Lembro perfeitamente o dia em que meus lábios encontraram pela primeira vez você.
Era pequeno, jovem demais pra entender de vida.
Jovem demais pra entender as pessoas, as coisas, os porquês.
Minha mãe te jogou fora. Eu, garoto maroto como sempre fui, te peguei, reparei que ainda tinha muito a me dar, e dei uma bela tragada, que foi o suficiente pra me fazer tossir por uns 10 anos.
Ali eu vinha a ter meu primeiro contato com você, cigarro.
Ah, lindo cigarro. Por anos te odiei, mas era pura hipocrisia.
Sempre te quis novamente em minha boca.
Minha segunda experiência foi a porta pro meu vício. Um Marlboro sabor morte empacotada. Uma delícia.
Sentir aquela fumaça penetrar meus pulmões, e levar alguns minutos da minha vida embora.
Ah, que recompensador.
Entre idas e vindas, você era meu companheiro.
Na doença e na doença, você me acompanhou. Meus dentes agradecem a nova coloração amarelo que eles tem.
Também, agradeço por hoje não ser aquele rapaz rápido, que disparava a toda velocidade numa corrida.
De coração, eu te amei por muito tempo cigarro.
Foi o meu maior confidente. Términos, mortes, inseguranças, medos, choros.
Você conheceu grande parte da minha vida podre.
Assim como por muitas vezes me fez deixar de derramar lágrimas.
E as dobradinhas? Passar uma noite com toda a sua carteira, e nossa grande amiga vodka?
Ah, como era lindo. A sensação de liberdade.
Falsa sensação.
Maldito vício, que de tão maldito chega a ser doce.
Doce tanto quanto salgado.
É de se salientar que, você fará falta. Em muitos momentos, fará.
Quem muito avisa, uma hora faz. Eu te avisei, uma hora eu te largaria.
Todos os meus vícios estão partindo. Só sobrará o que há de bom.
A hora chegou, a última tragada eu dei.
E pro inferno eu te mandei.
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