25/11/2020

Succubus.

Desinteressante, dissimulada, com aqueles olhos de quem não quer nada.
Cabelos negros, uma succubus infantil devoradora de sonhos inertes.
É o que faz, é o que tem, quando quer ela pega e finge docilidade.
De dócil apenas os pequenos passos leves pela casa, enquanto planeja o próximo round.

Round de quê? Oras, do próximo que irá devorar.

E se move gentilmente entre os azulejos, olha ao seu redor, não se sente observada.
Mas ela é. Acha que é o lobo entre as ovelhas, mas alguns predadores adorariam rasgá-la.
Comerem esta carne putrefata, mofada, embolorada.
Dilacerando com caninos profundos esta implacável entidade cósmica.

E ai de quem duvidar.

Pois a cadeia alimentar é, por vezes, cruel. E até mesmo essa linda succubus sabe disso.
Se ela destrincha com furor implacável algumas peças de humanidade expostas
Ela também é depenada cruelmente no seio de sua própria casta.
Traições, abusos psicológicos, descrença...

Pobre succubus...

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