contagiante. Tão~tão você.
E não pense que não sinto as vezes a tristeza bater no seu peito, mas também sinto bater uma necessidade inacabável de ser feliz também. Acabo tendo uma inveja. Uma inveja doce, bem sutil.
Mas você... Ah você! Sempre me surpreendendo. Me chega você, e me mostra a beleza no simples!
É, no simples!
Olhando a chuva cair, cantando sem qualquer pretensão, sentindo o perfume das coisas e achando tudo isso muito belo e muito natural. Você acabou me mostrando a real importância que o simples tem. Me fazendo enxergar a real beleza no natural que nós, seres mais normais, sequer enxergamos.
Hoje, amanhã ou sabe se lá quanto tempo, será capaz de reconhecer que sua beleza é rara e sua cor é única, num infinito jardim de cores iguais. Um jardim cheio de margaridas amarelas, que são bonitas até! Mas que estão muito distantes de sua beleza. Distantes da beleza desse sorriso tão sincero e despretensioso que só vi você emanar.
Bom, tenho que lhe confessar: Eu também estou com um baita sorriso no rosto agora. E é sorte dele, de ter você como motivo.
Não em achar alguém igual, mas em pesquisar mesmo. Depois de uns 3 minutos pensando, decidi já te dar o título de "maluquinha". Mas é uma maluquice boa, sô.
Fiquei pensando também se você tem culpa da chuva estar caindo hoje. Mas na verdade, a chuva tem sorte de cair em você. E você, é você! Pode até parecer redundante, mas num geral, é mágico de se constatar.
Acho que nem as rosas de seu quintal são belas feito ti. Até tentam, mas não passam perto.
Sabe aquele vento raro que passa as vezes? Aquele meio-vento que sopra aleatoriamente de vez em nunca nas nossas vidas? Por ventura eu vi você brincando de ser feliz justamente no momento em que um vento desses passou. Logo eu, a felicidade em pessoa, embasbacado com a felicidade ao lado.
Felicidade tão~tão mais radiante, tão~tão mais contagiante. Tão~tão você.
E não pense que não sinto as vezes a tristeza bater no seu peito, mas também sinto bater uma necessidade inacabável de ser feliz também. Acabo tendo uma inveja. Uma inveja doce, bem sutil.
Mas você... Ah você! Sempre me surpreendendo. Me chega você, e me mostra a beleza no simples!
É, no simples!
Olhando a chuva cair, cantando sem qualquer pretensão, sentindo o perfume das coisas e achando tudo isso muito belo e muito natural. Você acabou me mostrando a real importância que o simples tem. Me fazendo enxergar a real beleza no natural que nós, seres mais normais, sequer enxergamos.
Hoje, amanhã ou sabe se lá quanto tempo, será capaz de reconhecer que sua beleza é rara e sua cor é única, num infinito jardim de cores iguais. Um jardim cheio de margaridas amarelas, que são bonitas até! Mas que estão muito distantes de sua beleza. Distantes da beleza desse sorriso tão sincero e despretensioso que só vi você emanar.
Bom, tenho que lhe confessar: Eu também estou com um baita sorriso no rosto agora. E é sorte dele, de ter você como motivo.
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