02/12/2017

II: Frustração

Uma das melhores coisas em se ter 13 anos é que você ainda tem muita inocência na cabeça. Você provavelmente já se masturbou a essa altura da sua vida, seus pais já tentaram falar sobre sexo e bom, em alguns casos você até já o fez. Seus amigos são chatos, começam a falar que você não pega ninguém. Te chamam de gay, te chamam de viadinho. Eles chamam. Praticam bullying numa época em que você não conhece nem 10 palavras em inglês, provavelmente. Cadeiras voando pela sala de aula, correntes, blusas de preto. Gente tentando parecer o que não é. "Gente". E aquele desejo ensandecido de virar adulto. Mas você não era assim: Sentado na cadeira, jogando com suas cartinhas, falando sobre desenhos e séries. Sonhando com o beijo da menina por quem você é apaixonado. Não que você ainda não tenha beijado, mas você quer saber o que é beijar alguém que, genuinamente, lhe quer também. E tão bem. O tempo se passa, os olhares se cruzam, aquela tensão juvenil e a vergonha de corpos que tremem sem nem chegar perto. Tímidos "oi's" que são proferidos. Uma carta fofa na hora errada. Você sabia que era a hora errada. Era simplesmente a hora errada. Mas hora é tempo e tempo passa, sempre pra frente, jamais para trás. Deitado ouvindo aquelas coletâneas que lembram você. Deitado sonhando acordado em beijar você. E o tempo passou. Você, com aquele perfume tão característico, aquelas pulseiras prateadinhas, tão adultinha. Na esquina do bar aconteceu um beijo, dois beijos. Só.
Só isso.
Me largou no dia seguinte sem nenhuma explicação, mesmo dizendo que ficou tanto tempo a me desejar.
E só sobrou a frustração, anos a te desejar, e um complexo de inferioridade que quase me destruiu.
Mas tudo bem, não é mesmo? Eu só tinha 13 anos. E uma das melhores coisas em se ter 13 anos é que você ainda tem muita inocência na cabeça.
Menos se você for eu.

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