Nunca fui muito a favor da ideia de que você se torna responsável pelo aquilo que cativas. Isso é meio que uma muleta sentimental para prender os outros a ti, além de ser uma desculpa fajuta. Nem sempre a gente faz as pessoas se apaixonarem por nós. Nem sempre é recíproco. Merdas acontecem. Ainda assim, empatia é importante e evita que pessoas se machuquem a toa.
Então vamos falar sobre responsabilidade afetiva. É, aquela coisinha que a maior parte das pessoas acha que não precisam se importar, pois "feridas amorosas se fecham". Inclusive, estou aqui achando engraçado que ouvi de um grande ex-amigo que "nessas horas é bom transformar a raiva em putaria ou num novo amor". Imagine só, receber conselhos de quem está com quem você gosta, é o cúmulo da escarrada em cima da sua cabeça.
Mas voltando.
Tem gente que não tem a menor responsabilidade afetiva com os outros. Passam meses te conquistando, entrando na sua vida, no seu domicílio, te fazem a observar enquanto dorme, o fazem dormir pouco pensando em suas crises de ansiedade, enfim. Toda aquela ladainha barata sobre se apaixonar, sabe? Pra no fim, te largar como um pão velho que nem pra torrada serve. E vejam bem, é importante analisar o contexto amor.
O que é amor? Amor é algo que, quando você diz que sente, você assina um contrato de aceitamento. De que está disposto a enfrentar dificuldades pela pessoa. Se ela é pobre, se ela é uma fodida, se ela tem problemas sentimentais inacabados, dificuldades com seu sistema nervoso central, se não tem uma perna, foda-se. Você ultrapassa coisas pequenas em prol disso. Quando digo que amo uma pessoa, eu automaticamente ignoro tudo o que me prendia e aceito ela do jeito que ela é, sem querer mudar um fio de cabelo. Estarei lá disposto a fazer tudo para que dê certo.
Exceto que a pessoa caia fora, do nada, dando desculpas genéricas e culpando confusão mental. Aliás, é moda fazer isso, né?
É difícil esperar algo de alguém jovem. A gente chega numa idade onde começamos a dividir as pessoas entre jovens e adultos. E de jovem eu espero tudo, inclusive fogo no rabo. Mas como afirmei antes, é importante explicar que quando chegamos a falar que amamos alguém, nós aceitamos ela do jeito que ela é. Mesmo com problemas de aceitação, ciúmes, irmãos problemáticos, família estranha, crises aleatórias, caixas de remédio e desconfianças aleatórias. Infelizmente, amor não escolhe caráter, ele escolhe carinho.
Por isso eu sempre vou achar escroto uma pessoa que deliberadamente te faz se apaixonar pra ir embora com outro. E dependendo dos moldes em que isso se constrói, pode beirar a crueldade. É aqui onde eu me ligo que em tantos anos, eu sempre desejei o bem para as pessoas que me fizeram mal. Fiz força pra manter a amizade, independente de tudo. Ficava meses sofrendo quieto fingindo ser forte para não ser chato para ninguém, nem tampouco soar patético.
Só que graças a Deus eu caí na real que isso segue contra os princípios do ser humano. Somos passionais, erramos e as vezes desejamos sim o mal das pessoas. Então me reservo o direito de desejar que você se foda para sempre. Que experimente o que eu estou experimentando. Várias vezes. Que nunca seja feliz. Que acorde e sinta um buraco no seu peito. Que busque sempre algo que você quase vai encontrar, até perceber que não. Que seja enganada. Que seja machucada na alma, no coração. Não há castigo pouco pra quem não tem responsabilidade afetiva.
Isso não significa que você não vá ser feliz. Mas significa que sempre que não for, você vai lembrar de mim. E vai lembrar que você tirou um homem da porra de uma reclusão de sofrimento por outros amores, pra ser a maior babaca de todas.
Parabéns. Você nunca quis estar aqui como estatística. Agora é a pior de todas.
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