19/10/2012

17:08

Cravei meus olhos no ponteiro do relógio branco, fixado bem a minha frente.
Eram 17:08.
Minha rara curiosidade me trouxe a vontade de ler poesias, talvez a única coisa que me prende afetivamente ao imaginário mundo feliz que já pertenci. Mas não encontrei poesias, só encontrei dor.
Dor parecida. Não menor que a minha, talvez um milhão de vezes maior até. Mas em certo ponto parecida. Dor objetiva aliás.
Ao som de Decompression Period do Papa Roach, vou lendo cada pedacinho dos inúmeros textos, e viajo para dentro de mim mesmo. Era eu ali. Seja explícita ou implicitamente, no carinho ou no absoluto desprezo.  Ali estava eu, sendo motivo mínimo, motivo máximo. Uma linha, duas linhas, um milhão de linhas escritas sobre dor, sobre amor, sobre o desconexo mundo rosa de uma mente tão criativa e brilhante.
Não por motivos dúbios, nem pelo fato de algumas vezes me ver neles. Mas escreve com tanto afinco e dedicação, com tanto amor nas palavras, que mesmo que escreva sobre ódio, eu ainda vou apreciar como um belo poema.
Meu coração se preencheu de vontade, e li até o final a primeira página de seu livro, hoje um livro bem mais eclético. Se não tivesse uma profissão já definida, mesmo que na marra, seria um excelente escritor, poeta ou ao menos professor de português ou literatura. Escreve tão bem, que é impossível listar defeitos do autor.
E eu, com minha mania de não trocar de música, passei o tempo inteiro ouvindo a mesma. Papa Roach não é poético, mas é minha banda quase-preferida. Sei lá porquê, mas é. E antes que eu identificasse novos rostos entrando pela porta de minha sala e fechasse rápido seu livro, percebi que ainda eram 17:08.
Acabei por perceber que não sou fã de Lollita Pille, nem de Machado de Assis. Shakespeare talvez. Mas indiscutivelmente meu maior ídolo é você, pois é o único que me prende a um texto e me faz viajar sem perceber que o tempo não passa.

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