E lá estava ela, tão diferente. Não que ela fosse diferente, já que ela nunca mudou.
Diferente era a forma como eu a olhava. Como eu dirigia a palavra a ela.
Ela. Diferente mas tão igual, e tão ali.
Ali, tão distante mas tão perto. E perto demais de meu peito para estar longe demais de minha casa.
Daí foi um estalo para hesitar. E eu não sabia descrever essa sensação estranha que me dominava, mas se eu for tentar, seria algo como tremer meus joelhos e formigar minhas mãos.
Não importava. Nada importava. Ao menos para mim.
E mesmo que meus braços quisessem jogá-la na parede para consumir o pecaminoso ato de esquecer, eu não o fiz. Parecia incorreto naquela altura do campeonato.
E que campeonato disputado. Por anos disputado, sem ninguém saindo vencedor.
Tanto tempo que passava, e essa linha que não rompia. Linha de nylon, diferente da tradicional linha de seda que eu costumava costurar meu coração já absurdamente remendado.
Ali, entre costuras e retalhos eu achava você, novamente você.
Diferente.
Diferente para meus olhos, mesmo que nunca tivesse mudado um único centímetro de seu corpo formoso.
Mas em um passe de magica, percebi a verdade: Fazia muito tempo que eu andava trancado em minha própria mente, sendo só agora possível dar um passo rumo ao milagre que era esperar a noite para poder te abraçar e lhe arrancar sorrisos doces.
Mas ainda não seria essa noite que eu lhe tiraria para dançar. Mesmo a lua brilhando tão bela em céu ríspido, um fato não havia mudado até aqui: Você é diferente, mas tão igual a mim.
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