Pinta a borda da página, sulca o coração.
Treme na base, firma a caneta, espirra tinta para todos os lados.
Feito tatuagem, marca a página, marca minha vida.
Marca passo, aos passos, esnobe ao meu sentimento mais vil.
Tal como a tâmara rara, foge de mim. Não te acho.
Na verdade acho, presa em corda dilacerando carne.
Minha carne, podre carne. A tal da carne.
Acho a perdição nas fotos que não são comigo.
Só acho mas nada encontro. E que encontro? Não acontece.
Jamais acontecerá.
Tenho dó de mim, se eu fosse eu mesmo, desistiria.
Mas como eu não sou eu e sim mim mesmo, estou aqui.
Estou ai também, é ressonante.
É retumbante, ó brado colossal. Bate boca mas não nega.
Escorre sal mas lhe falta o líquido. Cadê a lágrima?
Não sei, secou, se foi. Morreu no seu peito, no meu peito.
E o que lhe envolve em conforto em carinho, seja lá o que for.
É bonito, quase sinto transbordar essa felicidade em mim também.
Só não estou ali, retratado nas curvas negras da minha caneta.
Cadê as bordas? O vetor sumiu, não use Photoshop.
Crise da meia idade, da minha idade, da nossa idade.
Mas pensa que não sei? Acha que me enganas?
Ama a mim como ama a ti mesma. Tem faca e o queijo na mão.
Mas você prefere goiabada, não é mesmo?
Fica aí o questionamento.
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