Não conseguia adormecer como deveria, mas eu precisava dormir. E eu precisava muito dormir, pois ao meu lado estava você. Te ver quando abro os olhos é um presente que sequer imaginei que existiria. Olhar para aquele rostinho pueril, liberto e sonhador se tornava fantástico. Queria partilhar de cada instante acordado para te fitar, mas no fim, dormir e despertar ao seu lado era a forma perfeita de lhe dizer o quanto era aconchegante estar ali. E quando você despertou sorrindo, com aquele ar feliz que infectava todo o quarto com felicidade instantânea, eu congelei num sorriso igualmente contagiante, pois ali presenciava o seu sentimento, tão puro e tão igual ao meu.
Seria antiquado te dizer que sinto sua falta?
Pois é, sinto. A cada rosa que olhava enquanto andava pela rua, pensava em ti. E mesmo com essa dorzinha forte que se chama saudade apertando meu coração, eu andava feliz em direção a minha casa, pois cedo ou tarde eu veria você novamente. E novamente lhe daria mais um pedaço de mim, uma parte única de um grande corpo quebrado pelo tempo, que não conseguira ser consertado antes por nada. Me importo muito com seu esmero, essa sua qualidade de dar a minha pessoa um grande sorriso.
Eu sinto algo que não consigo explicar.
E não explicarei nunca. Você não explicará nunca. Mas sentiremos todos os dias que despertarmos juntos na mesma cama, ou no mesmo chão, talvez dentro do armário. Enquanto olharmos pro lado e vermos o travesseiro vazio, o aperto voltará. Mas isso só trará a certeza de que um conquistou do outro algo tão forte, que não será mais uma questão de dar de volta. Na realidade, penso em rever você, e te entregar mais um pedaço, talvez o que você mais merece, mas que teimosamente demorei por medo de me machucar.
Devo te entregar o motivo que me faz sentir falta de ti?
Não é necessário, já és dona.
Apaixonante!
ResponderExcluirMagnífico... Seu modo de expressar o que sente é formidável e revelador.
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