Começou como uma folha branca. Simples, apenas pauta e nada mais.
Do céu, avistava-se um gigante lápis, sedento para desenhar.
Mas como assim, do nada ele aparecia? Sim senhor!
No início eram apenas riscos. Curvas desconexas vindas de dedos suados.
Uma curva bonita aqui, outra ali, mas nada que fosse realmente interessante.
Passa borracha, mão gigante!
E passou.
Uma nova tentativa, vamos lá.
O lápis foi apontado, polvilhando grafite naquele branco já encardido.
Suavemente, a ponta foi pressionada, e desenhos mais suaves apareceram.
Ainda não era suficiente, os detalhes estavam estranhos, lembravam Dalí.
E dali, e aqui, e dá-lhe a borracha a apagar.
Essa história se sucedeu por várias e várias vezes, até que o papel ficasse febril de tanto ser apagado.
A névoa cinza dominava toda aquele ondulado papel opaline. A luz já não passava por grande parte daquele papel.
De repente, outra mão apareceu ali. Expulsou aquela mão feia e trouxe seu próprio lápis.
Mas havia pouco espaço ali para desenhar, já que aquele papel estava registrado com tanto rabisco sólido.
Algumas noites em branco, uma pequena tentativa. O céu azul, o céu cinza, o céu negro.
Vários momentos passaram. Mas a página nunca era virada.
A mão se afastou, raciocinou, respeitou.
Foi embora, mas voltou com uma pena, sulcada de tinta.
Deixou ali uma marquinha.
Um pinguinho.
E esperou.
Frágil, absorveu aquela gota de tinta.
Por fim, desenhou uma rosa, bem no cantinho, mesmo que quase ninguém visse.
Mas o papel viu. O papel registrou.
Embranqueceu um bocado. Talvez fosse um recado.
- Não rabisques se a intenção for só borrar meu humilde ser. Não marque forte aquilo que não quer ter.
Ora, era só o rascunho! A obra-prima? Um dia, quem sabe.
Por ora, a pena era suficiente para percorrer por lá, e fechar com vinhas as rosas que eram desenhadas em cada borda, sem o consentimento de ninguém, mas com uma vontade incrível de fazer o desenho perfeito.
Sem palavras. :')
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