Quando paro para pensar no tempo que lhe dediquei, o tempo que gastei e que foi em vão, eu quase vomito. E eu poderia de fato o fazer, se não fosse, sei lá... sei lá.
O fato é que houve um hiato de quase 3 anos entre meu último beijo e o que eu dei em você. O processo fora lento e doloroso: Eu não acreditava em ninguém, nem em mim mesmo. Parecia impossível aquela altura do campeonato eu ser feliz, já havia ponderado todas as possibilidades possíveis mas no fim, só me sobrou mesmo a famosa angústia. E não foi fácil, sinceramente. Costumo dizer que foram alguns dos piores anos da minha vida, eu definitivamente não sinto falta de ser adolescente, não sinto falta dos meus amigos, não sinto falta de nada nem de ninguém daquela época, principalmente de mim mesmo.
Só que ai você reapareceu, não é? Trabalhando no mesmo lugar que eu, ainda por cima.
E com pessoas fazendo piadinhas: Olha, a primeira namoradinha dele!
Foi difícil pra mim e eu acho que pra você também, não que eu hoje me importe muito contigo.
A questão é que, por pressão divina (e humana também) a gente se beijou de novo.
E aconteceu de novo.
Teve uma outra vez.
Aí a gente voltou.
Tivemos dois meses maravilhosos. Nada dava errado! Ai eu me apaixonei de verdade por você, lembra? E você pegou essa porra e amassou como se fosse um monte de nada e fodeu com a minha vida pelos próximos meses.
Foi lindo.
A quantidade de humilhação e dor, angústia e sofrimento, fora o fato de ser completamente otário por sua causa... é tão grande o ódio que eu não consigo nem escrever um texto poético pra te descrever.
Simplesmente horrível.
O pior é que vivi escravo desse sentimento por um longo período, simplesmente porque achei que nunca mais alguém gostaria de mim. Como se você gostasse de mim, pra começo de conversa, não é?
Hoje, sentado aqui e digitando, eu posso perceber o quão frágil e impotente eu era. Limitado a todas as suas loucuras, caprichos e idiotices.
Só me sobram dois alentos dessa história toda. O de você descobrir que mentia para si mesma, e o de eu ter me vingado de ti.
Aí fica aquele questionamento na minha cabeça:
É doentio que a melhor coisa do nosso relacionamento, tenha sido eu me vingar de você?
31/12/2017
2017.
Doente, canceroso, expurgante.
Quase morto, vai embora.
Não tem limites, é cruel.
E no fim, parece tão efêmero.
Tão palpável e mesmo assim, ruim.
Ruim.
Existem coisas que passam.
Algumas que marcam.
Em geral, ficam.
Ficar por dor é cruel, mas que seja.
É horrível imaginar
Mas foram 825 formas diferentes de morrer.
Num mesmo ano.
As vezes num mesmo dia.
No mesmo momento.
Dentro das próprias mortes, algo a viver.
Nada a viver.
Por que viver?
Estaria mentindo se dissesse.
Mas é piegas também manter aqui.
Então por ora termino meu pensamento.
Sem antes dizer:
Vai pra casa do caralho, 2017.
Quase morto, vai embora.
Não tem limites, é cruel.
E no fim, parece tão efêmero.
Tão palpável e mesmo assim, ruim.
Ruim.
Existem coisas que passam.
Algumas que marcam.
Em geral, ficam.
Ficar por dor é cruel, mas que seja.
É horrível imaginar
Mas foram 825 formas diferentes de morrer.
Num mesmo ano.
As vezes num mesmo dia.
No mesmo momento.
Dentro das próprias mortes, algo a viver.
Nada a viver.
Por que viver?
Estaria mentindo se dissesse.
Mas é piegas também manter aqui.
Então por ora termino meu pensamento.
Sem antes dizer:
Vai pra casa do caralho, 2017.
24/12/2017
Feliz natal pra quê?
Não existem mais luzinhas.
O tender não está a mesa.
Os parentes não procuram mais.
A árvore não tem adereços.
Não há cor.
Nem felicidade.
O verde natalino deixou de existir.
Papai noel ninguém acredita.
Cadê o dinheiro para os presentes?
Cadê a felicidade, minha gente?
Morreu, deixou de existir.
Será que eu virei o Grinch?
Ou nem ele existe mais?
Infeliz natal.
Ou melhor:
Feliz natal pra quê?
O tender não está a mesa.
Os parentes não procuram mais.
A árvore não tem adereços.
Não há cor.
Nem felicidade.
O verde natalino deixou de existir.
Papai noel ninguém acredita.
Cadê o dinheiro para os presentes?
Cadê a felicidade, minha gente?
Morreu, deixou de existir.
Será que eu virei o Grinch?
Ou nem ele existe mais?
Infeliz natal.
Ou melhor:
Feliz natal pra quê?
10/12/2017
Problemático.
Problemático.
Cheio de problemas reais para resolver.
Cria de minhas paranóias.
Carregando nas entranhas medos e incertezas.
Habituado com o ambiente hostil.
Situado no pior de mim: A minha mente.
Desfiz de minhas problemáticas.
Anulei meu coração.
Estive a beira de um colapso, mas voltei.
Voltei, me reorganizei, sem nem poder.
E poder, eu nunca pude.
Mas o fiz por você.
E quando falo que fiz, eu fiz.
Jurei jamais me abrir de novo.
Gritei de raiva, engoli choros.
Mas não lhe trouxe mais minha dor.
Fiz acreditar que meu cansaço era normal.
Mas era espiritual, tão somente.
E você descarregava uma pilha de merda em mim.
Me fazia acreditar que eu era abastado.
Mas nada trazia comigo, ó diabo.
Nunca me enalteceu, era normal, dizia ela.
E tenho minhas dúvidas afinal.
Se você não queria mesmo nosso final.
Mas eu juro que não me arrependo do que fiz.
Não faria de novo, nem por você nem por ninguém.
Só sinto muito que tenha sido em vão.
Amputar um braço, fingir ser normal.
Pra alguém que no final das contas só fala de mim:
Ele é problemático.
Cheio de problemas reais para resolver.
Cria de minhas paranóias.
Carregando nas entranhas medos e incertezas.
Habituado com o ambiente hostil.
Situado no pior de mim: A minha mente.
Desfiz de minhas problemáticas.
Anulei meu coração.
Estive a beira de um colapso, mas voltei.
Voltei, me reorganizei, sem nem poder.
E poder, eu nunca pude.
Mas o fiz por você.
E quando falo que fiz, eu fiz.
Jurei jamais me abrir de novo.
Gritei de raiva, engoli choros.
Mas não lhe trouxe mais minha dor.
Fiz acreditar que meu cansaço era normal.
Mas era espiritual, tão somente.
E você descarregava uma pilha de merda em mim.
Me fazia acreditar que eu era abastado.
Mas nada trazia comigo, ó diabo.
Nunca me enalteceu, era normal, dizia ela.
E tenho minhas dúvidas afinal.
Se você não queria mesmo nosso final.
Mas eu juro que não me arrependo do que fiz.
Não faria de novo, nem por você nem por ninguém.
Só sinto muito que tenha sido em vão.
Amputar um braço, fingir ser normal.
Pra alguém que no final das contas só fala de mim:
Ele é problemático.
02/12/2017
II: Frustração
Uma das melhores coisas em se ter 13 anos é que você ainda tem muita inocência na cabeça. Você provavelmente já se masturbou a essa altura da sua vida, seus pais já tentaram falar sobre sexo e bom, em alguns casos você até já o fez. Seus amigos são chatos, começam a falar que você não pega ninguém. Te chamam de gay, te chamam de viadinho. Eles chamam. Praticam bullying numa época em que você não conhece nem 10 palavras em inglês, provavelmente. Cadeiras voando pela sala de aula, correntes, blusas de preto. Gente tentando parecer o que não é. "Gente". E aquele desejo ensandecido de virar adulto. Mas você não era assim: Sentado na cadeira, jogando com suas cartinhas, falando sobre desenhos e séries. Sonhando com o beijo da menina por quem você é apaixonado. Não que você ainda não tenha beijado, mas você quer saber o que é beijar alguém que, genuinamente, lhe quer também. E tão bem. O tempo se passa, os olhares se cruzam, aquela tensão juvenil e a vergonha de corpos que tremem sem nem chegar perto. Tímidos "oi's" que são proferidos. Uma carta fofa na hora errada. Você sabia que era a hora errada. Era simplesmente a hora errada. Mas hora é tempo e tempo passa, sempre pra frente, jamais para trás. Deitado ouvindo aquelas coletâneas que lembram você. Deitado sonhando acordado em beijar você. E o tempo passou. Você, com aquele perfume tão característico, aquelas pulseiras prateadinhas, tão adultinha. Na esquina do bar aconteceu um beijo, dois beijos. Só.
Só isso.
Me largou no dia seguinte sem nenhuma explicação, mesmo dizendo que ficou tanto tempo a me desejar.
E só sobrou a frustração, anos a te desejar, e um complexo de inferioridade que quase me destruiu.
Mas tudo bem, não é mesmo? Eu só tinha 13 anos. E uma das melhores coisas em se ter 13 anos é que você ainda tem muita inocência na cabeça.
Menos se você for eu.
Só isso.
Me largou no dia seguinte sem nenhuma explicação, mesmo dizendo que ficou tanto tempo a me desejar.
E só sobrou a frustração, anos a te desejar, e um complexo de inferioridade que quase me destruiu.
Mas tudo bem, não é mesmo? Eu só tinha 13 anos. E uma das melhores coisas em se ter 13 anos é que você ainda tem muita inocência na cabeça.
Menos se você for eu.
Do Lado de Fora.
Eu perdi muito tempo tentando te decifrar.
Intenções, dívidas, consolações.
Praxe.
Querer tanto desbloquear esse seu código fonte, te desconstruir e reconstruir incontáveis vezes.
Te fazer minha.
Cheio de orgulho me saturei de você.
Cheio de orgulho, me afoguei em você.
Vi seu resplendor, sua cólera, sua maldição.
Vi todas as pessoas que você podia ser.
E vi também sua indiferença, o seu olhar, uma maldição.
Uma maldição somente.
E do lado de fora olho pela cerca, te vejo mas não vejo caminho.
Não tem porta.
Não tem contorno.
Não tem como te alcançar.
O clichê da linha tênue que ninguém ultrapassa.
Jamais ultrapassaremos de novo.
E nem há linha, na verdade.
Hoje, ao ouvir o barulho do mar, sigo junto ao som.
Balanço, mas não avanço.
Ao ver os carros passando, me puxo para eles.
Balanço, mas não avanço.
Quando estou no vigésimo oitavo andar, eu olho para baixo.
Balanço, mas não avanço.
E não avanço.
Jamais avanço.
Jamais mergulho.
E não mergulho.
Agora estou aqui, com minhas intenções mortas, meus pequenos segredos mortos.
Está tudo morto e enterrado agora.
Menos o corpo, este só padece.
E se esquece.
Do que jurou jamais esquecer.
Intenções, dívidas, consolações.
Praxe.
Querer tanto desbloquear esse seu código fonte, te desconstruir e reconstruir incontáveis vezes.
Te fazer minha.
Cheio de orgulho me saturei de você.
Cheio de orgulho, me afoguei em você.
Vi seu resplendor, sua cólera, sua maldição.
Vi todas as pessoas que você podia ser.
E vi também sua indiferença, o seu olhar, uma maldição.
Uma maldição somente.
E do lado de fora olho pela cerca, te vejo mas não vejo caminho.
Não tem porta.
Não tem contorno.
Não tem como te alcançar.
O clichê da linha tênue que ninguém ultrapassa.
Jamais ultrapassaremos de novo.
E nem há linha, na verdade.
Hoje, ao ouvir o barulho do mar, sigo junto ao som.
Balanço, mas não avanço.
Ao ver os carros passando, me puxo para eles.
Balanço, mas não avanço.
Quando estou no vigésimo oitavo andar, eu olho para baixo.
Balanço, mas não avanço.
E não avanço.
Jamais avanço.
Jamais mergulho.
E não mergulho.
Agora estou aqui, com minhas intenções mortas, meus pequenos segredos mortos.
Está tudo morto e enterrado agora.
Menos o corpo, este só padece.
E se esquece.
Do que jurou jamais esquecer.
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