Natal. Aquela época do ano em que vocês acham que tudo é diferente, quando na verdade o céu continua cinza, o vento continua soprando e todo mundo continua igual, tal como deve ser. Muita gente credita um status mágico a essa data por diversos motivos: Ganhar presente, encher o rabo de comida, tirar uma folga. Por trás dessa data, duas coisas importantes que muita gente deixa passar despercebido (inclusive nós, jovens e pseudo-adultos): O dia em que Jesus nasceu e nossa família. Nossa família é ate meio óbvio, pois muitas vezes eles se reúnem nessa data simplesmente por não conseguirem se ver em outras datas, e acredito que quase ninguém aproveita muito isso, e só se dão conta de como essas pessoas fazem falta a você quando partem pra fora dessa vida.
- Tio fulano era muito legal, ele fazia a piada do pavê, mas era um cara tão divertido.
Mas o que Jesus tem a ver com isso?
Não acredito muito no misticismo do nascimento de Jesus, mas se tem alguma coisa que isso significa pra mim é que essa data é a data perfeita pra se praticar caridade, qualquer que ela seja. Ao invés de ficar se preocupando com o presente que vai ganhar, procure aquelas roupas antigas que não usa e dê pra quem precisa. Ao invés de se preocupar com o tender que a vovó vai fazer pra comer, porquê não chamar aquela pessoa que teve um ano difícil pra passar o natal com você? E isso sim, deveria ser estendido pelo ano inteiro, mas no natal deveria ser mais, muito mais significativo, algo forte, tal como quando você vê uns artistas dando presentes e cestas de natal pra se promover. A diferença é que todos deveriam fazer isso não pra se promover, mas pra fazer valer o significado do natal: Dar e receber.
O mundo anda complicado demais, só basta nós descomplicarmos.
24/12/2014
11/11/2014
Apenas Uma Questão de Sentimento.
Passar toda uma vida procurando uma música, e de repente ela cair do nada no seu colo. Eis uma das sensações mais recompensadoras pra mim. E o pior: Quanto mais o tempo passa, menos sinto isso, pois mais descubro músicas. A fonte está secando.
Hoje, organizando minhas discografias, cliquei sem querer 2 vezes em uma música, e todo um caminhão de sentimentos desabou em mim: Saudade, felicidade, tristeza, nostalgia.
Vem em mente as cenas. Eu ainda morando no rio, deitado aconchegado com minha mãe numa cama de casal velha, mas tão confortável, olhando para fora da janela e vendo um céu azul escuro, cheio de estrelas. Um velho relógio despertador marrom madeira na cabeceira improvisada tocando A Matter of Feeling diretamente da Antena Um. Meu irmão deitado na cama, também dormindo. Uma infinidade de coisas acontecendo naquele momento que eu não daria qualquer importância lá, mas que hoje, dou demais (e olha que eu só tenho 25 anos).
Lágrimas vêm, visitam os meus olhos e voltam. Não é como se eu fosse chorar por nostalgia, mas dá tanta saudade de ser criança, de ver minha mãe tão maior e jovem, tão forte a abraçar a mim e a meu irmão, tomando para si a responsabilidade de cuidar de nós 2. Lembrar que por mais difícil que a vida fosse, eu, particularmente, me agarrava a minha mãe e achava que estava seguro, que eu jamais cresceria e que pra sempre dependeria dela. E era tão puro esse amor, era tão sincero... amor de criança é assim, não é? E era apenas uma questão de sentimento.
Hoje, organizando minhas discografias, cliquei sem querer 2 vezes em uma música, e todo um caminhão de sentimentos desabou em mim: Saudade, felicidade, tristeza, nostalgia.
Vem em mente as cenas. Eu ainda morando no rio, deitado aconchegado com minha mãe numa cama de casal velha, mas tão confortável, olhando para fora da janela e vendo um céu azul escuro, cheio de estrelas. Um velho relógio despertador marrom madeira na cabeceira improvisada tocando A Matter of Feeling diretamente da Antena Um. Meu irmão deitado na cama, também dormindo. Uma infinidade de coisas acontecendo naquele momento que eu não daria qualquer importância lá, mas que hoje, dou demais (e olha que eu só tenho 25 anos).
Lágrimas vêm, visitam os meus olhos e voltam. Não é como se eu fosse chorar por nostalgia, mas dá tanta saudade de ser criança, de ver minha mãe tão maior e jovem, tão forte a abraçar a mim e a meu irmão, tomando para si a responsabilidade de cuidar de nós 2. Lembrar que por mais difícil que a vida fosse, eu, particularmente, me agarrava a minha mãe e achava que estava seguro, que eu jamais cresceria e que pra sempre dependeria dela. E era tão puro esse amor, era tão sincero... amor de criança é assim, não é? E era apenas uma questão de sentimento.
25/09/2014
Calabouço.
Quero gritar mas estou sufocado, de palavras inteiras que cismam em querer sair juntas. Então me calo. Fico ouvindo tudo ao redor e mensurando as dores do mundo. Pudera eu entender o que se passa na cabeça dos outros mas, na realidade, nem da minha cabeça eu entendo. O que importa, é o que me transmitem, é o que me entregam para julgar. Cruel sentir que já falou tudo o que tinha para falar e mesmo assim lhe faltar diversas palavras para se expressar. Cruel sentir que existem muitas lutas a serem travadas e que todas elas estão travadas no tempo. As vezes, para relembrar como eu era, eu preciso entrar num calabouço enorme, sem tochas e com uma escada bem íngreme, e basta eu bobear um pouco pra eu poder cair de uma vez. As vezes, basta fechar os olhos e eu já me sinto diferente. Mas em nenhuma dessas realidades alternativas eu mudo minha personalidade. Minha forma de expressar, de agir, até de titubear, mudam muito dependendo do terreno aonde eu me encontro. Mas o que está dentro de mim nunca muda. E nunca mudará. Basta apenas uma fagulha, e tudo explodirá.
28/07/2014
A Diferença entre Querer e Precisar.
Antigamente eu me questionava sobre ser capaz de amar novamente. Eu, criatura complicada, cheio de defeitos e síndromes, sonhava acordado com amor, paixão, felicidade enlatada. Nunca me deixava apaixonar de verdade, preferia ao invés disso, sabotar meu próprio eu para que nenhum relacionamento fosse para frente. Tenho irmãos, mãe e família, mas cresci e vivi de forma solitária, descobrindo quase tudo sobre a vida, vivendo. Isso tornava as coisas mais fáceis ainda, afinal, não precisava de alguém. Eu queria alguém.
E era esse o meu erro. Preencher um espaço que não precisa ser preenchido é como botar água num copo que já transborda, só vai vazar e sujar tudo a toa. Entre dedos roídos e paixonites sem adubo para desenvolver, eu pulei de galho em galho procurando vida em marte. Nada achei, pois não precisava achar.
Decidi então largar o caderno pra lá. Eu não precisava mais escrever nele em vão. Magoar não é minha praia, e eu odiava ver olhos chorarem por causa de meu egoísmo maldito de não querer estar só. É, decidi ficar só, por livre e espontânea vontade.
E fiquei. E nesse período que fiquei, aprendi e evolui uns 10 anos que a vida me arrancou. Aprendi tantas coisas, que ouso dizer que agora estou no caminho certo e sem volta.
Mas eu não quero voltar. Não mesmo.
Quando menos queremos, nos completamos. Essa é a linha da vida.
Aliás, não há nada mais gratificante do que se apaixonar. E se reapaixonar pela mesma pessoa.
E era esse o meu erro. Preencher um espaço que não precisa ser preenchido é como botar água num copo que já transborda, só vai vazar e sujar tudo a toa. Entre dedos roídos e paixonites sem adubo para desenvolver, eu pulei de galho em galho procurando vida em marte. Nada achei, pois não precisava achar.
Decidi então largar o caderno pra lá. Eu não precisava mais escrever nele em vão. Magoar não é minha praia, e eu odiava ver olhos chorarem por causa de meu egoísmo maldito de não querer estar só. É, decidi ficar só, por livre e espontânea vontade.
E fiquei. E nesse período que fiquei, aprendi e evolui uns 10 anos que a vida me arrancou. Aprendi tantas coisas, que ouso dizer que agora estou no caminho certo e sem volta.
Mas eu não quero voltar. Não mesmo.
Quando menos queremos, nos completamos. Essa é a linha da vida.
Aliás, não há nada mais gratificante do que se apaixonar. E se reapaixonar pela mesma pessoa.
01/07/2014
Projetos Engavetados.
Ultimamente o que mais me falta é inspiração para escrever. Na verdade, estou aqui agora mesmo, de frente ao PC, esperando o tempo passar pois não posso simplesmente levantar e ir embora. E claro, sem criatividade.
Então decidi escrever sem criatividade mesmo. Falar qualquer besteira sobre qualquer coisa que quase ninguém lerá. Por exemplo, descobri a alguns dias que palha italiana é uma das minhas sobremesas preferidas. E que eu vou ter que me manter longe dela por muito tempo.
Também descobri que Jazz é um estilo bastante agradável, mas que me dá sono. Sono por sono, prefiro entrar nele ouvindo Metalcore.
Descobri coisas maravilhosas sobre o amor, sobre coisas poéticas, sobre o mar que eu nunca admirei também.
Descobri que sou ótimo em descobrir coisas sem nexo.
Aliás, quero matar o pai do meu chefe. Ele é tão inconveniente.
Mas voltando, acho que não sei quem sou. E acho que minha angústia só sairá de meu peito quando eu descobrir quem sou de fato. Mas não sei se quero descobrir isso agora.
Na verdade, nasci com o dom de sofrer. Poucas pessoas se conformam tanto com o auto-sofrimento do que eu mesmo. Só fui condicionado a isso. É tão engraçado, que quando estou feliz, eu estranho, já fico esperando pela câmera escondida, ou pelo João Kléber rindo ao som de tudo isso.
Já quis sumir, quis aparecer, quis explodir na cara de pessoas que odeio (com direito a meus órgãos sujando o chão e tudo mais). Quis estar, ficar, notar, ecoar... Tudo num dia só.
Por isso um brinde e uma salva de palmas para meu incrível humor camaleão que vai da tristeza a euforia num minuto.
Mas enfim, hoje, excepcionalmente hoje, só queria voltar a ter criatividade para escrever.
Então por favor senhores deuses, não tirem de mim o único dom meu que eu realmente admiro, senão eu vou ter que subir aí pra dar umas porradas em vocês.
Opa, bateu a sirene, tá na hora de ir te ver.
Então decidi escrever sem criatividade mesmo. Falar qualquer besteira sobre qualquer coisa que quase ninguém lerá. Por exemplo, descobri a alguns dias que palha italiana é uma das minhas sobremesas preferidas. E que eu vou ter que me manter longe dela por muito tempo.
Também descobri que Jazz é um estilo bastante agradável, mas que me dá sono. Sono por sono, prefiro entrar nele ouvindo Metalcore.
Descobri coisas maravilhosas sobre o amor, sobre coisas poéticas, sobre o mar que eu nunca admirei também.
Descobri que sou ótimo em descobrir coisas sem nexo.
Aliás, quero matar o pai do meu chefe. Ele é tão inconveniente.
Mas voltando, acho que não sei quem sou. E acho que minha angústia só sairá de meu peito quando eu descobrir quem sou de fato. Mas não sei se quero descobrir isso agora.
Na verdade, nasci com o dom de sofrer. Poucas pessoas se conformam tanto com o auto-sofrimento do que eu mesmo. Só fui condicionado a isso. É tão engraçado, que quando estou feliz, eu estranho, já fico esperando pela câmera escondida, ou pelo João Kléber rindo ao som de tudo isso.
Já quis sumir, quis aparecer, quis explodir na cara de pessoas que odeio (com direito a meus órgãos sujando o chão e tudo mais). Quis estar, ficar, notar, ecoar... Tudo num dia só.
Por isso um brinde e uma salva de palmas para meu incrível humor camaleão que vai da tristeza a euforia num minuto.
Mas enfim, hoje, excepcionalmente hoje, só queria voltar a ter criatividade para escrever.
Então por favor senhores deuses, não tirem de mim o único dom meu que eu realmente admiro, senão eu vou ter que subir aí pra dar umas porradas em vocês.
Opa, bateu a sirene, tá na hora de ir te ver.
14/06/2014
Pietà
Rasga-me por dentro, ó dor imensurável.
Destrua tudo em meu coração.
Siga a luz do teu caminho, compre minha seiva,
e me deixe sem nenhuma emoção.
Carregue contigo a ordem de minha vida.
Estúpida, frágil e incoerente.
Compacte minhas dúvidas em frágeis cápsulas
Que implicarão na vida de tanta gente.
Explique para minha pessoa como é sofrer,
Tome conta de minhas têmporas, de minha garganta.
Afinal de contas, o que de mal tem em se magoar?
Reclamar não leva a nada, jamais adianta.
Dor. Palavra de 3 letras com profundidade imensurável.
Seja física, emocional, mental ou sexual.
No final tanto faz, como tanto fez
Pois será com certeza dor do tipo desigual.
Todos te sentem, quase todos te rejeitam.
Alguns te querem até para namorar.
Por ora vamos todos dançar fingindo existir,
Pois será para sempre impossível te ignorar.
Destrua tudo em meu coração.
Siga a luz do teu caminho, compre minha seiva,
e me deixe sem nenhuma emoção.
Carregue contigo a ordem de minha vida.
Estúpida, frágil e incoerente.
Compacte minhas dúvidas em frágeis cápsulas
Que implicarão na vida de tanta gente.
Explique para minha pessoa como é sofrer,
Tome conta de minhas têmporas, de minha garganta.
Afinal de contas, o que de mal tem em se magoar?
Reclamar não leva a nada, jamais adianta.
Dor. Palavra de 3 letras com profundidade imensurável.
Seja física, emocional, mental ou sexual.
No final tanto faz, como tanto fez
Pois será com certeza dor do tipo desigual.
Todos te sentem, quase todos te rejeitam.
Alguns te querem até para namorar.
Por ora vamos todos dançar fingindo existir,
Pois será para sempre impossível te ignorar.
11/06/2014
Isso mesmo.
É estranho chorar por chorar. Quando não existe motivo aparente, mas as lágrimas caem. Mesmo que procure motivos, causas, sensações, você não acha. E acaba chorando por estar chorando.
Seu coração está ok, as coisas parecem estar dando certo, tudo caminha, mas algo te aflige. Você não sabe, não consegue compreender. Feridas não aparecem, nada faz sentido. Nada, de verdade.
E é assim que, com sua garganta cada vez mais fechada, que você fica procurando ar em cantos rarefeitos que outrora eram ricos em ar limpo. Só é foda quando é sem motivo. As pessoas olham seu rosto frágil e perguntam, perguntam, perguntam. Perguntas que parecem punhais entrando logo abaixo do coração. E você, sem resposta, acaba sendo torturado, ficando refém de si mesmo. Mas a vida anda, a vida tem que andar. Tudo o que resta é engolir o choro e bater a poeira, pois o espetáculo precisa continuar.
Seu coração está ok, as coisas parecem estar dando certo, tudo caminha, mas algo te aflige. Você não sabe, não consegue compreender. Feridas não aparecem, nada faz sentido. Nada, de verdade.
E é assim que, com sua garganta cada vez mais fechada, que você fica procurando ar em cantos rarefeitos que outrora eram ricos em ar limpo. Só é foda quando é sem motivo. As pessoas olham seu rosto frágil e perguntam, perguntam, perguntam. Perguntas que parecem punhais entrando logo abaixo do coração. E você, sem resposta, acaba sendo torturado, ficando refém de si mesmo. Mas a vida anda, a vida tem que andar. Tudo o que resta é engolir o choro e bater a poeira, pois o espetáculo precisa continuar.
16/05/2014
Crônicas de uma Vida sem Vida.
Hoje corre sem parar. Ao som do mar escuta a sineta pronta para o apedrejamento.
Esconde-se em figuras representativas, mas esquece que ontem fora um nobre jovem invejável.
Aonde está toda aquela força juvenil? Por onde anda aquela vontade indiscutível de sobreviver mesmo na presença de raios tempestuosos?
Não se sabe, ninguém mais viu.
E ninguém vendo, acabou por deixar de existir, e sem se sentir, acabou por deixar de ver aquilo que também era visível. Assim, se tornou cego.
Mas a cegueira não o impediu de correr. E correu mesmo, pois era o que ele devia fazer.
Não o que queria fazer.
Como não fez o que queria, deixou de ter o que podia. E sem poder ter o que queria, emudeceu sua boca seca.
Mas ainda podia correr, escutando o que todos lhe diziam.
Seguindo ordens, aproveitando-se de conselhos patéticos para prosseguir na vida.
De tanto ouvir, se tornou surdo, uma débil pilha de poeira que não voa nem com o mais forte dos ventos.
Se o vento não lhe levaria, suas pernas sim.
Já não havia sentido para aquilo tudo. Já não haviam sentidos lhe sobrando.
O cheiro doce do café da manhã não era mais sentido, pois só sentia dor em seu coração.
E o coração também parou de bater.
Mas os pés, esses ainda corriam.
Sem saber, sem entender, sem interagir com o resto do corpo.
Só corria.
Correu tanto mas nem saiu do lugar.
02/05/2014
É difícil mensurar a dor da perda quando tudo o que sobra são cacos mornos de um copo já vazio e as cinzas frágeis que se despedaçam com qualquer que seja a brisa. E até que o próximo equinócio aconteça, tudo o que resta são as fotos bordadas em caixas bonitas. Em caixas de vida. Eu preciso aproveitar meu tempo, doar meu tempo, saber administrar esse tempo. Senão, não haverá mais tempo, qualquer que seja. Só solidão. E dessa dor, eu entendo bem.
26/03/2014
Tarde no Parque.
Bocejo da tarde, me aguarde, dia que arde.
Olhos lacrimejantes, brilho de diamante, senhor almirante de escada rolante. Vamos adiante.
Levantando sem ânimo, procurando meu sinônimo, ó Deus magnânimo.
Procuro no horizonte, aquela que me confronte e me desmonte feito um rinoceronte debaixo da ponte.
Ó céus, o que trazes para mim? Um belo par de mocassim ou um saquinho de amendoim? Talvez um sim.
Faço sinal para o ônibus, que parecia fugir de urubus e seus vindouros tabus feitos de alcaçuz.
Procuro um banco com pichações, pois acho graça das provocações sem provações, sem precauções.
Não demorou muito e peguei no sono, sonhando ser um epígono que viaja atrás de seu ronrono. Mas não me apaixono.
E depois de passarem dois pontos, olho para todos aqueles rostos e esqueço de todos os boatos. De todos os atos.
Caminho de volta até meu destino, maldito cretino que quase consome meu desejo vespertino.
No parque eu chego, querendo um aconchego que sirva de descarrego para meu ego. Só consigo o desapego.
Então só me resta a tristeza da incerteza do amor que de mim só sai na afoiteza.
16/03/2014
Em Arco-íris.
Como eu fui terminar onde comecei?
O gato comeu sua língua?
Sua linha está desfeita, não tire seus olhos da bola novamente.
Eu não entendo onde foi que eu errei.
Estou cheio de buracos.
Eu não tenho ideia do que estou falando.
Eu estou preso nesse corpo e não consigo sair.
Todas as mentiras rodam ao redor do meu rosto
E se tem alguém mais para ver
Eu estou vivo! Eu previa que isso ia acontecer.
Agora que você encontrou, se foi.
Agora que você sente, não irá.
Você vai sair pra fora dos trilhos.
Eu seria louco em não seguir.
Seguir suas instruções.
Seus olhos, eles se voltam para mim.
Eu sigo para a borda da terra, e diminuo.
Você é tudo que eu preciso.
Eu estou no meio da sua foto.
Deitado nas folhas.
Acorde, acorde, saia da cama.
Amanheceu de novo, anoiteceu de novo, amanheceu de novo.
Eu te amo, mas suficiente, é suficiente.
Uma última parada, não tem um motivo real.
Leve-me com você.
Dedicado a todos vocês, todos os seres humanos.
Não quero ser seu amigo, quero ser seu amante.
Não importa como isso acaba, como isso começa.
Esqueça seu castelo de cartas que eu cuidarei do meu.
E assim que você pega na minha mão.
Assim que você anota o meu numero.
As paredes se derretem
e o seu sorriso de gato de Alice
Desfoca tudo ao seu redor.
Antes de você fugir de mim.
Antes de você se perder no barulho.
Vem e deixa rolar.
Quando eu estiver aos portões do céu,
isto estará em minha fita.
É para os dias bons, e eu tenho tudo aqui.
Não importa o que acontecerá agora,
eu não terei medo.
Pois hoje sei que terei tido
o dia mais perfeito que já vi.
O gato comeu sua língua?
Sua linha está desfeita, não tire seus olhos da bola novamente.
Eu não entendo onde foi que eu errei.
Estou cheio de buracos.
Eu não tenho ideia do que estou falando.
Eu estou preso nesse corpo e não consigo sair.
Todas as mentiras rodam ao redor do meu rosto
E se tem alguém mais para ver
Eu estou vivo! Eu previa que isso ia acontecer.
Agora que você encontrou, se foi.
Agora que você sente, não irá.
Você vai sair pra fora dos trilhos.
Eu seria louco em não seguir.
Seguir suas instruções.
Seus olhos, eles se voltam para mim.
Eu sigo para a borda da terra, e diminuo.
Você é tudo que eu preciso.
Eu estou no meio da sua foto.
Deitado nas folhas.
Acorde, acorde, saia da cama.
Amanheceu de novo, anoiteceu de novo, amanheceu de novo.
Eu te amo, mas suficiente, é suficiente.
Uma última parada, não tem um motivo real.
Leve-me com você.
Dedicado a todos vocês, todos os seres humanos.
Não quero ser seu amigo, quero ser seu amante.
Não importa como isso acaba, como isso começa.
Esqueça seu castelo de cartas que eu cuidarei do meu.
E assim que você pega na minha mão.
Assim que você anota o meu numero.
As paredes se derretem
e o seu sorriso de gato de Alice
Desfoca tudo ao seu redor.
Antes de você fugir de mim.
Antes de você se perder no barulho.
Vem e deixa rolar.
Quando eu estiver aos portões do céu,
isto estará em minha fita.
É para os dias bons, e eu tenho tudo aqui.
Não importa o que acontecerá agora,
eu não terei medo.
Pois hoje sei que terei tido
o dia mais perfeito que já vi.
11/03/2014
De volta as raízes.
Não conseguia adormecer como deveria, mas eu precisava dormir. E eu precisava muito dormir, pois ao meu lado estava você. Te ver quando abro os olhos é um presente que sequer imaginei que existiria. Olhar para aquele rostinho pueril, liberto e sonhador se tornava fantástico. Queria partilhar de cada instante acordado para te fitar, mas no fim, dormir e despertar ao seu lado era a forma perfeita de lhe dizer o quanto era aconchegante estar ali. E quando você despertou sorrindo, com aquele ar feliz que infectava todo o quarto com felicidade instantânea, eu congelei num sorriso igualmente contagiante, pois ali presenciava o seu sentimento, tão puro e tão igual ao meu.
Seria antiquado te dizer que sinto sua falta?
Pois é, sinto. A cada rosa que olhava enquanto andava pela rua, pensava em ti. E mesmo com essa dorzinha forte que se chama saudade apertando meu coração, eu andava feliz em direção a minha casa, pois cedo ou tarde eu veria você novamente. E novamente lhe daria mais um pedaço de mim, uma parte única de um grande corpo quebrado pelo tempo, que não conseguira ser consertado antes por nada. Me importo muito com seu esmero, essa sua qualidade de dar a minha pessoa um grande sorriso.
Eu sinto algo que não consigo explicar.
E não explicarei nunca. Você não explicará nunca. Mas sentiremos todos os dias que despertarmos juntos na mesma cama, ou no mesmo chão, talvez dentro do armário. Enquanto olharmos pro lado e vermos o travesseiro vazio, o aperto voltará. Mas isso só trará a certeza de que um conquistou do outro algo tão forte, que não será mais uma questão de dar de volta. Na realidade, penso em rever você, e te entregar mais um pedaço, talvez o que você mais merece, mas que teimosamente demorei por medo de me machucar.
Devo te entregar o motivo que me faz sentir falta de ti?
Não é necessário, já és dona.
Seria antiquado te dizer que sinto sua falta?
Pois é, sinto. A cada rosa que olhava enquanto andava pela rua, pensava em ti. E mesmo com essa dorzinha forte que se chama saudade apertando meu coração, eu andava feliz em direção a minha casa, pois cedo ou tarde eu veria você novamente. E novamente lhe daria mais um pedaço de mim, uma parte única de um grande corpo quebrado pelo tempo, que não conseguira ser consertado antes por nada. Me importo muito com seu esmero, essa sua qualidade de dar a minha pessoa um grande sorriso.
Eu sinto algo que não consigo explicar.
E não explicarei nunca. Você não explicará nunca. Mas sentiremos todos os dias que despertarmos juntos na mesma cama, ou no mesmo chão, talvez dentro do armário. Enquanto olharmos pro lado e vermos o travesseiro vazio, o aperto voltará. Mas isso só trará a certeza de que um conquistou do outro algo tão forte, que não será mais uma questão de dar de volta. Na realidade, penso em rever você, e te entregar mais um pedaço, talvez o que você mais merece, mas que teimosamente demorei por medo de me machucar.
Devo te entregar o motivo que me faz sentir falta de ti?
Não é necessário, já és dona.
07/03/2014
O Sonhador.
Acordou e tropeçou. Entrou de cabeça numa nuvem flutuante. Almofadada, caiu de cara. Levantou e se espatifou em chão frio. Caminhou e caiu novamente. Tropeçou num céu sem fim. Caiu novamente, em queda livre. Bateu de cara na água e morreu. E daí acordou. Estava na cabeça do Cristo Redentor. Chutou um balde e mergulhou na água que caía. Caiu mais uma vez, e cairia infinitas vezes ainda, até acordar novamente. Olhou para os lados e não viu nada anormal. Foi ao banheiro escovar os dentes e eles haviam sumido. Um berro que o deixou surdo, que fez seus olhos derreterem. Derreteu até o ralo, e saiu no chuveiro. Tomou banho dele mesmo. Olhou pro alto e o chuveiro sumiu. Estava vestido de fraque no meio de uma multidão enfurecida. Assim que deu o primeiro passo, ficou de ponta-cabeça. Andava no meio dos prédios de Nova York, como se o asfalto não existisse mais. E quando o King Kong o avistou, ele acordou e estava voando. Voando num pato de borracha, numa bolacha com racha. Caiu e escorregou na graxa e caiu em desgraça. Viu uma faca penetrar no seu nariz, e se afogou com o próprio sangue. Morreu e acordou de novo. Daí teve um ataque cardíaco e morreu de vez. Até acordar e ir trabalhar. E trabalhou até a morte, sem nunca sonhar.
28/02/2014
A Última Página.
Bateu a porta e saiu correndo. Nas mãos, uma pasta cheia de documentos para a reunião. No corpo, camisa social, calça cinza de brim e sapato social. Elegante talvez, não para um rapaz que acabara de sair da vida de adolescente. Cansado de ser o bad boy de cabelos grandes e tatuagens aparentes, decidiu tomar vergonha na cara e buscar seu espaço no mercado de trabalho. E conseguiu! Mas precisava provar isso nessa reunião. O problema: Estava atrasado. Muito atrasado.
É bem difícil começar a vida adulta já tendo um carro, exceto se você vier de família com boa situação financeira. Não era o caso dele. Sua única opção era o velho ônibus lotado da licitação superfaturada da prefeitura. Caia aos pedaços, e qualquer camelo ultrapassava ele na pista. Pessoas o esmagavam. Não demorou muito, e a pasta marrom de couro velho se abriu, largando todos os papéis, seu lanche da tarde e um punhado de papéis pessoais, talvez até inúteis. Tentava se abaixar, sem êxito, para pegar aquela lambança. Não conseguia. Ao invés disso, conseguiu cair embaralhado nas pessoas, por causa do chacoalhar do ônibus. Olhou o relógio, a reunião já havia começado a 10 minutos, e ele estava a 15 minutos do trabalho, a pé. Recolheu os papéis conforme dava, jogou tudo na pasta e saltou ali mesmo.
Ao sair do ônibus, começou uma corrida de vida ou morte contra o relógio para conseguir seu lugar ao sol. Ele precisava ser alguém, e precisava agora. Quando faltavam 2 quarteirões, seu celular tocou. Seu patrão lhe demitiu ali mesmo, sem direito a discussão, sem direito a desculpas. Falou sobre irresponsabilidade, sobre deixar os outros na mão. Lhe deu o direito de levar sua carteira pra dar baixa no dia seguinte, como se fosse um grande favor.
Então ele desligou o telefone. E um vazio o completou. Dos pés a cabeça, sentiu um gelo, o gelo da certeza de não se encaixar naquele mundo... Enfim, cansado, decidiu tomar um café. Olhou para a sua direita, e entre as pessoas andando na calçada, avistou uma pequena livraria, um bocado velha inclusive, mas que oferecia café e chocolate quente. Ele nunca havia entrado numa livraria. Na verdade, sequer leu livros. Sua leitura se restringia a jornais de esportes e a páginas estranhas da internet.
- Bom, sempre há uma primeira vez para tudo.
Entrou. Olhou as prateleiras empoeiradas, os livros com capa de couro, alguns rasgados inclusive. Se indagou intimamente sobre aquelas coisas estarem sendo vendidas daquela forma, mas não deu bola. Foi até o balcão e pediu um cafezinho.
A atendente era tão simpática e ao mesmo tempo tão estabanada, que mesmo ela não sendo o ás da beleza, conseguiu despertar no jovem uma coisa diferente. Ele não sabia dizer se era como se ele tivesse se apaixonado ali, ou algo do tipo. Ela era apenas... interessante. Numa bandeijinha de aço inox já cheia de espaços pretos, ela trouxe o copinho descartável de café, com alguns sachês de açúcar.
- É diabético? Senão, eu pego o adoçante! Eu deveria ter pego o adoçante, mas é tão jovem... diabéticos geralmente são velhos!
Terminado de falar isso, ela franziu a testa e fez um bico engraçado com a boca, e fez com tanta pureza, que ele até deixou pra lá a bobagem que ela havia falado.
Deu uma primeira golada, sem açúcar nem nada. Ele queria despertar um pouco.
- Credo! Você é estranho, sabia? E o que um rapaz tatuado assim faz com roupas sociais? Achei que tatuagem fosse coisa de rockeiros.
Ele esboçou um sorriso.
- É, mas isso é bobagem. Na verdade, toda tatuagem tem algum significado.
- Huum sim... Então me conta, qual o significado dessa aqui?
- Err...
- E essa aqui, de carpa?
- Bom...
- Então você não tem significados para essas tatuagens? Você é bastante curioso!
- Poisé, você me pegou!
Em menos de 10 minutos, já havia esquecido que seu dia começara mal.
- Eu estava trabalhando numa grande empresa do ramo de informática. Estava envolvido no desenvolvimento de um programa de vendas e precisava apresentar o programa para algumas pessoas... mas fui demitido.
- Hã? O que? Não entendi nada do que disse, mas ser demitido parece muito ruim! Você deve estar mal, não é?
- É, um bocado. Mas vai passar, eu acho.
Terminado de falar isso, voltou a pensar na realidade nua e crua que o rodeava. A verdade que tantos brasileiros enfrentavam. E ele morava sozinho, numa kitnet alugada e maltrapilha. Imagine quem sustenta mais de uma boca, bocas pequenas, bocas grandes. Bocas. Ser responsável por mais de uma vida, pelo sustento de uma família. Enquanto pensava nessas coisas, sentiu uma mão quente tocar suas mãos. A jovem havia saído do balcão e foi de encontro a ele.
- Venha, vou lhe mostrar um livro legal.
E saiu puxando ele para dentro da loja. Quanto mais olhava para as prateleiras, mais livros velhos achava. Tomou coragem e perguntou:
- Vocês vendem esses livros velhos aqui, mesmo? Alguns estão em estado terminal!
- Você entendeu errado, não vendemos livros. Nós doamos. Recebemos livros por meio de doação e damos a quem quiser. Algumas vezes recebemos o mesmo livro de volta, pois já foi lido. É uma forma de repassar informação a quem precisa. Só vendemos o cafezinho. Dito isso, sorriu de orelha a orelha.
O rapaz ficou meio atônito, observando a menina. Achou graça, então sorriu timidamente. Olhou para os cantos, e ficou corado. A menina inclinou um pouco a cabeça, e sorriu novamente. Com seus dedos delicados, foi passando de livro em livro, até achar o que queria entre tantos que ali estavam.
- Tome, um presente para você!
Meio sem jeito, disse:
- Que isso! Não posso aceitar! Eu não gosto de ler, nem levo jeito para isso. Os livros daqui deveriam ir para quem precisa, não para alguém feito eu. O máximo que já li foi um rótulo inteiro de um vidro de ketchup.
- Bom, pelo menos você já sabe do que é feito um ketchup!
- Sim, isso é verdade.
- Então, pense igual com este livro. Com ele, poderá saber do que é feito a vida.
Mais um sorriso. Aquela menina encantava ele.
- Ok. Levarei ele com uma condição: Quero seu telefone para te chamar para sair!
- Justo. Mas só me ligará quando terminar a leitura. Assim saberei que leu. E não tente me enganar, eu conheço este livro do início ao fim! Terá que me provar que leu.
- Tudo bem então...
Depois de mais um pouco de conversa, ela deu para ele o telefone e ele pagou o café. Trocaram beijos no rosto e ele enfim saiu da loja. Nem se deu conta, mas passou mais de uma hora ali. E era como se tivessem sido apenas alguns minutos.
Chegou em casa e jogou o sapato na sala. Tirou a roupa e deixou a mala na cama. Tomou seu banho e preparou algo para beliscar, já que o stress do dia lhe tirou a vontade de comer.
Enquanto ele comia seu sanduíche de restos de geladeira, teve a ideia de pegar o livro para analisar. A capa não era das mais convidativas: Uma espécie de papel velho e rasgado, de cor preta desbotada e sem título. Abrindo o livro, percebeu que suas páginas estavam em branco. Folheava, folheava, e nenhuma palavra sequer. No fim do livro, havia um compartimento aonde se encontrava uma velha caneta preta de nanquim, já seca, e na última página, um pequeno verso:
"Sabedoria de vida é usufruir do presente, com a experiência do passado."
Refletiu um pouco sobre aquilo. Foi quando se deu conta que o livro de sua vida ainda estava em branco.
Decidido, correu para pegar o celular e, com o que lhe restava de créditos, ligou para a jovem.
- Já li o livro. Ele é sensacional!
- Sabia que ele seria perfeito para você, mas cheguei a duvidar que leria tão rápido. Para onde iremos, então?
Depois deles ajustarem os detalhes do encontro, ele desligou o telefone e rapidamente foi até a cômoda do quarto e pegou uma caneta. Voltou a sala e abriu novamente o livro, onde na sua primeira página, ele escreveu:
"Hoje nasce um novo homem."
Datou a nota e fechou o livro. Levou de volta para a livraria e entregou a menina, que guardou em sua bolsa.
- Não vai botar de volta na prateleira?
- Não não... tenho a impressão de que esse livro agora é meu. Não concorda?
É bem difícil começar a vida adulta já tendo um carro, exceto se você vier de família com boa situação financeira. Não era o caso dele. Sua única opção era o velho ônibus lotado da licitação superfaturada da prefeitura. Caia aos pedaços, e qualquer camelo ultrapassava ele na pista. Pessoas o esmagavam. Não demorou muito, e a pasta marrom de couro velho se abriu, largando todos os papéis, seu lanche da tarde e um punhado de papéis pessoais, talvez até inúteis. Tentava se abaixar, sem êxito, para pegar aquela lambança. Não conseguia. Ao invés disso, conseguiu cair embaralhado nas pessoas, por causa do chacoalhar do ônibus. Olhou o relógio, a reunião já havia começado a 10 minutos, e ele estava a 15 minutos do trabalho, a pé. Recolheu os papéis conforme dava, jogou tudo na pasta e saltou ali mesmo.
Ao sair do ônibus, começou uma corrida de vida ou morte contra o relógio para conseguir seu lugar ao sol. Ele precisava ser alguém, e precisava agora. Quando faltavam 2 quarteirões, seu celular tocou. Seu patrão lhe demitiu ali mesmo, sem direito a discussão, sem direito a desculpas. Falou sobre irresponsabilidade, sobre deixar os outros na mão. Lhe deu o direito de levar sua carteira pra dar baixa no dia seguinte, como se fosse um grande favor.
Então ele desligou o telefone. E um vazio o completou. Dos pés a cabeça, sentiu um gelo, o gelo da certeza de não se encaixar naquele mundo... Enfim, cansado, decidiu tomar um café. Olhou para a sua direita, e entre as pessoas andando na calçada, avistou uma pequena livraria, um bocado velha inclusive, mas que oferecia café e chocolate quente. Ele nunca havia entrado numa livraria. Na verdade, sequer leu livros. Sua leitura se restringia a jornais de esportes e a páginas estranhas da internet.
- Bom, sempre há uma primeira vez para tudo.
Entrou. Olhou as prateleiras empoeiradas, os livros com capa de couro, alguns rasgados inclusive. Se indagou intimamente sobre aquelas coisas estarem sendo vendidas daquela forma, mas não deu bola. Foi até o balcão e pediu um cafezinho.
A atendente era tão simpática e ao mesmo tempo tão estabanada, que mesmo ela não sendo o ás da beleza, conseguiu despertar no jovem uma coisa diferente. Ele não sabia dizer se era como se ele tivesse se apaixonado ali, ou algo do tipo. Ela era apenas... interessante. Numa bandeijinha de aço inox já cheia de espaços pretos, ela trouxe o copinho descartável de café, com alguns sachês de açúcar.
- É diabético? Senão, eu pego o adoçante! Eu deveria ter pego o adoçante, mas é tão jovem... diabéticos geralmente são velhos!
Terminado de falar isso, ela franziu a testa e fez um bico engraçado com a boca, e fez com tanta pureza, que ele até deixou pra lá a bobagem que ela havia falado.
Deu uma primeira golada, sem açúcar nem nada. Ele queria despertar um pouco.
- Credo! Você é estranho, sabia? E o que um rapaz tatuado assim faz com roupas sociais? Achei que tatuagem fosse coisa de rockeiros.
Ele esboçou um sorriso.
- É, mas isso é bobagem. Na verdade, toda tatuagem tem algum significado.
- Huum sim... Então me conta, qual o significado dessa aqui?
- Err...
- E essa aqui, de carpa?
- Bom...
- Então você não tem significados para essas tatuagens? Você é bastante curioso!
- Poisé, você me pegou!
Em menos de 10 minutos, já havia esquecido que seu dia começara mal.
- Eu estava trabalhando numa grande empresa do ramo de informática. Estava envolvido no desenvolvimento de um programa de vendas e precisava apresentar o programa para algumas pessoas... mas fui demitido.
- Hã? O que? Não entendi nada do que disse, mas ser demitido parece muito ruim! Você deve estar mal, não é?
- É, um bocado. Mas vai passar, eu acho.
Terminado de falar isso, voltou a pensar na realidade nua e crua que o rodeava. A verdade que tantos brasileiros enfrentavam. E ele morava sozinho, numa kitnet alugada e maltrapilha. Imagine quem sustenta mais de uma boca, bocas pequenas, bocas grandes. Bocas. Ser responsável por mais de uma vida, pelo sustento de uma família. Enquanto pensava nessas coisas, sentiu uma mão quente tocar suas mãos. A jovem havia saído do balcão e foi de encontro a ele.
- Venha, vou lhe mostrar um livro legal.
E saiu puxando ele para dentro da loja. Quanto mais olhava para as prateleiras, mais livros velhos achava. Tomou coragem e perguntou:
- Vocês vendem esses livros velhos aqui, mesmo? Alguns estão em estado terminal!
- Você entendeu errado, não vendemos livros. Nós doamos. Recebemos livros por meio de doação e damos a quem quiser. Algumas vezes recebemos o mesmo livro de volta, pois já foi lido. É uma forma de repassar informação a quem precisa. Só vendemos o cafezinho. Dito isso, sorriu de orelha a orelha.
O rapaz ficou meio atônito, observando a menina. Achou graça, então sorriu timidamente. Olhou para os cantos, e ficou corado. A menina inclinou um pouco a cabeça, e sorriu novamente. Com seus dedos delicados, foi passando de livro em livro, até achar o que queria entre tantos que ali estavam.
- Tome, um presente para você!
Meio sem jeito, disse:
- Que isso! Não posso aceitar! Eu não gosto de ler, nem levo jeito para isso. Os livros daqui deveriam ir para quem precisa, não para alguém feito eu. O máximo que já li foi um rótulo inteiro de um vidro de ketchup.
- Bom, pelo menos você já sabe do que é feito um ketchup!
- Sim, isso é verdade.
- Então, pense igual com este livro. Com ele, poderá saber do que é feito a vida.
Mais um sorriso. Aquela menina encantava ele.
- Ok. Levarei ele com uma condição: Quero seu telefone para te chamar para sair!
- Justo. Mas só me ligará quando terminar a leitura. Assim saberei que leu. E não tente me enganar, eu conheço este livro do início ao fim! Terá que me provar que leu.
- Tudo bem então...
Depois de mais um pouco de conversa, ela deu para ele o telefone e ele pagou o café. Trocaram beijos no rosto e ele enfim saiu da loja. Nem se deu conta, mas passou mais de uma hora ali. E era como se tivessem sido apenas alguns minutos.
Chegou em casa e jogou o sapato na sala. Tirou a roupa e deixou a mala na cama. Tomou seu banho e preparou algo para beliscar, já que o stress do dia lhe tirou a vontade de comer.
Enquanto ele comia seu sanduíche de restos de geladeira, teve a ideia de pegar o livro para analisar. A capa não era das mais convidativas: Uma espécie de papel velho e rasgado, de cor preta desbotada e sem título. Abrindo o livro, percebeu que suas páginas estavam em branco. Folheava, folheava, e nenhuma palavra sequer. No fim do livro, havia um compartimento aonde se encontrava uma velha caneta preta de nanquim, já seca, e na última página, um pequeno verso:
"Sabedoria de vida é usufruir do presente, com a experiência do passado."
Refletiu um pouco sobre aquilo. Foi quando se deu conta que o livro de sua vida ainda estava em branco.
Decidido, correu para pegar o celular e, com o que lhe restava de créditos, ligou para a jovem.
- Já li o livro. Ele é sensacional!
- Sabia que ele seria perfeito para você, mas cheguei a duvidar que leria tão rápido. Para onde iremos, então?
Depois deles ajustarem os detalhes do encontro, ele desligou o telefone e rapidamente foi até a cômoda do quarto e pegou uma caneta. Voltou a sala e abriu novamente o livro, onde na sua primeira página, ele escreveu:
"Hoje nasce um novo homem."
Datou a nota e fechou o livro. Levou de volta para a livraria e entregou a menina, que guardou em sua bolsa.
- Não vai botar de volta na prateleira?
- Não não... tenho a impressão de que esse livro agora é meu. Não concorda?
17/02/2014
Indagação.
Dá pra descobrir que se ama alguém em todos os momentos, mas há um momento especial em que descobrimos a força do que sentimos: Quando as brigas acontecem. É elas que podem tirar o fôlego ou darem motivos para as coisas irem para os eixos. Qual combustível você prefere usar?
19/01/2014
A Certeza de Um Olhar.
Alguns momentos da nossa vida são mágicos. O primeiro dia na escola, o primeiro beijo, a primeira vez. O primeiro dente que cai, a primeira amizade, o primeiro inimigo. A primeira conquista, a primeira perda. O primeiro emprego, o primeiro fio de cabelo branco, a última centelha de vida que parte.
E como todos esses momentos importantes, reservo um em especial hoje. Provavelmente todos que se apaixonam de verdade um dia passarão por isso. Estarão perdidos no meio de uma conversa com a pessoa amada, rindo, chorando, discutindo ou apenas... conversando. E então tudo vai se emudecer, você verá apenas os lábios se moverem. O que estiver a volta, sumirá. Sumirá por completo, só será você e essa pessoa. Sua respiração será ouvida de dentro de sua cabeça, e será provavelmente o único barulho sólido ali. Tocará a música de vocês na cabeça. Tocará outra música. Tocará inúmeras músicas. E daí você vai olhar bem no fundo dos olhos dessa pessoa e vai imaginar sua vida inteira ao lado dela. Casamento, filhos, problemas, brigas. Pensará em tudo. E daí fará o teste do sofá, que é muito simples: Se imaginará velho, ao lado dessa pessoa também velha. Tudo isso acontecerá numa fração de segundos, numa respiração ofegante, num olhar idiota. E quando você se der conta, a única coisa que ouvirá é:
- Que foi amor, aconteceu algo?
Você não precisará responder nada, pois já ganhou a resposta mais importante da sua vida. Você encontrou a metade de sua vindoura família.
E como todos esses momentos importantes, reservo um em especial hoje. Provavelmente todos que se apaixonam de verdade um dia passarão por isso. Estarão perdidos no meio de uma conversa com a pessoa amada, rindo, chorando, discutindo ou apenas... conversando. E então tudo vai se emudecer, você verá apenas os lábios se moverem. O que estiver a volta, sumirá. Sumirá por completo, só será você e essa pessoa. Sua respiração será ouvida de dentro de sua cabeça, e será provavelmente o único barulho sólido ali. Tocará a música de vocês na cabeça. Tocará outra música. Tocará inúmeras músicas. E daí você vai olhar bem no fundo dos olhos dessa pessoa e vai imaginar sua vida inteira ao lado dela. Casamento, filhos, problemas, brigas. Pensará em tudo. E daí fará o teste do sofá, que é muito simples: Se imaginará velho, ao lado dessa pessoa também velha. Tudo isso acontecerá numa fração de segundos, numa respiração ofegante, num olhar idiota. E quando você se der conta, a única coisa que ouvirá é:
- Que foi amor, aconteceu algo?
Você não precisará responder nada, pois já ganhou a resposta mais importante da sua vida. Você encontrou a metade de sua vindoura família.
02/01/2014
Poeta Vadio.
Não existe segredo na paz do sexo, o que traz a prática é completamente conexo.
Os corpos giram de prazer, com mãos cheios de motivos a fazer.
Sem manter quieto o instinto que nasce em qualquer recinto.
Línguas que descem, que sobem. Que encontram a língua certa, idioma do amor.
Que quando falada, adentra no seu psique, esventra o seu coração.
E lá, jogado na cama, aparecem os segredos de quem se ama.
Torna exausto o corpo doce. Febril o indivíduo precoce.
Se os lençóis voam, azar o deles! Não foram contagiados pela doença da cópula.
O corpo que encontra o corpo, que penetra, que é penetrado. O vazio que se preenche. Que se acha.
Que no encontro de suores torna corpos frágeis em estrelas brilhantes. Pompeantes.
A menina que se transforma numa linda mulher, devorada sem talher. O menino que se descobre homem, com desejos que se consomem.
O sexo, puro e simples, que torna qualquer delicado num poeta vadio, que torna qualquer posição uma gangorra de paixão, com ou sem exaustão.
E engana-se quem pensa que no gozo se encontra o fim da história marfim.
Do rijo que entra, que sai, nasce o prazer de te possuir todos os dias, se era isso que pretendias.
Afinal, a partir de agora, todo meu corpo será seu órgão sexual. E você terá de aprender a nunca mais se conter.
Pois duvido que orgasmo não lhe venha, pois é nesse fogo que pretendo lançar minha lenha.
Os corpos giram de prazer, com mãos cheios de motivos a fazer.
Sem manter quieto o instinto que nasce em qualquer recinto.
Línguas que descem, que sobem. Que encontram a língua certa, idioma do amor.
Que quando falada, adentra no seu psique, esventra o seu coração.
E lá, jogado na cama, aparecem os segredos de quem se ama.
Torna exausto o corpo doce. Febril o indivíduo precoce.
Se os lençóis voam, azar o deles! Não foram contagiados pela doença da cópula.
O corpo que encontra o corpo, que penetra, que é penetrado. O vazio que se preenche. Que se acha.
Que no encontro de suores torna corpos frágeis em estrelas brilhantes. Pompeantes.
A menina que se transforma numa linda mulher, devorada sem talher. O menino que se descobre homem, com desejos que se consomem.
O sexo, puro e simples, que torna qualquer delicado num poeta vadio, que torna qualquer posição uma gangorra de paixão, com ou sem exaustão.
E engana-se quem pensa que no gozo se encontra o fim da história marfim.
Do rijo que entra, que sai, nasce o prazer de te possuir todos os dias, se era isso que pretendias.
Afinal, a partir de agora, todo meu corpo será seu órgão sexual. E você terá de aprender a nunca mais se conter.
Pois duvido que orgasmo não lhe venha, pois é nesse fogo que pretendo lançar minha lenha.
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