Era aproximadamente 20:00h quando o despertador do celular apitou incessantemente. Aquele barulho infernal que ecoava por toda a casa foi suficiente para me acordar. Uma breve piscadela de olhos e me lembrei de um compromisso as nove.
- Eu e essa maldita mania de deixar tudo em cima da hora! Arrrrgh
E lá ia eu, correndo pela casa, tomando um banho alucinado e escovando os dentes com a mesma fúria que um faminto devora um banquete. Passei rapidamente a gilete na cara maltratada e passei meu odioso perfume. Nem lembrava bem o motivo de estar saindo, mas só sair já seria suficiente.
Botei o pé na condução e lembrei: Ah, praça!
Batendo os pezinhos estava ela, num vestido verde longo e lápis nos olhos. Acho que ela nunca vai me perdoar por ser tão atrasado...
- Como você está linda! E eu gosto quando passa só o lápis nos olhos...
- Eu passei muito mais que lápis! Estou com batom, sombra e ainda fiz as unhas! E você está desconversando, senhor atrasado! Pois diga, qual é o motivo da demora dessa vez?
- Minha casa foi invadida por estranhas criaturas fedorentas e eu tive que as expulsar...
Nesse instante eu fiz a cara mais fofa que possam imaginar, tipo Gato de Botas do Shrek.
- Odeio esses seus argumentos sem fundamento algum, mas vamos logo que estamos atrasados.
Juro que até essa altura eu sequer sabia pra onde íamos, mas a companhia dela, mesmo que brava, era agradável o suficiente pra eu não me importar.
Andamos um pouco e chegamos à praia, onde estava tendo uma festa a fantasia. Bom, ao menos eu acho, pois a maioria das pessoas estavam vestidas de pinguim. E isso não é o mais bizarro de tudo, pois nós dois eramos os únicos normais ali, o que na verdade, nos fazia ser estranhos.
Passado o susto, comecei a andar pela areia e a sentir ela entrar pelo meu tênis. Geralmente eu odeio essa sensação chata de granulação-grudenta nos meus pés mas tudo bem, importante é que a noite estava bela, com direito a estrelas cadentes.
Voltei meus olhos para a pista de dança (Lê-se: Areia) e vi ela lá, estática. O olhar dela perdido em direção à praia era provavelmente uma das melhores visões que eu teria daquela noite. Bastou eu dar alguns passos em direção a ela para que ela saísse do seu transe particular e me brindasse com um belo sorriso largo, que só pertence a ela, e junto dele aquele olhar bobo, quase que fechando os olhos.
- Ei, tudo bem? Ela perguntou.
Agora quem havia entrado em transe era eu.
- Sim sim, eu só... estava reparando que você passou batom.
- Passei nada! Eu falei para te confundir.
- Porquê faz isso comigo?
Ela sorriu e me chamou de bobo. Por alguns instantes nos calamos, e mesmo que a música ecoasse em nossas cabeças, nos mantínhamos presos em outra dimensão, onde nosso silêncio tornava emudecedor toda a nossa projeção visual. Eram apenas eu, ela e o silêncio.
Quando me dei conta, estávamos abraçados, dançando. E mesmo eu, formado e com doutorado em pisar nos pés das donzelas, estava lá dançando de forma exemplar. Parecia um sonho, ter ela finalmente nos meus braços, me olhando de forma fixa e sem titubeios. Claro que também parecia um sonho eu estar dançando bem...
- Já pensou se esse momento se eternizasse?
- Seria mágico mocinha. Só que não temos máquina do tempo para voltarmos para cá todo instante...
- Bobagem. É por isso que inventaram os beijos!
- Como? O que você quer dizer com...
Me tascou um beijo! Que ousada!
Houve um breve momento de questionamento, mas dai meu corpo se entregou aos encantos dela. Num primeiro momento, apenas larguei o corpo. Depois, e com calma, me aproximei junto à sua estrutura física e a conduzi para dentro de mim, ao som de nossa trilha sonora. Quando eu finalmente aceitei tudo aquilo, ela parou de me beijar.
- Porquê parou?
- Eu preciso memorizar seu rosto agora. Se não o fizer, nunca vou acreditar que és real.
- Realmente, isso parece um sonho. Do qual eu nunca mais pretendo acordar. Não sem você.
E antes que eu tivesse a atitude máscula de a ter em meus braços e retribuir o beijo, eu comecei a escutar um barulho ensurdecedor, irritante, chato, desconexo e...
Era aproximadamente 7:30h quando o despertador do celular apitou incessantemente. Aquele barulho infernal que ecoava por toda a casa foi suficiente para me acordar. Uma breve piscadela de olhos e me lembrei que eu tinha que ir trabalhar...
Isso é real? Meu Deus. Soa tão bem. Emocionante e sem contar que o relacionamento pareceu tão divertido e encantador, como filmes!
ResponderExcluirÉ real, se considerar que foi um sonho meu :) Só deixei mais dramática uma situação que parecia até cômica no sonho. HAHAHAAH
ResponderExcluiruma graça :)
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