Acordei. Dor de estômago, sono e amargueza. O primeiro cigarro que não serve só para saciar o vício. Acendo ele e o coloco no cinzeiro de madeira, deixando a fumaça subir e ir se moldando por cada objeto que passa, até sumir. Se eu tirasse 10 mil fotos, em cada uma eu enxergaria um desenho diferente nela: Um carro, o sol, a morte. Na minha janela, eu me avistava, já que a chance dela ser aberta era de um por cento. Mais um dia normal, mais um domingo normal, com gosto de tédio e o bônus de um dedo machucado. Fiquei pensando na amargura de algumas palavras, na doçura de outras e na saliência dos acentos. Na saliência dos acertos. Ninguém sabe para onde o mundo vai, ninguém conta as horas para o próximo amor, ou para o velho, mas sempre vamos contar para o ônibus que vai passar, ou para o carro que queremos comprar. No instante que nossos desejos viram obsessões, eles se corrompem e deixam de ser puros. Quando sentimentos viram perseguições, deixam de ser um ideal: Se tornam um câncer. A operação não é das mas fáceis, talvez a quimioterapia para certas doenças da alma nem funcione, mas podem amenizar. E se vazar radioatividade pela sua pele, com certeza você vai se orgulhar. O álcool, o chocolate, talvez o tabaco. Talvez um filme gostoso debaixo do edredon, um sexo descompromissado, uma vela na frente do altar, não importa: A cura somos nós que determinamos, e tal como remédios, elas demoram para surtir efeito. Mas surtem. Tem gente que tende a chamar o Chorão de poeta, talvez eu roube uma frase dele: Não tão complicado demais, mas nem tão simples assim.
Demoramos para perceber, mas a pureza de uma alma infantil está em nossos corações, e tenhamos certeza: só cala um coração infantil aquele que perdeu a esperança de viver. Não sufoquemos no nosso próprio vômito, não deixemos que os pássaros morram no céu. A saudade dói, mas ela serve, principalmente, para dizer que uma hora deu certo. E pode dar certo outra vez, só basta não se tornar obsessão.
Meu cigarro acabou e eu não dei um único trago nele. Será que eu mudei? Não... minha criança ainda está sufocando.
Excelente. Esse texto me fez sentir um turbilhão de sentimentos. E ele é uma justificativa para o meu modo de agir, sabe? Eu sou tão constantemente cheia de medo de transformar um sentimento bom em ruim, que eu prefiro mantê-lo na inércia.
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