A gente vive, vive, vive e não aprende. Mas é porque não há resposta pra nada. No fim, tudo é sobre sorte: O momento certo de falar, o alinhamento dos astros, a boa vontade dos envolvidos... mas tudo com sorte. Sinceridade demais pode machucar, falar demais pode ser um erro, querer demais pode afastar pessoas. E que pessoas? Sei lá, pessoas.
A questão é que geralmente fica muito difícil entender quem é o porteiro da nossa alma. O molho de chaves está sempre queimando na recepção, mas nós é que somos os porteiros, oras! E podemos ser um funcionário diferente toda vez: desastrado, nervoso, impaciente, sonolento, descabido, desbocado e até desumano. Talvez até um porteiro cruel. E aí como ficará a entrega desse maravilhoso artefato para pessoas próximas?
"Um grande abraço e fica com Deus enquanto é tempo", é o que eu falaria para viajantes desavisados que tentam a sorte. Não faça contas, só pague! Não se preocupe com o fato de respirar, apenas sinta o vento! Sinta a vibe, sinta o chão. Foda-se o resto. Saca? Cada história é uma história, cada pessoa é uma nova história. Cada história é uma pessoa nova. Ou pessoas novas. Marcadas, publicadas, impressas, gravadas em um papel inexistente na dobra temporal. Uma dobra de papel que vai sumir, eventualmente.
Mas a graça é essa: somos breves instantes. Se intensos ou não, tanto faz. Mas somos instantes, tal como marcadores de páginas do universo mutante. Pense no universo como uma grande bíblia, gigante, cheia de segredos de pessoas que você jamais conhecerá, unidades temporais que movem esta incrível bola azul no espaço desde antes de contarmos a história. Desde antes da história existir.
Num mundo tão gigante como esse, que mal faz as vezes entregar as chaves para pessoas erradas? Afinal de contas, num hotel, o quarto é sempre a razão do cliente. Você mantém arrumado pra quando entrarem e arruma a bagunça quando vão embora. A única coisa que precisam fazer é apagar a luz.
Aí vai ficar tudo certo. Mas guarde uma cópia da chave, só por precaução.
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