Ela estava sentada no banquinho, lendo com um belo sorriso no rosto. Com fones no ouvido, ouvindo suas músicas preferidas. / Ela estava eufórica, falsamente frustrada pelos beijos que eu fingia dar, mas não completava.
Olhou para mim instantes antes de que eu chegasse perto dela. Pousou sua íris acima das lentes do seu óculos delicado, quase tão delicado quanto a dona. / Esperava com afinco que eu completasse aquele ritual, mas era em vão, eu não a beijaria, pois queria que o fizesse.
Levantou-se e com um abraço apertado me recepcionou. Beijou-me nas bochechas, depois encostou seus lábios nos meus e disse bem baixinho: Olá. / Instintivamente ela agarrou minha nuca e me beijou fortemente, com a mesma paixão que via em seus olhos brilhantes.
Em seguida, pegou em minhas mãos e me levou em direção a árvore da pracinha. Deitou-me em seu colo e afagou meus cabelos. Perguntou sobre meu dia, sobre meus dias, sobre os dias com ela. / Eu achava o máximo ver aquela menina delicada libertar seus instintos selvagens para mim. Seu olhar continuava sereno, mas com um bocado de volúpia transbordando também.
Trouxe-me doces, histórias para me contar. Disse sobre sua vida também, queria que eu soubesse de cada pedaço dela. Do passado, só contava o que havia de bom, do futuro, apenas os sonhos. E aquilo parecia deveras animador. / Segurou minhas mãos contra a parede, jogou minha cabeça para o lado, senti o seu perfume doce permear minha mente. Usou suas mãos para me trazer de volta a vida, e como fazia isso bem.
Eu estava experimentando uma água que não conhecia ainda: O lado bom da vida. O descompromisso que acabou tornando o compromisso a coisa mais agradável possível. Olhei bem no fundo dos seus olhos antes de a beijar, pois eu tinha algo a lhe dizer, agora que todas as dúvidas haviam se dissipado. / Aquela sensação de me trazer de volta à vida, de me dar o prazer máximo de dar o mesmo prazer, aquilo tudo que presenciava tinha o sabor que a muito havia se perdido de meus lábios: A vida. Não havia mais jeito, não podia negar mais a ela, nem a ninguém.
Moça, eu te amo / Moça, eu te amo.
Me faz chorar de leve. De alegria.
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