01/12/2020

XVI: Jornalismo sem fronteiras.

Eu acho que fiquei uns 3 anos bem fechado, até certo ponto meio bugado. Sabe, entregando migalhas de mim para pessoas que não poderiam curar minhas feridas. A gente aprende na marra que nossas feridas só se fecham quando nós as curamos. Ninguém é prefeitura pra fechar os buracos na alma dos outros.

Claramente eu não pensava assim, e nesse meio tempo, encontrei pessoas pelo caminho que ou me machucaram, ou que eu machuquei. É, não sou nenhum santo, eu fui egoísta em alguns momentos também, mas só quando a gente erra que a gente aprende a perdoar. Ou melhor, a dar valor ao perdão. Estar cheio de si mesmo lhe impede de apreciar melhor o perdão. E sinceramente, tem que ser muito egocêntrico pra achar que só você está sempre certo.

Tô aqui pra apanhar por cada erro que cometi nessa vida. E é até por isso que quando alguém fala mal de mim (e a pessoa está certa) eu confirmo, aceito e é isso. Enfrentar os erros faz parte de sermos alguém melhor. Mas por quê diabos eu tô falando isso?

Bom, eu tava cansado e queria tentar de novo. Real. Nada de meias medidas, meios copos ou meios termos. Eu queria algo sério, novo, incrível, surreal. Queria experimentar a sensação de amar e ser amado sem ter que pensar no que os outros pensariam, sem ter que ligar para passados. Só pegar o peso excedente, jogar pra fora do carro e "é isso, vamos tentar!"

Daí encontrei você. O primeiro indicativo de que uma mulher pode desgraçar a minha vida é quando eu a olho e a acho linda, independente da beleza dela. Algo me toca e eu fico "puta merda". E eu só tinha visto umas 3 ou 4 fotos suas no Tinder. Bom, eu até já te conhecia dos corredores da Veiga, mas... vish, nunca achei que fossemos compatíveis.

Porra, pior é que éramos. Nerd, maluca, retardada mental mesmo. Só falava groselha. Mas mais do que isso, afundada em problemas reais. E mano, se tem algo que eu realmente dou valor nessa vida é em encontrar alguém que viva problemas parecidos com os meus, pois empatia é sempre importante. Nenhuma mulher que eu realmente amei no passado compreendia as coisas pelas quais eu passava. Vai por mim, é uma merda estar com alguém que se preocupa com o sabor do bolo pro aniversário dela enquanto você grila com a palavra câncer.

Enfim, bastou uns poucos encontros e você já estava lá, me vendo na formatura. Bastou alguns beijos pra eu já estar dormindo na sua casa, eu você e sua dog. Bastou um pouco de empatia pra você conhecer minha mãe. Só bastou um pouco e a gente já tava dizendo que se amava. Nossa, sério? Por quê tão rápido? É estranho quando tudo acontece rápido assim, mas tem piloto que fala que o melhor nesses casos é cair de cabeça e curtir a viagem. Concordo. Independente da porrada, se você estiver de capacete, você aguenta.

Ou pelo menos você acha que aguenta, né? Mas não vem ao caso. O que vem é que eu realmente estava ali, após tanto tempo, acreditando que já tava de saco cheio de não ser feliz e que eu deveria tentar dessa vez. Planejamos morar juntos, alugar uma casa, ríamos do bizarro acontecimento que foi nossos últimos ex estarem namorando naquela altura do campeonato, como se fosse uma afronta a nós. Como se fôssemos realmente importantes, né? Mas confesso, era engraçado. Era leve. Eu não via o tempo passar com você.

Eu tinha orgulho de ti. É uma baita jornalista, escreve bem e lê melhor ainda. Não tem medo de nada, cai de cabeça nas pautas, se tiver que ir pra rua no meio de um tiroteio, você se joga. É muito bom olhar para uma pessoa com fascínio, sabe? Pena que nunca sentia reciprocidade nisso. Mas se você diz que me ama, então amado estarei. Não preciso de confirmações, fico de boa com a palavra de quem eu confio.

Confiar... Porquê diabos você me enganou por meses, se já namorava alguém? Porquê fez planos comigo? Surreal.

Enfim, a gente precisa errar pra aprender a perdoar, mas também pra entender quem realmente não merece nosso perdão.

25/11/2020

Succubus.

Desinteressante, dissimulada, com aqueles olhos de quem não quer nada.
Cabelos negros, uma succubus infantil devoradora de sonhos inertes.
É o que faz, é o que tem, quando quer ela pega e finge docilidade.
De dócil apenas os pequenos passos leves pela casa, enquanto planeja o próximo round.

Round de quê? Oras, do próximo que irá devorar.

E se move gentilmente entre os azulejos, olha ao seu redor, não se sente observada.
Mas ela é. Acha que é o lobo entre as ovelhas, mas alguns predadores adorariam rasgá-la.
Comerem esta carne putrefata, mofada, embolorada.
Dilacerando com caninos profundos esta implacável entidade cósmica.

E ai de quem duvidar.

Pois a cadeia alimentar é, por vezes, cruel. E até mesmo essa linda succubus sabe disso.
Se ela destrincha com furor implacável algumas peças de humanidade expostas
Ela também é depenada cruelmente no seio de sua própria casta.
Traições, abusos psicológicos, descrença...

Pobre succubus...

08/11/2020

theycallme_devil

"Oh my god it's my favorite song".

Eu não queria estar escrevendo aqui sobre outra pessoa que eu amo que partiu. Porra Luluca, a gente ia se ver semana que vem, sabe? Ia ser de novo você, eu e Lierce falando sobre um monte de merda, reclamando da vida e rindo entre uma e outra cerveja (no caso vocês beberiam, eu só veria). Eu ia ver você falando sobre ser rica pra pagar seus mimos e sobre seu vício nos exercícios da faculdade. Você ia se formar em fono, cara.

Você só precisava ter me mandado uma mensagem, ou pro Lilica, entende?

- Migo, eu to triste, aconteceu uma coisa chata aqui.

A gente ia mandar você vir pra cá logo. E a gente ia te fazer rir como a gente sempre fez. Porquê tudo o que importava pra nós 2 era a porra do seu sorriso e de ver você feliz pra caralho, esquecendo das merdas que tu passava ai em Friburgo. De certa forma, você completava nossa vidinha da mesma forma que a gente completava a sua.

Porra, esse amor de amigo é muito cruel. Eu to sofrido, ele tá sofrido. Mas eu jamais vou te chamar de covarde por isso. Você foi incrível por 20 e poucos anos da sua vida (já que sempre se recusou a falar sua idade em voz alta, não vai ser agora que eu vou te desrespeitar) e é isso que eu sempre vou guardar. E eu vou me cuidar pois isso te deixava feliz. Mas e agora, quem é que vai falar pra mim que entende que eu demore a responder no Whatsapp? Quem vai falar sobre o feng shui da minha próxima casa? Quem vai rir das piadas boçais que eu faço? Que vai ouvir eu falando das minhas desventuras amorosas? Ou que vai falar das próprias desventuras amorosas?

Maldita seja a porra da arma que vocês tinham em casa. Maldita seja a hora que você quis remover toda a porra dessa dor partindo daqui dando um tiro na cabeça. Maldita... maldita. Eu sei o que você sofreu, eu te vi chorar por isso. Mas eu queria poder te dar todo o carinho que fosse possível pra que você entendesse que seu lugar era aqui conosco. Sendo amada com o máximo da porra da potência que fosse possível.

Luluca, maldita seja. Eu te amo, puta merda.
Que a sua alma esteja guardada em um lugar especial, minha amiga.

31/10/2020

Navegar é Preciso.

Para onde foi aquela pista lisa deslizante? Não sei, nunca mais vi. Ficou num limbo estranho, junto da musa atemporal. Em seu lugar os espaços são agora preenchidos por curvas finas e volumosas de um infinito mar que sempre tenho vontade de me afogar, mesmo que pra isso eu precise me aventurar por esta sinuosa estrada.

Toda sereia é praiana, logo, as retas não combinam com o sal que há de lhe ressecar. Talvez agora você esteja mais apta a seguir o dress-code das formas marinhas, só lhe falta a estrela-do-mar na cabeça e a cauda real balançando por ai. Mas quem precisa de um rabo de peixe quando já tens o melhor bumbum do alto-mar?

Vamos lá, sejamos sinceros aqui: Nunca és feia. Acordando, dormindo, supermorena ou levemente branca, com olhos editados ou com aquela carinha de leve tristeza. Sua beleza é tal como a musa que és: atemporal. Em qualquer momento do dia ainda terás aquele sorriso chiclet's emoldurante. Esta é a sua posição no universo, a de deusa imutável.

Então qual a diferença do seu cabelo de ontem para hoje? Ah, nenhuma! É que agora você tem mais ondas pra eu desejar navegar.

26/10/2020

Musa Rubra.

E cá estou novamente
Diante do mar agoniante
Sufocado nesse ar insalubre
Olhando pr'um espelho brilhante

Afinal, quanto tempo se passou?
Dois, três ou vinte anos?
Já perdi a conta do tempo
Ah, mas que relógios tiranos!

É um globo ocular fascinante
Somados aquela pele quase rubra
Penso no céu nublado novamente
Desejando que enfim me descubra.

Mas afinal, quem és tu?
Não que isso te deixe confusa.
Tu tens total ciência, não é?
Oras, você é a minha musa!

Volto enfim a tocar no tempo.
Deveras confuso, deveras perpendicular.
O tempo passa, passa tudo.
Menos a vontade de te amar.

25/10/2020

Embrace Yourself.

São mais de 3 décadas aqui neste planetinha, balzaquiano convicto. E volta e meia eu ainda me pego tendo que lidar com gente idiota. Sabe, gente que não tem noção das coisas.

Mas nada em absoluto me irrita mais do que as pessoas que acham que eu sou otário.

Pois veja bem, eu sou bicho criado. Se eu parar uns 3 minutinhos pra refletir sobre as coisas, eu acabo tomando as decisões certas, mesmo que eu exploda nestes primeiros 3 minutos. Eu sou racional e eu gosto deste meu lado. Isso foi conquistado por meio de muito suor, sacrifício, trabalho árduo e principalmente, na experiência.

Não é qualquer merda que me derruba. Felizmente.

Só que eu to bem cansado disso, sinceramente. As pessoas falam sobre amizade e esquecem o que isso significa, elas falam sobre te amar e esquecem o que isso significa. Elas acham que estão imunes ao erro e que só os outros erram. Lhes falta autocrítica. Sem ela, você acaba machucando os outros de graça, apenas pelo bel-prazer de não ser "otário". Mas que otário? Sei lá. As pessoas pensam demais nos outros.

Só que pensam pelos motivos errados, saca?

Querer saber se estamos bem, se tá tudo na paz, ligar pra saber como está o seu dia, essas merdas a gente não faz. Eu incluso. Nos falta um pouco mais de empatia já que, no fim, é tudo "meu pirão primeiro, foda-se o outro". Mesmo assim, repito: eu to cansado disso. A sensação de ser descartável, de pensar no tanto de dedicação que a gente pode ter por alguém e depois ver isso relegado a nada por suposições, fofocas, abobrinhas e melões... é bem merda. Ainda mais quando todo mundo envolvido sabe que você vive ao redor disso.

Daí hoje eu tive um estalo. Tac!

Eu vou ser exatamente esse maluco que todo mundo faz questão de dizer que eu sou.

22/10/2020

XV: Cílios.

A gente já se conhecia a muito tempo, né? Coisas da Região dos Lagos. Te via numa festa aqui, num evento ali... a gente nunca foi amigões, mas a gente até que se dava bem. Fiquei com sua amiga, você me apurrinhou pra eu ficar com tua irmã (o que graças a Deus nunca aconteceu), de repente eu fui te ajudar com coisas da sua casa e a gente tava se beijando. Não foi uma história comum.

A gente se gostou muito rápido e isso aconteceu com você me vendo parado no ponto de ônibus. Me mandou oi, tomamos sorvete, conversamos, batemos papo várias vezes. Eu vivia aonde você mora e depois fui morar aonde você queria. A sua casa era muito confortável, mas me faltava algo. Mas é isso, em menos de 1 ano a gente ficou, terminou, voltou e passou a morar juntos. Que???

Eu não era o melhor dos partidos. Eu sei disso. Eu errei com você e talvez eu sinta que pague alguns desses pecados hoje. Fico martelando como as coisas poderiam ter sido diferentes se eu só tivesse demonstrado meus sentimentos sem medo de porra nenhuma. E medo de que, caralho? Porra, eu vivo batendo nessa tecla de "medo de me machucar" e aí eu pego e acabo me machucando mesmo assim. Nem faz sentido, sabe? Seria melhor se eu só caísse de cabeça no seu mundo que eu tanto gostava. Por mais que você nunca tenha acreditado nisso. Eu fui um baita cabaço.

Com certeza hoje você pensa só que eu estava aí por comodismo. Pra comer alguém, pra estar perto do trabalho, da faculdade, de coisas banais. Pior que não, eu gostava de você mas queria me impor, de tão cansado que eu estava de ser boneco capacho dos outros. Tinha que ser do meu jeito, eu não queria fotos, eu não queria registros, eu sabia que iria acabar antes mesmo de começar. Mas como? Sei lá sabe, eu só achava que em algum momento você iria me decepcionar. Daí passei a cagar com tudo de graça. Coisa de retardado.

Claro que você também teve alguma parcela né. Nunca teve muita paciência para lidar com minha ausência e sempre senti certa dificuldade em entender meu mundo, mas mesmo assim era uma ótima companheira e eu tenho certeza que merecia alguém infinitamente melhor do que eu era naquela época. O mais irônico é que se aguentássemos mais 1 ou 2 meses... não, se a gente aguentasse mais uma semana só, provavelmente estaríamos juntos até agora. Talvez até por comodismo de ambos, mas é real. O timing da vida as vezes pode ser meio cruel, mas pode ser necessário também. Entre um ou outro, prefiro acreditar que você está mais feliz hoje. E tá tudo bem.

Depois de tantas pessoas que me fizeram mal e vacilaram comigo, eu tenho certeza que meu "dia de cuzão" foi mesmo com você. Eu não te respeitei, gostava de alguém quando comecei a estar contigo, me sentia fraco, me sentia inútil sendo sustentado por ti e fiquei irritadiço. Perdi toda a autoridade que eu já nunca nem tive e tentei me impor da forma errada. Passei pelos piores momentos da minha vida até hoje ao seu lado e suguei você.

Eu te amava, eu juro. Mas só descobri isso quando acabou.

21/10/2020

Estatística.

Nunca fui muito a favor da ideia de que você se torna responsável pelo aquilo que cativas. Isso é meio que uma muleta sentimental para prender os outros a ti, além de ser uma desculpa fajuta. Nem sempre a gente faz as pessoas se apaixonarem por nós. Nem sempre é recíproco. Merdas acontecem. Ainda assim, empatia é importante e evita que pessoas se machuquem a toa.

Então vamos falar sobre responsabilidade afetiva. É, aquela coisinha que a maior parte das pessoas acha que não precisam se importar, pois "feridas amorosas se fecham". Inclusive, estou aqui achando engraçado que ouvi de um grande ex-amigo que "nessas horas é bom transformar a raiva em putaria ou num novo amor". Imagine só, receber conselhos de quem está com quem você gosta, é o cúmulo da escarrada em cima da sua cabeça.

Mas voltando.

Tem gente que não tem a menor responsabilidade afetiva com os outros. Passam meses te conquistando, entrando na sua vida, no seu domicílio, te fazem a observar enquanto dorme, o fazem dormir pouco pensando em suas crises de ansiedade, enfim. Toda aquela ladainha barata sobre se apaixonar, sabe? Pra no fim, te largar como um pão velho que nem pra torrada serve. E vejam bem, é importante analisar o contexto amor.

O que é amor? Amor é algo que, quando você diz que sente, você assina um contrato de aceitamento. De que está disposto a enfrentar dificuldades pela pessoa. Se ela é pobre, se ela é uma fodida, se ela tem problemas sentimentais inacabados, dificuldades com seu sistema nervoso central, se não tem uma perna, foda-se. Você ultrapassa coisas pequenas em prol disso. Quando digo que amo uma pessoa, eu automaticamente ignoro tudo o que me prendia e aceito ela do jeito que ela é, sem querer mudar um fio de cabelo. Estarei lá disposto a fazer tudo para que dê certo.

Exceto que a pessoa caia fora, do nada, dando desculpas genéricas e culpando confusão mental. Aliás, é moda fazer isso, né?

É difícil esperar algo de alguém jovem. A gente chega numa idade onde começamos a dividir as pessoas entre jovens e adultos. E de jovem eu espero tudo, inclusive fogo no rabo. Mas como afirmei antes, é importante explicar que quando chegamos a falar que amamos alguém, nós aceitamos ela do jeito que ela é. Mesmo com problemas de aceitação, ciúmes, irmãos problemáticos, família estranha, crises aleatórias, caixas de remédio e desconfianças aleatórias. Infelizmente, amor não escolhe caráter, ele escolhe carinho.

Por isso eu sempre vou achar escroto uma pessoa que deliberadamente te faz se apaixonar pra ir embora com outro. E dependendo dos moldes em que isso se constrói, pode beirar a crueldade. É aqui onde eu me ligo que em tantos anos, eu sempre desejei o bem para as pessoas que me fizeram mal. Fiz força pra manter a amizade, independente de tudo. Ficava meses sofrendo quieto fingindo ser forte para não ser chato para ninguém, nem tampouco soar patético.

Só que graças a Deus eu caí na real que isso segue contra os princípios do ser humano. Somos passionais, erramos e as vezes desejamos sim o mal das pessoas. Então me reservo o direito de desejar que você se foda para sempre. Que experimente o que eu estou experimentando. Várias vezes. Que nunca seja feliz. Que acorde e sinta um buraco no seu peito. Que busque sempre algo que você quase vai encontrar, até perceber que não. Que seja enganada. Que seja machucada na alma, no coração. Não há castigo pouco pra quem não tem responsabilidade afetiva.

Isso não significa que você não vá ser feliz. Mas significa que sempre que não for, você vai lembrar de mim. E vai lembrar que você tirou um homem da porra de uma reclusão de sofrimento por outros amores, pra ser a maior babaca de todas.

Parabéns. Você nunca quis estar aqui como estatística. Agora é a pior de todas.

17/10/2020

Meio BoJack Horseman.

BoJack é um cavalo.

E provavelmente o cavalo mais humano do mundo. Ele não corre, ele não é viril, ele não tem nem sequer pau grande. Ele é apenas um cavalo que parece um humano. Seus sentimentos são complicados. Diria até que a mistura de seus sentimentos o torna meio escroto. Babaca.

BoJack é um babaca.

Na maior parte das vezes, ele é o arquiteto de sua própria destruição. Não é capaz de acordar um dia e falar "uau, que dia incrível!". Não, ele é ranzinza, chato, a vida dele provavelmente é cinza. Todas as pessoas felizes ao seu redor são meio idiotas, afinal, não percebem que deveriam estar tristes.

BoJack é solitário.

É uma forma de se ver as coisas, mas ele é. As pessoas que se aproximam dele se machucam. E ele se machuca com quem se aproxima dele. Ele é vítima e culpado ao mesmo tempo, e nada o redime, independente do que ele faça. Nenhuma atitude dele é correta, mesmo que seja mesmo certa.

BoJack é azarado.

E como ele mesmo diz, não é do tipo que ama. Ou você magoa alguém, ou é magoado. Qual seria a graça disso, não é mesmo? E mesmo que ele amasse tudo o que é possível, ainda seria pouco. Suas qualidades se perdem ao vento, mas ele é capaz de ver pontos positivos e ignorar os negativos em seus picos de felicidade.

BoJack é, as vezes, esperançoso.

O problema é que a qualquer sinal de felicidade, tudo vai desmoronar de novo. Nada o fará feliz novamente, pessoas serão machucadas e ele não vai ter controle de nada, pois vai ser novamente um babaca sem ter controle de seus próprios atos.

Eu te entendo, BoJack. Eu te entendo tanto que até dói dentro de mim. É incrível como eu sou capaz de destruir as coisas ao meu redor sem fazer absolutamente nada, só vivendo. Falando uma coisa aqui, tentando resolver uma outra aqui, lutando avidamente para ser, vejam só, feliz. Uma gota de felicidade e de repente tudo desmorona de novo.

Eu só posso agradecer a pessoa que me apresentou a você. Pois além de fazer isso, ela me mostrou que eu posso ser igualzinho a você. E o melhor, ela deve estar rindo até agora disso.

Mas não tem problema. Eu aceito o estigma. Eu sou meio BoJack Horseman mesmo.

30/08/2020

Eu me lembro de quando eu tinha 12, 13 anos de idade. Eu literalmente chorava no chuveiro por ser feio. Passava horas a fio pensando que eu nunca teria ninguém, não importa quem eu fosse. Ser adolescente nos anos 2000 era complicado, mas acho que ser adolescente sempre foi complicado, no fim das contas.

Eu me apaixonei por algumas meninas naquela época. Poucas, mas aconteceu. E claro, eu nunca era correspondido. Havia um abismo de diferença entre mim e aquelas garotas, não só em se tratando de beleza, mas era tudo: Eu era meio nerd, tinha orelhas de abano, várias espinhas na cara, era completamente ingênuo e meus interesses se resumiam a jogar fliperama e assistir animes na televisão. Elas no entanto, sonhavam com a própria sexualização, desejavam os garotos velhos que passavam na frente da escola empinando motos e fazendo rompompom. Muito difícil competir com quem faz rompompom na moto.

Aos poucos eu fui envelhecendo e descobrindo que eu precisava fazer parte de alguma tribo. Por ironia do destino, meus amigos começaram a ouvir rock e eu também, logo, comecei a querer usar preto, sonhava em ter um sobretudo, munhequeiras e correntes com caveirinhas penduradas. Claro, queria também um Allstar. Esse último eu tive, o resto era difícil, pois minha mãe sempre foi controladora e chata, e com isso não seria diferente. Lembro até que pra eu ouvir meus CD's, eu tinha que me trancar no quarto e ouvir pelo fone no meu antigo diskman. Se botasse em qualquer aparelho pela casa, ela reclamaria.

A questão é que eu realmente amava ouvir metal, porém eu só queria parecer rockeiro para impressionar algumas garotas. Se eu era feio, pelo menos podia amenizar isso tentando ser estiloso. Mas não colou também, pois os garotos mais velhos comiam todas as garotas por quem eu ousava me apaixonar, patético pra um adolescente. E claro, nem ter estilo eu tinha, pois afinal de contas, tudo o que eu fazia era vestir uma velha blusa xadrez que ganhei do meu pai e umas calças jeans rasgadas que me davam aspecto de um grunge fedido.

Foi assim que eu fui me dando conta de que minha vida amorosa seria uma merda. Já não bastava na época eu ser atormentado por memórias nefastas de uma relação sexual horrível, ainda havia a rejeição. Não foram raras as vezes que me humilharam por qualquer motivo idiota: Parecer gay, ser feio, ter espinhas na cara, não poder sair de casa por que a mamãe não deixava, usar a mesma roupa, ter a mochila mais feia da escola... e quando falo ser humilhado, me refiro até mesmo aos meus amigos, pessoas que poderiam me defender e me botar pra cima.

Não haviam amigos, é doloroso mas é a verdade. Eu vivia em um inferno e para aonde eu olhasse, tudo me causava dor. Só me sobravam o ódio pela rejeição, a vontade de explodir tudo enquanto embalava compras de babacas no mercado em troca de 25 centavos. Ou as vezes nem isso. Meu refúgio era um fliperama abarrotado no centro da cidade. Lembro que comprava um copão de açaí e botava ele entre os controles da máquina, e entre um combo e outro, eu dava uma colherada. Isso claro, quando conseguia fazer dinheiro o suficiente para arcar com meu parco desejo.

Minha mãe fazia questão de me lembrar que eu era pobre. Nunca soube ao certo se era sua forma de descontar em mim por ter tido uma vida de merda ou se ela apenas era babaca. Mas sempre senti falta do lado amoroso da minha mãe, um lado que vi tantas poucas vezes que sinceramente, acho que lembro de todos. Ela dizia que eu era feio, que eu era um pobre fodido, que viveria preso para sempre a cuidar dela até que ela morresse. Fui doutrinado a aceitar isso, e mesmo quando meu irmão foi embora, eu continuei sendo abusado psicologicamente dessa merda. Me submetendo a trabalhar desde moleque pra fazer grana e botar em casa o pouco que ganhava, enquanto a assistia fumar e torrar o dinheiro dela com sapatos e coisas desnecessárias. Não vou dizer que ela não tinha direito a isso, mas sempre achei cruel eu não ter direito a nada. Nem quando ela ganhou 2 causas seguidas na justiça ela lembrou de mim. Nem uma calça jeans. Nem um pacotinho de cuecas, nada. Ela fez questão de comprar móveis, utensílios para casa e mais sapatos, tudo para ela. Era como se eu fosse a galinha dos ovos pra ela, logo, se eu já ajudava a prover tudo em casa, é claro que ela poderia gastar o resto só com ela. E é claro que eu não precisava de nada, afinal de contas eu era só um adolescente. Adolescente não precisa de nada, no muito de uma surra.

Por isso nunca entendi quando fiquei velho e comecei a despertar inveja nas pessoas. Pessoas que tinham tudo e me invejavam mesmo assim. "Nossa, que batalhador", "caramba, você é incrível!", "eu não teria aguentado essas coisas". Nunca me entendi merecedor desse tipo de inveja, sobretudo por saber que tem gente que viveu uma vida bem mais merda que a minha. Perto de muita gente, eu posso ser apenas um moleque arrogante que reclama de barriga cheia. Porém, conforme a maturidade veio batendo na minha porta, comecei a perceber que não é sobre o tamanho da dor e sim o quanto podemos suportá-la. Todos somos marcados de alguma forma, faz parte da vida.

Aliás, eu acho que "faz parte da vida" deve ser minha frase de assinatura, pois sempre que algo dá errado, eu me pego pensando isso. Faz parte da vida, correto? Ser traído várias vezes faz parte da vida. Ser sustentado pela namorada faz parte da vida. Ver sua mãe torturando você psicologicamente faz parte da vida. Ter uma dúzia de problemas de saúde faz parte da vida. E faz mesmo, infelizmente.

Voltando ao meu lado sentimental, é incrível como que eu estava certo desde jovem: Minha vida amorosa seria uma merda. Com exceção de 2 relacionamentos, eu não durei mais de um ano com ninguém. Houveram idas e vindas as vezes, encontros e desencontros, mas nunca dei sorte nesse aspecto. Claro que isso é subjetivo: Eu fui feliz com grande parte das pessoas com quem me relacionei, nem que por um instante, um breve instante. Mas muitas merdas aconteceram também. Primeiro, eu tive que lidar com uma série de traições. Acredito que o fato de eu não ser bonito, ser bem ingênuo e pobre tenham ajudado nesse aspecto, afinal de contas, deveria ser mesmo bem tedioso sair com um garotinho orelhudo que só queria estar de mãos dadas e viver uma merda de conto de fadas.

Esse garoto morreu, aos poucos. Ele foi sufocado, surrado, espancado e atormentado por memórias ruins. Aprendeu a fumar, a beber, queria se destruir. Queria se sabotar. As pessoas o machucavam e ele nem sabia qual era o motivo. Aos poucos a bebida e o cigarro começaram a lhe dar amigos. Aquilo o preenchia levemente, mas não a ponto de fazer sumir o buraco no peito. Incontáveis foram os fins de semana que eu virei fazendo maratona etílica, bebendo e fumando. Eu sinceramente não sei como não fui para as drogas mais pesadas, pois teria todo o apoio desses amigos pra tal. Acho que nunca quis parecer esses junkies de filmes barra pesada, meu negócio era afundar aos poucos. Transitava entre sociais sem graça e bares sujos, lotados de gente estranha. Ironicamente, comecei a ficar bonito. Era a barba o utensílio que faltava naquele garoto franzino e nada descolado, além de umas roupas bacanas e o cabelo que ficava cada dia maior. Como haviam marias shampoos por aqui, eu tinha alguma chance.

Acontece que essa vida não me trouxe muitas boas pessoas. Com exceção de bem poucos, a maioria só ria das minhas piadas por que eu inteirava a cachaça. A maioria deles só fingiam gostar de mim por eu ser um bom ouvinte. Eles só estavam perto de mim até o maço estar cheio, mas quando eu ia embora, ia a pé, as 4 da manhã, as vezes sem ter a casa de um amigo mais próximo pra cair nem uma carona que fosse, mesmo que muitos tivessem moto ou até carro. Aquelas migalhas eram humilhação travestidas de amizade, e pra quem nunca teve nada, farelo é banquete. Flertei com o coma alcoólico algumas vezes, nada demais. Só mais um capítulo do "faz parte da vida".

Hoje eu não consigo entender em que momento as pessoas pararam de gostar de mim e começaram a me odiar. Não foram poucas as vezes que um relacionamento nem teve chance de dar certo por que alguém já havia contado meia dúzia de merdas pra quem eu viria a me apaixonar. Eu poderia escrever um livro só com as coisas absurdas que essa cidade já inventou de mim, desde ter filhos e uma família fora da cidade até estupro coletivo, que até hoje é o boato mais asqueroso e repugnante que já inventaram de mim. Mas não é estranho você ouvir numa rodinha de caras invejosos que eu não presto. Não sei o que lhes fiz, mas me parece que eles só tem raiva de mim por que as minas que eles querem pegar me acham bonito.

Me acharem bonito... meu eu adolescente acharia isso surreal. Agora mesmo fui chamado de gostoso numa foto, algo que se tornou até corriqueiro, mesmo eu ainda me olhando no espelho e vendo aquele moleque feio e estranho. Eu não sou bonito e ninguém me fará acreditar no contrário. Mas essa "beleza" me parece que faz com que eu seja visto apenas como um pedaço de carne. Não é incomum algumas pessoas literalmente falarem que querem sentar em mim, as vezes até sem muito pudor. Me adicionam, trocam 2 palavras e jogam a real: Quero te dar.

Mas porquê? Por que eu me tornei o cara que não se apega. O cara pra quem as pessoas podem dar e contar a vida delas, inclusive sentimentais, e eu vou permanecer lá, de pé, firme e forte, dando conselhos e fingindo que nada dói, mas tudo dói. Ser tratado como lixo doía, ser tratado como o homem forte também dói. E sei lá se sou forte mesmo. Na brincadeira da fortaleza, eu desabei no primeiro tijolo construído, mas fingi a ausência de dor para proteger pessoas que eu amei e que só me usaram de escudo ao invés de moradia.

Esse foi provavelmente o maior desabafo que eu já fiz aqui, e eu só estou parando por que meus dedos doem, pois eu poderia falar muito mais. Mas enfim, ainda estou de pé, e todo dia que me levanto eu relembro daquele adolescente fodido, achando que seria mais feliz.

Não, você não vai ser mais feliz. Você seguirá pobre, sendo usado pelas pessoas e sem ter margem pra errar. Vai viver com a maldição de não conseguir manter raiva de ninguém, mesmo que lhe magoem profundamente. E vai fingir sorrisos e piadas pra que não vejam o rombo que ainda existe bem no meio do seu peito, com a certeza de que absolutamente ninguém é capaz de preenchê-lo. Nem mesmo você.

Mas pelo menos você vai ter, eventualmente, uma barra de chocolate branco na geladeira.

27/08/2020

Momentos.

A derrota é certa, basta acreditar no seu potencial. Se você pode estragar tudo, porquê desperdiçar tempo? Corra, é por tempo limitado, logo tudo dá errado e você volta a se lamentar.

Momentos.

Chaves.

A gente vive, vive, vive e não aprende. Mas é porque não há resposta pra nada. No fim, tudo é sobre sorte: O momento certo de falar, o alinhamento dos astros, a boa vontade dos envolvidos... mas tudo com sorte. Sinceridade demais pode machucar, falar demais pode ser um erro, querer demais pode afastar pessoas. E que pessoas? Sei lá, pessoas.

A questão é que geralmente fica muito difícil entender quem é o porteiro da nossa alma. O molho de chaves está sempre queimando na recepção, mas nós é que somos os porteiros, oras! E podemos ser um funcionário diferente toda vez: desastrado, nervoso, impaciente, sonolento, descabido, desbocado e até desumano. Talvez até um porteiro cruel. E aí como ficará a entrega desse maravilhoso artefato para pessoas próximas?

"Um grande abraço e fica com Deus enquanto é tempo", é o que eu falaria para viajantes desavisados que tentam a sorte. Não faça contas, só pague! Não se preocupe com o fato de respirar, apenas sinta o vento! Sinta a vibe, sinta o chão. Foda-se o resto. Saca? Cada história é uma história, cada pessoa é uma nova história. Cada história é uma pessoa nova. Ou pessoas novas. Marcadas, publicadas, impressas, gravadas em um papel inexistente na dobra temporal. Uma dobra de papel que vai sumir, eventualmente.

Mas a graça é essa: somos breves instantes. Se intensos ou não, tanto faz. Mas somos instantes, tal como marcadores de páginas do universo mutante. Pense no universo como uma grande bíblia, gigante, cheia de segredos de pessoas que você jamais conhecerá, unidades temporais que movem esta incrível bola azul no espaço desde antes de contarmos a história. Desde antes da história existir.

Num mundo tão gigante como esse, que mal faz as vezes entregar as chaves para pessoas erradas? Afinal de contas, num hotel, o quarto é sempre a razão do cliente. Você mantém arrumado pra quando entrarem e arruma a bagunça quando vão embora. A única coisa que precisam fazer é apagar a luz.

Aí vai ficar tudo certo. Mas guarde uma cópia da chave, só por precaução.

02/08/2020

Cross Vermelha.

Ele era jovem naquela época. 12, talvez 13 anos.
Lembro que o garoto se divertia como a criança que ainda era, mas que titubeava em admitir.
"Sou adolescente".
Os mistérios da vida, vejam como é. Somos jovens e queremos ser adultos. Somos adultos e queremos ser jovens. Somos velhos e queremos ser crianças. Crianças, adivinhem... querem ser adultos.
Sua casa ficava no alto de um morro, bem no meio de uma rua bem engraçada. A rua começava numa subida e terminava numa descida! Imagine que sacrifício morar bem no meio dela, a todos os lugares que olhasse, haveria uma subida.
Mas também uma descida para aproveitar sua pequena bicicleta vermelha, passada de geração em geração até que caísse em suas mãos.
Era comum ser sacaneado por não ter uma bicicleta nova. Também por não ter uma bicicleta grande.
Mesmo que se estude em meio a pessoas pobres, sempre terá aquele que tem mais do que você. E sempre terá aqueles que vão querer diminuir as pessoas.
É a lei do sobrevivente versão escolar. Uma graça.
Não é como se essas merdas passassem despercebidas por ele. Doía sim. Mas ele sabia contornar isso dando valor a coisas realmente pequenas que lhe alegravam.
Descer a ladeira de casa.
Seus cabelos balançavam. O vento harmonizava suas sobrancelhas.
Era um momento de lucidez no meio de um turbilhão de problemas, tristezas, ausências e desejos não correspondidos.
Numa época onde era prisioneiro em sua casa, comprar o cigarro da mamãe era motivo de festa.
Pudera, por alguns minutos, aquele jovem encarnava personagens de histórias em quadrinhos, fantasiando que estava em cima de uma motoca envenenada correndo atrás de bandidos.
Ou que estava numa missão interplanetária pilotando um jet voador pelo espaço. Sonhando com noites azuladas e céus estrelados que pouco via e que pouco respirava.
Ao voltar, contentava-se em fingir que os bonequinhos desenhados em papel eram de verdade. Os dava nomes, atuava, representava, criava peças onde eles lutavam entre si até descobrir quem seria o vencedor.
As vezes catalogava seus bonecos errantes, sem braço, sem cabeça, imóveis, mordidos, mal pintados, deslocados. Nossa, como foi raro ter brinquedos da moda.
Tão raro que sequer teve.
Mas aquelas coisas já eram coisas ultrapassadas. Ele era jovem mas não era mais uma criança. Já trabalhava, pensava em meninas e sonhava com seu futuro de adulto. Bonecos, carrinhos e afins não lhe distraiam mais.
Por isso que aquela bicicleta lhe servia como meio de união entre o jovem e o adulto. Lhe servia perfeitamente para sonhar e fugir das realidades em que vivia.
Voltando da igreja, indo para a escola, buscando o pão na padaria. Sempre havia espaço para sonhar enquanto pedalava.
Sempre havia espaço para desejar que dias melhores viessem.
Assim como hoje há espaço para desejar uma nova ladeira para descer enquanto sonha.

27/07/2020

Para todos aqueles que realmente significam algo na minha vidinha merda.

Existem 3 tipos de pessoas no mundo: Família, amores e amigos. Tudo o que está fora disso são apenas indivíduos que pouco são relevantes para nossa história.
Família a gente não escolhe, amores sim. Mas entre eles dois existem os amigos, que pra mim são a amálgama perfeita entre escolha e acaso. São pessoas que a gente pode amar profundamente sem medo de sermos nós mesmos, pessoas que veem nossos defeitos e ainda permanecem lá. Não é uma relação fácil de se construir, mas geralmente é uma das mais difíceis de se destruir. Conheço pessoas que desabam mais facilmente com o fim de uma amizade do que o de um grande amor ou no "cancelamento" de um ente.
Eu tenho poucos amigos mas os amo profundamente, daria um braço ou um rim por eles. Até os 2 se pá. E seus pares, se possível fosse também. Só que eu me expresso muito pouco para eles. Poucos abraços, poucas palavras carinhosas, acho que me especializei em ser cuzão. E enquanto aqui, no meu reduto particular, eu ainda seja um cara que volta e meia demonstra meus apegos sentimentais a várias pessoas que jamais mereceram meu amor, pouco demonstro aqueles que realmente são importantes para mim em diversas fases da minha vida. Pessoas que viram 1, 2, 10 amores virem e irem mas permaneceram lá, mesmo conhecendo meus defeitos, mesmo sabendo dos meus erros, mesmo tendo motivos para me criticar. Permaneceram lá, como pilares e me deram força, me mostraram que um novo dia melhor pode existir. Esse dia ainda não chegou, mas eles seguem acreditando neste dia pra mim.
Eu só queria dizer que eu só acredito em dias melhores porquê vocês existem. Não deixem que meu jeito arrogante e babacão os faça acreditar do contrário. Isso aqui é só um personagem. O cara por baixo disso ama vocês incondicionalmente.

Obrigado por existirem. Vocês são poucos, mas são suficientes.

07/07/2020

Aventura sem nome: 0. Prólogo

Estamos em 2060. O mundo definitivamente não é o mesmo que você estava acostumado no início do terceiro milênio, muito por conta de uma grande guerra. Alguns historiadores gostam de a classificar como a “Terceira Guerra Mundial”, outros apenas a chamam de “A Guerra das Guerras”. Bom, a nomenclatura não importa, já que nosso planeta foi arrasado. Não sei muito bem dos detalhes pois nunca gostei muito de estudar história, mas até onde sei, Estados Unidos e Coréia do Norte brigaram por conta de um programa nuclear. O que veio a seguir foi uma chuva de bombas e explosões que devastaram grande parte do que eram os países conhecidos. Os próprios Estados Unidos, até então uma grande potência, viram grande parte de seu território sumir do mapa. Há uma grande porção de nada inabitado, exceto o Alaska que, por milagre, sobreviveu, e uma parte de terra próxima ao Canadá. Já a Coréia, bom, ela desapareceu junto de sua irmã do Sul. Mas o problema não foi só esse: Todo o planeta foi atingido por uma núvem tóxica radioativa que dizimou em torno de 70% da população na época, um pouco mais de 2 bilhões de habitantes. Esse número pouco cresceu, já que muitos ficaram estéreis. Toda essa gama de fatores acarretou em mudanças ao redor do globo, onde inúmeras reuniões da antiga ONU foram feitas até que em 2034 se chegou ao que é hoje a “Lei Mundial”. Eu não sei a ordem nem nada, mas basicamente é isso aqui:

A) O mundo ainda é dividido por países, mas de uma forma diferente (já falarei sobre isso).

B) Todo habitante do planeta tem o direito de ir e vir pelo resto do globo, passando claro por umas burocracias, nada demais.

C) Não existem mais países que se sobressaiam acima de outros. Hoje todos tem o mesmo peso, algo para tentar evitar futuras guerras.

D) Foi instituído um “governo mundial”, que vigora por 5 anos e é repassado de país a país neste rodízio.

E) Todos os planos de desenvolvimento de armas nucleares foram abortados e banidos pelo bem da humanidade.

F) Os países tem a obrigação de cooperarem entre si, buscando o desenvolvimento sustentável.

G) Deve-se respeitar as religiões, mas sob nenhuma circunstância elas podem ficar acima das leis dos homens.

H) Blablablá. Eu não lembro o resto.

Essas medidas ajudaram a manter a paz no planeta, apesar de ainda haverem exércitos, já que nunca se sabe quando alguém pode se rebelar. O mundo foi então dividido em alguns grandes pedaços, onde dentro deles existem outros menores, onde podem ou não existir povos independentes que buscavam independência, tentando assim por fim em todo e qualquer conflito étnico, religioso e afins. O mapa-múndi ficou bem mexido a partir disso. Mas apesar de toda essa baboseira, o Brasil seguiu basicamente intacto territorialmente. E é aqui que eu moro, aliás.

Bom, após esta nuvem radioativa, muitas pessoas morreram, mas as que sobreviveram evoluíram, meio que ganharam poderes e se chamam Metas. É como dizem, na dificuldade o homem evolui. Na verdade, não sei se dizem isso, mas eu ouvi em algum lugar essa besteira. Não, ninguém virou super homem ou algo tão heroico, mas também não vou ficar explicando como as pessoas mudaram, já que é tão variado que, sinceramente, eu perderia horas só catalogando os tipos de pessoas que existem agora.

Mas por que eu contei isso tudo, você se pergunta. Aliás, quem sou eu, não é mesmo? Você deve estar se questionando se eu tenho grandes poderes, ou se eu sou um cara super importante. Talvez um agente secreto. Eu solto fogo pelas mãos? Atiro lasers pelos olhos? Eu voo?
Bom, sinto desapontar, mas eu sou apenas um garoto de 18 anos que não tem nenhum poder, que nasceu após a grande guerra e que vive uma bela vida tediosa ajudando a mãe, vendendo e trocando mercadorias. Mas claro, se eu estou aqui falando disso, é por que meu mundo virou de cabeça pra baixo, e tudo é por culpa dele.

16/06/2020

XIV: Aquela árvore perto do Supermercado.

Morena da cor do verão. Sorriso de menina, jeitão de sapeca e olhos de uma mulher decidida.
Se eu pudesse resumir você, seria assim. É o que eu botaria ao lado de sua foto no dicionário. Bem destacado, bonito e pomposo como merece.
Sempre me lembro de quando instalei o Tinder e achava que aquilo era uma total perda de tempo. Até que vi sua fotinho lá. Bom, eu já te conhecia e eu só conseguia imaginar: Esse match nunca vai acontecer.
Aconteceu. E aí eu imaginava: essa mulher nunca vai querer sair comigo.
E quis. Mas aí eu imaginava: Esse beijo nunca vai acontecer.
E aconteceu. E aí o tempo passou... e a gente tava dando certo?
Olha, estamos de parabéns, pois fomos contra tudo e contra todos. Vivemos juntos o auge das fofocas que nos envolviam, dos olhos que nos julgavam, a beleza da conspiração estampada: Não queremos que vocês deem certo.
Porra, eu queria que desse certo. De verdade.
Você merecia alguém bom, preparado, bacana, que te apoiasse em todos os momentos.
Infelizmente eu não era esse cara. Estava difícil existir naquela época e você não merecia isso.
Mas eu gostava de você o suficiente pra partir. E foi difícil partir.
Entenda, eu não me arrependo. Melhor alguém com raiva de mim do que alguém presa a mim.
Mas entenda também: As coisas são mais complicadas do que geralmente parecem.
Ainda bem que hoje você entende.

Mas que árvore é essa?
Vai saber.

O que somos?

Somos pedaços descabidos de aventuras falhadas.
Cacos recolhidos dessa linha do tempo.
Todo alguém pode ser um João e Maria.
Basta deixar suas migalhas por aí.

Somos feitos de migalhas, então.
Pedaços vivos e pedaços póstumos.
Pessoas que nos marcam com ferro quente.
E pessoas que nos abraçam com plumas fofas.

Somos nós mesmos e somos os outros.
Somos o pó que virou ouro.
Somos tudo de todos e nada de ninguém.
É, somos eu, somos você.

23/05/2020

Gozo.

Na calada da noite,
O vento seco do litoral.
Meu casaco de pele é você,
Seu abraço é o meu metal.

Dez mil dias chegam,
E eu quero ser o motivo de seu flerte.
A alma nua, a sua carne,
Nem que pra isso eu te aperte.

Arrepio em seu olhar,
Penetro sem nem pensar.
Quanto mais eu indagar,
Mais eu vou querer te navegar.

No mar do seu céu profundo,
As curvas perfeitas do seu corpo.
A alma densa que me preenche,
Faz do espaço-tempo algo torto.

Assim começa uma nova dança,
De meu eu aventuroso.
Essa foda hipnotizante,
O mais perfeito gozo.

16/05/2020

A Romantização do meu Ovo Esquerdo.

Eu tô desde os 12 na labuta. Apesar de não gostar de romantizar o trabalho infantil, confesso, pra muitos isso não é uma opção. Ou você vai carpir quintal ou você não vai ter caderno pra estudar; ou tu vai pra debaixo do sol entregar panfleto ou tu não vai conhecer nunca o gosto de um açaí; ou tu vai empacotar compra em mercado e ser humilhado o dia inteiro ou tu não vai ter o que comer em casa.
Me incomoda profundamente ver uma penca de gente mal acostumada com pai/mãe/família bancando as coisas e sendo mal agradecido. Já vi minha mãe chorando por não conseguir comprar 1kg de fubá pra gente comer. É o tipo de coisa que tu nunca mais esquece, você guarda na cabeça e leva pra sempre. É o que te faz prometer que tu nunca vai deixar de trabalhar, seja numa puta agência foda pra ganhar 5k por mês ou num birô fodido pra fazer uns trocados e garantir um pacote de feijão.
E te falar: papai e mamãe não são eternos. Uma hora a água vai bater na bunda e cobrar uma posição tua na marra. E não, não é pecado ter apoio e usufruir disso, ô, quem me dera eu tivesse papai pra bater nas minhas costas e falar "ó, tu só vai estudar, meu filho!". Mas papo de quem já viu muita merda na vida: dê valor ao que tem, olhe ao seu redor, apoie quem precisa de apoio e não seja esnobe. Hoje tu come caviar, amanhã tu pode estar comendo merda. Ou nem isso.

13/05/2020

Mantendo a Esperança.

Ele esfregava constantemente as mãos no rosto, sentindo o globo ocular afundar dentro do crânio. Era como um objetivo sagrado para todos os dias de sua existência. Tanto quanto esfregar as mãos na barba. Era como se o seu tato fosse parte vital de sentir o mundo ao seu redor, e mais do que isso, de se sentir e se entender com ser vivo. Uma troca de energias, por assim dizer.
Mas os tempos são outros, é difícil respirar. As vezes, literalmente. Digo, não é como se alguém pudesse ir para a rua e respirar o nobre ar puro e gostoso de um dia levemente ensolarado. O ar não está nada puro. Ou na verdade parece bem mais puro, é apenas uma questão de como enxergar o que a natureza está entregando.
Então esse cara se mantinha em casa, olhando para todos os cantos sem enxergar um feixe de luz que penetrasse por frestas escondidas. Escutando vozes tristes que martelam em suas paredes. As vezes o barulho do aço sendo cortado, as vezes o barulho de rodas que passam pela pista. E até as vezes, nem há som. É só ele.
Vai se dando assim valor a coisas bem miudinhas da vida, tipo prestar atenção no dedo que desloca suavemente quando estalado. Na fumaça cinza que sobe quando acende um cigarro. Na beleza de um vidro tombado que reflete a luz da lâmpada. No quadro que não tem nada escrito. Nas sacolas empilhadas. A vida vai parecendo cada vez mais frágil e ao mesmo tempo mais forte, como se estivéssemos treinando a cabeça para suportar novamente o mundo lá fora, um recall mental.
Manter a esperança em dias sombrios é difícil, eu sei. Mas olhar para dentro de si é mais difícil ainda, então pegue essa oportunidade e faça o seu melhor.

As ironias do destino.

Hoje decidi abrir seu blog. Na verdade eu faço isso as vezes, meio que como uma terapia, sabe? A gente nunca mais se falou, eu sei. Não acho que você me odeie ou algo do tipo, não faz do seu tipo sentir ódio por alguém. Acho que está mais para querer me evitar mesmo. E tá tudo bem, eu respeito isso, mesmo até hoje sentindo falta do convívio e das conversas.
Pra meu deleite haviam 2 textos. Um bonito como de costume, me fez lembrar da doçura com que você vê a vida. O outro me fez congelar por um instante. Me fez achar algo que...

Bah, era só uma besteira da minha cabeça. A gente só vê o que quer. Ainda assim, eu queria te abraçar agora e falar: ele sabe que você o ama.

29/04/2020

XIII: Você foi real?

Era um dia normal, numa semana normal, numa época bem normal. Estava sentado trabalhando, fazendo o que eu era pago para fazer: placas, cartões, panfletos, letreiros e todo esse tipo de bugiganga doida. Daonde eu sentava, dava pra olhar a recepção, que era separada da minha sala por um blindex com insulfilm. Quem estava lá fora não me via, mas eu via quem estava lá fora. Nada demais, até que algo quebrou a normalidade daquele dia.
Uma garota ruiva, mais ou menos da minha altura entrou na loja junto com a mãe. Tinha ar de rockeirinha, usava óculos... e ela me fisgou.
Sabe quando você vê alguém e acha a pessoa atraente? Normal né, faz parte do que chamamos de vida. Mas não foi o caso, eu senti ali uma conexão diferente, eu olhei praquela garota e pensei: caralho, que deusa.
Sério, nunca tinha me acontecido isso até então, parece que eu tinha sido arrebatado por um OVNI. Sei lá, é a única descrição possível pro que aconteceu. Eu estava atônito, mas eu era tímido demais pra chegar lá e falar "oi broto vamo sair rsrs".
Então fui fazer a única coisa que eu sabia: desabafei no Twitter. Normal, não disse nomes (afinal, nem sabia quem era), não disse nada. Só falei que uma deusa havia entrado na loja.
Eis que um dos maiores mistérios da minha vida surgiu: Alguém sabia que ela ia lá na loja, viu meu tweet e dedurou pra ela.
Aquele momento estranho em que a pessoa te pergunta "ei, é verdade que você me achou bonita?"
Que vergonha, meu Deus. Que vergonha.
Mas... era verdade. Você era linda, uma graça e tudo o mais.
Bom, conversamos, conversamos, conversamos mais um pouco, conversamos ainda mais... e quando achei que ia, não foi.
Porquê não foi? Não sei, mas não foi.
Aí a vida nos levou para outros caminhos, outros corpos, outras dores. Fui até deletado do Facebook.
Natural.
E quando tudo estava normal novamente, você reapareceu. Sorrisos, alegria, descontração...
"Hey, vamos sair pra pegar Pokémon?"

E aí a gente se beijou, e foi você quem me agarrou, o que é mais surpreendente ainda.

A sensação de estar corrigindo algo que o destino deveria ter nos permitido 4 anos antes foi indescritível. Comecei a traçar rotas na minha própria cabeça, tentando encontrar respostas pro que nem deveria ter uma pergunta. Sabe, foi doido, de verdade foi doido.
Foi indescritivelmente doido, ainda mais se considerar que eu tava saindo de 2 relacionamentos seguidos. Eu me senti dentro de uma maquininha de buscar ursinhos, com um atoleiro de sentimentos me pressionando pra baixo, e você chegou com o gancho e me tirou de tudo aquilo. Eu, atolado num mar de dúvidas, tristezas e irritações, fui trazido pro mundo real.
Voltei ao normal. Voltei a ser eu mesmo. Voltei a só gostar de alguém e fui sincero.
Chega de esconder o que eu sinto, chega de fingir que sou o que não sou. Eu só mandei a letra.
Foi legal. Vivemos alguns meses muito intensos e incríveis. Conheci sua família, conheci sua dor. Dormimos e acordamos juntos. Transamos sexos incríveis. Comemos coisas deliciosas. Rimos. Choramos. Nos alegramos.

E de repente você sumiu e eu nunca mais te reencontrei.
De todas as histórias amargas que eu tenho pra contar do meu passado, você é a única que eu não consigo achar uma culpa pra apontar. Simplesmente por que eu nem sei o que aconteceu. Você só... sumiu. Evaporou, fugiu pelos meus dedos e foi embora sem arrependimentos. E aí eu tentei te reencontrar. O meu maior erro foi ter tentado te reencontrar.
A única coisa que eu sei é que isso me mudou. Pra melhor? Pra pior? Não faço ideia.
Mas mudou.

E se não fosse o livro de Edgar Allan Poe que você me emprestou, eu confesso, eu ainda estaria me perguntando se você foi real.

23/04/2020

Quando um não quer, dois não brigam.

As vezes tenho a impressão de que a porta para a autossabotagem é muito mais bonita, e que por isso que nós a abrimos. Há sempre um quê de dificuldade que nos motiva a buscar apenas paixões impossíveis, aquelas que sabemos com quase certeza que não levarão a lugar nenhum, a não ser ver a pessoa perdendo gradativamente o interesse, te tornando apenas um mero bibelô exposto na sala de jantar para mostrar para a família enquanto apresenta o novo parceiro do ano.
A pele ferve, os olhos saltam, a cabeça dói quando pensamos nisso. Mas oras, isso significa que a felicidade é ao lado de alguém? Nem de longe. Temos que estar prontos para abraçar um novo desafio, sem apontar dedos para os que não estão preparados. Saber ponderar toda a situação e buscar uma saída racional faz parte de crescer como indivíduo.
Na verdade não há receita de bolo para a felicidade ao lado de alguém: Você invariavelmente conhecerá várias pessoas. Algumas estarão preparadas, outras não estarão, mas vão tentar mesmo assim. Tem as que não vão tentar, mas vão querer tentar. E tem as que só não vão querer tentar contigo, mas vão tentar com alguém que preste menos do que ti.
Entende a pegadinha? É aleatório. Depende de duas pessoas, e como diz o velho ditado, se um não quer, dois não brigam. E a vida segue, sem telefonemas, sem risadas e sem fotos juntos. Ela segue. Sem graça, monótona e um pouco cinza. Mas... segue.

16/04/2020

O sentido de se apaixonar depende muito da roupa que você usa.

É sabido que Deus gosta de brincar com os meus sentimentos quando o assunto é... sentimentos. Não, sério, é incrível como que ele gosta de me sacanear.
Nada é como eu imagino. É de foder como eu sou capaz de me expressar mal sempre e tomar decisões erradas sempre.
Se eu decido esperar o tempo passar para criar fundações sólidas para um romance, a pessoa surta e vai embora. Se eu decidir tacar o louco e me declarar, ainda não é a hora. E tudo fica estranho.
Sempre estranho.
E entre essas pessoas, surgem as que vão me encontrar frágil, sem querer nada com ninguém. Vão me convencer a tentar e no fim, vão pisar em mim. E o círculo vicioso seguirá acontecendo.
Acredite em mim quando digo que isso ocorre todo o tempo. Desde que eu me entendo por gente, eu me apaixono por pessoas que não vou conseguir conquistar, ou deixo passar a chance de estar com alguém realmente bom, e acabo tendo que me contentar talvez com uma amizade.
Isso quando não saio como o errado, o que é bem corriqueiro também.
O seu ex é melhor, o cara que você encontrar na praia vai ser melhor. O cara bonito das lives é melhor. O maconheiro, o skatista, o gringo, o cara que já é formado, o adestrador, o candidato a vereador, o uber, talvez até aquela mina lá... tanto faz quem é a pessoa, acho que todo mundo no planeta é melhor que eu. Mesmo que eu seja bom demais, talvez a pessoa certa na hora errada...
Eu deveria ter seguido os conselhos da minha mãe desde que sou novo: ninguém merece saber o que eu sinto, exceto eu mesmo.

07/04/2020

A loucura das almas passadas.

Quanto tempo esperar
Uma mulher do passado
Que a tanto não falo
E que já estou acostumado

Aqueles cabelos pretos
Agora bem mais claros
E os olhos como lentes
Incríveis e raros

Confesso que fico trêmulo
Quando lembro de teus beijos
Já faz quase uma década
Mas tenho os mesmos desejos

As vezes a vida é uma corna cruel
Um detalhe e a história não acontece
Sofrido hei de viver até lá
Esperando qualquer dia que anoitece

Mas garota, cá estamos aqui de novo
O bom e o mau em 2 corpos adultos
É só não desperdiçarmos a oportunidade
E poderemos enfim, dançar com nossos vultos

21/02/2020

Black Betty.

Sentado na frente do PC.
Cansado.
Sem seu amado café.
Sem sentido nenhum pra viver.
Trabalhando feito um louco.
Morrendo sempre um pouco.
Os eletrônicos falham.
Sua voz se altera.
A geladeira grita.
O céu arrebenta.
O sol escalda.
Ah, que maravilha.
Tudo segue incrível.
Incrivelmente escroto.
Levanta da cadeira.
Veste uma cueca vermelha e nada mais.
Pega uma chave de fenda.
Gruda um martelo em sua mão.
Vira o boné pra trás.
E abre a porta de casa.
Uma cena patética, horrorosa.
E se não bastasse isso, decide pegar a chave de fenda
Apontar para a cabeça
E martelar de uma só vez o utensílio em seu crânio.
Blam.
Black Betty.
O melhor martelo que o oeste já viu.

26/01/2020

Rotineiro.

Acordar.
Escovar os dentes.
Botar a ração para o gato.
Limpar sua caixinha higiênica.
Fazer o chá.
Lavar a louça.
Abrir a porta e olhar para fora.
Fechar a porta.
Sentar no computador.
Trabalhar.
Seguir trabalhando.
Pausa para preparar o almoço.
Hum, sopa de ervilha.
Beber um copo d'água.
Escovar os dentes de novo.
Trabalhar mais.
Ter crises de existência.
Respira...
Trabalhar mais um pouquinho.
Jogar.
Ver alguma série.
Cortar as frutas.
Bater a vitamina.
Talvez varrer a casa?
Cansado demais.
Conversar pelo celular.
Escovar os dentes uma última vez.
Deitar no colchão.
Fechar os olhos.
Sonhar com o dia que a vida vai ser mais que isso.

15/01/2020

XII: A História Inacabada.

É um clichê moderno falar isso, não é?
"Você é a pessoa certa na hora errada".
Mas é o fato, é o que temos para admitir.
Como começou?
Foi num grupo do Telegram.
Eu não te conhecia.
Você não sabia quem eu era.
Trocamos mensagens.
Trocamos confidências.
Trocamos segredos.
Trocamos intimidades.
E a gente se apaixonou.
Todo o roteiro era perfeito exceto que a história nunca começou
Ou até começou, mas não teve meio.
Muito menos fim.
Só começou.
No toque em seu braço que você elogiou.
Na aventura do beco escuro que rendeu risos.
Na festa frustrada que ninguém riu.
Nos beijos espaçados que perdemos.
Nos sorrisos envergados que não foram admitidos.
No amor nunca pronunciado.
Por medos, por receios, por despreparo, por tudo e mais um pouco.
E muitos poucos.
Nenhum muito.

É um clichê moderno falar isso, não é?
"Você é a pessoa certa, só foi na hora errada mesmo, porra".

Festa da Ansiedade.

Me banho no seu mar
Me acabo sem parar
Respiro sem pensar
Fico sem ar

E que luar.

Que bate em mim
Que atrai assim
Sua boca enfim
E nesse inteirim

Fico sem fim

E fico a te querer
Mesmo sem te ter
Com uma vida a conhecer
Querer não é poder

É ver para crer

Segure então meu amor
Este imenso torpor
Sem ninguém para se opor
A festa nua do credor

O meu eterno horror.