Não interessa muito o que você viveu para chegar até aqui. É como você enxerga o caos que conta. É como o caos te enxerga que conta. Nada mais importa.
Pense no vazio ininterrupto que ecoa na sala de estar. Sua cabeça é uma metáfora de mau gosto, decorada com presilhas cintilantes que bem, não significam nada. Todo o resto é material descartável. Ou seja, nada realmente útil.
E o que você tira de proveito? Nada em absoluto. O caos se define assim: Um incrível pedaço de tudo, que de tão caótico, ele vira nada. E tá tudo bem, algumas pessoas simplesmente lidam com isso da melhor forma possível.
Não que exista uma forma correta para se lidar, mas sob certas condições, você simplesmente aceita. E tá tudo bem.
Não, não tá nada bem, mas vai estar. Uma hora, em algum momento, em algum lugar.
Vai doer pra caralho, você vai se sentir um lixo o tempo todo, vai voar fruta podre pra dentro da sua boca mas... sabe o discurso dessa gente? Tá tudo bem, vai ficar tudo bem.
VAI FICAR TUDO BEM.
Empatia deveria ser matéria obrigatória nas salas de aula da vida, mas decerto que ela é aquelas matérias opcionais que só uns gatos pingados puxam, e mesmo assim sem muitas pretenções.
Você é o chato do grupo.
Demônios vão vir atrás de ti, vão pegar seu filho amado e extirpar ele do seio de sua família. Mas que família?
Não sobra nada, mas as vezes sobra um pouquinho pra contar história.
Mas que história?
Poisé, não há.
E depois de um monte de somas aritméticas sincronizadas que não levam a lugar nenhum, ainda vai ter alguém que vai te dizer: Vai ficar tudo bem.
Não cara, provavelmente não vai ficar tudo bem. Não de cara.
Mas uma hora, quem sabe, fique.
Então por favor, não se apegue a esse discurso vazio que as pessoas furam na sua cabeça com agulha fina, afim de te machucar mais do que ajudar, pois vai ficar tudo uma bosta, e talvez piore, mas você é capaz de superar tudo isso. Só você sabe a dor do seu peito inchado, e só você é capaz de suportar sua bagagem. E oras, se é sua bagagem, não perca o trem.
Caos... que loucura não é mesmo?
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