16/05/2014

Crônicas de uma Vida sem Vida.

Hoje corre sem parar. Ao som do mar escuta a sineta pronta para o apedrejamento.
Esconde-se em figuras representativas, mas esquece que ontem fora um nobre jovem invejável.
Aonde está toda aquela força juvenil? Por onde anda aquela vontade indiscutível de sobreviver mesmo na presença de raios tempestuosos?
Não se sabe, ninguém mais viu.
E ninguém vendo, acabou por deixar de existir, e sem se sentir, acabou por deixar de ver aquilo que também era visível. Assim, se tornou cego.
Mas a cegueira não o impediu de correr. E correu mesmo, pois era o que ele devia fazer.
Não o que queria fazer.
Como não fez o que queria, deixou de ter o que podia. E sem poder ter o que queria, emudeceu sua boca seca.
Mas ainda podia correr, escutando o que todos lhe diziam.
Seguindo ordens, aproveitando-se de conselhos patéticos para prosseguir na vida.
De tanto ouvir, se tornou surdo, uma débil pilha de poeira que não voa nem com o mais forte dos ventos.
Se o vento não lhe levaria, suas pernas sim.
Já não havia sentido para aquilo tudo. Já não haviam sentidos lhe sobrando.
O cheiro doce do café da manhã não era mais sentido, pois só sentia dor em seu coração.
E o coração também parou de bater.
Mas os pés, esses ainda corriam.
Sem saber, sem entender, sem interagir com o resto do corpo.
Só corria.
Correu tanto mas nem saiu do lugar.

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