Sou complexo e não nego. Minha felicidade depende de coisas simples, mas minha tristeza vem em doses homeopáticas e quando se instala, é pior que Baidu. Gostaria de pedir a todos os envolvidos que nunca se culpem por não me entender, até porque nem eu mesmo me entendo, mesmo passado longos anos a fio tentando. É por isso que não me preocupo mais com quem eu sou, o que eu irei fazer em si e com o tempo que vou perder, e por perder quero dizer em qualquer sentido mesmo. Eu só vivo. Vivo para procurar um mundo melhor, sem desigualdade racial, social e religiosa, mas também vivo para procurar um lugarzinho ao sol. Casa, carro, uma tv, sei lá. Quero ser eu mesmo, e esse sou eu. Já tentei ser os outros, tipo imitar a roupa do amigo skatista ou comprar a jaqueta de couro do amigo headbanger. Particularmente hoje, eu sou capaz de usar uma bermuda de surf com uma camisa do Slipknot. Pois é isso que eu sou.
Um cara estranho, talvez?
E isso também significa que, por mais que eu queira, ninguém consegue botar sela em mim. Não consigo dormir em paz, meu estômago revira. Aliás, árdua guerra eu travo com este órgão, que vive me atazanando de tempos em tempos. Se eu pudesse eu arrancava ele, mas viver sem comer é um saco (escrotal, devo acrescentar). Não sou um cara de muitos dons, e na verdade, eu sequer pratico o que sei. Devo estar na escala mediana em tudo que eu faço, e pra mim, tá tudo bem. Eu nunca quis ser famoso, importante, e até lido bem com esse fardo. Mas já quis ser ator. E também cozinheiro, lixeiro, radiologista, professor de história e bem... agora quero ser publicitário. Tomara que dure esse "agora quero". Eu estou mais para um grito visceral que ninguém ouve do que para um ditado popular que vira rodapé de foto no Facebook.
Sei lá, mil tretas.
Observem que eu não estou falando aqui porque quero soluções para os meus problemas ou que eu esteja afim de expor minha vida. Na verdade, só estou dissertando sobre como eu me enxergo, e como quase não enxergo nada, parece que depois de muito tempo, só me sobra divagar. Mas é o que tem para hoje. Nós podemos enganar tudo, menos duas coisas: A morte e a nós mesmos. Só que como eu nunca me importei com as duas coisas, então acho que eu largo na frente para viver em paz comigo mesmo.
Mas eu bem que podia perder essa barriguinha.
Resumo da ópera: Faço de tempos em tempos uma avaliação. Penso: O que o Marcio de 14 anos pensaria me vendo hoje? A resposta depende do meu humor, mas num geral, acredito até que ele estaria orgulhoso hoje, mesmo muito longe do objetivo que eu pintei para mim. O mal da minha geração é... calma, qual é a minha geração?
Y ou Z?
Eu sou um pouco dos dois. E isso significa ficar decepcionado a toa. Sabe, quando você olha a grama do vizinho e ela é mais verde que a sua? Então, isso se chama "Desejar o que não se pode ter". Pelo menos sem trabalho árduo. Meu pessimismo é uma merda, e inclusive não faz sentido. Como pode eu, que me aceito como sou, ficar decepcionado mesmo assim? Acho que na verdade, eu queria ajudar mais os outros, ter mais disposição para saciar os anseios de todos que me rodeiam, poder retribuir com requintes de benevolência tudo o que vem para mim. Se sofro, não é por mim, é pelos outros.
Então... E ai?
E aí que nada sei. Só vou continuar seguindo o meu coração.
Nenhum comentário:
Postar um comentário