02/06/2019

Velho colchão.

Podia ser eu e você, deitados no meu colchão sem fronha, lotado de ácaros. Mas você prefere comer pudim na casa do seu crush de 30 e poucos anos.
E enquanto estou aqui, sonhando atrasado com a fonética do seu nome somado ao meu sobrenome, me aparece na timeline seus sorrisos que não escondem o quão feliz és sem mim.
Somos desnecessariamente desnecessários na vida dos outros. E de fato, só somos importantes para nós mesmos.
Enquanto vivos, tudo o que fazemos é lotar este planeta de mais e mais pensamentos que se esvaem quando vamos embora.
Pensa só então como seria feliz se você simplesmente beijasse a minha boca, esquecesse um pouco dessa porra de vida passada e partisse comigo para um pôr do sol sem sol, sem por e sem dor.
Só uns goles de vodka e um bocado de amor.
Ah, quem me dera.
A brevidade dos momentos com você se agravam quando te vejo longe. Quando te vejo com outro. Com outros. Falando de outros. Falando de ninguém. Existindo.
Talvez seja doença querer viver com você os momentos mais exaustivos possíveis. Tipo sofrer comigo as dádivas da vida adulta, me acompanhar no consultório para ver meu estômago quebrado ou até mesmo me acompanhar às compras do mês. Sem dinheiro para o mês.
Talvez seja também doença te querer tanto que isso me faz quebrar umas vinte regras autoimpostas sobre não querer parecer possessivo, ciumento e um infeliz imbecil.
Ou talvez eu só quisesse mesmo que eu e você estivéssemos deitados num velho colchão de solteiro, poído pelo tempo. Sem pensar em porra nenhuma. Amanhã, dez dias, vinte anos. Foda-se o tempo.
Foda-se a vida
A mim, resta apenas a bênção de respirar o seu ar.
E claro, um velho colchão velho.

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