07/03/2014
O Sonhador.
Acordou e tropeçou. Entrou de cabeça numa nuvem flutuante. Almofadada, caiu de cara. Levantou e se espatifou em chão frio. Caminhou e caiu novamente. Tropeçou num céu sem fim. Caiu novamente, em queda livre. Bateu de cara na água e morreu. E daí acordou. Estava na cabeça do Cristo Redentor. Chutou um balde e mergulhou na água que caía. Caiu mais uma vez, e cairia infinitas vezes ainda, até acordar novamente. Olhou para os lados e não viu nada anormal. Foi ao banheiro escovar os dentes e eles haviam sumido. Um berro que o deixou surdo, que fez seus olhos derreterem. Derreteu até o ralo, e saiu no chuveiro. Tomou banho dele mesmo. Olhou pro alto e o chuveiro sumiu. Estava vestido de fraque no meio de uma multidão enfurecida. Assim que deu o primeiro passo, ficou de ponta-cabeça. Andava no meio dos prédios de Nova York, como se o asfalto não existisse mais. E quando o King Kong o avistou, ele acordou e estava voando. Voando num pato de borracha, numa bolacha com racha. Caiu e escorregou na graxa e caiu em desgraça. Viu uma faca penetrar no seu nariz, e se afogou com o próprio sangue. Morreu e acordou de novo. Daí teve um ataque cardíaco e morreu de vez. Até acordar e ir trabalhar. E trabalhou até a morte, sem nunca sonhar.
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