Eu tô desde os 12 na labuta. Apesar de não gostar de romantizar o trabalho infantil, confesso, pra muitos isso não é uma opção. Ou você vai carpir quintal ou você não vai ter caderno pra estudar; ou tu vai pra debaixo do sol entregar panfleto ou tu não vai conhecer nunca o gosto de um açaí; ou tu vai empacotar compra em mercado e ser humilhado o dia inteiro ou tu não vai ter o que comer em casa.
Me incomoda profundamente ver uma penca de gente mal acostumada com pai/mãe/família bancando as coisas e sendo mal agradecido. Já vi minha mãe chorando por não conseguir comprar 1kg de fubá pra gente comer. É o tipo de coisa que tu nunca mais esquece, você guarda na cabeça e leva pra sempre. É o que te faz prometer que tu nunca vai deixar de trabalhar, seja numa puta agência foda pra ganhar 5k por mês ou num birô fodido pra fazer uns trocados e garantir um pacote de feijão.
E te falar: papai e mamãe não são eternos. Uma hora a água vai bater na bunda e cobrar uma posição tua na marra. E não, não é pecado ter apoio e usufruir disso, ô, quem me dera eu tivesse papai pra bater nas minhas costas e falar "ó, tu só vai estudar, meu filho!". Mas papo de quem já viu muita merda na vida: dê valor ao que tem, olhe ao seu redor, apoie quem precisa de apoio e não seja esnobe. Hoje tu come caviar, amanhã tu pode estar comendo merda. Ou nem isso.
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