Eu perdi muito tempo tentando te decifrar.
Intenções, dívidas, consolações.
Praxe.
Querer tanto desbloquear esse seu código fonte, te desconstruir e reconstruir incontáveis vezes.
Te fazer minha.
Cheio de orgulho me saturei de você.
Cheio de orgulho, me afoguei em você.
Vi seu resplendor, sua cólera, sua maldição.
Vi todas as pessoas que você podia ser.
E vi também sua indiferença, o seu olhar, uma maldição.
Uma maldição somente.
E do lado de fora olho pela cerca, te vejo mas não vejo caminho.
Não tem porta.
Não tem contorno.
Não tem como te alcançar.
O clichê da linha tênue que ninguém ultrapassa.
Jamais ultrapassaremos de novo.
E nem há linha, na verdade.
Hoje, ao ouvir o barulho do mar, sigo junto ao som.
Balanço, mas não avanço.
Ao ver os carros passando, me puxo para eles.
Balanço, mas não avanço.
Quando estou no vigésimo oitavo andar, eu olho para baixo.
Balanço, mas não avanço.
E não avanço.
Jamais avanço.
Jamais mergulho.
E não mergulho.
Agora estou aqui, com minhas intenções mortas, meus pequenos segredos mortos.
Está tudo morto e enterrado agora.
Menos o corpo, este só padece.
E se esquece.
Do que jurou jamais esquecer.
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