07/05/2013

Chuveiros.

Ser pobre é conhecer muito mais da vida. Não que ricos não a conheçam, mas dentro de seus iates com nomes escrotos ou de seus carros esportivos, tudo o que conseguem ver é a beleza comprada e sorrisos estampados absurdamente sedentos por pó de grana.
Eu vi dor. E na verdade as vezes, ainda vejo.
Mas admito que volta e meia quero ser rico, desfrutar um pouco da vida e isso ora me enoja, ora me alegra.
Cá estou, um cara simples e sem porra alguma para lhes oferecer, enquanto todos os outros são tatuados, fortes, amarelos e inteligentes. E eu não os invejo. Na verdade nem gosto do que sou, tampouco quero mudar esse paradigma.
Debaixo dos copos que abandonam vorazmente a mesa está a dignidade de muitos nós. E a cada gole dessa seiva alcoólica, jogamos junto um pouco dela. Ironia pura dizer que nos alimentamos de nós mesmos, só que sem nos absorver novamente por completo. Afinal, tudo que muito se refina, uma hora deixa de existir. Uma orgia incessante de complexos vitamínicos revirantes em nossos vis estômagos, toda nossa ideologia derrubada por terra, terra que se torna impróspera a cada ideal destruído. Vou pra casa, abandono minha magrela na parede e tomo um banho quente do meu chuveiro comprado em três vezes de oito reais e quarenta e sete centavos. E pasmem, a água que me lava, é a mesma que a que cai de seus chuveiros robustos.
Ah... a riqueza mundana. Ela é asquerosamente maravilhosa. Mas ainda sim, asquerosa.

2 comentários:

  1. Fico feliz de ver você vendo a vida pela parte boa. Pela parte que importa mais do que pela parte que você pode comprar. :D

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  2. A parte que pode se comprar eu tento com o tempo, o resto é o que importa. :3

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