06/02/2016

Arrepios Opostos.

Haviam dois corpos naquele local. Um era tímido, aparentemente frágil, banhado pela luz da lua. O outro era atirado, decidido, mas no fim, também tão tímido quanto o outro. As idas e vindas não faziam sentido, era óbvio que queriam se colidir. Mas a teimosia em tentar impedir o inevitável é algo que atormenta a todos os seres humanos. Um breve vacilo num momento relaxado e de repente, os dois corpos entraram em êxtase. Um beijo quente numa noite quente onde tudo mais que os via era a bela lua de uma primavera já esquecida. As mãos que não se aquietavam, os pés que se reviravam, os olhos... ah os olhos. Eles não paravam quietos naquelas pálpebras fechadas. Mas eles se aquietaram, por fim, para se abrirem e verem que aquele breve momento durou por mais tempo do que devia. A colisão dos corpos prontos para o sexo que não existiu. O tesão fora a mil, mas abaixou como com um balde de água fria. Mas aquelas sensações, aquela situação diferente, ela pode ser sentida até hoje. Basta fechar os mesmos olhos e esperar pelo arrepio na pele que virá com o momento.

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