17/05/2013
Execução Aurora.
Do gelo eu vim, sem chance alguma de lutar pelo calor da vida. Suportei a dor de ver afundar o único pedaço remanescente de humanidade de meu ser, abotoado a belas rosas vermelhas. A melancolia emanava em meu ser, sedento por objetivos secundários, preenchedores num peito vazio. Insuportável ver o brilho loiro junto à palidez de seu rosto que outrora era ávido. Árduo foi o treinamento para amadurecer, e árduo foi para conseguir minha couraça protetora. No interior de meu corpo residia você, linda e bela, como nunca deixaria de ser. Aos meus mestres, dediquei a evolução de meu ser, e rompi os laços gelados da minha vil humanidade. Conquistei o mundo, confrontei perigos e vitoriei muitas vezes, mesmo que de forma dolorosa. Sem sentidos e sem sensações. Esse era eu, amargurado por nunca alcançar-te. E quando afundastes de vez, eu fui ao teu encontro em vão. A dolorosa despedida tecida com violinos chorosos, assistida de pé por quem ensinou a ser forte. E forte mesmo eu me tornei quando removi a couraça e deixei o peito à mostra, pronto para a execução fatal. Execução mortal que levou tudo, inclusive minhas lágrimas, porém eu fiquei de pé, e entendi que só agora é que eu saberia o que é viver.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário