31/05/2013

...

Existe um grande problema na minha vida e eu não sei solucionar ele de nenhuma forma.
É muito simples, mas me traz muita angústia. E sabem o que é?
As pessoas me acham perfeito. Ou bem, quase.
Vejam só, eu sou mandado embora dos meus empregos pois sou qualificado demais. E se sou qualificado, ganho mais, e se ganho mais, sou uma despesa a mais.
Um objeto indesejável no meio da engrenagem, interrompendo o fluxo de peões.
Descartável como um papel que absorveu o café da mesa. Simples e funcional, fui embora.
Sem conseguir manter uma identidade, pulo de galho em galho.
Vivendo assim, um dia de cada vez, tomando na tarraqueta. É.
Certa vez uma menina me disse: Você ainda vai se foder muito nessa vida por ser bonzinho demais.
Curioso, pois ela foi a primeira a pular do barco. E desde ai, o sossego nunca mais me encontrou.
Primeiro tentei virar o inverso do que eu era. Numas boas doses de álcool, a vergonha saia. O cigarro entrava em cena e minha mente ia embora. Estava eu ali, sendo o politicamente incorreto mas... o que é intrínseco nunca morre. E não morreu mesmo.
Ai eu virei o novo eu, um babaca e viciado. Procurando entre a multidão uma sobra pra eu idolatrar.
Não veio.
Quando veio, eu era perfeito demais.
Bonito demais.
Legal demais.
Forte demais.
Ora, eu sou forte pois suporto os problemas do dia-a-dia? Sou pobre, fudido (e agora desempregado), mas quanta gente é assim também e é indigna? É ladrão, é assassino, é estuprador?
Eu adoraria ouvir que tenho boa índole. Mas esse elogio eu ainda não recebi, não.
Corro tão atrás do diferente, do novo, do início, mas tudo que encontro é "você é tão bom, que parece um sonho, e eu tenho medo", ou "rapaz, você trabalha muito bem, mas não tenho como pagar pelo seu serviço".
Diabos, eu tenho 23 anos e já tenho 5 experiências profissionais. 23 anos e 7 experiências amorosas.
23 anos, experiência demais, e experiência nula.
Sabe qual é o meu problema, de verdade? É ser transparente demais.
Quem sabe se eu fosse mais filho da puta, vocês realmente gostariam de mim, não é?
Pois eu não sou perfeito, eu não sou bom... não, nada disso.
Queria eu ser, mas eu tenho uma porrada de defeitos.
Vocês sabem disso, não é? Eu só não sou o que vocês procuram, e seria mais digno apenas ouvir isso da vida, maldita vida.
Que me tirou o diploma que eu queria, por ser bom filho também.

17/05/2013

Execução Aurora.

Do gelo eu vim, sem chance alguma de lutar pelo calor da vida. Suportei a dor de ver afundar o único pedaço remanescente de humanidade de meu ser, abotoado a belas rosas vermelhas. A melancolia emanava em meu ser, sedento por objetivos secundários, preenchedores num peito vazio. Insuportável ver o brilho loiro junto à palidez de seu rosto que outrora era ávido. Árduo foi o treinamento para amadurecer, e árduo foi para conseguir minha couraça protetora. No interior de meu corpo residia você, linda e bela, como nunca deixaria de ser. Aos meus mestres, dediquei a evolução de meu ser, e rompi os laços gelados da minha vil humanidade. Conquistei o mundo, confrontei perigos e vitoriei muitas vezes, mesmo que de forma dolorosa. Sem sentidos e sem sensações. Esse era eu, amargurado por nunca alcançar-te. E quando afundastes de vez, eu fui ao teu encontro em vão. A dolorosa despedida tecida com violinos chorosos, assistida de pé por quem ensinou a ser forte. E forte mesmo eu me tornei quando removi a couraça e deixei o peito à mostra, pronto para a execução fatal. Execução mortal que levou tudo, inclusive minhas lágrimas, porém eu fiquei de pé, e entendi que só agora é que eu saberia o que é viver.

16/05/2013

Se Quiser Falar de Amor.

O amor não é nada poético como sugerem os poemas. Na verdade, ele é torto e bizarro, cheio de defeitos mas, ainda sim, encantador. É briga, é chateação, é traição, é porrada... mas ele tá lá, todo escroto. O amor é um baita de um filho da puta.
Se você sonha com aquele amor lindo, debaixo da luz da lua e coberto por estrelas que riscam o céu, esquece. Abre os olhos, e vai ver uma pia lotada de louças sujas, calcinhas penduradas no box e até o cheiro desagradável do lixo que o imbecil deixou destampado. Esqueçam até aquele papo de "passarinhos verdes" ou "borboletas no estômago", pois quase sempre vai ser tapa na cara e soco no estômago mesmo.
Muitas vezes eles dizem "que olhos lindos" mas também querem dizer "puta que pariu que peitões". Elas podem falar "Você não é chato, mô" e estarem doidas para ver você calar a boca, com direito a vontade de espetar um cigarro em brasa na tua fuça. Aliás, quantas vezes você já quis chutar o saco do seu namorado, pra ver ele agonizar no chão? E você ai, jogando seu RPG online, quantas vezes já não quis broxar de propósito só pra fazer a mulher se achar gorda? Mas não fazemos nada disso. Bem, as vezes fazemos uma asneira pra chamar a atenção mas... enfim. Sabem por quê quase nunca o fazemos? Por que é amor. E essa merda mexe lá dentro da gente, com nossa insanidade, com nossos hormônios, com nossa vontade fugaz de fugir só pra ver o outro correr atrás. No fundo, tu quer mimar aquela anta que queimou tua cara, ou tá louca pra fazer o sexo mais wild do mundo com seu namorado grosso e insensível. E ai vão sair pra passear, tomam sorvetes e açaís por ai. Vêem filmes, séries, desenhos e até novelas. Vão no show chato do Capital Inicial pois ela ama, e depois vão no Mc Donalds já que ele adora Big Mac.
O amor até que é lindo, mas é rodeado das feiuras. Se você amar, vai também sofrer, engolir sapos, enlouquecer de stress por tudo estar fora do lugar, e ainda sim, manter o sorriso na cara, à espera do próximo mimo do seu adorável par gêmeo. Pois amar é escolher por quem abrir mão de certas coisas, pra depois poder se encaixar e ser um só.

14/05/2013

Eu, Ela e o Silêncio.

Era aproximadamente 20:00h quando o despertador do celular apitou incessantemente. Aquele barulho infernal que ecoava por toda a casa foi suficiente para me acordar. Uma breve piscadela de olhos e me lembrei de um compromisso as nove.
- Eu e essa maldita mania de deixar tudo em cima da hora! Arrrrgh
E lá ia eu, correndo pela casa, tomando um banho alucinado e escovando os dentes com a mesma fúria que um faminto devora um banquete. Passei rapidamente a gilete na cara maltratada e passei meu odioso perfume. Nem lembrava bem o motivo de estar saindo, mas só sair já seria suficiente.
Botei o pé na condução e lembrei: Ah, praça!
Batendo os pezinhos estava ela, num vestido verde longo e lápis nos olhos. Acho que ela nunca vai me perdoar por ser tão atrasado...
- Como você está linda! E eu gosto quando passa só o lápis nos olhos...
- Eu passei muito mais que lápis! Estou com batom, sombra e ainda fiz as unhas! E você está desconversando, senhor atrasado! Pois diga, qual é o motivo da demora dessa vez?
- Minha casa foi invadida por estranhas criaturas fedorentas e eu tive que as expulsar...
Nesse instante eu fiz a cara mais fofa que possam imaginar, tipo Gato de Botas do Shrek.
- Odeio esses seus argumentos sem fundamento algum, mas vamos logo que estamos atrasados.
Juro que até essa altura eu sequer sabia pra onde íamos, mas a companhia dela, mesmo que brava, era agradável o suficiente pra eu não me importar.
Andamos um pouco e chegamos à praia, onde estava tendo uma festa a fantasia. Bom, ao menos eu acho, pois a maioria das pessoas estavam vestidas de pinguim. E isso não é o mais bizarro de tudo, pois nós dois eramos os únicos normais ali, o que na verdade, nos fazia ser estranhos.
Passado o susto, comecei a andar pela areia e a sentir ela entrar pelo meu tênis. Geralmente eu odeio essa sensação chata de granulação-grudenta nos meus pés mas tudo bem, importante é que a noite estava bela, com direito a estrelas cadentes.
Voltei meus olhos para a pista de dança (Lê-se: Areia) e vi ela lá, estática. O olhar dela perdido em direção à praia era provavelmente uma das melhores visões que eu teria daquela noite. Bastou eu dar alguns passos em direção a ela para que ela saísse do seu transe particular e me brindasse com um belo sorriso largo, que só pertence a ela, e junto dele aquele olhar bobo, quase que fechando os olhos.
- Ei, tudo bem? Ela perguntou.
Agora quem havia entrado em transe era eu.
- Sim sim, eu só... estava reparando que você passou batom.
- Passei nada! Eu falei para te confundir.
- Porquê faz isso comigo?
Ela sorriu e me chamou de bobo. Por alguns instantes nos calamos, e mesmo que a música ecoasse em nossas cabeças, nos mantínhamos presos em outra dimensão, onde nosso silêncio tornava emudecedor toda a nossa projeção visual. Eram apenas eu, ela e o silêncio.
Quando me dei conta, estávamos abraçados, dançando. E mesmo eu, formado e com doutorado em pisar nos pés das donzelas, estava lá dançando de forma exemplar. Parecia um sonho, ter ela finalmente nos meus braços, me olhando de forma fixa e sem titubeios. Claro que também parecia um sonho eu estar dançando bem...
- Já pensou se esse momento se eternizasse?
- Seria mágico mocinha. Só que não temos máquina do tempo para voltarmos para cá todo instante...
- Bobagem. É por isso que inventaram os beijos!
- Como? O que você quer dizer com...
Me tascou um beijo! Que ousada!
Houve um breve momento de questionamento, mas dai meu corpo se entregou aos encantos dela. Num primeiro momento, apenas larguei o corpo. Depois, e com calma, me aproximei junto à sua estrutura física e a conduzi para dentro de mim, ao som de nossa trilha sonora. Quando eu finalmente aceitei tudo aquilo, ela parou de me beijar.
- Porquê parou?
- Eu preciso memorizar seu rosto agora. Se não o fizer, nunca vou acreditar que és real.
- Realmente, isso parece um sonho. Do qual eu nunca mais pretendo acordar. Não sem você.
E antes que eu tivesse a atitude máscula de a ter em meus braços e retribuir o beijo, eu comecei a escutar um barulho ensurdecedor, irritante, chato, desconexo e...
Era aproximadamente 7:30h quando o despertador do celular apitou incessantemente. Aquele barulho infernal que ecoava por toda a casa foi suficiente para me acordar. Uma breve piscadela de olhos e me lembrei que eu tinha que ir trabalhar...

10/05/2013

Prefiro ser prisioneiro numa mente lotada de perguntas sem respostas, do que ter a liberdade num mundo vazio de ideias.

09/05/2013

Um Romance Pintado.

Soprou rápido o tempo por aqui, e magoou uma centena de pessoas. Vamos entender então que a felicidade não é conquistada por todos, mas apenas por quem está disposto a tudo. Talvez nossa vida fosse mais legal se abríssemos o portal do amanhã, se descarregássemos a vontade os nossos baldes de lágrimas feitas de suor e açúcar. As vezes eu tento ganhar de dez a zero, mas nunca dá certo. Sem cheat é impossível, pura questão de opinião. Ok, é tarde para provar muita coisa, mas como é difícil acreditar nisso né? O que é amar? Ninguém consegue responder essa. Será que os romances são pintados por alguém que não quer que sejamos felizes? Um romance, aquilo impossível de ser ganhado na força. Loucura amar um amor louco, pintado da derrota.

Uma Chance.

Precise, tenha.
Consiga, perca.
Jogue a partida.

Comece, acabe.
Entenda, rabisque.
Tudo tem um significado.

Roube, detenha.
Saiba, mude.
Dê início ao jogo sem fim.

Você pode me mudar.
E eu posso mudar o mundo.
Só existe uma chance.
Todos tem sua chance.
Você pode me mudar.
Mas nunca mudar o meu total.

Trabalhe, ganhe.
Minta, glorifique.
Tenha mais paciência!

Paraíso, Inferno.
Água, fogo.
Fogo que batiza o filho.

Coloque, rebata.
Chore e corra.
Tenha pena de todos.

Uma chance, uma única chance para mudar.
Tente de novo, consiga sua vitória.

Paranoia.

Ei, é paranoia.
Dê adeus à minha nóia.
Afinal, é pura loucura,
Passiva de obsessão.
Essa esfera negra,
cheia de trevas.
Dissipadora de pó,
Sugadora de variantes.
Desovando por ai,
Códigos de energia.
Simetrizando a voz,
do que é inexplicável.
É, congelou-me,
Até o último grau do termômetro.
Ei, é paranoia.
Dê adeus à minha nóia.

Feridas Partidas.

Eu espero para entender, uma chance para lutar.
Não é o bastante para amargar as feridas na pele.
Me guio mal pela vida, com medo do arrependimento.
Ainda não é o bastante, para esquecer essas feridas.
Quem me dera voar por ai, ser seu sono para entrar em seu sonho.
Mas ainda não é o bastante, para suportar essas feridas.
Se eu tivesses aquelas penas de anjo, voaria por você.
Infelizmente não é o bastante, para suplicar por feridas.
Me sinto partido, aberto para ser magoado.
Fatalmente insuficiente, mas com feridas expostas.
Por dentro um falho, por fora um aprendiz.
Em qualquer lugar, com as minhas lindas feridas.

Teatro da Vida.

A maior dor talvez não seja morrer, e sim ser ignorado, como se existir fosse um problema sério. Ser ignorado na multidão, deixado para trás por todos e afogado em problemas únicos. Perder alguém também pode ser uma dor, ainda mais se for em vida. Ser deixado de lado por quem estava ao seu lado, que poderia ser seu braço. A maior dor talvez não seja morrer, e sim ser esquecido. Ser deixado numa estrada de barro, descalço e sem mantimento pelo seu guia. Dor talvez oriunda de uma culpa, talvez por nossa própria negligência, olhar para trás e ver seus amigos não te telefonarem para dar um alô. Já pensou naquele cumprimento que não foi dado após uma conquista? Ah, mas problemas resolvidos perdem a graça. A maior dor talvez não seja quebrar um membro, mas sim ver a indiferença de um rosto que acabou de descobrir do que é feito nosso coração. O que dói na vida é ver aqueles que foram tão amigos, sempre ocupados quando precisamos de um consolo espiritual. Nas aflições somos nós, mas apenas um singular para sentir a dor. Talvez dores pesadas quando transportadas sozinho. Cada um com seu papel no teatro, o tal teatro da vida, e temos o dever de dizer sempre que aqui jamais será enterrado uma dor. Não é necessário se importar com a solução, já que nunca será punido por isso. Talvez seja esquecido, ignorado, apagado. E ai, a maior dor será fazer exatamente o que eles lhe fizeram.

Eu sei.

Sei que quase perece de vontade de gritar inúmeras coisas para mim. Sinto de ti aquela vontade de me chamar para qualquer coisa sem nexo, pelo puro prazer de ter minha companhia. Ou talvez para caminhar, andar, correr e parar. Tudo isso junto ou misturado, talvez nenhum ou talvez apenas. E aquelas cabeças que vão e voltam, entorpecidas pelo barulho sedutor do vento e que volta e meia teimam em querer se encontrar? Só não vale culpar o vento, por mais que vente muito por aqui.

Sei também que morre de vontade de me contar 1001 histórias malucas sobre batons, baratas, batatas e balas. E inclusive bataralatas, por mais que isso nem exista. E se você fechar meus olhos de propósito, eu nunca saberei se é para roubar ou se é para conquistar. Não que eu vá fugir.

No seu peito, eu sei que reside toda uma vontade interminável de que tudo isso passe, e é 100% certo que irei ver você pular pelas ruas esburacadas só para chegar mais rápido. Isso não faz sentido para ninguém, mas ainda sim, vai ser mais rápido, pode apostar.

Sei que vive olhando para a lua, quase que de forma vegetativa, apenas por fazer. Talvez por isso seja tão iluminada, vive roubando a luz dela. Como pode roubar tanto? Aliás, eu não tenho certeza, isso é apenas uma suposição.

Ah! Sei também que vive com vontade de me pedir para dar uma volta, só que você pode talvez se esquecer que quem dá voltas, encontra o mesmo ponto, cedo ou tarde. E falando de tarde, que nunca me deu o prazer remoto de te ter nos braços até que o sol fosse embora, me lembrei dos três amiguinhos: Passado, presente e futuro, mas... não é como se eu confiasse no futuro. Não, não. O futuro tá lá, longe, mesmo que seja o futuro minuto. Apenas acredito em mim mesmo. De mais, apenas competência e coragem.

07/05/2013

E essas pílulas, ein?

Sei que ando escrevendo que nem uma máquina, mas eu gostaria de comentar sobre isso.
Anda rolando pelo facebook uma imagem tipo: Qual pílula você escolheria?
São várias pílulas de várias cores, e cada uma com um poder específico. Vejamos.

Amarela: Dá a capacidade de ler a mente de qualquer pessoa num raio de 100 metros, mas só pode usar cinco vezes ao dia, com um total máximo de 30 minutos.
Verde: Dá a capacidade de voar, mas só pode usar três vezes ao dia, com total máximo de 1 hora.
Azul: Faz de você um foderoso em qualquer esporte, mas as toxinas da pílula fatalmente o matarão após 10 anos.
Laranja: Você consegue ficar "na onda" sem nenhuma erva, pode usar quatro vezes ao dia num total máximo de 45 minutos.
Vermelha: Você pode acessar a internet com sua mente, pode usar seis vezes ao dia num total de 1 hora.
Rosa: Você pode mudar sua forma para qualquer coisa, pode usar duas vezes por dia num total de 2 horas.
Cinza: Dá a habilidade de fazer uma pessoa se apaixonar por você com um simples toque. Pode usar 10 vezes na sua vida, e tem a possibilidade de reverter o processo.
Preta: Pode ver o futuro com máxima para cinco anos, pode usar quantas vezes quiser, mas usar esse poder em público trará muitos problemas para sua vida diária.

Incrivel como no mínimo umas 80% das pessoas ficam em dúvida entre uma qualquer e a cinza. Ou seja, quão triste é não ter a pessoa que amamos? E até aonde pode ir nosso egoísmo em querer que uma pessoa nos ame sem que seja por nossos méritos puros?
As outras mais escolhidas sempre envolvem terceiros, ou benefício próprio. Tipo a Amarela pra poder "sempre estar preparado", a Preta para "ganhar sempre na loteria", a Rosa para "comer altas minas", ou até as banais, tipo a Laranja ou a Vermelha. Meu, quem escolheria ter internet na cabeça? Parece coisa de Cybercops...

Não vi uma única pessoa responder Verde, exceto eu, e só a escolheria unicamente pra saber qual a sensação de poder voar livremente por ai.
Me acharam tão idiota que eu quase chorei em posição fetal.

Chuveiros.

Ser pobre é conhecer muito mais da vida. Não que ricos não a conheçam, mas dentro de seus iates com nomes escrotos ou de seus carros esportivos, tudo o que conseguem ver é a beleza comprada e sorrisos estampados absurdamente sedentos por pó de grana.
Eu vi dor. E na verdade as vezes, ainda vejo.
Mas admito que volta e meia quero ser rico, desfrutar um pouco da vida e isso ora me enoja, ora me alegra.
Cá estou, um cara simples e sem porra alguma para lhes oferecer, enquanto todos os outros são tatuados, fortes, amarelos e inteligentes. E eu não os invejo. Na verdade nem gosto do que sou, tampouco quero mudar esse paradigma.
Debaixo dos copos que abandonam vorazmente a mesa está a dignidade de muitos nós. E a cada gole dessa seiva alcoólica, jogamos junto um pouco dela. Ironia pura dizer que nos alimentamos de nós mesmos, só que sem nos absorver novamente por completo. Afinal, tudo que muito se refina, uma hora deixa de existir. Uma orgia incessante de complexos vitamínicos revirantes em nossos vis estômagos, toda nossa ideologia derrubada por terra, terra que se torna impróspera a cada ideal destruído. Vou pra casa, abandono minha magrela na parede e tomo um banho quente do meu chuveiro comprado em três vezes de oito reais e quarenta e sete centavos. E pasmem, a água que me lava, é a mesma que a que cai de seus chuveiros robustos.
Ah... a riqueza mundana. Ela é asquerosamente maravilhosa. Mas ainda sim, asquerosa.

06/05/2013

Singelo.

Diante de tanto encanto, não sei como me contenho, já que mesmo que eu as vezes pense em impedir que me leia, no final você percebe com a maior facilidade o quanto me derreto por você. E mesmo que o medo de que dê errado exista, no fim eu sempre estarei aqui.

Sozinho?

Sonhar com o que não existe e acreditar no amanhã. Me consumir em desculpas e decifrar o tempo do tempo. O que me completa é procurar por respostas. Adoro olhar à minha volta, mesmo que seja para constatar a minha solidão. Não sei os caminhos que possuo, mas continuo olhando à volta. Sempre sozinho, tudo fora do controle. Nunca sei o que esperar, muito menos do que preciso. O que era diferente no início, hoje é algo que se funde. Dois podem ser um, e é isso que representa: Estar sozinho é figurado, pois sempre estou com você. Então estar sozinho é aleatório, e a ajuda é subjetiva, e se eu olho para o nada, percebo que tenho pouca porcentagem de tempo sozinho.
Será que se eu fixar meus olhos no horizonte, eu te enxergo dentro de mim?

Picadeiro.

Meus mundos são armas, e minha munição é você.
Por favor não ria, não subestime minha cabeça.
Nós somos o nosso próprio futuro, a nossa Hollywood desleixada.
Mal colada, e com pedaços cibernéticos.
Nossas mentes homicidas, tão insanas.
Não tente mudar, somos apenas insanos.

Sem crenças, sem nenhum final.
A única chance que temos não será aproveitada.
Pegue de volta a minha alma, cheia de buracos.
Falo com a maldição, nome pra'lma e coração.
Choro por pessoas que já foram possuídas.
Que tal um up? Compaixão nunca é demais.

Inferno não! Sem caminho estipulado.
Inferno sim! Seu caminho será o meu caminho.

Essa é a frágil linha entre o bem e o mal.
E mesmo que eu caia desta linha inexistente, eu sobrevivo.
Minha vida é um circo, o picadeiro é o inferno.
Não quero salvações, mas também não quero olhar para trás.

Parece um Detalhe.

Olhe mais um pouco e me diga o que vê.
Não banque a idiota, é revoltante essa sua desunião.
Se eu ficar sozinho, saberei sair daqui.
Lutar sozinho é difícil, mas antes só do que mal acompanhado.

Não venha me dizer que nunca assistiu Lua de Cristal.
Afinal, quem não gosta de nostalgia?
Uma breve corrosão astral,
e a sua agilidade para conter hemorragias.

Saia e olhe, veja tudo sobre o que te falei.
Entenda e me diga: Eu estava errado?
Valeu a pena, afinal?
Foi uma dor sem sentido?

Parece um detalhe, mas fez eu perceber o mal.
Só você é cura pra minha solidão.
Parece um detalhe, mas fez eu perceber o mal.
Tentei negar, mas a verdade é que sempre pode acabar.

05/05/2013

Primeiro de Maio.

Tinha gosto de quero-mais, aquela despedida forçada. Num instante já parecia uma história de filme, daquelas que a gente persiste, persiste mas não entende o final. E tudo o que se via eram dois jovens sorridentes, embriagados por tudo que estava acontecendo, desde uma confissão inocente até um beijo ardente, daqueles que quando abrimos os olhos, chegamos a nos enxergar nos olhos da pessoa, tamanho é a quantidade de brilho que eles emitem.
Naquele dia percebi que o que parecia mentira havia se tornado uma história real. Naquele instante, naquele exato momento toda a indignação, o orgulho e a revolta se dissiparam, e tudo o que restou foram um punhado de sentimentos aleatórios, que faziam as bochechas dele ficarem rosadas, e as dela ficarem coradas.
O incrível havia se tornado verdade: O respeito dela, a aceitação dele, os motivos relevantes e o carinho que não acabaria apenas pela falta do tão sonhado título que o cavaleiro buscava, já que ele sequer se arrepende de ter tentado.
A verdade é que a história não muda. O que está escrito na pele jamais se apaga, e não importa o que aconteça, nada mudará que durante um breve instante eles tiveram a felicidade descompromissada, que agora é apenas felicidade no sentido amplo e pleno, pois apenas a existência do outro já parece ser o suficiente para manter todo um corpo aquecido.
Num dia considerado o dia do trabalho, o tal jovem não poderia esperar que fosse tão fácil conseguir chegar aonde quer, mas uma certeza lhe restou: Se ele conseguir o espaço que tanto almeja, então saberá que realmente merece essa história. Até lá, ele faz o que melhor sabe fazer: Observar.

03/05/2013

- Flicka flicka flicka! Here you are. Cata cata cata... Caterpillar girl.

As vezes, costumo falar de mim sem me esconder por trás de máscaras.

Acho que me perdi durante a construção de minha pessoa, sobretudo no que deve ser um homem.
Vejo tanto cara por ai traindo suas namoradas, noivas, esposas e elas lá, super felizes, alegres, sempre com aqueles sorrisos estampados quando estão de mãos dadas com eles. Eu vejo a traição como uma das coisas mais nojentas e sórdidas que o ser humano pode praticar com o seu/sua parceiro(a). Que atire a primeira pedra quem nunca desejou por um instante um outro alguém, mas daí a praticar... É baixo, é imoral.
Fui criado apenas pela minha mãe. Meu pai a traía constantemente, e se fosse apenas por isso, eles ainda teriam um casamento, o que pra mim já é deveras absurdo. O que a fez largar aquele homem foi, entre outras coisas, nós. Entende-se por nós eu, meu irmão e ela mesma. Meu irmão ainda teve um pai, eu não. Talvez meu pai tenha sido meu próprio irmão, mas mesmo sendo um bocado mais velho, acho que ele não estava muito grande para dar conselhos. Coube a minha mãe construir meu caráter como homem, e eu a agradeço todos os dias por ter me ensinado o quão nojento e asqueroso um homem pode se tornar quando se deixa levar pelos seus instintos. Só que quanto mais olho para o mundo, para as pessoas, para a vida, mais percebo que os "homens de verdade" é que tem um lugar certo no mundo. Aprendi a ser cordial, educado, gentil e amável. Descobri que uma mulher deve ser tratada com carinhos e atenção, e vivi toda minha vida achando que deveria dar a elas um lugar de destaque. Bom, colecionei bem mais decepções do que qualquer outra coisa. Já colhi muita ingratidão, a começar por traições. Quanto mais vivo, mais me decepciono. Meu círculo de amizades está afunilado, já não confio em quase ninguém. Grande parte dos meus amigos que se dizem irmãos, na verdade são Judas. Eu, que sempre prezei a honestidade, já fui criticado por ser idiota demais. Eu, que sempre prezei os métodos corretos, já fui chamado de otário por não furar filas. Eu, que sempre prezei a fidelidade, já fui chamado de imbecil por não ter comido fora sem ninguém saber. Será que o mundo é dos espertos mesmo? A vida é um eterno entra-e-sai de druguinhos? Algo tipo "olha que mina gostosa, vou comer ela agora e largar de lado, ai ela vai gamar em mim e eu vou pisar nela feito uma puta asquerosa". As vezes sinto que eu é quem sou a puta asquerosa, e a vida, o homem cruel. Será que eu sou mesmo destruidor de corações, ou será que o único coração que eu consigo destruir é o meu? São perguntas demais para alguém não inserido no contexto atual. Que se foda a modéstia, sou um bom filho, um bom amante, um bom homem, e cá estou eu, perdido num mundo repleto de pessoas que não conseguem decifrar bulhufas de minha cabeça infantil. Já até tentei me inserir nesse mundo estranho, com vários copos de vodka e várias carteiras de cigarro detonadas. E o que eu consegui com isso? Apenas um maldito vício e dores estomacais. Pobre, fudido e sem sonhos palpáveis. O que mantém meu corpo em pé é a minha mãe, pobre mulher que lutou grande parte da vida para me dar um pedaço de pão. Sem ela, eu nunca teria descoberto a brilhante trilha dolorosa (porém honrada), que eu seguiria para me tornar um homem de valores, num mundo de machões de latão.

Expurgo.

Te corto a garganta, arruíno sua bonança. Largo um soco na sua cara, ah que doce o gosto de seu sangue. Entope-me com essa sensação de destruição, enquanto penetro tua carne com o mais enferrujado dos pregos que encontrei. Torturo-te, e torturo como quem quer rasgar em mil pedaços um único papel. Fodo seus tímpanos com meus urros possuídos por ira. Destroço suas pernas... posso chamar de patas? Talvez eu tire a carne e mostre os ossos para você, ou lhe faça comer seu próprio dorso. Minha serra está pronta, tinindo para lhe estuprar. Empalar com um vil pedaço de concreto em formato de tubo, explodo todo seu corpo de dentro para fora. Tripas, coração, pulmões... Acho que foi a última coisa que viu. Um coração destroçado. Sim, um coração destroçado.

02/05/2013

Outono.

Quantas folhas no chão, o outono chegou.
Todo o clima mudou, o tempo mudou, a vida mudou.
Nunca gostei de mudanças bruscas, mas a passagem do verão para o outono é diferente pois é singela. As árvores pareciam mais atrativas, mais bonitas, a terra molhada vinha a se fundir em meus tênis surrados, e o frio já incomodava. Meu casaco de algodão já tinha uma utilidade maior do que ficar dobrado numa gaveta lotada de naftalina.
Um dia, na minha rotina diária rumo ao trabalho, reparei que as folhas já haviam caido no chão. Eram secas, estranhas e sem vida. Mas no meio de tantas delas, encontrei uma especial. Era vermelha, cheia de detalhes sinuosos e bela por ser, quase não fazia sentido ter caído da árvore. E não destacava-se apenas por ser assim mágica, e sim por ser, mesmo assim, frágil. Por algum tempo eu apenas a fitei de longe, tentando decifrar se era necessário pegá-la para mim, ou se eu deveria deixá-la ali na terra junto das demais, para que quando o vento chegasse, ela pudesse voar com as demais para todos os cantos possíveis e impossíveis.
Curioso como só, eu não ia me contentar com pouco. Caminhei em sua direção, só para chegar mais perto. Aquelas pintas vermelhas em sua estrutura me fascinavam, quase como se tivessem sido feitas por mim. Os pequenos buracos demonstravam que ela já havia sofrido com o tempo. Não iria demorar muito para que eu a pegasse enfim com as mãos, e a observasse mais de perto. Sentia suas nervuras e a lia, tal como um cego com seu braile. E quanto mais eu olhava, mais queria entender, e quanto mais eu entendia, mais a queria possuir.
Mas e o vento? Ah sim, o vento.
Maldito vento que passava ali toda hora, levando as folhas para outros quintais. E todas eram apenas folhas, tal qual a minha folha especial. Claro que ela iria voar, e mesmo que eu tentasse a perseguir feito um ladrão de borboletas, eu não conseguiria manter ela comigo. Era o destino dela voar o mais alto que pudesse e sozinha, afim de encontrar seu verdadeiro destino no céu nublado que se desenhava no horizonte. Por um breve momento tive minha folha mágica, e eu sei que se for da vontade do vento, eu apararei sua queda, quando ela cair.