02/05/2013

Outono.

Quantas folhas no chão, o outono chegou.
Todo o clima mudou, o tempo mudou, a vida mudou.
Nunca gostei de mudanças bruscas, mas a passagem do verão para o outono é diferente pois é singela. As árvores pareciam mais atrativas, mais bonitas, a terra molhada vinha a se fundir em meus tênis surrados, e o frio já incomodava. Meu casaco de algodão já tinha uma utilidade maior do que ficar dobrado numa gaveta lotada de naftalina.
Um dia, na minha rotina diária rumo ao trabalho, reparei que as folhas já haviam caido no chão. Eram secas, estranhas e sem vida. Mas no meio de tantas delas, encontrei uma especial. Era vermelha, cheia de detalhes sinuosos e bela por ser, quase não fazia sentido ter caído da árvore. E não destacava-se apenas por ser assim mágica, e sim por ser, mesmo assim, frágil. Por algum tempo eu apenas a fitei de longe, tentando decifrar se era necessário pegá-la para mim, ou se eu deveria deixá-la ali na terra junto das demais, para que quando o vento chegasse, ela pudesse voar com as demais para todos os cantos possíveis e impossíveis.
Curioso como só, eu não ia me contentar com pouco. Caminhei em sua direção, só para chegar mais perto. Aquelas pintas vermelhas em sua estrutura me fascinavam, quase como se tivessem sido feitas por mim. Os pequenos buracos demonstravam que ela já havia sofrido com o tempo. Não iria demorar muito para que eu a pegasse enfim com as mãos, e a observasse mais de perto. Sentia suas nervuras e a lia, tal como um cego com seu braile. E quanto mais eu olhava, mais queria entender, e quanto mais eu entendia, mais a queria possuir.
Mas e o vento? Ah sim, o vento.
Maldito vento que passava ali toda hora, levando as folhas para outros quintais. E todas eram apenas folhas, tal qual a minha folha especial. Claro que ela iria voar, e mesmo que eu tentasse a perseguir feito um ladrão de borboletas, eu não conseguiria manter ela comigo. Era o destino dela voar o mais alto que pudesse e sozinha, afim de encontrar seu verdadeiro destino no céu nublado que se desenhava no horizonte. Por um breve momento tive minha folha mágica, e eu sei que se for da vontade do vento, eu apararei sua queda, quando ela cair.

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