16/12/2019

Múltiplas Faces das Mesmas Pessoas.

Tudo é mais fácil se eu simplesmente fingir que não machuca, que não me importo.
Que morar com alguém que eu amo e ser descartado não é lá essas coisas.
Ou ver o grande amor da sua vida usando o anel de outro noivo.
Ao ter um motivo para odiar a Argentina além do futebol.
Talvez perceber que você pode ser, por meses, apenas uma distração suja em meio a copos virados.
Tudo isso ao perceber que uma lata de Pepsi não foi suficiente para deixar de me destroçar.
Socorro.
Eu me perdi completamente nos personagens. Ou eu não presto ou eu não prestei.
Deixei a desejar.
Deixei de desejar.
Eu me deixei em alguma prateleira do mercado e ao invés de ser comprado, eu fui violado, deixado aberto sem nenhum pudor para que o mofo me consumisse.
Para que ao pó eu voltasse.
E como uma guitarra desafinada, o som da minha tristeza é uma penúria enjaulada.
Quando vejo você maquiada, linda, me dou conta que eu sou apenas uma ameba gorda sentado numa cadeira de plástico desejando pela morte.
Sem saber a que pé estou. Ou se tenho pés.
E as boca que beijou eu amaldiçoei, mas de nada adiantou.
Você será feliz.
Todas são.
Todas se vão.
Só fica o meu eu, jogado no chão. Sem fé, sem exatidão.
Apenas um punhado de injúrias sentimentais para o petardo musical que jamais fui.
Ou seja: uma sinfonia de um homem só.
O eterno morto.
Que jamais irá descansar em paz.

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