Acho que me perdi durante a construção de minha pessoa, sobretudo no que deve ser um homem.
Vejo tanto cara por ai traindo suas namoradas, noivas, esposas e elas lá, super felizes, alegres, sempre com aqueles sorrisos estampados quando estão de mãos dadas com eles. Eu vejo a traição como uma das coisas mais nojentas e sórdidas que o ser humano pode praticar com o seu/sua parceiro(a). Que atire a primeira pedra quem nunca desejou por um instante um outro alguém, mas daí a praticar... É baixo, é imoral.
Fui criado apenas pela minha mãe. Meu pai a traía constantemente, e se fosse apenas por isso, eles ainda teriam um casamento, o que pra mim já é deveras absurdo. O que a fez largar aquele homem foi, entre outras coisas, nós. Entende-se por nós eu, meu irmão e ela mesma. Meu irmão ainda teve um pai, eu não. Talvez meu pai tenha sido meu próprio irmão, mas mesmo sendo um bocado mais velho, acho que ele não estava muito grande para dar conselhos. Coube a minha mãe construir meu caráter como homem, e eu a agradeço todos os dias por ter me ensinado o quão nojento e asqueroso um homem pode se tornar quando se deixa levar pelos seus instintos. Só que quanto mais olho para o mundo, para as pessoas, para a vida, mais percebo que os "homens de verdade" é que tem um lugar certo no mundo. Aprendi a ser cordial, educado, gentil e amável. Descobri que uma mulher deve ser tratada com carinhos e atenção, e vivi toda minha vida achando que deveria dar a elas um lugar de destaque. Bom, colecionei bem mais decepções do que qualquer outra coisa. Já colhi muita ingratidão, a começar por traições. Quanto mais vivo, mais me decepciono. Meu círculo de amizades está afunilado, já não confio em quase ninguém. Grande parte dos meus amigos que se dizem irmãos, na verdade são Judas. Eu, que sempre prezei a honestidade, já fui criticado por ser idiota demais. Eu, que sempre prezei os métodos corretos, já fui chamado de otário por não furar filas. Eu, que sempre prezei a fidelidade, já fui chamado de imbecil por não ter comido fora sem ninguém saber. Será que o mundo é dos espertos mesmo? A vida é um eterno entra-e-sai de druguinhos? Algo tipo "olha que mina gostosa, vou comer ela agora e largar de lado, ai ela vai gamar em mim e eu vou pisar nela feito uma puta asquerosa". As vezes sinto que eu é quem sou a puta asquerosa, e a vida, o homem cruel. Será que eu sou mesmo destruidor de corações, ou será que o único coração que eu consigo destruir é o meu? São perguntas demais para alguém não inserido no contexto atual. Que se foda a modéstia, sou um bom filho, um bom amante, um bom homem, e cá estou eu, perdido num mundo repleto de pessoas que não conseguem decifrar bulhufas de minha cabeça infantil. Já até tentei me inserir nesse mundo estranho, com vários copos de vodka e várias carteiras de cigarro detonadas. E o que eu consegui com isso? Apenas um maldito vício e dores estomacais. Pobre, fudido e sem sonhos palpáveis. O que mantém meu corpo em pé é a minha mãe, pobre mulher que lutou grande parte da vida para me dar um pedaço de pão. Sem ela, eu nunca teria descoberto a brilhante trilha dolorosa (porém honrada), que eu seguiria para me tornar um homem de valores, num mundo de machões de latão.
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