Já pararam para reparar como situações consideradas trágicas andam sendo motivos de ostentação? Depressão, tristeza, problemas pessoais entre outros se tornaram drogas consumáveis, e tal como estas, facilmente encontráveis em qualquer esquina mundo afora.
Não é muito difícil encontrar diálogos em que pessoas comparam, disputam e até brigam apenas para reforçar que estão mais desgraçados nesta vida, tipo:
- Tenho que tomar um tarja preta.
- Pelo menos você vai conseguir dormir, diferente de mim.
- Porém vou ter dificuldades de me concentrar.
- É, mas tem o fato de que você não precisa lidar com a morte de alguém.
- Mortes são difíceis, mas já passou pela situação de um avião caindo na sua casa? Poisé né...
E assim se sucede, num acúmulo de desgraças Murphyanas em que o vencedor é o ser mais fudido da conversa, levando para casa como prêmio uma falsa sensação de simpatia por suas dores, que o perdedor acaba sentindo obrigação de demonstrar.
Sociedade doente, cada vez mais próxima de um mundo mais racional, mas ainda sim tão presa a fantasmas, ainda sim tão perdida em seu egoismo. Envoltos de uma aura negativa, num mantra ecoado e repassado para todos em que "quanto mais cedo morrer, melhor". Suicidas em potencial? Talvez. Mas principalmente prostrados na arrogância de se manter na dor simplesmente por que é cool. Se o amigo tem uma depressão real, você pode muito bem inventar uma e sair por aí exibindo ela na cintura, junto de seu smartphone novo comprado pelo papai. E está tudo ok, pois estamos comprando este discurso. Ao invés de ajudar quem precisa, a gente gasta energia sendo um poço de desgraça também, é muito mais divertido e quem sabe, a gente não fica doente de verdade, não é mesmo? Mas tomara que sintam pena quando for verdade, pois o "tarde demais" anda cada vez mais recorrente nesse mundinho.
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