Quando paro para pensar no tempo que lhe dediquei, o tempo que gastei e que foi em vão, eu quase vomito. E eu poderia de fato o fazer, se não fosse, sei lá... sei lá.
O fato é que houve um hiato de quase 3 anos entre meu último beijo e o que eu dei em você. O processo fora lento e doloroso: Eu não acreditava em ninguém, nem em mim mesmo. Parecia impossível aquela altura do campeonato eu ser feliz, já havia ponderado todas as possibilidades possíveis mas no fim, só me sobrou mesmo a famosa angústia. E não foi fácil, sinceramente. Costumo dizer que foram alguns dos piores anos da minha vida, eu definitivamente não sinto falta de ser adolescente, não sinto falta dos meus amigos, não sinto falta de nada nem de ninguém daquela época, principalmente de mim mesmo.
Só que ai você reapareceu, não é? Trabalhando no mesmo lugar que eu, ainda por cima.
E com pessoas fazendo piadinhas: Olha, a primeira namoradinha dele!
Foi difícil pra mim e eu acho que pra você também, não que eu hoje me importe muito contigo.
A questão é que, por pressão divina (e humana também) a gente se beijou de novo.
E aconteceu de novo.
Teve uma outra vez.
Aí a gente voltou.
Tivemos dois meses maravilhosos. Nada dava errado! Ai eu me apaixonei de verdade por você, lembra? E você pegou essa porra e amassou como se fosse um monte de nada e fodeu com a minha vida pelos próximos meses.
Foi lindo.
A quantidade de humilhação e dor, angústia e sofrimento, fora o fato de ser completamente otário por sua causa... é tão grande o ódio que eu não consigo nem escrever um texto poético pra te descrever.
Simplesmente horrível.
O pior é que vivi escravo desse sentimento por um longo período, simplesmente porque achei que nunca mais alguém gostaria de mim. Como se você gostasse de mim, pra começo de conversa, não é?
Hoje, sentado aqui e digitando, eu posso perceber o quão frágil e impotente eu era. Limitado a todas as suas loucuras, caprichos e idiotices.
Só me sobram dois alentos dessa história toda. O de você descobrir que mentia para si mesma, e o de eu ter me vingado de ti.
Aí fica aquele questionamento na minha cabeça:
É doentio que a melhor coisa do nosso relacionamento, tenha sido eu me vingar de você?
31/12/2017
2017.
Doente, canceroso, expurgante.
Quase morto, vai embora.
Não tem limites, é cruel.
E no fim, parece tão efêmero.
Tão palpável e mesmo assim, ruim.
Ruim.
Existem coisas que passam.
Algumas que marcam.
Em geral, ficam.
Ficar por dor é cruel, mas que seja.
É horrível imaginar
Mas foram 825 formas diferentes de morrer.
Num mesmo ano.
As vezes num mesmo dia.
No mesmo momento.
Dentro das próprias mortes, algo a viver.
Nada a viver.
Por que viver?
Estaria mentindo se dissesse.
Mas é piegas também manter aqui.
Então por ora termino meu pensamento.
Sem antes dizer:
Vai pra casa do caralho, 2017.
Quase morto, vai embora.
Não tem limites, é cruel.
E no fim, parece tão efêmero.
Tão palpável e mesmo assim, ruim.
Ruim.
Existem coisas que passam.
Algumas que marcam.
Em geral, ficam.
Ficar por dor é cruel, mas que seja.
É horrível imaginar
Mas foram 825 formas diferentes de morrer.
Num mesmo ano.
As vezes num mesmo dia.
No mesmo momento.
Dentro das próprias mortes, algo a viver.
Nada a viver.
Por que viver?
Estaria mentindo se dissesse.
Mas é piegas também manter aqui.
Então por ora termino meu pensamento.
Sem antes dizer:
Vai pra casa do caralho, 2017.
24/12/2017
Feliz natal pra quê?
Não existem mais luzinhas.
O tender não está a mesa.
Os parentes não procuram mais.
A árvore não tem adereços.
Não há cor.
Nem felicidade.
O verde natalino deixou de existir.
Papai noel ninguém acredita.
Cadê o dinheiro para os presentes?
Cadê a felicidade, minha gente?
Morreu, deixou de existir.
Será que eu virei o Grinch?
Ou nem ele existe mais?
Infeliz natal.
Ou melhor:
Feliz natal pra quê?
O tender não está a mesa.
Os parentes não procuram mais.
A árvore não tem adereços.
Não há cor.
Nem felicidade.
O verde natalino deixou de existir.
Papai noel ninguém acredita.
Cadê o dinheiro para os presentes?
Cadê a felicidade, minha gente?
Morreu, deixou de existir.
Será que eu virei o Grinch?
Ou nem ele existe mais?
Infeliz natal.
Ou melhor:
Feliz natal pra quê?
10/12/2017
Problemático.
Problemático.
Cheio de problemas reais para resolver.
Cria de minhas paranóias.
Carregando nas entranhas medos e incertezas.
Habituado com o ambiente hostil.
Situado no pior de mim: A minha mente.
Desfiz de minhas problemáticas.
Anulei meu coração.
Estive a beira de um colapso, mas voltei.
Voltei, me reorganizei, sem nem poder.
E poder, eu nunca pude.
Mas o fiz por você.
E quando falo que fiz, eu fiz.
Jurei jamais me abrir de novo.
Gritei de raiva, engoli choros.
Mas não lhe trouxe mais minha dor.
Fiz acreditar que meu cansaço era normal.
Mas era espiritual, tão somente.
E você descarregava uma pilha de merda em mim.
Me fazia acreditar que eu era abastado.
Mas nada trazia comigo, ó diabo.
Nunca me enalteceu, era normal, dizia ela.
E tenho minhas dúvidas afinal.
Se você não queria mesmo nosso final.
Mas eu juro que não me arrependo do que fiz.
Não faria de novo, nem por você nem por ninguém.
Só sinto muito que tenha sido em vão.
Amputar um braço, fingir ser normal.
Pra alguém que no final das contas só fala de mim:
Ele é problemático.
Cheio de problemas reais para resolver.
Cria de minhas paranóias.
Carregando nas entranhas medos e incertezas.
Habituado com o ambiente hostil.
Situado no pior de mim: A minha mente.
Desfiz de minhas problemáticas.
Anulei meu coração.
Estive a beira de um colapso, mas voltei.
Voltei, me reorganizei, sem nem poder.
E poder, eu nunca pude.
Mas o fiz por você.
E quando falo que fiz, eu fiz.
Jurei jamais me abrir de novo.
Gritei de raiva, engoli choros.
Mas não lhe trouxe mais minha dor.
Fiz acreditar que meu cansaço era normal.
Mas era espiritual, tão somente.
E você descarregava uma pilha de merda em mim.
Me fazia acreditar que eu era abastado.
Mas nada trazia comigo, ó diabo.
Nunca me enalteceu, era normal, dizia ela.
E tenho minhas dúvidas afinal.
Se você não queria mesmo nosso final.
Mas eu juro que não me arrependo do que fiz.
Não faria de novo, nem por você nem por ninguém.
Só sinto muito que tenha sido em vão.
Amputar um braço, fingir ser normal.
Pra alguém que no final das contas só fala de mim:
Ele é problemático.
02/12/2017
II: Frustração
Uma das melhores coisas em se ter 13 anos é que você ainda tem muita inocência na cabeça. Você provavelmente já se masturbou a essa altura da sua vida, seus pais já tentaram falar sobre sexo e bom, em alguns casos você até já o fez. Seus amigos são chatos, começam a falar que você não pega ninguém. Te chamam de gay, te chamam de viadinho. Eles chamam. Praticam bullying numa época em que você não conhece nem 10 palavras em inglês, provavelmente. Cadeiras voando pela sala de aula, correntes, blusas de preto. Gente tentando parecer o que não é. "Gente". E aquele desejo ensandecido de virar adulto. Mas você não era assim: Sentado na cadeira, jogando com suas cartinhas, falando sobre desenhos e séries. Sonhando com o beijo da menina por quem você é apaixonado. Não que você ainda não tenha beijado, mas você quer saber o que é beijar alguém que, genuinamente, lhe quer também. E tão bem. O tempo se passa, os olhares se cruzam, aquela tensão juvenil e a vergonha de corpos que tremem sem nem chegar perto. Tímidos "oi's" que são proferidos. Uma carta fofa na hora errada. Você sabia que era a hora errada. Era simplesmente a hora errada. Mas hora é tempo e tempo passa, sempre pra frente, jamais para trás. Deitado ouvindo aquelas coletâneas que lembram você. Deitado sonhando acordado em beijar você. E o tempo passou. Você, com aquele perfume tão característico, aquelas pulseiras prateadinhas, tão adultinha. Na esquina do bar aconteceu um beijo, dois beijos. Só.
Só isso.
Me largou no dia seguinte sem nenhuma explicação, mesmo dizendo que ficou tanto tempo a me desejar.
E só sobrou a frustração, anos a te desejar, e um complexo de inferioridade que quase me destruiu.
Mas tudo bem, não é mesmo? Eu só tinha 13 anos. E uma das melhores coisas em se ter 13 anos é que você ainda tem muita inocência na cabeça.
Menos se você for eu.
Só isso.
Me largou no dia seguinte sem nenhuma explicação, mesmo dizendo que ficou tanto tempo a me desejar.
E só sobrou a frustração, anos a te desejar, e um complexo de inferioridade que quase me destruiu.
Mas tudo bem, não é mesmo? Eu só tinha 13 anos. E uma das melhores coisas em se ter 13 anos é que você ainda tem muita inocência na cabeça.
Menos se você for eu.
Do Lado de Fora.
Eu perdi muito tempo tentando te decifrar.
Intenções, dívidas, consolações.
Praxe.
Querer tanto desbloquear esse seu código fonte, te desconstruir e reconstruir incontáveis vezes.
Te fazer minha.
Cheio de orgulho me saturei de você.
Cheio de orgulho, me afoguei em você.
Vi seu resplendor, sua cólera, sua maldição.
Vi todas as pessoas que você podia ser.
E vi também sua indiferença, o seu olhar, uma maldição.
Uma maldição somente.
E do lado de fora olho pela cerca, te vejo mas não vejo caminho.
Não tem porta.
Não tem contorno.
Não tem como te alcançar.
O clichê da linha tênue que ninguém ultrapassa.
Jamais ultrapassaremos de novo.
E nem há linha, na verdade.
Hoje, ao ouvir o barulho do mar, sigo junto ao som.
Balanço, mas não avanço.
Ao ver os carros passando, me puxo para eles.
Balanço, mas não avanço.
Quando estou no vigésimo oitavo andar, eu olho para baixo.
Balanço, mas não avanço.
E não avanço.
Jamais avanço.
Jamais mergulho.
E não mergulho.
Agora estou aqui, com minhas intenções mortas, meus pequenos segredos mortos.
Está tudo morto e enterrado agora.
Menos o corpo, este só padece.
E se esquece.
Do que jurou jamais esquecer.
Intenções, dívidas, consolações.
Praxe.
Querer tanto desbloquear esse seu código fonte, te desconstruir e reconstruir incontáveis vezes.
Te fazer minha.
Cheio de orgulho me saturei de você.
Cheio de orgulho, me afoguei em você.
Vi seu resplendor, sua cólera, sua maldição.
Vi todas as pessoas que você podia ser.
E vi também sua indiferença, o seu olhar, uma maldição.
Uma maldição somente.
E do lado de fora olho pela cerca, te vejo mas não vejo caminho.
Não tem porta.
Não tem contorno.
Não tem como te alcançar.
O clichê da linha tênue que ninguém ultrapassa.
Jamais ultrapassaremos de novo.
E nem há linha, na verdade.
Hoje, ao ouvir o barulho do mar, sigo junto ao som.
Balanço, mas não avanço.
Ao ver os carros passando, me puxo para eles.
Balanço, mas não avanço.
Quando estou no vigésimo oitavo andar, eu olho para baixo.
Balanço, mas não avanço.
E não avanço.
Jamais avanço.
Jamais mergulho.
E não mergulho.
Agora estou aqui, com minhas intenções mortas, meus pequenos segredos mortos.
Está tudo morto e enterrado agora.
Menos o corpo, este só padece.
E se esquece.
Do que jurou jamais esquecer.
17/11/2017
Meu segredo.
Cego na luz do meus segredos
Um nó na garganta, tão difícil de desatar.
Eu te amo tão grande agora
Botão colorido que cai sem parar.
Amarelo da cor do sol
Tão quente, tão melhor
Torpor da pele ríspida em vento
Lembra o que tenho de pior.
Ignorância manter sua garganta livre
Enganando nossos lábios, batendo
Isso sempre acontece, mordeu
Minha querida, você não está se atendo.
Ao que? A nossa história
Aquela simples complicância
De estar na sua cama, amarrotando
Julgando-nos em primeira instância.
Todas as nossas palavras são inúteis
Meu segredo, recomeçar
Do zero partir, infinitas estrelas lá
Eu te amo, e não vou parar.
Um nó na garganta, tão difícil de desatar.
Eu te amo tão grande agora
Botão colorido que cai sem parar.
Amarelo da cor do sol
Tão quente, tão melhor
Torpor da pele ríspida em vento
Lembra o que tenho de pior.
Ignorância manter sua garganta livre
Enganando nossos lábios, batendo
Isso sempre acontece, mordeu
Minha querida, você não está se atendo.
Ao que? A nossa história
Aquela simples complicância
De estar na sua cama, amarrotando
Julgando-nos em primeira instância.
Todas as nossas palavras são inúteis
Meu segredo, recomeçar
Do zero partir, infinitas estrelas lá
Eu te amo, e não vou parar.
15/11/2017
Caos.
Não interessa muito o que você viveu para chegar até aqui. É como você enxerga o caos que conta. É como o caos te enxerga que conta. Nada mais importa.
Pense no vazio ininterrupto que ecoa na sala de estar. Sua cabeça é uma metáfora de mau gosto, decorada com presilhas cintilantes que bem, não significam nada. Todo o resto é material descartável. Ou seja, nada realmente útil.
E o que você tira de proveito? Nada em absoluto. O caos se define assim: Um incrível pedaço de tudo, que de tão caótico, ele vira nada. E tá tudo bem, algumas pessoas simplesmente lidam com isso da melhor forma possível.
Não que exista uma forma correta para se lidar, mas sob certas condições, você simplesmente aceita. E tá tudo bem.
Não, não tá nada bem, mas vai estar. Uma hora, em algum momento, em algum lugar.
Vai doer pra caralho, você vai se sentir um lixo o tempo todo, vai voar fruta podre pra dentro da sua boca mas... sabe o discurso dessa gente? Tá tudo bem, vai ficar tudo bem.
VAI FICAR TUDO BEM.
Empatia deveria ser matéria obrigatória nas salas de aula da vida, mas decerto que ela é aquelas matérias opcionais que só uns gatos pingados puxam, e mesmo assim sem muitas pretenções.
Você é o chato do grupo.
Demônios vão vir atrás de ti, vão pegar seu filho amado e extirpar ele do seio de sua família. Mas que família?
Não sobra nada, mas as vezes sobra um pouquinho pra contar história.
Mas que história?
Poisé, não há.
E depois de um monte de somas aritméticas sincronizadas que não levam a lugar nenhum, ainda vai ter alguém que vai te dizer: Vai ficar tudo bem.
Não cara, provavelmente não vai ficar tudo bem. Não de cara.
Mas uma hora, quem sabe, fique.
Então por favor, não se apegue a esse discurso vazio que as pessoas furam na sua cabeça com agulha fina, afim de te machucar mais do que ajudar, pois vai ficar tudo uma bosta, e talvez piore, mas você é capaz de superar tudo isso. Só você sabe a dor do seu peito inchado, e só você é capaz de suportar sua bagagem. E oras, se é sua bagagem, não perca o trem.
Caos... que loucura não é mesmo?
Pense no vazio ininterrupto que ecoa na sala de estar. Sua cabeça é uma metáfora de mau gosto, decorada com presilhas cintilantes que bem, não significam nada. Todo o resto é material descartável. Ou seja, nada realmente útil.
E o que você tira de proveito? Nada em absoluto. O caos se define assim: Um incrível pedaço de tudo, que de tão caótico, ele vira nada. E tá tudo bem, algumas pessoas simplesmente lidam com isso da melhor forma possível.
Não que exista uma forma correta para se lidar, mas sob certas condições, você simplesmente aceita. E tá tudo bem.
Não, não tá nada bem, mas vai estar. Uma hora, em algum momento, em algum lugar.
Vai doer pra caralho, você vai se sentir um lixo o tempo todo, vai voar fruta podre pra dentro da sua boca mas... sabe o discurso dessa gente? Tá tudo bem, vai ficar tudo bem.
VAI FICAR TUDO BEM.
Empatia deveria ser matéria obrigatória nas salas de aula da vida, mas decerto que ela é aquelas matérias opcionais que só uns gatos pingados puxam, e mesmo assim sem muitas pretenções.
Você é o chato do grupo.
Demônios vão vir atrás de ti, vão pegar seu filho amado e extirpar ele do seio de sua família. Mas que família?
Não sobra nada, mas as vezes sobra um pouquinho pra contar história.
Mas que história?
Poisé, não há.
E depois de um monte de somas aritméticas sincronizadas que não levam a lugar nenhum, ainda vai ter alguém que vai te dizer: Vai ficar tudo bem.
Não cara, provavelmente não vai ficar tudo bem. Não de cara.
Mas uma hora, quem sabe, fique.
Então por favor, não se apegue a esse discurso vazio que as pessoas furam na sua cabeça com agulha fina, afim de te machucar mais do que ajudar, pois vai ficar tudo uma bosta, e talvez piore, mas você é capaz de superar tudo isso. Só você sabe a dor do seu peito inchado, e só você é capaz de suportar sua bagagem. E oras, se é sua bagagem, não perca o trem.
Caos... que loucura não é mesmo?
30/10/2017
???
Uma assumiu para o mundo. Expulsou seus demônios, aceitou quem é.
A outra casou, bom emprego, ótimo futuro pela frente.
Tem aquela que fez curso de aeromoça, tá voando bonitinho.
E a futura veterinária, cada dia mais linda e independente.
Boatos de que a baixinha achou um barbudão por quem morre de amores.
Em São Paulo, reside duas delas: Uma tá na arquitetura, a outra tá em letras. Crescem cada dia mais.
Você, moça dos cabelos bonitos, achou um cara bacana e, com ele, achou a verdadeira felicidade. Maravilhoso.
Já a cabelo de fogo tá lá no Rio matando um leão por dia pra se formar na pública.
E aquela do sorriso bonito tá com um carinha estiloso e cheia de planos para o futuro.
A futura psicóloga é só sorrisos, só empolgação. Não tem nem comparação.
Só faltou falar da sereia, que achou um gringo e um grande amor.
Ah, mas tem também o cara que se deu conta de que só foi ele sair da vida de vocês, que vocês melhoraram!
Talvez ele tenha que sair da vida dele próprio, pra melhorar também.
A outra casou, bom emprego, ótimo futuro pela frente.
Tem aquela que fez curso de aeromoça, tá voando bonitinho.
E a futura veterinária, cada dia mais linda e independente.
Boatos de que a baixinha achou um barbudão por quem morre de amores.
Em São Paulo, reside duas delas: Uma tá na arquitetura, a outra tá em letras. Crescem cada dia mais.
Você, moça dos cabelos bonitos, achou um cara bacana e, com ele, achou a verdadeira felicidade. Maravilhoso.
Já a cabelo de fogo tá lá no Rio matando um leão por dia pra se formar na pública.
E aquela do sorriso bonito tá com um carinha estiloso e cheia de planos para o futuro.
A futura psicóloga é só sorrisos, só empolgação. Não tem nem comparação.
Só faltou falar da sereia, que achou um gringo e um grande amor.
Ah, mas tem também o cara que se deu conta de que só foi ele sair da vida de vocês, que vocês melhoraram!
Talvez ele tenha que sair da vida dele próprio, pra melhorar também.
10/10/2017
Abusividade.
Pessoas abusivas vão existir a nossa volta o tempo todo. É correto
afirmar que todos nós já estivemos em algum relacionamento do gênero (e
não só amoroso). Você pode ter tido um pai abusivo, um amigo babaca, uma
namorada ciumenta, um ex que não se toca que você não quer voltar com
ele. É foda, mas a vida não é feita só de pessoas assim. Entender as
pessoas é um processo chato, mas não é tão difícil como parece:
Analise-as, bote suas características na mesa e veja se vale a pena
estar perto de alguém. As vezes nos perdemos nos conceitos de "ah mas a
pessoa tem qualidades que ofuscam aquele defeito", sendo que não, não é
assim que as coisas funcionam, assim como pessoas ruins para você podem
ser boas para outros seres humanos. Filtrar, afastar o ruim, agradecer
pelo bom e evoluir. É o caminho básico, acredito eu, para a salvação de
nossas miseráveis vidinhas. Dói se afastar, mas dói mais ainda ser
consumido pela negatividade que certos indivíduos nos impõe, por conta
de expectativas babacas, sentimentos não correspondidos, senso de
autoridade distorcida... Enfim. Não abaixe a cabeça pra ninguém, nem
tampouco fique de nariz empinado. É no olho a olho que as coisas se
resolvem.
04/10/2017
Caráter.
Passei tempo demais me culpando pelos meus erros do passado. Na verdade, passei tempo demais me debruçando em cima de minhas culpas, sem ajuda ou ponto de vista (exceto a de terceiros) e é ai que a coisa fica interessante. Sempre vi minha vida pelo escopo do espectador, pois tenho essa incrível habilidade de viver com o modus operandi "piloto automático pra caralho". E eu já vivo assim a bastante tempo, acreditem. Há muitas coisas ruins nisso, como por exemplo sentir que a vida simplesmente passou batendo o pinto na minha cara e foi embora, mas tem coisas boas como ver a minha vida do lado de fora. Porém quando o assunto são meus erros, meus problemas e minhas deficiências, ah... as pessoas dão explicações maravilhosas para tentar me jogar ao chão. Isso define bastante como me sinto sobre o lance do caráter, já que sempre procuro redenção tanto quanto pratico o perdão a pessoas que já me magoaram, mesmo que profundamente (veja bem, se você já me magoou, pode ter certeza que eu te perdoei, talvez eu guarde algum receio, mas o perdão está lá, pode pegar, eu botei em cima da mesa para você usar). Não é como se eu me importasse verdadeiramente com o que as pessoas falam dos meus erros. Ora, eu errei, você errou, todos erramos. Somos traídos e traímos na velocidade da luz todos os dias, o mundo é uma grande conspiração envolta de mentiras desnecessárias que inventamos em busca de um lugar melhor (que não existe, vale salientar). O que me faz perder o sono, bastante por sinal, é inventarem mentiras sobre mim, botando meu caráter em xeque. Eu sei exatamente quem eu sou, o que eu fiz para chegar até aqui, e eu sou um apanhado de erros e acertos que me fizeram crescer e me tornar quem sou. Pago minhas contas, com muito sacrifício alcancei meu lugar e ainda to bem longe de chegar onde quero, mas sinto dizer, se você está a 3, 4 meses sem falar comigo, você já não me conhece mais. Mas relaxem, eu já acostumei com isso. Como costumo dizer: O intrínseco nunca muda, porém todo o envólucro muda, metamorfoseia, e isso vale para vocês também, com certeza. Se eu fosse o mesmo adolescente revoltado de dez anos atrás, eu ficaria muito puto com a vida. Graças a Deus eu posso olhar pra trás e dizer "nossa, como eu mudei para melhor!", mesmo que esse melhor esteja longe demais do que eu desejo para mim. Portanto, se você julga meu caráter pelo que eu fiz no passado, é uma pena, pois meus erros (ou o que quer que seja que vocês interpretem como erros) não definem nem 5% de quem eu sou de verdade. E se você me julga pelo que dizem de mim, pior ainda! Por isso decidi, já cansado, em desistir de buscar o perdão das pessoas pelos erros que jamais cometi. Eu tenho mais o que fazer da minha vida. Evoluir, por exemplo.
22/07/2017
Bennington.
I've tried so hard
and got so far
But in the end
It doesn't even matter
- In The End
Eu te amo, cara. Obrigado a você e sua banda a me ajudarem a superar um dos momentos mais perturbadores da minha vida. Se não fosse a música de vocês, talvez eu também fosse uma estatística hoje, o que é irônico, mas principalmente, muito triste. Obrigado por me proporcionar uma música-tema de namoro. Obrigado por cantar canções que me inspiraram, que me motivaram, que me fizeram até mesmo ser alguém melhor. Obrigado, muito obrigado mesmo.
Descanse em paz, onde você estiver. Seus demônios já se foram, seja feliz agora, por favor.
But in the end
It doesn't even matter
- In The End
Eu te amo, cara. Obrigado a você e sua banda a me ajudarem a superar um dos momentos mais perturbadores da minha vida. Se não fosse a música de vocês, talvez eu também fosse uma estatística hoje, o que é irônico, mas principalmente, muito triste. Obrigado por me proporcionar uma música-tema de namoro. Obrigado por cantar canções que me inspiraram, que me motivaram, que me fizeram até mesmo ser alguém melhor. Obrigado, muito obrigado mesmo.
Descanse em paz, onde você estiver. Seus demônios já se foram, seja feliz agora, por favor.
29/06/2017
Divagação
Despida de sonhos, suas memórias eram vis.
Caída no chão do quarto, prostada perante suas indecisões.
Era só o que podia fazer, mas não estava quase morta. Pelo contrário, era só o sentimento de culpa.
Culpa consumida em doses homeopáticas, intercaladas entre um gole e outro.
Entre os móveis pretos e o armário branco, havia um alguém.
Nua, impenetrável, inalcançável, mas exaurida.
Todo aquele jeito de garota certinha, sem pecados, a única que pode apontar o dedo na cara dos outros.
Não, você não podia, mas o fez. Incontáveis vezes, tanto que perderam o hábito de contar.
E contaram essa história, em tom uníssono.
E pelo vale da culpa, essas vozes ecoaram e chegaram até você.
Aqui você se encontra, aqui sempre estará.
Veja bem, meu bem: Para julgar, você precisa ser juíz.
Todo o resto é especulação. E te digo mais, nada te digo.
Pois no fim das contas, você só colhe o que planta.
Caída no chão do quarto, prostada perante suas indecisões.
Era só o que podia fazer, mas não estava quase morta. Pelo contrário, era só o sentimento de culpa.
Culpa consumida em doses homeopáticas, intercaladas entre um gole e outro.
Entre os móveis pretos e o armário branco, havia um alguém.
Nua, impenetrável, inalcançável, mas exaurida.
Todo aquele jeito de garota certinha, sem pecados, a única que pode apontar o dedo na cara dos outros.
Não, você não podia, mas o fez. Incontáveis vezes, tanto que perderam o hábito de contar.
E contaram essa história, em tom uníssono.
E pelo vale da culpa, essas vozes ecoaram e chegaram até você.
Aqui você se encontra, aqui sempre estará.
Veja bem, meu bem: Para julgar, você precisa ser juíz.
Todo o resto é especulação. E te digo mais, nada te digo.
Pois no fim das contas, você só colhe o que planta.
04/05/2017
Tinta seca.
Pinta a borda da página, sulca o coração.
Treme na base, firma a caneta, espirra tinta para todos os lados.
Feito tatuagem, marca a página, marca minha vida.
Marca passo, aos passos, esnobe ao meu sentimento mais vil.
Tal como a tâmara rara, foge de mim. Não te acho.
Na verdade acho, presa em corda dilacerando carne.
Minha carne, podre carne. A tal da carne.
Acho a perdição nas fotos que não são comigo.
Só acho mas nada encontro. E que encontro? Não acontece.
Jamais acontecerá.
Tenho dó de mim, se eu fosse eu mesmo, desistiria.
Mas como eu não sou eu e sim mim mesmo, estou aqui.
Estou ai também, é ressonante.
É retumbante, ó brado colossal. Bate boca mas não nega.
Escorre sal mas lhe falta o líquido. Cadê a lágrima?
Não sei, secou, se foi. Morreu no seu peito, no meu peito.
E o que lhe envolve em conforto em carinho, seja lá o que for.
É bonito, quase sinto transbordar essa felicidade em mim também.
Só não estou ali, retratado nas curvas negras da minha caneta.
Cadê as bordas? O vetor sumiu, não use Photoshop.
Crise da meia idade, da minha idade, da nossa idade.
Mas pensa que não sei? Acha que me enganas?
Ama a mim como ama a ti mesma. Tem faca e o queijo na mão.
Mas você prefere goiabada, não é mesmo?
Fica aí o questionamento.
Treme na base, firma a caneta, espirra tinta para todos os lados.
Feito tatuagem, marca a página, marca minha vida.
Marca passo, aos passos, esnobe ao meu sentimento mais vil.
Tal como a tâmara rara, foge de mim. Não te acho.
Na verdade acho, presa em corda dilacerando carne.
Minha carne, podre carne. A tal da carne.
Acho a perdição nas fotos que não são comigo.
Só acho mas nada encontro. E que encontro? Não acontece.
Jamais acontecerá.
Tenho dó de mim, se eu fosse eu mesmo, desistiria.
Mas como eu não sou eu e sim mim mesmo, estou aqui.
Estou ai também, é ressonante.
É retumbante, ó brado colossal. Bate boca mas não nega.
Escorre sal mas lhe falta o líquido. Cadê a lágrima?
Não sei, secou, se foi. Morreu no seu peito, no meu peito.
E o que lhe envolve em conforto em carinho, seja lá o que for.
É bonito, quase sinto transbordar essa felicidade em mim também.
Só não estou ali, retratado nas curvas negras da minha caneta.
Cadê as bordas? O vetor sumiu, não use Photoshop.
Crise da meia idade, da minha idade, da nossa idade.
Mas pensa que não sei? Acha que me enganas?
Ama a mim como ama a ti mesma. Tem faca e o queijo na mão.
Mas você prefere goiabada, não é mesmo?
Fica aí o questionamento.
01/05/2017
Praia.
"Imagine que você caiu do céu, sem explicação alguma. Ultrapassou nuvens, cruzou o ar, rasgou a pele com aquela corrente fria que aquecia seu coração. A adrenalina a mil. Quanto mais caía, mais distante ficava do chão. Os pelos do corpo se ouriçavam, você entra em completo torpor. Olhos fechados. Apesar da iminente queda, você está feliz."
O dia acorda cedo por aqui. Você escuta de longe o barulho do mar. De dentro de uma casinha de madeira e palha, o cheiro de café inebria sua mente. Lava o rosto, escova os dentes, pronto para mais um mergulho de sol nesse escaldante nevoeiro de sal que a água está. Você vive aqui, esse é seu paraíso astral, porém vive sozinho. Já fazem muitos anos que não vê uma única alma nessa praia, e poderia resumir suas interações sociais aos donos da venda onde todo dia, leva seus peixes em troca de mantimentos básicos de sobrevivência (e não é como se precisasse de muito não é mesmo?).
Está tudo preparado? Vamos pescar então.
Um grande salto seguido de um mergulho impecável e você já pegou 2 peixes, um em cada mão. De dentro do mar, só vai jogando os que você pega na cestinha a beira-mar. Hoje o dia está particularmente agradável, o sol está escaldante mas há um certo prazer no vento, como se dançasse. A maresia nunca foi tão convidativa.
Sua habilidade em brincar na água é tão apta que poderiam jurar que você tem guelras, mas é só a necessidade da vida que criou o monstro marinho. No passado, fora um grande homem de terno e gravata vendendo sonhos para grandes empresas. Largou tudo pois não aguentava viver em selva de pedra. Sufocava a mente, sufocava o coração. E ainda existe coração?
Ao sair do mar, carregando sua cestinha trançada com folha de bananeira, avista lá ao longe do horizonte uma pessoa deitada próxima ao mar. Não parece exatamente banho de sol, está mais para um corpo estendido próximo a morte. Apesar da aversão para com seres humanos, o simples fato de haver um corpo ali maculando a praia revirava seus olhos. Jogou então os peixes no chão e correu ao encontro daquele ser. Ao chegar lá, era uma mulher, praticamente nua, sem nenhum arranhão mas totalmente desacordada.
De dentro de sua cabana, o cheiro do café já velho e repassado entrava pelas narinas da jovem moça. Seus cabelos cacheados ainda estavam úmidos. A pele dela era branca de tanto sal. Seria ela uma sereia?
Ao acordar, ela não sabia quem era. Nenhum vestígio do passado estava ali, nem nome ela lembrava. Você meio inquieto, porém mantendo a serenidade e a seriedade, questiona coisas a moça em vão. Era uma batalha perdida. Então decidiu voltar ao mar para terminar de pegar seu ganha pão diário, enquanto a moça ficava ali. Por entre a janelinha quadrada, ela me via ir para o encontro do mar. Minhas habilidades a fascinavam, via os olhos dela brilharem mesmo aquela distância. Era como se ela encarasse aquilo como espetáculo, não como sobrevivência, o que sempre fora para mim.
De lá, parti para a vendinha próxima da cidade. Troquei os peixes por um punhado de legumes e rumei para casa certo de que uma sopa animaria os neurônios da intrusa praiana. Ao chegar, a ingenuidade no olhar dela me comovia. Enquanto cozinhava, ela me pediu para que escolhesse um nome para ela. Prometi que pensaria em algo significante, mas que enquanto não sabia o que pensar, a chamaria apenas de sereia, dada as circunstâncias que a levaram até ali.
Comemos, conversamos sem sucesso sobre ela, contei a ela sobre minha vida monótona. Arrumei o tapete no chão e dormi ali mesmo.
No dia seguinte, ela veio comigo até o mar para me ver de perto. E no outro também. E nos dias que se passaram também. Ela me acompanhava, nós conversávamos, ela sorria e eu não entendia nada, apenas observava e tentava, sem sucesso, descobrir quem era ela. Ensinei ela a pescar, a cozinhar, a trançar cestos. Mas a criatura só me ensinou uma coisa: a me apaixonar. Em dado momento, não me importava mais com o passado dela, assim como não ligava mais para seus motivos para estar ali. Só ficava grato e orava aos deuses agradecendo a graça de sua presença ali. Aquela altura, com certeza ela já era meu ser humano preferido.
Um belo dia dormi e durante a noite acordei com ela em cima de meu corpo. A luz da lua batia em sua pele morena que iluminava o quarto. Seu rosto era pura penumbra, mas sentia você sorrir. Aqueles corpos feitos de água fluíam feito correnteza, se encontravam feito dois rios, caiam feito cachoeira. A verdade é que não daria para descrever quão insano foi essa sensação, mesmo que eu usasse todas as poesias do mundo, mesmo que usasse todas as linguagens figurativas, palavrões. Nada definiria o prazer daquele gozo compartilhado. Aquele rosto suado que compartilhava paixão, eu só sentia felicidade, nada mais.
No dia seguinte, ainda embriagado de sono, procurei por ela em todos os cantos. Corri pela praia, entrei no mar, não encontrava você. A simples ideia de te perder era insana. Fiquei nervoso, assustado, com medo. Ao voltar para a cabana, encontrei um bilhete em papel de pão com a seguinte escrita:
"Imagine que você caiu do céu, sem explicação alguma. Ultrapassou nuvens, cruzou o ar, rasgou a pele com aquela corrente fria que aquecia seu coração. A adrenalina a mil. Quanto mais caía, mais distante ficava do chão. Os pelos do corpo se ouriçavam, você entra em completo torpor. Olhos fechados. Apesar da iminente queda, você está feliz. Foi o que aquela noite de ontem significou para mim. Eu te amo, mesmo sem saber o que significa amar. Eu te quero, mesmo sem saber o que significa querer. É possível que eu apenas reaja aos elétrons, prótons e nêutrons de seu corpo, mesmo sem entender de física. Há uma certa beleza nisso tudo, mas eu descobri quem eu sou, de onde eu vim... Na verdade, eu descobri a algum tempo tudo isso, mas eu não podia deixar você. Eu não podia deixar a sua vida sem te dar como presente esse amor protótipo em caixinha de veludo. E ah, obrigado pelos peixes!
Sua Sereia"
Ao virar o papel, havia algo escrito atrás:
PS: Olhe para trás.
Ao se virar, enxergou ela sorrindo, plena em seu ser. Mas era tarde demais, ele já havia acordado do seu faz-de-conta.
O dia acorda cedo por aqui. Você escuta de longe o barulho do mar. De dentro de uma casinha de madeira e palha, o cheiro de café inebria sua mente. Lava o rosto, escova os dentes, pronto para mais um mergulho de sol nesse escaldante nevoeiro de sal que a água está. Você vive aqui, esse é seu paraíso astral, porém vive sozinho. Já fazem muitos anos que não vê uma única alma nessa praia, e poderia resumir suas interações sociais aos donos da venda onde todo dia, leva seus peixes em troca de mantimentos básicos de sobrevivência (e não é como se precisasse de muito não é mesmo?).
Está tudo preparado? Vamos pescar então.
Um grande salto seguido de um mergulho impecável e você já pegou 2 peixes, um em cada mão. De dentro do mar, só vai jogando os que você pega na cestinha a beira-mar. Hoje o dia está particularmente agradável, o sol está escaldante mas há um certo prazer no vento, como se dançasse. A maresia nunca foi tão convidativa.
Sua habilidade em brincar na água é tão apta que poderiam jurar que você tem guelras, mas é só a necessidade da vida que criou o monstro marinho. No passado, fora um grande homem de terno e gravata vendendo sonhos para grandes empresas. Largou tudo pois não aguentava viver em selva de pedra. Sufocava a mente, sufocava o coração. E ainda existe coração?
Ao sair do mar, carregando sua cestinha trançada com folha de bananeira, avista lá ao longe do horizonte uma pessoa deitada próxima ao mar. Não parece exatamente banho de sol, está mais para um corpo estendido próximo a morte. Apesar da aversão para com seres humanos, o simples fato de haver um corpo ali maculando a praia revirava seus olhos. Jogou então os peixes no chão e correu ao encontro daquele ser. Ao chegar lá, era uma mulher, praticamente nua, sem nenhum arranhão mas totalmente desacordada.
De dentro de sua cabana, o cheiro do café já velho e repassado entrava pelas narinas da jovem moça. Seus cabelos cacheados ainda estavam úmidos. A pele dela era branca de tanto sal. Seria ela uma sereia?
Ao acordar, ela não sabia quem era. Nenhum vestígio do passado estava ali, nem nome ela lembrava. Você meio inquieto, porém mantendo a serenidade e a seriedade, questiona coisas a moça em vão. Era uma batalha perdida. Então decidiu voltar ao mar para terminar de pegar seu ganha pão diário, enquanto a moça ficava ali. Por entre a janelinha quadrada, ela me via ir para o encontro do mar. Minhas habilidades a fascinavam, via os olhos dela brilharem mesmo aquela distância. Era como se ela encarasse aquilo como espetáculo, não como sobrevivência, o que sempre fora para mim.
De lá, parti para a vendinha próxima da cidade. Troquei os peixes por um punhado de legumes e rumei para casa certo de que uma sopa animaria os neurônios da intrusa praiana. Ao chegar, a ingenuidade no olhar dela me comovia. Enquanto cozinhava, ela me pediu para que escolhesse um nome para ela. Prometi que pensaria em algo significante, mas que enquanto não sabia o que pensar, a chamaria apenas de sereia, dada as circunstâncias que a levaram até ali.
Comemos, conversamos sem sucesso sobre ela, contei a ela sobre minha vida monótona. Arrumei o tapete no chão e dormi ali mesmo.
No dia seguinte, ela veio comigo até o mar para me ver de perto. E no outro também. E nos dias que se passaram também. Ela me acompanhava, nós conversávamos, ela sorria e eu não entendia nada, apenas observava e tentava, sem sucesso, descobrir quem era ela. Ensinei ela a pescar, a cozinhar, a trançar cestos. Mas a criatura só me ensinou uma coisa: a me apaixonar. Em dado momento, não me importava mais com o passado dela, assim como não ligava mais para seus motivos para estar ali. Só ficava grato e orava aos deuses agradecendo a graça de sua presença ali. Aquela altura, com certeza ela já era meu ser humano preferido.
Um belo dia dormi e durante a noite acordei com ela em cima de meu corpo. A luz da lua batia em sua pele morena que iluminava o quarto. Seu rosto era pura penumbra, mas sentia você sorrir. Aqueles corpos feitos de água fluíam feito correnteza, se encontravam feito dois rios, caiam feito cachoeira. A verdade é que não daria para descrever quão insano foi essa sensação, mesmo que eu usasse todas as poesias do mundo, mesmo que usasse todas as linguagens figurativas, palavrões. Nada definiria o prazer daquele gozo compartilhado. Aquele rosto suado que compartilhava paixão, eu só sentia felicidade, nada mais.
No dia seguinte, ainda embriagado de sono, procurei por ela em todos os cantos. Corri pela praia, entrei no mar, não encontrava você. A simples ideia de te perder era insana. Fiquei nervoso, assustado, com medo. Ao voltar para a cabana, encontrei um bilhete em papel de pão com a seguinte escrita:
"Imagine que você caiu do céu, sem explicação alguma. Ultrapassou nuvens, cruzou o ar, rasgou a pele com aquela corrente fria que aquecia seu coração. A adrenalina a mil. Quanto mais caía, mais distante ficava do chão. Os pelos do corpo se ouriçavam, você entra em completo torpor. Olhos fechados. Apesar da iminente queda, você está feliz. Foi o que aquela noite de ontem significou para mim. Eu te amo, mesmo sem saber o que significa amar. Eu te quero, mesmo sem saber o que significa querer. É possível que eu apenas reaja aos elétrons, prótons e nêutrons de seu corpo, mesmo sem entender de física. Há uma certa beleza nisso tudo, mas eu descobri quem eu sou, de onde eu vim... Na verdade, eu descobri a algum tempo tudo isso, mas eu não podia deixar você. Eu não podia deixar a sua vida sem te dar como presente esse amor protótipo em caixinha de veludo. E ah, obrigado pelos peixes!
Sua Sereia"
Ao virar o papel, havia algo escrito atrás:
PS: Olhe para trás.
Ao se virar, enxergou ela sorrindo, plena em seu ser. Mas era tarde demais, ele já havia acordado do seu faz-de-conta.
06/04/2017
Delineada.
Ela tem um sorriso louco e um jeito malandro de ser.
Olha devorando, devora falando, tem muito dela transbordando.
Aquela boca gostosa, um corpo estonteante, ela sabe o que quer.
Uma brisa pra minha mente, bota em torpor meu corpo inteiro.
Tremo quando a vejo, mas não é de medo, é por não saber lidar.
É por querer ela por inteira, querer o mundo que ela traz.
Esse mundo louco, essa coisa insana, uns papos loucos e uma birita gelada.
Rasgo sua roupa vinte vezes por dia, mas só no meu pensamento.
Penso mil loucuras e planos, penso reto e penso devagar.
Penso. E penso que falei muito pouco do que eu queria falar.
Falei pouco que aqueles cabelos são lindos demais.
E também deixei a boca fechada quando queria te beijar.
Que beijo meus amigos, que beijo.
Quando pensares sozinha que está sozinha, lembra de mim!
Eu não te disse muitas coisas, e pouco expressei por medo de te perder.
Mas a real, a real mesmo
É que eu fui muito feliz no breve momento em que te possui.
Olha devorando, devora falando, tem muito dela transbordando.
Aquela boca gostosa, um corpo estonteante, ela sabe o que quer.
Uma brisa pra minha mente, bota em torpor meu corpo inteiro.
Tremo quando a vejo, mas não é de medo, é por não saber lidar.
É por querer ela por inteira, querer o mundo que ela traz.
Esse mundo louco, essa coisa insana, uns papos loucos e uma birita gelada.
Rasgo sua roupa vinte vezes por dia, mas só no meu pensamento.
Penso mil loucuras e planos, penso reto e penso devagar.
Penso. E penso que falei muito pouco do que eu queria falar.
Falei pouco que aqueles cabelos são lindos demais.
E também deixei a boca fechada quando queria te beijar.
Que beijo meus amigos, que beijo.
Quando pensares sozinha que está sozinha, lembra de mim!
Eu não te disse muitas coisas, e pouco expressei por medo de te perder.
Mas a real, a real mesmo
É que eu fui muito feliz no breve momento em que te possui.
24/03/2017
Pausa
Pare, pense, respire fundo. Olhe pra frente, continue andando. Acene e observe os sorrisos sem graça. Levanta a mão! Acene. Respire novamente. Não é para tremer, se controle. Vai dar tudo certo meu amigo, sempre dá.
Continue andando então. A vida é curta demais.
Continue andando então. A vida é curta demais.
21/01/2017
Ah, quem me dera poder voar.
Saudade é um negócio chato.
Quando você vê, já tá lá, desnudo, desprotegido...
Se pegando a pensar em algo, alguém, algum momento.
O tempo passa e nada faz sentido
E as vezes você queria que o tempo parasse pra sentir esse momento.
Nunca haverá um novo amanhã se você não hornar seu passado
Mas se prender a felicidades passadas é tipo se torturar
Ah, a tortura da mente
Essa vil cobra que habita nosso corpo
Possui nosso ser e nos faz pensar em todo tipo possível de nostalgia.
Ao ver uma série, ao comer um chocolate, ao tomar banho sozinho.
Tudo pode ser diferente, você pode superar as suas dores sim.
Mas a mente, ela vai te torturar, vai massacrar a sua cabeça.
É engraçado que nos filmes, as pessoas se perdoam, se felicitam, tudo volta ao normal.
Mas na vida real, pessoas morrem sem ouvir um "eu te perdoo".
Na vida real, você morre.
E as vezes, nem é sobre o corpo carnal putrefazer aos vermes.
Culpa corrói, estraga os seres vivos.
Tudo no fim vai para a terra.
Proteja então suas boas memórias.
Mas pricipalmente, cuide bem do que te faz bem.
Pois um dia, o melhor de si pode ser a sua ruína.
Quando você vê, já tá lá, desnudo, desprotegido...
Se pegando a pensar em algo, alguém, algum momento.
O tempo passa e nada faz sentido
E as vezes você queria que o tempo parasse pra sentir esse momento.
Nunca haverá um novo amanhã se você não hornar seu passado
Mas se prender a felicidades passadas é tipo se torturar
Ah, a tortura da mente
Essa vil cobra que habita nosso corpo
Possui nosso ser e nos faz pensar em todo tipo possível de nostalgia.
Ao ver uma série, ao comer um chocolate, ao tomar banho sozinho.
Tudo pode ser diferente, você pode superar as suas dores sim.
Mas a mente, ela vai te torturar, vai massacrar a sua cabeça.
É engraçado que nos filmes, as pessoas se perdoam, se felicitam, tudo volta ao normal.
Mas na vida real, pessoas morrem sem ouvir um "eu te perdoo".
Na vida real, você morre.
E as vezes, nem é sobre o corpo carnal putrefazer aos vermes.
Culpa corrói, estraga os seres vivos.
Tudo no fim vai para a terra.
Proteja então suas boas memórias.
Mas pricipalmente, cuide bem do que te faz bem.
Pois um dia, o melhor de si pode ser a sua ruína.
11/01/2017
Boêmia, o que me trazes no regresso?
Cansado da minha alma
Encontro a paz numa velha tulipa
Amargo gosto de cerveja
Que cada vez mais se dissipa.
No copo da vida
Já tive mil decepções
Talvez até mil e uma injustiças
Organizadas em belos pelotões.
Num cinzeiro de bar
Pintado com a negra cor das cinzas
De gimbas velhas amassagadas
Por velhas cabeças zonzas.
Tivesse pecado sentados
Nestas cadeiras de alumínio barato
Patrocinadas por grandes cervejarias
Enferrujadas pelo destrato.
Lábios perdidos sem sincronia
Mutantes destinos inacabados
Afinal, qual seria a paz
Trazida por estes abençoados?
Dizem que o inferno é uma mesa de bar
Com cerveja quente e Calabresa velha
Pff, falam isso como se fosse ruim
Viver a eternidade com o cigarro na orelha.
E se querem saber uma verdade
Não há mal algum em ser boêmio
Se viraremos cinzas, tanto faz
Só apontem a cerveja que será meu premio.
Encontro a paz numa velha tulipa
Amargo gosto de cerveja
Que cada vez mais se dissipa.
No copo da vida
Já tive mil decepções
Talvez até mil e uma injustiças
Organizadas em belos pelotões.
Num cinzeiro de bar
Pintado com a negra cor das cinzas
De gimbas velhas amassagadas
Por velhas cabeças zonzas.
Tivesse pecado sentados
Nestas cadeiras de alumínio barato
Patrocinadas por grandes cervejarias
Enferrujadas pelo destrato.
Lábios perdidos sem sincronia
Mutantes destinos inacabados
Afinal, qual seria a paz
Trazida por estes abençoados?
Dizem que o inferno é uma mesa de bar
Com cerveja quente e Calabresa velha
Pff, falam isso como se fosse ruim
Viver a eternidade com o cigarro na orelha.
E se querem saber uma verdade
Não há mal algum em ser boêmio
Se viraremos cinzas, tanto faz
Só apontem a cerveja que será meu premio.
Heresia.
Por todos os lados das redes sociais, eu vejo as pessoas postando fotos com aquelas famosas legendas prontas, que geralmente não fazem o menor sentido com o contexto da foto. É interessante notar que muitas dessas pessoas sequer leram algum livro dos autores que citam, as vezes não sabem qual o aspecto real da frase e, as vezes até citam a pessoa errada.
Há uma corrida invisível na sociedade atual, aquela em que a gente tenta mostrar quem não somos, com fotos montadas e frases que não são nossas, tudo para angariar os famigerados likes a troco de nada. É, basicamente nada.
Confunde-se aqui o real com o imaginário de diversas pessoas, mais o imaginário de pobres autores que morreram e não podem se defender desses devaneios. O mix final é geralmente alguma coisa que se não beira o patético, é simplesmente sem graça.
Existem patricinhas, existem playboyzinhos, funkeiros, rockeiros, todos esses subgêneros existirão por muito tempo ainda, talvez até para sempre. Não há demérito algum em ficar 10 horas por dia na musculação a procura do corpo perfeito. Nem em gastar as doletas da mamãe dondoca que te sustenta. Cada um tem sua vida, a leva como quer e imprime em suas almas aquilo que quer levar pro caixão. Só o que incomoda é que estamos cada vez mais artificiais, escorados em opiniões dos outros, sustentados por palavras que não são nossas para fins de demonstrar para todos os outros que somos descolados.
Mas já parou pra pensar que talvez sejamos descolados simplesmente por sermos quem somos?
Ostentar aquela barriga feia as vezes não faz mal algum. Fazer piada do cabelo que você pintou 10x nas últimas 3 semanas pode ser divertido, depende do ponto de vista. Magro, gordo, estranho, simples, formal... todo mundo é bonito e feio aos olhos de diversas pessoas, mas a quem importa ser quem é senão a quem sustenta nossos ossos, carne e órgãos por ai?
Exatamente, nós mesmos.
A busca pelo nosso ideal é nossa, a paciência é nossa maior companheira e só com ela a gente atinge nossos objetivos, que, se vindos de dentro de nós, valerão muito mais a pena.
Há uma corrida invisível na sociedade atual, aquela em que a gente tenta mostrar quem não somos, com fotos montadas e frases que não são nossas, tudo para angariar os famigerados likes a troco de nada. É, basicamente nada.
Confunde-se aqui o real com o imaginário de diversas pessoas, mais o imaginário de pobres autores que morreram e não podem se defender desses devaneios. O mix final é geralmente alguma coisa que se não beira o patético, é simplesmente sem graça.
Existem patricinhas, existem playboyzinhos, funkeiros, rockeiros, todos esses subgêneros existirão por muito tempo ainda, talvez até para sempre. Não há demérito algum em ficar 10 horas por dia na musculação a procura do corpo perfeito. Nem em gastar as doletas da mamãe dondoca que te sustenta. Cada um tem sua vida, a leva como quer e imprime em suas almas aquilo que quer levar pro caixão. Só o que incomoda é que estamos cada vez mais artificiais, escorados em opiniões dos outros, sustentados por palavras que não são nossas para fins de demonstrar para todos os outros que somos descolados.
Mas já parou pra pensar que talvez sejamos descolados simplesmente por sermos quem somos?
Ostentar aquela barriga feia as vezes não faz mal algum. Fazer piada do cabelo que você pintou 10x nas últimas 3 semanas pode ser divertido, depende do ponto de vista. Magro, gordo, estranho, simples, formal... todo mundo é bonito e feio aos olhos de diversas pessoas, mas a quem importa ser quem é senão a quem sustenta nossos ossos, carne e órgãos por ai?
Exatamente, nós mesmos.
A busca pelo nosso ideal é nossa, a paciência é nossa maior companheira e só com ela a gente atinge nossos objetivos, que, se vindos de dentro de nós, valerão muito mais a pena.
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