Quando eu comecei a escrever esses textos numerados, eu achava que você seria a última. The one. Aquela que estaria comigo para sempre. Qual era o meu intuito? Botar uma pedra em cada pessoa do meu passado e mostrar pra você que era contigo que eu queria passar minha eternidade. Mas bom, nunca foi uma boa ideia eu planejar algo.
Nosso romance foi um conto de fadas. Uma história que de tão bonita, chega a doer. Foi difícil te conquistar, mas sempre lembro de quando te levei até o curso que você fazia, e disse que você era linda. Te deixei corada, feliz. Eu era realmente muito dedicado a ti, como quando desenvolvi aquela cartinha para pedir para te beijar. Era cafona! Mas funcionou. Em pleno dia da mentira eu vivia algo surreal demais, quase que como uma brincadeira do destino estar acontecendo naquele dia. E num passe de mágica bum! Nos beijamos.
Punch-drunk.
Era tão gostoso ficar perto de você ouvindo músicas que você gostava, naquele adaptador engraçado que permitia dois fones no mesmo celular. Conheci um mundo musical novo, e apesar de você não curtir meu gosto musical, você sempre se esforçava para me agradar.
Eu te pedi em namoro duas vezes. Na primeira você me rejeitou. Me deixou ir embora. Na segunda, desenhou um sinal na minha mão. Pudera, eu pedi um sinal para ti, pois não queria ser rejeitado de novo. Você literalmente desenhou um sinal na minha mão! Naquele dia ganhei uma caneca e seu coração.
Ah, como era incrível tudo aquilo. Pequenos gestos eram valorizados, nossa rotina era gostosa, nos víamos e não cansávamos. Eu amava seus amigos, sua família me tratava bem... Eu acho que afundei demais em você. De repente a cobrança era por coisas que eu não fazia mais. E sinceramente, hoje vejo que estava certa, já que você nunca prometeu mudar por mim, eu quem o fiz. Meu maior erro.
Mas valeu a pena, lagartinha. Você é um ser humano incrível, de uma luz única, e apesar dos defeitos que tinha, eu me recuso a pensar neles. Você é melhor do que isso. E por mais que você tenha cometido falhas e me magoado, você não merecia ser traída. Ninguém merece, mas você... Era meu anjo, porto seguro, pessoa para meu sempre. Apesar de estar cansado, meu sonho sempre foi que as brigas acabassem, que a gente voltasse a ser aquele casal do ano que invejava a todos. Sonhava que nossas fotos fossem presas no nosso mural. Nossa, como eu desejava isso.
Foi o amor mais puro que eu senti. Era forte o suficiente para me odiar por horas a cada briga, ao ponto de me fazer duvidar sempre da minha razão. E que razão? Éramos apenas passionais, frutos de um desejo insano de possuirmos um o corpo do outro. Tesão, amor, paixão, tudo. Sexo romântico, sexo selvagem, sexo por horas e alguns minutos. Alguns goles de vinho, uma boa musica. Velas. Portas trancadas, abertas, escancaradas. Banhos, noites e dias. Proibido e possuído. Incrível.
E eu não fui capaz de resgatar isso em nós. Eu simplesmente desisti de tentar, acreditei que estava acabado. E quando voltei a acreditar, acabou de vez.
Me perdoe. Eu fui tão machucado no passado, até chegar a você e te machucar. A gente merecia muito mais que isso. Mesmo se fosse pra acabar, a gente merecia mais do que isso.
Pelo menos você achou alguém incrível que te fez perceber que eu não era mesmo tudo aquilo. E eu fico feliz por isso, de coração.
Sou grato por você ter passado pela minha vida. Pelas aulas de direção. Por plantar aquele girassol. Pelo show do Foo Fighters, e também pelo Rock in Rio. Por todas as noites de sexo, e também por todas as noites de choro. Por me ouvir. Por me deixar te ouvir. Pelos áudios, vídeos e palavras doces. Pelos desenhos. Cartinhas. Por me fazer ver Friends e How I Met Your Mother. Pelas noites de jogos e pizzas. Pelas músicas, conversas nerds e filmes toscos. Por me ajudar nos estudos. Pelas viagens para Friburgo e Sana. Pelos sorvetes comemorativos. Por inventar que tínhamos não uma, nem duas nem três, mas dez milhões de músicas temas (que sou incapaz de ouvir hoje sem sentir). Por usar aquela camisa verde tosquíssima que te dei. Pelas danças desengonçadas. Pelas trocas de cafunés e massagens nos pés. Pelas lingeries e também pelas roupas surradas. Pelos chocolates, por tentar me fazer parar de fumar. Pela paciência... Enfim. Eu me recuso a pensar algo ruim sobre ti . Foi difícil, mas nada justifica ter terminado como terminou. E essa culpa eu mereço levar para sempre.
Eu levei muito tempo para escrever isso, e ainda assim sei que esse texto não compila nem 1% das coisas boas que vivemos, mas faz parte. Esses textos sempre tiveram o intuito de botar uma pedra final em minhas histórias do passado e como eu disse, eu não comecei elas achando que você um dia estaria aqui fazendo parte dessas histórias. Mas escrever isso me fez... Bom, foi a primeira vez em anos que eu me permiti chorar. Pois eu sempre soube que essa seria a pedra mais difícil para eu empilhar. E eu acho que eu nunca vou ser capaz de botar, de fato, uma pedra. Vamos dizer então que eu simplesmente vou te guardar dentro de um livro. Pois como eu te disse no passado, você é uma folha especial. Vermelha, cheia de detalhes sinuosos e bela por ser.
Eu sei que você não tem o mesmo carinho por mim que eu tenho por você. Pudera, eu fui um grande filho da puta contigo. Muitos me consolaram falando que o que aconteceu era perdoável. Talvez fosse. Eu perdoaria, talvez. A maior parte das pessoas perdoaria, talvez. Mas você jamais perdoaria. E é o que importa. Mas, mesmo que você sinta desprezo por mim, eu me permito pelo menos respirar fundo ao pensar em ti, e lembrar daquele macarrão romântico que eu tentei te fazer e que ficou endurecido pois não tinha molho o suficiente. Ou de lembrar dos momentos ouvindo nossas músicas preferidas. De como você dormia fácil vendo filmes. Da gente dançando zouk, mesmo que isso soe bizarro. De quão bela você ficava emburrada (contanto que não estivesse realmente nervosa). De como você ficou realmente preocupada quando eu me bati, por não saber mais como te convencer de algo. Eu aprendi uma série de coisas com você. Cozinhei várias receitas, eu aprendi a te amar. Eu só não me preparei para desaprender.
Seja feliz, Caterpillar girl. Você merece o mundo. Você merece acreditar mais em si mesma. Você simplesmente merece ser a pessoa mais feliz do mundo.
E você merece iluminar o mundo todo com o seu sorriso. Deus botou um sorriso em seu rosto para isso.
17/12/2019
16/12/2019
Múltiplas Faces das Mesmas Pessoas.
Tudo é mais fácil se eu simplesmente fingir que não machuca, que não me importo.
Que morar com alguém que eu amo e ser descartado não é lá essas coisas.
Ou ver o grande amor da sua vida usando o anel de outro noivo.
Ao ter um motivo para odiar a Argentina além do futebol.
Talvez perceber que você pode ser, por meses, apenas uma distração suja em meio a copos virados.
Tudo isso ao perceber que uma lata de Pepsi não foi suficiente para deixar de me destroçar.
Socorro.
Eu me perdi completamente nos personagens. Ou eu não presto ou eu não prestei.
Deixei a desejar.
Deixei de desejar.
Eu me deixei em alguma prateleira do mercado e ao invés de ser comprado, eu fui violado, deixado aberto sem nenhum pudor para que o mofo me consumisse.
Para que ao pó eu voltasse.
E como uma guitarra desafinada, o som da minha tristeza é uma penúria enjaulada.
Quando vejo você maquiada, linda, me dou conta que eu sou apenas uma ameba gorda sentado numa cadeira de plástico desejando pela morte.
Sem saber a que pé estou. Ou se tenho pés.
E as boca que beijou eu amaldiçoei, mas de nada adiantou.
Você será feliz.
Todas são.
Todas se vão.
Só fica o meu eu, jogado no chão. Sem fé, sem exatidão.
Apenas um punhado de injúrias sentimentais para o petardo musical que jamais fui.
Ou seja: uma sinfonia de um homem só.
O eterno morto.
Que jamais irá descansar em paz.
Que morar com alguém que eu amo e ser descartado não é lá essas coisas.
Ou ver o grande amor da sua vida usando o anel de outro noivo.
Ao ter um motivo para odiar a Argentina além do futebol.
Talvez perceber que você pode ser, por meses, apenas uma distração suja em meio a copos virados.
Tudo isso ao perceber que uma lata de Pepsi não foi suficiente para deixar de me destroçar.
Socorro.
Eu me perdi completamente nos personagens. Ou eu não presto ou eu não prestei.
Deixei a desejar.
Deixei de desejar.
Eu me deixei em alguma prateleira do mercado e ao invés de ser comprado, eu fui violado, deixado aberto sem nenhum pudor para que o mofo me consumisse.
Para que ao pó eu voltasse.
E como uma guitarra desafinada, o som da minha tristeza é uma penúria enjaulada.
Quando vejo você maquiada, linda, me dou conta que eu sou apenas uma ameba gorda sentado numa cadeira de plástico desejando pela morte.
Sem saber a que pé estou. Ou se tenho pés.
E as boca que beijou eu amaldiçoei, mas de nada adiantou.
Você será feliz.
Todas são.
Todas se vão.
Só fica o meu eu, jogado no chão. Sem fé, sem exatidão.
Apenas um punhado de injúrias sentimentais para o petardo musical que jamais fui.
Ou seja: uma sinfonia de um homem só.
O eterno morto.
Que jamais irá descansar em paz.
11/12/2019
Todos temos os nossos segredos. Todos temos algo a esconder. Por isso que confiar se torna cada vez um exercício mais e mais difícil pras pessoas, pois elas vão ficando cascudas justamente por saberem que segredos existem. Sentimentos existem. Erros existem.
E quando você se abre, se expõe tão cristalinamente pra alguém, você quer no mínimo alguma decência da outra parte envolvida.
Infelizmente, consideração é uma coisa que nem todo ser humano está apto a fornecer numa troca.
Por isso meu bem, para você que após tanto tempo vivendo perdido, me fez abaixar as guardas para uma nova história, eu só tenho uma coisinha singela para te dizer: Vá tomar bem no olho do seu cu, sua filha da puta.
E seja muito feliz.
E quando você se abre, se expõe tão cristalinamente pra alguém, você quer no mínimo alguma decência da outra parte envolvida.
Infelizmente, consideração é uma coisa que nem todo ser humano está apto a fornecer numa troca.
Por isso meu bem, para você que após tanto tempo vivendo perdido, me fez abaixar as guardas para uma nova história, eu só tenho uma coisinha singela para te dizer: Vá tomar bem no olho do seu cu, sua filha da puta.
E seja muito feliz.
18/10/2019
A fruta.
Existem frutas bem cícricas.
Frutas doces e frutas azedas.
Aqui no Brasil tem as frutas tropicais.
E também as frutas com sabor de quero mais.
Em casa as vezes tem pé de fruta.
E também fruta que cai no pé.
Algumas frutas brilham sem parar.
Outras só servem pra decorar.
Tem hora que a fruta apodrece.
Ai não tem jeito, a fruta vai para o lixo.
O bom é que algumas frutas duram.
Algumas até te curam.
Mas tem fruta que é rara.
A gente demora pra achar a fruta no pomar.
A beleza rara faz a fruta se destacar.
Ao ponto da fruta ser linda até no descascar.
Pena que não se acha fruta assim todo dia.
E a frustração bate por não ter mais a fruta.
Aí a gente acaba indo embora sem fruta.
E chega em casa e come uma banana mesmo.
Frutas doces e frutas azedas.
Aqui no Brasil tem as frutas tropicais.
E também as frutas com sabor de quero mais.
Em casa as vezes tem pé de fruta.
E também fruta que cai no pé.
Algumas frutas brilham sem parar.
Outras só servem pra decorar.
Tem hora que a fruta apodrece.
Ai não tem jeito, a fruta vai para o lixo.
O bom é que algumas frutas duram.
Algumas até te curam.
Mas tem fruta que é rara.
A gente demora pra achar a fruta no pomar.
A beleza rara faz a fruta se destacar.
Ao ponto da fruta ser linda até no descascar.
Pena que não se acha fruta assim todo dia.
E a frustração bate por não ter mais a fruta.
Aí a gente acaba indo embora sem fruta.
E chega em casa e come uma banana mesmo.
16/10/2019
Ciclo.
A vida é curta.
A vida é longa.
Ela é cheia de curvas.
Ela sempre se alonga.
Viva o simples.
Viva o momento.
Não fique pra trás.
Não tema o tormento.
Beije com força.
Beije devagar.
Foda sem pensar.
Foda até se embriagar.
Então ame.
Ame a quem amar.
Se ame, claro.
Mas tenha a quem chamar.
A vida é longa.
Ela é cheia de curvas.
Ela sempre se alonga.
Viva o simples.
Viva o momento.
Não fique pra trás.
Não tema o tormento.
Beije com força.
Beije devagar.
Foda sem pensar.
Foda até se embriagar.
Então ame.
Ame a quem amar.
Se ame, claro.
Mas tenha a quem chamar.
Envelhecimento.
Já se passou algum tempo desde que olhei pela última vez para essa bela página em branco no meu computador. Poucos meses, muitos meses. Mais uma vez eu relativizando o tempo. Eu gosto de fazer isso. Sei lá, talvez eu seja apaixonado por escrever sobre a vida, sobre o tempo, sobre tristeza e alguma felicidade. E sobre amor também.
Esse lugarzinho aqui sempre foi uma fuga para mim. Fugir dos meus amores não correspondidos, fugir de minhas depressões, de minhas frustrações comigo mesmo, a minha Pasárgada. E faz um tempo que eu não consigo mais fugir de mim mesmo.
Mas o que isso significa, afinal? Eu confesso que ainda não sei, mas estou aprendendo a lidar. Talvez sejam os remédios para a cabeça que eu ando tomando, ou talvez seja só a pressão que começa a diminuir, mas... sei lá, é só curioso entende? Um dia a gente está pedindo para morrer e no outro a gente ama viver. Hoje eu vivo o limbo dessas tênues, e tá tudo bem, eu gosto disso. É bom ser equilibrado, afinal eu sou libriano.
Talvez isso signifique que eu não precise mais fugir de mim mesmo, não é? Droga, fazer 30 anos é muito chato.
Esse lugarzinho aqui sempre foi uma fuga para mim. Fugir dos meus amores não correspondidos, fugir de minhas depressões, de minhas frustrações comigo mesmo, a minha Pasárgada. E faz um tempo que eu não consigo mais fugir de mim mesmo.
Mas o que isso significa, afinal? Eu confesso que ainda não sei, mas estou aprendendo a lidar. Talvez sejam os remédios para a cabeça que eu ando tomando, ou talvez seja só a pressão que começa a diminuir, mas... sei lá, é só curioso entende? Um dia a gente está pedindo para morrer e no outro a gente ama viver. Hoje eu vivo o limbo dessas tênues, e tá tudo bem, eu gosto disso. É bom ser equilibrado, afinal eu sou libriano.
Talvez isso signifique que eu não precise mais fugir de mim mesmo, não é? Droga, fazer 30 anos é muito chato.
04/07/2019
O fim do meu martírio.
4 anos e meio de sofrimento, de puro estresse, de uma montanha-russa de emoções indescritíveis, mas a grande maioria, sentimentos negativos.
Vejam bem, não é como se a faculdade fosse ruim, não é bem assim. O problema é que eu cheguei ao fim do caminho com a total certeza de que foi tudo à toa.
Quando faço a contagem de corpos, vejo que eu perdi grande parte de mim por causa da pressão que a faculdade exerceu. Por outro lado, compreendo que aprendi a dar valor aos pequenos momentos de descanso. Hoje eu realmente sei que eu não trabalhava muito, por exemplo. E quando paro pra pensar por esse lado, eu vejo que até certo ponto, valeu a pena.
Por outro lado, se eu pudesse voltar atrás, eu não faria nada disso. Digo isso pois esse diploma não vai alterar em nada a minha vida. Não vai abrir portas. Não mudou minha forma de trabalhar. Eu não evolui praticamente nada. Poucas coisas me orgulham nesse processo, como o meu maravilhoso TCC, mas fora uma ou outra coisa pontual, nada me agradou.
Já comecei no erro, pedindo dinheiro pra poder entrar na faculdade. Fiquei endividado por meses e isso acabou com minha autoestima, com minha confiança, acabou com muito de mim. Depois vieram os estudos exaustivos, a necessidade de estudar com o tempo cada vez mais escasso. Aí vieram as crises no relacionamento que culminaram num término que destruiu meu espírito por tempo suficiente pra tornar o que era ruim pior ainda. De obrigação a martírio, puro e simples. Capotava de sono nas aulas, dormindo cada vez menos. Pra variar, inventaram mentiras de mim, sufocando mais ainda minha estadia. Não sabia mais no que pensar, e quando pensava, chorava. Até que cansei de chorar. Fiquei apático. Nesse processo, também fui enganado por amores, por patrões, por amigos. Fui enganado e comecei a me enganar também. Engatei relacionamentos que eu simplesmente não precisava, por puro desespero emocional. Desemprego, decepções, desunião e um TCC batendo na porta. A desmotivação era nítida e eu já me arrastava dentro do Salineira a caminho do Assaí. Eu só queria morrer, todo dia, toda hora, todo instante. As crises de ansiedade enfim bateram na minha porta e me levaram pro UPA. Quase morri de verdade. Minha professora preferida faleceu. Meu pai faleceu. Eu não sabia sobre o que falar, eu não sabia mais me expressar, foi tudo no puro piloto automático. Só no último período eu me descobri mais apaixonado pelo que fazia, pois escrevi sobre algo que eu gostava, fui orientado por alguém que eu admirava e encarei cada minuto na faculdade como uma contagem regressiva para o fim esperado. No último dia de aula, fui até a frente daquela rampa em espiral e lembrei de quando eu a subi com minha ex para fazer a prova do vestibular: eu estava feliz, alegre, contente. Radiante. Empolgado com a possibilidade de ter um diploma, de ser alguém no mundo.
Eu queria muito que você tivesse dito pra mim: Marcio, você não precisa disso pra ser incrível! Ou sei lá, qualquer coisa parecida com isso. Infelizmente você era boa demais pra me privar do meu sonho de ter um diploma, né? Mesmo sabendo o caminho tortuoso que eu iria enfrentar.
Bom, esse lamento parece um desabafo, e é de fato. Mas todo esse caminhão de chorume serviu pra duas coisas:
a) Provou que mesmo diante de uma vida tão merda, cheia de percalços, cheia de problemas e afins, eu era capaz de ir até o fim pra perseguir um sonho.
b) Pra que eu entenda que as vezes, um sonho pode ser um pesadelo.
Vejam bem, não é como se a faculdade fosse ruim, não é bem assim. O problema é que eu cheguei ao fim do caminho com a total certeza de que foi tudo à toa.
Quando faço a contagem de corpos, vejo que eu perdi grande parte de mim por causa da pressão que a faculdade exerceu. Por outro lado, compreendo que aprendi a dar valor aos pequenos momentos de descanso. Hoje eu realmente sei que eu não trabalhava muito, por exemplo. E quando paro pra pensar por esse lado, eu vejo que até certo ponto, valeu a pena.
Por outro lado, se eu pudesse voltar atrás, eu não faria nada disso. Digo isso pois esse diploma não vai alterar em nada a minha vida. Não vai abrir portas. Não mudou minha forma de trabalhar. Eu não evolui praticamente nada. Poucas coisas me orgulham nesse processo, como o meu maravilhoso TCC, mas fora uma ou outra coisa pontual, nada me agradou.
Já comecei no erro, pedindo dinheiro pra poder entrar na faculdade. Fiquei endividado por meses e isso acabou com minha autoestima, com minha confiança, acabou com muito de mim. Depois vieram os estudos exaustivos, a necessidade de estudar com o tempo cada vez mais escasso. Aí vieram as crises no relacionamento que culminaram num término que destruiu meu espírito por tempo suficiente pra tornar o que era ruim pior ainda. De obrigação a martírio, puro e simples. Capotava de sono nas aulas, dormindo cada vez menos. Pra variar, inventaram mentiras de mim, sufocando mais ainda minha estadia. Não sabia mais no que pensar, e quando pensava, chorava. Até que cansei de chorar. Fiquei apático. Nesse processo, também fui enganado por amores, por patrões, por amigos. Fui enganado e comecei a me enganar também. Engatei relacionamentos que eu simplesmente não precisava, por puro desespero emocional. Desemprego, decepções, desunião e um TCC batendo na porta. A desmotivação era nítida e eu já me arrastava dentro do Salineira a caminho do Assaí. Eu só queria morrer, todo dia, toda hora, todo instante. As crises de ansiedade enfim bateram na minha porta e me levaram pro UPA. Quase morri de verdade. Minha professora preferida faleceu. Meu pai faleceu. Eu não sabia sobre o que falar, eu não sabia mais me expressar, foi tudo no puro piloto automático. Só no último período eu me descobri mais apaixonado pelo que fazia, pois escrevi sobre algo que eu gostava, fui orientado por alguém que eu admirava e encarei cada minuto na faculdade como uma contagem regressiva para o fim esperado. No último dia de aula, fui até a frente daquela rampa em espiral e lembrei de quando eu a subi com minha ex para fazer a prova do vestibular: eu estava feliz, alegre, contente. Radiante. Empolgado com a possibilidade de ter um diploma, de ser alguém no mundo.
Eu queria muito que você tivesse dito pra mim: Marcio, você não precisa disso pra ser incrível! Ou sei lá, qualquer coisa parecida com isso. Infelizmente você era boa demais pra me privar do meu sonho de ter um diploma, né? Mesmo sabendo o caminho tortuoso que eu iria enfrentar.
Bom, esse lamento parece um desabafo, e é de fato. Mas todo esse caminhão de chorume serviu pra duas coisas:
a) Provou que mesmo diante de uma vida tão merda, cheia de percalços, cheia de problemas e afins, eu era capaz de ir até o fim pra perseguir um sonho.
b) Pra que eu entenda que as vezes, um sonho pode ser um pesadelo.
08/06/2019
Anexo I: A mulher que não existiu durante 6 anos.
Era pra ter sido você, mas não foi.
Em diversas situações, momentos, tempos, conversas.
Era pra ter sido você, mas não foi.
Foi pelos vácuos?
Pelas cartas que nunca chegaram?
Aquela camisa desbotada, surrada, mas a preferida?
Será que foi por conta da proibição?
Sei lá. Era pra ter sido você, mas não foi.
Enquanto refleti durante anos sobre sua ausência, a minha penitência foi te ver em outros corpos.
Te consumir de forma amarga pelo meio virtual.
Um consolo espectral.
Visitas astrais.
Sonhos metafóricos.
Era pra ter sido você, mas não foi.
Difícil mensurar a brevidade dos nossos encontros, mas eu posso tentar: Foram apenas 2.
Um aconteceu a uns 6 anos atrás, e nós já queríamos isso.
O outro aconteceu agora.
Nesse exato dia.
Exato instante.
No agora.
E em 6 anos de hiato, eu pude perceber duas coisas.
A primeira é que você não mudou absolutamente nada, mesmo tendo mudado demais.
É linda e magnífica tal como eu sempre achei.
Charmosa, simpática e alegre.
Boba, mas de um jeito meigo.
A segunda é que era pra ter sido você.
Mas não foi.
Em diversas situações, momentos, tempos, conversas.
Era pra ter sido você, mas não foi.
Foi pelos vácuos?
Pelas cartas que nunca chegaram?
Aquela camisa desbotada, surrada, mas a preferida?
Será que foi por conta da proibição?
Sei lá. Era pra ter sido você, mas não foi.
Enquanto refleti durante anos sobre sua ausência, a minha penitência foi te ver em outros corpos.
Te consumir de forma amarga pelo meio virtual.
Um consolo espectral.
Visitas astrais.
Sonhos metafóricos.
Era pra ter sido você, mas não foi.
Difícil mensurar a brevidade dos nossos encontros, mas eu posso tentar: Foram apenas 2.
Um aconteceu a uns 6 anos atrás, e nós já queríamos isso.
O outro aconteceu agora.
Nesse exato dia.
Exato instante.
No agora.
E em 6 anos de hiato, eu pude perceber duas coisas.
A primeira é que você não mudou absolutamente nada, mesmo tendo mudado demais.
É linda e magnífica tal como eu sempre achei.
Charmosa, simpática e alegre.
Boba, mas de um jeito meigo.
A segunda é que era pra ter sido você.
Mas não foi.
02/06/2019
Velho colchão.
Podia ser eu e você, deitados no meu colchão sem fronha, lotado de ácaros. Mas você prefere comer pudim na casa do seu crush de 30 e poucos anos.
E enquanto estou aqui, sonhando atrasado com a fonética do seu nome somado ao meu sobrenome, me aparece na timeline seus sorrisos que não escondem o quão feliz és sem mim.
Somos desnecessariamente desnecessários na vida dos outros. E de fato, só somos importantes para nós mesmos.
Enquanto vivos, tudo o que fazemos é lotar este planeta de mais e mais pensamentos que se esvaem quando vamos embora.
Pensa só então como seria feliz se você simplesmente beijasse a minha boca, esquecesse um pouco dessa porra de vida passada e partisse comigo para um pôr do sol sem sol, sem por e sem dor.
Só uns goles de vodka e um bocado de amor.
Ah, quem me dera.
A brevidade dos momentos com você se agravam quando te vejo longe. Quando te vejo com outro. Com outros. Falando de outros. Falando de ninguém. Existindo.
Talvez seja doença querer viver com você os momentos mais exaustivos possíveis. Tipo sofrer comigo as dádivas da vida adulta, me acompanhar no consultório para ver meu estômago quebrado ou até mesmo me acompanhar às compras do mês. Sem dinheiro para o mês.
Talvez seja também doença te querer tanto que isso me faz quebrar umas vinte regras autoimpostas sobre não querer parecer possessivo, ciumento e um infeliz imbecil.
Ou talvez eu só quisesse mesmo que eu e você estivéssemos deitados num velho colchão de solteiro, poído pelo tempo. Sem pensar em porra nenhuma. Amanhã, dez dias, vinte anos. Foda-se o tempo.
Foda-se a vida
A mim, resta apenas a bênção de respirar o seu ar.
E claro, um velho colchão velho.
E enquanto estou aqui, sonhando atrasado com a fonética do seu nome somado ao meu sobrenome, me aparece na timeline seus sorrisos que não escondem o quão feliz és sem mim.
Somos desnecessariamente desnecessários na vida dos outros. E de fato, só somos importantes para nós mesmos.
Enquanto vivos, tudo o que fazemos é lotar este planeta de mais e mais pensamentos que se esvaem quando vamos embora.
Pensa só então como seria feliz se você simplesmente beijasse a minha boca, esquecesse um pouco dessa porra de vida passada e partisse comigo para um pôr do sol sem sol, sem por e sem dor.
Só uns goles de vodka e um bocado de amor.
Ah, quem me dera.
A brevidade dos momentos com você se agravam quando te vejo longe. Quando te vejo com outro. Com outros. Falando de outros. Falando de ninguém. Existindo.
Talvez seja doença querer viver com você os momentos mais exaustivos possíveis. Tipo sofrer comigo as dádivas da vida adulta, me acompanhar no consultório para ver meu estômago quebrado ou até mesmo me acompanhar às compras do mês. Sem dinheiro para o mês.
Talvez seja também doença te querer tanto que isso me faz quebrar umas vinte regras autoimpostas sobre não querer parecer possessivo, ciumento e um infeliz imbecil.
Ou talvez eu só quisesse mesmo que eu e você estivéssemos deitados num velho colchão de solteiro, poído pelo tempo. Sem pensar em porra nenhuma. Amanhã, dez dias, vinte anos. Foda-se o tempo.
Foda-se a vida
A mim, resta apenas a bênção de respirar o seu ar.
E claro, um velho colchão velho.
25/04/2019
Segunda opção.
Ser segunda opção é, basicamente, não ser prioridade nem para você mesmo. Não adianta ficar feliz, se encher de alegria, esperar que a vida seja linda, se você é só um bem passageiro que alimenta corpos tristes e fadados à decepção. Não, a vida não é feita para se esperar. Ou você age, ou ela age com você. E aí já era. Eu sou bom demais pra ser opção. Eu sou é solução.
11/04/2019
X: Por quê?
Eu sempre me perguntei sobre a sua sordidez. A sua habilidade única de estragar as pessoas, de acabar com o resto da dignidade delas.
Como pode?
Sei lá. Não sei de verdade.
Não faço ideia de como você pegou lá meus nobres sentimentos e limpou o cu com eles.
Ou por que cargas d'água me fez gostar de você de propósito, com aquele papo fofo e malícia bonitinha, só pra eu descobrir que você tinha uns 20 casos iguais a mim.
Queria fazer coleção? Não sei.
Realmente não sei.
A cara de pau, a força de vontade pra me machucar, o sarcasmo de estar bêbada e falar que eram outros tempos.
Putz.
Putz...
Eu passei por muita merda até chegar a você. Foram anos sendo maltratado. Mas em poucos meses você fez questão de destruir de vez o pouco de humanidade e fé no amor que eu ainda possuía. Danificou todo o meu sistema, me fez bugar e ficar anos remoendo toda essa merda enlatada que fez questão de abrir pra eu comer.
Socou na minha garganta.
E abriu um mais absoluto foda-se para mim.
Acabou tanto comigo, que eu perdi a empatia e passei a simplesmente acreditar que eu mereço mesmo todas as merdas que me acontecem. E que se acontecem comigo, pode acontecer com os outros.
Triste, mas me pautei nessa máxima por muito tempo. Magoei muita gente depois de você.
Ação e reação, é o que dizem.
Eu poderia tentar falar de você com carinho. Lembrar dos bons momentos.
Tentar.
Tentei, inclusive. Por muito tempo depois. Ainda insisti em ter sua amizade. Mas né, quem não aprende, leva um cagão na cabeça.
E me desculpe, mas eu não nasci para ser privada.
Como pode?
Sei lá. Não sei de verdade.
Não faço ideia de como você pegou lá meus nobres sentimentos e limpou o cu com eles.
Ou por que cargas d'água me fez gostar de você de propósito, com aquele papo fofo e malícia bonitinha, só pra eu descobrir que você tinha uns 20 casos iguais a mim.
Queria fazer coleção? Não sei.
Realmente não sei.
A cara de pau, a força de vontade pra me machucar, o sarcasmo de estar bêbada e falar que eram outros tempos.
Putz.
Putz...
Eu passei por muita merda até chegar a você. Foram anos sendo maltratado. Mas em poucos meses você fez questão de destruir de vez o pouco de humanidade e fé no amor que eu ainda possuía. Danificou todo o meu sistema, me fez bugar e ficar anos remoendo toda essa merda enlatada que fez questão de abrir pra eu comer.
Socou na minha garganta.
E abriu um mais absoluto foda-se para mim.
Acabou tanto comigo, que eu perdi a empatia e passei a simplesmente acreditar que eu mereço mesmo todas as merdas que me acontecem. E que se acontecem comigo, pode acontecer com os outros.
Triste, mas me pautei nessa máxima por muito tempo. Magoei muita gente depois de você.
Ação e reação, é o que dizem.
Eu poderia tentar falar de você com carinho. Lembrar dos bons momentos.
Tentar.
Tentei, inclusive. Por muito tempo depois. Ainda insisti em ter sua amizade. Mas né, quem não aprende, leva um cagão na cabeça.
E me desculpe, mas eu não nasci para ser privada.
06/04/2019
Olhos Famintos.
Olhos devoradores, lindos, instigantes, cheios de dúvidas e gritos que gostaria de dar.
Cheia de vontade de me implorar. Cheio de vontade de te possuir.
Com essa jabuticaba brilhosa, foi me olhar e me desejar.
Era seus cabelos bagunçados, talvez o seu cheiro de mulher que eu quero cheirar, não sei.
Seus olhos estavam lá, me encarando como se falassem: Vai.
Não fui, mas me incomodei. Me acomodei. Me indaguei.
A boca, cada vez mais perto. E que boca.
As vezes o olhar desviava. As vezes olhava exatamente para o que queria. As vezes era você que eu queria. Ou sempre, como queira.
Era muito errado, mas a gente cansa de jogar da forma certa as vezes.
Cansa ser perfeitinho.
As vezes a felicidade não joga com as regras debaixo do braço. Ela é meio sacana.
Tudo o que ela quer é que você caia literalmente na frente dela e lhe tasque um beijo.
É incrível essa sensação, beijar quem você sempre desejou, por anos a fio.
E como é bom beijar, né? A gente vira adulto e vai esquecendo do prazer de ficar com alguém.
Só pensa em se perder em corpos alheios.
Em um sexo caseiro.
Se acostuma em relacionamentos cafonas.
Em relacionamentos sem graça.
Com o que já está errado a tempos.
Sempre bom relembrar o prazer de beijar alguém e não querer parar mais de beijar a pessoa.
Poisé, eu beijaria você todo dia se pudesse.
Quem sabe um dia? Não que eu queira que você seja minha.
Possessão é coisa pra fantasma.
Seja só sua.
E me deixe te fazer feliz todo dia.
Cheia de vontade de me implorar. Cheio de vontade de te possuir.
Com essa jabuticaba brilhosa, foi me olhar e me desejar.
Era seus cabelos bagunçados, talvez o seu cheiro de mulher que eu quero cheirar, não sei.
Seus olhos estavam lá, me encarando como se falassem: Vai.
Não fui, mas me incomodei. Me acomodei. Me indaguei.
A boca, cada vez mais perto. E que boca.
As vezes o olhar desviava. As vezes olhava exatamente para o que queria. As vezes era você que eu queria. Ou sempre, como queira.
Era muito errado, mas a gente cansa de jogar da forma certa as vezes.
Cansa ser perfeitinho.
As vezes a felicidade não joga com as regras debaixo do braço. Ela é meio sacana.
Tudo o que ela quer é que você caia literalmente na frente dela e lhe tasque um beijo.
É incrível essa sensação, beijar quem você sempre desejou, por anos a fio.
E como é bom beijar, né? A gente vira adulto e vai esquecendo do prazer de ficar com alguém.
Só pensa em se perder em corpos alheios.
Em um sexo caseiro.
Se acostuma em relacionamentos cafonas.
Em relacionamentos sem graça.
Com o que já está errado a tempos.
Sempre bom relembrar o prazer de beijar alguém e não querer parar mais de beijar a pessoa.
Poisé, eu beijaria você todo dia se pudesse.
Quem sabe um dia? Não que eu queira que você seja minha.
Possessão é coisa pra fantasma.
Seja só sua.
E me deixe te fazer feliz todo dia.
01/04/2019
Eu não vejo mais prazer na vida.
Não há absolutamente nada que me faça, de fato, feliz. Amores, hobbies, trabalho, estudos. Nada.
Sequer consigo visualizar um futuro para mim. O meu diploma parece ter sido em vão, agora que faltam menos de 3 meses para o pegar.
Não consigo me conectar com as pessoas como era antigamente. Me apaixonar fica cada vez mais difícil, e no processo saio magoando as pessoas. E se fico interessado por alguém, geralmente algo impede. Principalmente a minha própria vida, bugada de tantas atribulações.
Amigos, cada vez menos. Com seus próprios problemas. Próprios dilemas. A vida é dura para a maioria de nós.
O trabalho já não me satisfaz mais. Emperrei na evolução como profissional e tenho ciência que meu trabalho como designer é uma merda. Não consigo mais ser criativo como era antigamente. Nada flui. Foram tantos anos fazendo merda, que perdi a habilidade de senso crítico.
Jogos me entediam. Não vejo filmes sozinho. E se vejo, durmo em 15 minutos.
Fumo mas sinto dor de estômago. E essas dores me acompanham a tanto tempo, que já nem sei mais se tem alguma cura pra isso. E é curioso, pois meu único prazer era comer. Mas sempre que como alguma besteira, me sinto mal. Aí lembro que até nisso eu não tenho condições de me afundar.
Escrever era prazeroso, agora só desabafo.
As redes sociais, cada vez mais nocivas, não me permitem paz.
Nenhum plano ou sonho que tive eu realizei, e eu já tenho 29 anos.
Diversas dívidas.
Diversos problemas.
Diversos casos inacabados para resolver.
É puro piloto automático.
Eu só queria alguma alegria na vida.
Não há absolutamente nada que me faça, de fato, feliz. Amores, hobbies, trabalho, estudos. Nada.
Sequer consigo visualizar um futuro para mim. O meu diploma parece ter sido em vão, agora que faltam menos de 3 meses para o pegar.
Não consigo me conectar com as pessoas como era antigamente. Me apaixonar fica cada vez mais difícil, e no processo saio magoando as pessoas. E se fico interessado por alguém, geralmente algo impede. Principalmente a minha própria vida, bugada de tantas atribulações.
Amigos, cada vez menos. Com seus próprios problemas. Próprios dilemas. A vida é dura para a maioria de nós.
O trabalho já não me satisfaz mais. Emperrei na evolução como profissional e tenho ciência que meu trabalho como designer é uma merda. Não consigo mais ser criativo como era antigamente. Nada flui. Foram tantos anos fazendo merda, que perdi a habilidade de senso crítico.
Jogos me entediam. Não vejo filmes sozinho. E se vejo, durmo em 15 minutos.
Fumo mas sinto dor de estômago. E essas dores me acompanham a tanto tempo, que já nem sei mais se tem alguma cura pra isso. E é curioso, pois meu único prazer era comer. Mas sempre que como alguma besteira, me sinto mal. Aí lembro que até nisso eu não tenho condições de me afundar.
Escrever era prazeroso, agora só desabafo.
As redes sociais, cada vez mais nocivas, não me permitem paz.
Nenhum plano ou sonho que tive eu realizei, e eu já tenho 29 anos.
Diversas dívidas.
Diversos problemas.
Diversos casos inacabados para resolver.
É puro piloto automático.
Eu só queria alguma alegria na vida.
02/03/2019
IX: Existe amor em SP.
Lembra que a nossa primeira conversa tinha a ver com bicicleta? Duvido. Você nunca foi muito boa em guardar detalhes pequenos. Não que isso seja um defeito seu. Talvez seja defeito meu guardar demais certas coisas na cabeça. Bom, depende. Você acabou mostrando algumas vezes para mim (principalmente depois) que lembrava de certos detalhes com riqueza de informações. E isso vale muito.
Lembra da primeira vez que eu disse que te amava? Tocava Everlong. Foi por meio de um celular digital, que eu comprei pra gente conversar. Aliás, amava aquele celular: Foi o último que eu tive antes de ter essas geringonças de Smartphone. E foi com ele que eu fui pela primeira vez para São Paulo, enganando minha mãe e a todos falando que ia passar uns dias em Petrópolis. Cara, eu tirei coragem sei lá daonde pra te ver.
Na verdade eu sei exatamente daonde eu tirei essa coragem.
Lembra como foi o primeiro beijo que demos? No ponto de ônibus, o tempo tava meio estranho no dia, eu tava cansado, afinal, eu era um ávido fumante que pela primeira vez estava numa cidade com atmosfera tão pesada. É tão bobo falar isso quanto foi eu correndo e dançando com as placas, para te explicar que eu era bobo. E como eu era bobo.
Até certo ponto, ingênuo.
Ingênuo de achar que você não queria ficar comigo. E de repente bam: A gente se beijou. E olha, sempre foi muito difícil beijar alguém pela primeira vez e realmente gostar do beijo. Não sei se toda a história envolvida me fez relevar algumas dificuldades, mas a real é que foi um ótimo primeiro beijo. Eu lembro exatamente do momento, da cor das paredes, da escola próxima ao ponto, e do ônibus que pegamos.
Lembra como foi a nossa primeira vez? Num quarto levemente escurecido, com cortinas vermelhas que davam um tom único ao ambiente. Você ficou por cima de mim, e tempos depois descobri que você detestava ficar por cima. Tão tímida, a gente meio que transou por puro instinto de desejo. E isso é legal. E você tinha tanto medo do que eu pensaria por estarmos transando pela primeira vez, achando que eu te julgaria. Ora bolas, eu nunca menti meus sentimentos para ti. Com tudo envolvido ali, mais o medo de não te ver tão cedo, se eu saísse da cidade cinza sem sentir seu corpo eu acho que surtaria.
Sua família me tratou tão legal, lembra? Foi quase que amor mútuo: Eu gostei deles de cara, e eles pareciam empolgados comigo. Zé Carioca é disparado o apelido mais legal que alguém já me botou. Sua vó tímida por eu abraçar ela e dar 2 beijos na bochecha. Acho que nem todo paulistano tá preparado pra esse calor louco de carioca. E olha que eu era bem menos carioca do que muito carioca por ai.
Peguei metrô, conheci um parque, bebi catuaba, vivemos momentos intensos pois a gente sempre achava que o próximo momento seria o último. Com câmera na mão, batemos várias fotos e registramos diversos sorrisos. Era claro como você estava felizinha. Foram poucas vezes na vida que eu realmente acreditei que o lado oposto da história estava tão feliz quanto eu.
Lembra como foi a minha partida para casa? Foi triste. A incerteza, era foda pois eu era bem fodido na época de dinheiro, e tudo o que eu pensava era "não vai ter uma próxima vez". E eu quis fazer valer todo o investimento empregado para que fosse único e especial.
Mas pra minha felicidade, você veio na semana seguinte aqui, para conhecer o tão famoso calor carioca. E nos vimos mais algumas vezes, sempre com a intensidade de não saber quando seria a última vez que nos veríamos.
E houveram brigas. Houveram desentendimentos. Apelidos fofos e ríspidas brigas por horas no telefone. Teve sexo virtual e carinho casual. Houve muita paz e muito arrependimento. Tudo em sua devida intensidade e em tons que eu duvido que você duvide. Você me ensinou tanto, mas tanto, que é até curioso que uma pessoa que morava a mais de 500km de mim pudesse ter sido mais importante do que tantas outras que moraram a metros de distância. E assim foi por meses, até que realmente um dia, um momento foi a última vez. E daí foi eu quem passei a lembrar muito bem. Sorte minha que você se tornou uma amiga incrível, uma das pouquíssimas pessoas com quem eu pude contar em diversos momentos da minha vida desde então. E toda essa história de amor ficou registrada em mim como um incrível ensinamento, algo que me mudou profundamente e me fez um homem mais forte. Pela primeira vez, eu encarei um relacionamento passado como bom, por mais turbulento e difícil que tivesse sido. A ti, eu devo bem mais do que lembranças, eu te devo eterna gratidão, assim como te devo uma valsa de cavalos-marinhos.
Com tudo isso dito, fica uma grande certeza: Existe sim amor em SP. E foda-se quem acha que não.
Lembra da primeira vez que eu disse que te amava? Tocava Everlong. Foi por meio de um celular digital, que eu comprei pra gente conversar. Aliás, amava aquele celular: Foi o último que eu tive antes de ter essas geringonças de Smartphone. E foi com ele que eu fui pela primeira vez para São Paulo, enganando minha mãe e a todos falando que ia passar uns dias em Petrópolis. Cara, eu tirei coragem sei lá daonde pra te ver.
Na verdade eu sei exatamente daonde eu tirei essa coragem.
Lembra como foi o primeiro beijo que demos? No ponto de ônibus, o tempo tava meio estranho no dia, eu tava cansado, afinal, eu era um ávido fumante que pela primeira vez estava numa cidade com atmosfera tão pesada. É tão bobo falar isso quanto foi eu correndo e dançando com as placas, para te explicar que eu era bobo. E como eu era bobo.
Até certo ponto, ingênuo.
Ingênuo de achar que você não queria ficar comigo. E de repente bam: A gente se beijou. E olha, sempre foi muito difícil beijar alguém pela primeira vez e realmente gostar do beijo. Não sei se toda a história envolvida me fez relevar algumas dificuldades, mas a real é que foi um ótimo primeiro beijo. Eu lembro exatamente do momento, da cor das paredes, da escola próxima ao ponto, e do ônibus que pegamos.
Lembra como foi a nossa primeira vez? Num quarto levemente escurecido, com cortinas vermelhas que davam um tom único ao ambiente. Você ficou por cima de mim, e tempos depois descobri que você detestava ficar por cima. Tão tímida, a gente meio que transou por puro instinto de desejo. E isso é legal. E você tinha tanto medo do que eu pensaria por estarmos transando pela primeira vez, achando que eu te julgaria. Ora bolas, eu nunca menti meus sentimentos para ti. Com tudo envolvido ali, mais o medo de não te ver tão cedo, se eu saísse da cidade cinza sem sentir seu corpo eu acho que surtaria.
Sua família me tratou tão legal, lembra? Foi quase que amor mútuo: Eu gostei deles de cara, e eles pareciam empolgados comigo. Zé Carioca é disparado o apelido mais legal que alguém já me botou. Sua vó tímida por eu abraçar ela e dar 2 beijos na bochecha. Acho que nem todo paulistano tá preparado pra esse calor louco de carioca. E olha que eu era bem menos carioca do que muito carioca por ai.
Peguei metrô, conheci um parque, bebi catuaba, vivemos momentos intensos pois a gente sempre achava que o próximo momento seria o último. Com câmera na mão, batemos várias fotos e registramos diversos sorrisos. Era claro como você estava felizinha. Foram poucas vezes na vida que eu realmente acreditei que o lado oposto da história estava tão feliz quanto eu.
Lembra como foi a minha partida para casa? Foi triste. A incerteza, era foda pois eu era bem fodido na época de dinheiro, e tudo o que eu pensava era "não vai ter uma próxima vez". E eu quis fazer valer todo o investimento empregado para que fosse único e especial.
Mas pra minha felicidade, você veio na semana seguinte aqui, para conhecer o tão famoso calor carioca. E nos vimos mais algumas vezes, sempre com a intensidade de não saber quando seria a última vez que nos veríamos.
E houveram brigas. Houveram desentendimentos. Apelidos fofos e ríspidas brigas por horas no telefone. Teve sexo virtual e carinho casual. Houve muita paz e muito arrependimento. Tudo em sua devida intensidade e em tons que eu duvido que você duvide. Você me ensinou tanto, mas tanto, que é até curioso que uma pessoa que morava a mais de 500km de mim pudesse ter sido mais importante do que tantas outras que moraram a metros de distância. E assim foi por meses, até que realmente um dia, um momento foi a última vez. E daí foi eu quem passei a lembrar muito bem. Sorte minha que você se tornou uma amiga incrível, uma das pouquíssimas pessoas com quem eu pude contar em diversos momentos da minha vida desde então. E toda essa história de amor ficou registrada em mim como um incrível ensinamento, algo que me mudou profundamente e me fez um homem mais forte. Pela primeira vez, eu encarei um relacionamento passado como bom, por mais turbulento e difícil que tivesse sido. A ti, eu devo bem mais do que lembranças, eu te devo eterna gratidão, assim como te devo uma valsa de cavalos-marinhos.
Com tudo isso dito, fica uma grande certeza: Existe sim amor em SP. E foda-se quem acha que não.
Desisto.
Eu já desisti tantas vezes das coisas, que nem sei mais contar. Tem gente que gosta de romantizar a persistência, a força de vontade, pessoas que tornam loucuras atos genuínos e heroicos. Eu não me encaixo nesse padrão. Veja bem: há casos onde isso pode ser aplicado, acredito que todos nós temos o direito de lutar pelo que acreditamos que seja nosso. Mas há momentos onde a nossa cabeça simplesmente dói dia e noite, e tudo o que queremos é a mais profunda paz. É nisso que reside a minha teoria de que aceitar uma derrota em resignação não é sair derrotado, e sim, sair com algum aprendizado. Nossas relações são bem mais complexas do que meros filmes hollywoodianos que nos empurram goela abaixo, tentando criar um senso deturpado na gente. Mas basta você parar para refletir que verá que mesmo nas histórias mais credíveis possíveis, você não vai estar sendo 100% retratado. É bonito, muito bacana ver histórias de superação, mas nem sempre isso vai se aplicar a nós. E tá tudo bem, sabe? Nem todo mundo é Newton, que sentou debaixo de uma árvore e viu uma maçã cair, pra entender o que era a teoria da gravidade, ou Thomas Edison, que tentou mais de 700 vezes até descobrir como fazer uma lâmpada. Você pode ser um gênio, mas você pode ser uma pessoa normal também, com problemas e anseios de pessoas normais, e é seu direito chegar em casa e ficar consternado por não conseguir pagar a conta de luz para acender essa tal lâmpada que Edison inventou. Amanhã é um novo dia, uma nova luta chegará, não deixe que os outros falem o que você deve fazer. Desistir de conquistar a pessoa amada, de insistir numa faculdade que você não quer, aceitar que não é capaz agora de realizar um trabalho complexo. Desistir as vezes é a melhor forma de fazer algo. E talvez aprender a ser alguém melhor.
27/02/2019
Tudo e Nada.
Aquela pele dourada.
Aqueles lábios.
Aquela mulher.
Aquela.
A mina era uma loucura. Dançava sem parar, brilhava, era uma deusa que só.
Um click do tempo e de repente ela se transformava numa incrível estrela, desfilando pela passarela seus tons pastéis glamurosos.
Em um dado momento, ela era apenas a garota vestida com uma camisa cinza velha e uma calcinha não muito sexy, mas que ninguém se importa.
E não importa mesmo, afinal de contas ela nunca existiu.
Um constructo da minha cabeça, uma mulher inventada. Modelada cruelmente pelo destino para existir em meu subconsciente enquanto desisto de galho em galho.
Enquanto definho em meus mais sórdidos e descabidos pensamentos.
Ou existe. E aí ela é de outro. De outros. De ninguém. De alguém.
Sereia do mar. Concha no oceano. Uma mancha na areia, uma brisa antes do temporal.
Ela é tudo. Ela existe e permeia o meu ser. Me faz mais forte.
Me faz mais fraco.
Ela é nada.
O incrível e desconexo espaço-tempo distorcido em suas linhas corpóreas, desenhadas na curvatura de suas costas e na sua volumosa bunda.
Uma sintaxe.
A própria força da natureza.
Bela por existir, incrível ser humano inexistente.
Em 2.248.214 universos possíveis você foi minha.
Mas não seria justo tê-la em todas as linhas temporais.
Você merece bem mais.
Bem mais.
Aqueles lábios.
Aquela mulher.
Aquela.
A mina era uma loucura. Dançava sem parar, brilhava, era uma deusa que só.
Um click do tempo e de repente ela se transformava numa incrível estrela, desfilando pela passarela seus tons pastéis glamurosos.
Em um dado momento, ela era apenas a garota vestida com uma camisa cinza velha e uma calcinha não muito sexy, mas que ninguém se importa.
E não importa mesmo, afinal de contas ela nunca existiu.
Um constructo da minha cabeça, uma mulher inventada. Modelada cruelmente pelo destino para existir em meu subconsciente enquanto desisto de galho em galho.
Enquanto definho em meus mais sórdidos e descabidos pensamentos.
Ou existe. E aí ela é de outro. De outros. De ninguém. De alguém.
Sereia do mar. Concha no oceano. Uma mancha na areia, uma brisa antes do temporal.
Ela é tudo. Ela existe e permeia o meu ser. Me faz mais forte.
Me faz mais fraco.
Ela é nada.
O incrível e desconexo espaço-tempo distorcido em suas linhas corpóreas, desenhadas na curvatura de suas costas e na sua volumosa bunda.
Uma sintaxe.
A própria força da natureza.
Bela por existir, incrível ser humano inexistente.
Em 2.248.214 universos possíveis você foi minha.
Mas não seria justo tê-la em todas as linhas temporais.
Você merece bem mais.
Bem mais.
14/01/2019
Aperto.
Dói um pouquinho, mas a gente se mantém esperançoso, já que sei lá, vai que a gente é jovem demais para morrer?
Tem umas coisas que vem do nada e nos mostra quão frágil somos. E frágil como somos, a gente fica dramático as vezes também. E pode morrer no processo.
Ou pode nem existir, já pensou se tudo é uma mentira?
Ou se o filme Click na verdade é de verdade e você tá vivendo um mundo paralelo da vida do Adam Sandler?
A gente nunca vai saber.
Ficar ansioso é uma merda, euforia e caos distorcidos em migalhas de pão. Não sei meu irmão. Quem sabe sabe, quem não sabe, bate palma.
Bate na alma.
Calma.
Não dá pra pedir calma nessa hora. Dói, o aperto e o medo de partir sem nem dizer umas verdades pra'quele povo filho da puta que eu odeio. Ou pras incríveis vermificentas formas de vida que eu amo de graça.
Aos amigos de copo.
Ao incrível poder de ser um nada.
Sem nada.
Quase indo de volta pro pó.
Virar carreirinha das entidades cósmicas que me cheirariam e teriam uma onda de efeito insípido.
Que loucura viver nesse mundo louco, Jão.
Com problemas eu me deito, com problemas eu me levanto.
Comigo eu choro, comigo em prantos.
Sempre na estrada. Sempre distante.
Eu tenho medo de morrer e não ser feliz.
Tem umas coisas que vem do nada e nos mostra quão frágil somos. E frágil como somos, a gente fica dramático as vezes também. E pode morrer no processo.
Ou pode nem existir, já pensou se tudo é uma mentira?
Ou se o filme Click na verdade é de verdade e você tá vivendo um mundo paralelo da vida do Adam Sandler?
A gente nunca vai saber.
Ficar ansioso é uma merda, euforia e caos distorcidos em migalhas de pão. Não sei meu irmão. Quem sabe sabe, quem não sabe, bate palma.
Bate na alma.
Calma.
Não dá pra pedir calma nessa hora. Dói, o aperto e o medo de partir sem nem dizer umas verdades pra'quele povo filho da puta que eu odeio. Ou pras incríveis vermificentas formas de vida que eu amo de graça.
Aos amigos de copo.
Ao incrível poder de ser um nada.
Sem nada.
Quase indo de volta pro pó.
Virar carreirinha das entidades cósmicas que me cheirariam e teriam uma onda de efeito insípido.
Que loucura viver nesse mundo louco, Jão.
Com problemas eu me deito, com problemas eu me levanto.
Comigo eu choro, comigo em prantos.
Sempre na estrada. Sempre distante.
Eu tenho medo de morrer e não ser feliz.
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