Tão pequena e tão frágil. No instante em que eu te vi, não dei nenhuma atenção.
Não cuidaria de você, não andaria com você. Na verdade, achava inútil a sua presença.
Não me afeiçoei a você. Mas com seus beijinhos doces começou a me quebrar.
Aos poucos, minha guarda baixou, meu coração descongelou, e lá você ficou.
Muitas broncas.
Broncas? Berros mesmo!
Cansei de gritar contigo.
Berrava, me indignava com seus erros infantis.
Mas nunca levantei a mão para te bater.
Como poderia bater em você, que era mais minha amiga do que qualquer um?
Como ser cruel com você, que vinha de mansinho, no sapatinho, só pra conquistar mais minha atenção?
Confesso que por muitas vezes me recusei cuidar de ti. Recusei pois minha perversa mente estúpida acreditava que isso faria com que os reais causadores de sua fome se tocassem.
Eu até hoje me culpo por isso sabia?
Mas mesmo sem cuidar tanto de você no início, você sempre estava ali, quando eu voltava pra casa.
Sempre tão feliz, sempre tão forte. Uma fortaleza em quatro patas.
Não tinha marca, mas me amava. Amava tão incondicionalmente que se eu chamasse a atenção, me respeitava. E só a mim respeitava.
Isso despertava a ira de muita gente, mas a culpa nunca foi minha por ser o único a te levar a sério.
E até o fim eu te levei a sério. Talvez por isso tenha vindo se despedir de mim. Talvez por isso eu tenha sido o único a ser reconhecido por você. Talvez por isso... Talvez.
Talvez se eu fosse mais dedicado, você ainda poderia estar correndo por ai, com seu corpo tão robusto e forte. Talvez.
Dói muito, e dói de forma que ninguém nunca entenderá. Mas você marcou, digo, mordeu meu coração tão profundamente, que é impossível esquecer que fui seu dono.
Aliás, dono?
Não, dono não.
Amigo.
Obrigado ♥
Eu entendo...
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