22/07/2013

Quase sem por quês.

No momento mais nada a ver, naquele instante mais inesperado, aquela situação mais atípica. É ali que as coisas realmente acontecem. É se surpreendendo sem esperar, esperando sem querer, querendo sem ter porquê. Mas por quê? Não o porquê isso tudo, e sim o porquê dos por quês. Feridas não cicatrizadas, cicatrizes bem cuidadas, e cuidados descuidados, Cuidados em pensar, cuidados em amamentar o destino. Inesperado, inconsequente, eloquente. Perfeitamente então. É querer por perto, quem está por perto, quem está bem longe. É desafiar a física quântica, o Deus da bíblia e o lider do ginásio. Absurdo bizarrismo, falso moralismo, somente estrelismo. Um grande abismo. Mas não se importa quem muito exporta para fora de si as idéias exatas dos por quês. Sempre perguntáveis, sempre questionáveis. O que querer, o que fazer? Se jogar no mar de rosas, sufocar na nuvem de gás. Quem muito pensa, pouco observa, e com o tempo aprendi que observar só me dá lugar de destaque pra ver a felicidade alheia. E lá eu, enterrado na areia sem minha sereia. Apenas creia. Apenas seja atípico. Apenas se liberte. É perda de tempo total se dar ouvidos aos próprios pensamentos ensurdecedores. O que eu quero hoje é o que eu quero pra sempre, e meu sempre é meu, e quase já é seu também.

20/07/2013

Culpa?

De que? Eu? Não, eu não sinto culpa de nada. Na verdade durmo todos os dias com a cabeça tranquila em meu velho travesseiro. Sempre dei meu máximo, sempre tentei tudo que pude, e usei de todos os artifícios para que meus grandes amores dessem certo. Não deram. Mas não se preocupem, eu ainda tenho os chifres, as noites mal-dormidas, as malditas lágrimas nunca confessadas, os soluços de preocupação e principalmente, as mágoas por ouvir sempre que os erros eram meus, quase sempre sem querer. E acreditem, eu já não culpo mais ninguém, a não ser eu mesmo. Não por ter errado. Como disse, minha cabeça encosta tranquilamente todas as noites no travesseiro. Me culpo por ter sido tão passional com quem só quis entrar, arreganhar a maldita porta, bagunçar a minha casa e ir embora, deixando apenas um bilhete e um afago, como se esse tipo de coisa curasse sentimentos agonizantes.

07/07/2013

O Dom da Pureza.

Acordei. Dor de estômago, sono e amargueza. O primeiro cigarro que não serve só para saciar o vício. Acendo ele e o coloco no cinzeiro de madeira, deixando a fumaça subir e ir se moldando por cada objeto que passa, até sumir. Se eu tirasse 10 mil fotos, em cada uma eu enxergaria um desenho diferente nela: Um carro, o sol, a morte. Na minha janela, eu me avistava, já que a chance dela ser aberta era de um por cento. Mais um dia normal, mais um domingo normal, com gosto de tédio e o bônus de um dedo machucado. Fiquei pensando na amargura de algumas palavras, na doçura de outras e na saliência dos acentos. Na saliência dos acertos. Ninguém sabe para onde o mundo vai, ninguém conta as horas para o próximo amor, ou para o velho, mas sempre vamos contar para o ônibus que vai passar, ou para o carro que queremos comprar. No instante que nossos desejos viram obsessões, eles se corrompem e deixam de ser puros. Quando sentimentos viram perseguições, deixam de ser um ideal: Se tornam um câncer. A operação não é das mas fáceis, talvez a quimioterapia para certas doenças da alma nem funcione, mas podem amenizar. E se vazar radioatividade pela sua pele, com certeza você vai se orgulhar. O álcool, o chocolate, talvez o tabaco. Talvez um filme gostoso debaixo do edredon, um sexo descompromissado, uma vela na frente do altar, não importa: A cura somos nós que determinamos, e tal como remédios, elas demoram para surtir efeito. Mas surtem. Tem gente que tende a chamar o Chorão de poeta, talvez eu roube uma frase dele: Não tão complicado demais, mas nem tão simples assim.
Demoramos para perceber, mas a pureza de uma alma infantil está em nossos corações, e tenhamos certeza:  só cala um coração infantil aquele que perdeu a esperança de viver. Não sufoquemos no nosso próprio vômito, não deixemos que os pássaros morram no céu. A saudade dói, mas ela serve, principalmente, para dizer que uma hora deu certo. E pode dar certo outra vez, só basta não se tornar obsessão.
Meu cigarro acabou e eu não dei um único trago nele. Será que eu mudei? Não... minha criança ainda está sufocando.

05/07/2013

Me Torture.

Ele já não sabia mais quando o luto terminaria. Do alto de suas certezas, ele padecia do maior problema: Medo de viver. Havia experimentado toda a vida que podia, que queria, havia provado todos os lábios que queria provar, realizara todos os desejos sórdidos do capitalismo em doses únicas, porém escassas. E algo lhe faltava. Esse luto improvável, esse medo inconveniente de seguir em frente, mesmo que as possibilidades não fossem únicas, e quase todas boas. Teimava em gritar todos os dias "BOM DIA!" ao mundo, mas o mundo lhe torturava com acontecimentos do cotidiano que não esperava. Um liquidificador quebrado, um pneu furado, um frango queimado. O tempo corria, a vida o apertava, ele queria mais, só que mais querer era mais mentir, e se virasse para cima a sua vida, ela a esmurraria de baixo, e se o tempo passasse e o rosto mudasse, esse rosto só mostraria o que não é real. Se importava, mas não era poupado, e seus sentimentos cada vez mais iam para longe, deixando uma marca profunda e forte em sua alma. E lá, no fundo dessa alma, cada vez mais ele se escondia, querendo entender o porquê de procurarmos e não encontrarmos, e o porquê que quando largamos as coisas de mão, elas acontecem. O seu único desejo, talvez o mais ridículo desejo agora, era o de poder dormir debaixo de uma ponte, sendo torturado mais ainda pela vida, mas podendo procurar novamente a tão sonhada casa para se aconchegar. Não saberá nunca se voltará para debaixo da ponte, ou se nunca a habitará, mas sabe que aonde está, ele só quer mudar. E abrir novamente sua alma para uma nova tortura.

03/07/2013

O certo, o errado e o universo.

O universo, nosso universo particular, gira sem parar. Move, dança e chuta longe pro céu toda forma de sonho possível. É nesse mundo, no nosso mundinho, que vivemos o que, provavelmente, nunca viveremos. E só não vivemos pois teimamos em empilhar pedras escrotas em formato de montanha na frente de nossos espíritos eternamente juvenis. Talvez seja necessário para todos nós falar "Eu não posso prosseguir mais" quando na verdade podemos prosseguir sempre, pois talvez seja interessante haver um limite. Um limite para andar, para desbravar, para se cativar e ser cativado. As portas na verdade, sempre estão abertas para as possibilidades, mas só deixamos o próximo prosseguir, enquanto nós, efetivamente, nunca cruzamos a porta, pois é muito mais amedrontador ser feliz do que ser infeliz. A questão, o ponto chave é: É possível amar ao próximo sem se amar?
Não, provavelmente não.
Mas não podemos nos culpar. Não, não podemos. Mas quem iremos culpar?
Não podemos prosseguir com dúvidas, então nos programamos para travar a cada problema aparentemente sem solução. É aonde todos nós erramos, no medo de acertar.
O medo de acertar, esse amedrontador colosso que nos defronta com o nariz empinado e braços firmes. É ele o culpado. O medo de errar? Ah, esse é um anão, quase insignificante, que voa se você soprar com um pouco de firmeza.
Por que seguimos com nossos medos de acertar? Arriscar já foi sinônimo de vida, e hoje é de morte.
E não há nada que nos salvará. Pois hoje em dia, é errado querer ser certo.