Bato a porta do carro e saio cantando pneu.
Era um barulho tão estranho, que quase lembrava ferro estalando no asfalto.
Não importava, eu já estava distante de meus problemas nessa noite obscura.
Nós podemos acreditar na vida, e na forma como ela mostra tudo.
Destino, tímido destino. Mas completamente traiçoeiro em suas escolhas.
Boas traições, mas ainda sim, traições.
Em um minuto de respiração, você se cura, se consome, despenca e se comove.
Um minuto. O tempo suficiente para durar para sempre sua escolha desenfreada.
E eu aqui freiando meu carro envenenado, que corria a 150km/h em direção a qualquer porra abstrata.
Frio por dias, calor por horas. Anos a fio correndo numa estrada morna que foi desenhada exclusivamente à sua imagem e semelhança.
Todos nós, esperando apenas por um dia. Mais um dia.
Mais recomeços, mais meios, mais fins. Fins sem fins.
E essa porra louca deixa todos nós sãos. E salvos. Salvo a formigação de seu estômago.
Escreva ai: A lacuna sempre é preenchida.
Todo espaço se mantém cheio de ar até que seja preenchido. Ou seja, está sempre com algo.
E sua opção de correr por ai, com seu cintilante cabelo flutuando pelo ar te levará a algo.
Cedo ou tarde leva. Só olhar para o tempo e me mostrar o que falta.
Seja no branco do dia, no negro da noite ou na cor que tanto procuro. Mas falta.
Se hoje é preenchido de amargura, amanhã será de chocolate. Fosse amargo ou doce, mas algo estará lá.
Vocês todos estão convidados, entrem em meu Eclipse e curtam a viagem de espectador.
Exceto você, que escuta a súplica de meu coração. Você não.
Pode me entregar as pílulas e o brilho de primavera.
Pois mesmo que algumas palavras sejam tristes, o conjunto da obra as torna belas.
Afinal, elas saíram de sua boca, no exato momento em que estacionei em você.
Me deixou até sem ar. Gostei bastante ^^
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