Ela estava sentada no banquinho, lendo com um belo sorriso no rosto. Com fones no ouvido, ouvindo suas músicas preferidas. / Ela estava eufórica, falsamente frustrada pelos beijos que eu fingia dar, mas não completava.
Olhou para mim instantes antes de que eu chegasse perto dela. Pousou sua íris acima das lentes do seu óculos delicado, quase tão delicado quanto a dona. / Esperava com afinco que eu completasse aquele ritual, mas era em vão, eu não a beijaria, pois queria que o fizesse.
Levantou-se e com um abraço apertado me recepcionou. Beijou-me nas bochechas, depois encostou seus lábios nos meus e disse bem baixinho: Olá. / Instintivamente ela agarrou minha nuca e me beijou fortemente, com a mesma paixão que via em seus olhos brilhantes.
Em seguida, pegou em minhas mãos e me levou em direção a árvore da pracinha. Deitou-me em seu colo e afagou meus cabelos. Perguntou sobre meu dia, sobre meus dias, sobre os dias com ela. / Eu achava o máximo ver aquela menina delicada libertar seus instintos selvagens para mim. Seu olhar continuava sereno, mas com um bocado de volúpia transbordando também.
Trouxe-me doces, histórias para me contar. Disse sobre sua vida também, queria que eu soubesse de cada pedaço dela. Do passado, só contava o que havia de bom, do futuro, apenas os sonhos. E aquilo parecia deveras animador. / Segurou minhas mãos contra a parede, jogou minha cabeça para o lado, senti o seu perfume doce permear minha mente. Usou suas mãos para me trazer de volta a vida, e como fazia isso bem.
Eu estava experimentando uma água que não conhecia ainda: O lado bom da vida. O descompromisso que acabou tornando o compromisso a coisa mais agradável possível. Olhei bem no fundo dos seus olhos antes de a beijar, pois eu tinha algo a lhe dizer, agora que todas as dúvidas haviam se dissipado. / Aquela sensação de me trazer de volta à vida, de me dar o prazer máximo de dar o mesmo prazer, aquilo tudo que presenciava tinha o sabor que a muito havia se perdido de meus lábios: A vida. Não havia mais jeito, não podia negar mais a ela, nem a ninguém.
Moça, eu te amo / Moça, eu te amo.
25/10/2013
15/10/2013
Por trás de toda escuridão, um Anjo caído reza.
"Sinto uma respiração quente e fraca batendo em meus ombros. Instintivamente virei minha cabeça para trás, tentando entender o que acontecia. Fui dominado por uma visão catastrófica que passou em minha cabeça numa fração de segundos. Vi o que não devia ver. Balancei a cabeça e enfim: Nada aconteceu."
Em casa, caído e ajoelhado, rezei um pai-nosso pedindo por salvação. Acabava de pecar contra Deus, contra mim mesmo, contra a humanidade. Era fácil eliminar o que estava dando errado, aliás muito divertido. Se não encaixava, simples, eu removia. É essa a graça de ser um padre amaldiçoado.
Do alto do meu apartamento, ouvi uma senhora gritar lá embaixo. Corri pelas escadas enquanto ajeitava meu terno. Uma mulher se retorcia pelo chão com os olhos esbugalhados, queimando em chamas vivas. Seus olhos aliás derretiam. Tirando um crucifixo do paletó recém posto, gritei:
- Leve daqui todos os seus pecados, originais ou os do tipo comprados em lojas de souvenirs.
Nada aconteceu. O calibre do crucifixo não era grande o suficiente hoje.
- Você sabe quem sou eu, o que eu represento? Reflita a minha existência, maldito demônio!
Não havia jeito. Ele não ouvia, não respondia. Eu, um homem respeitado por décadas como o melhor exorcista, estava sendo totalmente ignorado por uma existência profana. Não poderia culpar ninguém também, afinal, vivemos num mundo em que matamos nossos próprios anjos, tornando o imperdoável em cetim creme completamente tolerável.
Havia um dilema ali: Eu tentaria ir até o fim ou deixaria a pobre velha perecer na frente de tantas pessoas assustadas?
E eu acabei por tomar a decisão que qualquer padre exorcista gabaritado e velho tomaria:
Fui até o bar e tomei uma bela dose de whisky, sem gelo.
Foi neste exato momento que senti a respiração em meus ombros. Seria o Diabo em pessoa querendo me levar pro inferno?
Não, hoje não. Ainda não.
A mulher já estava irreconhecível, e quando cheguei perto dela, ela levantou do chão sem flexionar nenhum membro (talvez a vontade-mor do demônio fosse fugir, ou atacar, não sei) e dali parou, prostrada no meio da calçada desgastada. Olhou em meus olhos, com aquelas chamas que em nada lembravam um olhar. Três passos separavam minhas mãos do rosto dela, e esses três passos foram dados para que sorrateiramente eu encaixasse minhas mãos em sua mandíbula. Em seguida, o urro, a dor, o medo. Era o medo de estar confrontando novamente o velho guerreiro, a onça que nunca deveria ter sido cutucada. Já era tarde da noite, as poucas pessoas em volta somadas, não davam o número de janelas com luzes ligadas, com pessoas apurrinhadas com aquela barulheira demoníaca.
Gritei meia dúzia de palavras em latim, como se fosse adiantar algo. Abri minha bíblia de bolso, recitei versos apocalípticos, joguei sal, cuspi em sua cara. Nada.
Nada surtia efeito, mas aquela alma maldita, por algum motivo, sentia medo de mim.
Então, instintivamente, decidi fazer o que acabara de sentir: Prostei-me em seus ombros, senti seu cheiro de enxofre e enfim fiquei cara-a-cara, nariz-a-nariz com ela. Olhei bem lá dentro, mesmo com meus olhos ardendo em brasa. Enxerguei naquela escuridão, um anjo caído rezando por liberdade, pedindo por força divina para o abençoar. Clamando pelo bem dos céus, ou pela destruição dos céus. E era naquela vida, na vida de uma velha destruída, que testaria o poder que lhe libertaria...
Desfoquei de seus olhos, larguei seu rosto. Olhei para os céus e tentei entender qual o real motivo de tanto sofrimento no mundo. Uma única lágrima rolou, caindo diretamente no meu sapato de camurça, surrado.
Enfim, balbuciei uma frase sem nexo:
"O senhor é uma farsa, e a todos faltará.".
E o espírito enfim saiu da mulher.
Em casa, caído e ajoelhado, rezei um pai-nosso pedindo por salvação. Acabava de pecar contra Deus, contra mim mesmo, contra a humanidade. Era fácil eliminar o que estava dando errado, aliás muito divertido. Se não encaixava, simples, eu removia. É essa a graça de ser um padre amaldiçoado.
Do alto do meu apartamento, ouvi uma senhora gritar lá embaixo. Corri pelas escadas enquanto ajeitava meu terno. Uma mulher se retorcia pelo chão com os olhos esbugalhados, queimando em chamas vivas. Seus olhos aliás derretiam. Tirando um crucifixo do paletó recém posto, gritei:
- Leve daqui todos os seus pecados, originais ou os do tipo comprados em lojas de souvenirs.
Nada aconteceu. O calibre do crucifixo não era grande o suficiente hoje.
- Você sabe quem sou eu, o que eu represento? Reflita a minha existência, maldito demônio!
Não havia jeito. Ele não ouvia, não respondia. Eu, um homem respeitado por décadas como o melhor exorcista, estava sendo totalmente ignorado por uma existência profana. Não poderia culpar ninguém também, afinal, vivemos num mundo em que matamos nossos próprios anjos, tornando o imperdoável em cetim creme completamente tolerável.
Havia um dilema ali: Eu tentaria ir até o fim ou deixaria a pobre velha perecer na frente de tantas pessoas assustadas?
E eu acabei por tomar a decisão que qualquer padre exorcista gabaritado e velho tomaria:
Fui até o bar e tomei uma bela dose de whisky, sem gelo.
Foi neste exato momento que senti a respiração em meus ombros. Seria o Diabo em pessoa querendo me levar pro inferno?
Não, hoje não. Ainda não.
A mulher já estava irreconhecível, e quando cheguei perto dela, ela levantou do chão sem flexionar nenhum membro (talvez a vontade-mor do demônio fosse fugir, ou atacar, não sei) e dali parou, prostrada no meio da calçada desgastada. Olhou em meus olhos, com aquelas chamas que em nada lembravam um olhar. Três passos separavam minhas mãos do rosto dela, e esses três passos foram dados para que sorrateiramente eu encaixasse minhas mãos em sua mandíbula. Em seguida, o urro, a dor, o medo. Era o medo de estar confrontando novamente o velho guerreiro, a onça que nunca deveria ter sido cutucada. Já era tarde da noite, as poucas pessoas em volta somadas, não davam o número de janelas com luzes ligadas, com pessoas apurrinhadas com aquela barulheira demoníaca.
Gritei meia dúzia de palavras em latim, como se fosse adiantar algo. Abri minha bíblia de bolso, recitei versos apocalípticos, joguei sal, cuspi em sua cara. Nada.
Nada surtia efeito, mas aquela alma maldita, por algum motivo, sentia medo de mim.
Então, instintivamente, decidi fazer o que acabara de sentir: Prostei-me em seus ombros, senti seu cheiro de enxofre e enfim fiquei cara-a-cara, nariz-a-nariz com ela. Olhei bem lá dentro, mesmo com meus olhos ardendo em brasa. Enxerguei naquela escuridão, um anjo caído rezando por liberdade, pedindo por força divina para o abençoar. Clamando pelo bem dos céus, ou pela destruição dos céus. E era naquela vida, na vida de uma velha destruída, que testaria o poder que lhe libertaria...
Desfoquei de seus olhos, larguei seu rosto. Olhei para os céus e tentei entender qual o real motivo de tanto sofrimento no mundo. Uma única lágrima rolou, caindo diretamente no meu sapato de camurça, surrado.
Enfim, balbuciei uma frase sem nexo:
"O senhor é uma farsa, e a todos faltará.".
E o espírito enfim saiu da mulher.
O Concerto da Nova Era.
Se tudo é passageiro, então que vivamos só o agora. Olhemos para os lados, vejamos. Há alguém do seu lado que te quer?
Sinta, ouça, respire. Existe um sentido para o seu ritual matinal?
Ore, clame, tenha fé. Se tudo passa, tudo continuará passando.
Indague-se, planeje, copie. Veja o lado bom das coisas.
Prometa, jure, cumpra. Sempre terá alguém para lhe cobrar.
Cuide, preserve, proteja. Será que alguém quer roubar?
Ande, caminhe como um cão, sinta tudo ao seu redor.
Sinta como se tudo fosse pela última vez. Se algo se foi, é porque deveria ir. Mas se der para recuperar, lute até não dar pé.
Trabalhe, siga em frente. Sempre há planos para moldar.
Acredite, pois ainda é cedo.
Queime, destrua, quebre. O que é ruim haverá de perecer.
Limpe, brilhe, vá. Vá além do que acham que se pode ir.
Junte, agrupe. O que seria de uma coleção incompleta?
Se apaixone, ame. O mais profundo, que puder.
Se por ventura ainda se magoar, acredite, valerá a pena.
Nunca é o fim, por mais que algumas coisas sejam inexplicáveis.
Afinal, só o trabalho duro pode vencer o talento nato.
10/10/2013
É José.
Os dias nasciam monótonos, as noites caíam frias. Todos os dias eram de sentimentos vazios, e as noites elas se preenchiam com falsas esperanças. Afinal, já era de algum tempo que amor não significava nada.
Nada não por menosprezo, mas sim por medo. E medo de amar é pior do que de morrer.
Aquilo que o levou pra vala, que o deixou doente, que o fez se tornar aquilo que vangloriava-se de não ser. Era um ser que vive pra noite, que experimenta o sabor forte desse coquetel de luxúria e volúpia. Tinha medo também dessa vida, mas menos, bem menos. Preferia acordar entre os pedaços de pizza a estar nos braços de um novo romance, pintado de forma esparramada, quase que torto por obrigação. Não. Não era de amor que ele precisava, era de súplicas. Ele queria a atenção do mundo para a sua pobre desilusão, coitado.
Pobre coitado mesmo, ninguém disse que a vida seria fácil, José.
E não foi.
As dores tomavam cada vez mais conta da sua vida. Físicas e sentimentais, nada mais importava. Dor já era passional. Alguns blefes apareciam, clamavam sua atenção. Ele levantava os olhos por cima do horizonte, mas não enxergava futuros, talvez presentes, mas nunca algo necessário para olhar para trás e ver seu passado se apagar. Ele gostava do estrago, da maldição, da vida imaginária de bad boy, com seus alargadores e seus planos para tatuagens, do seu cigarro mata rato e seu vício invasivo por remédios controlados. Aquilo era vida, era a forma perfeita de se sentir útil num mar de inutilidade, para um bando de inúteis que também sofriam do mesmo mal, o de amores fracassados, e olhe só como a vida une os semelhantes! Pena, muitas vezes também os corrompem.
Por algumas vezes tentou abrir seu coração, sua mente, ou qualquer coisa que o valesse, só pra ver se era possível ser feliz. Era, era possível, mas não o suficiente. Ele não queria um amor pra recordar apenas, ele queria uma felicidade pro canto da boca, pro fio dos cabelos da perna, um amor pra aquecer seus pés e incentivador para a jornada que era curar-se de seus vícios. Um amor para alisar seus cabelos e dizer: Você é o cara. Mas não, ele não era o cara. Era professor, mauricinho, pobre, fraco, forte, estranho, normal. Um mero aprendizado para todas por que passava, um sentimento oco que por vezes era bradado como amor só para não fazer mal a quem era interlocutor nessa história toda.
E José, do alto disso tudo, só observava. Maldito era ele por se auto-amaldiçoar, por querer estar lá, por adorar esse maldito estrago que lhe sorvia todo o bem e só lhe entregava o mal.
Não culpemos José. Ele já estava no fundo do poço que jamais quisestes chegar. Era o homem de uma noite só, a maldição de inúmeras meninas que se apaixonavam e não eram correspondidas. Podre por dentro e por fora também. E sempre sorrindo, ele fingia. Adorava ser a marionete do mundo que se representava muito bem com seus blocos de euforias sodomizadas.
E não havia tempo de brincar de ser feliz. Não havia sequer necessidade. Talvez vontade.
Houve um breve instante em que perseguiu isso. Quis tomar um jeito, se enveredar para o lado certo do que achava certo de verdade. Não bastou, e não por ser pouco, e sim por simplesmente não ser, não querer, não necessitar exatamente do que lhe fora oferecido em bandeja de prata.
Ai se fechou de vez. Morreu pra vida, e para a morte também.
Tomou seu último porre, fez a sua última oração, fumou seu último cigarro e limpou o seu interior. Enfim acordou novamente, agora em um quarto limpo. Bateu a poeira do rosto e decidiu que não se doaria a mais ninguém facilmente, e deu a cara a tapa pra esse Deus que só faz sofrer. E meus amigos, José conseguiu.
O curso das águas o trouxe para o topo do morro, quase morto de medo de dar um pequeno passo para a humanidade, mas um grande passo para um homem. E ele, até ali uma prova viva de fraqueza, se tornara um pedaço forte. Agora, já velho, fodido e cheio de maldições nas costas, enfim aprendia a viver.
E como era correto? Não sabia. Só sentia.
Sua afobação pelo certo quase tirou de suas mãos o presente mais valioso que já havia encontrado. E esse hiato de felicidade na sua vida trouxe pra si a tal liberdade em perceber de fato, que felicidade de verdade era estar amarrado com corda invisível no coração da pessoa amada.
Enfim, uma amada. Sem confissões ou popularidade. Apenas sua amada.
É José, você venceu na vida.
Nada não por menosprezo, mas sim por medo. E medo de amar é pior do que de morrer.
Aquilo que o levou pra vala, que o deixou doente, que o fez se tornar aquilo que vangloriava-se de não ser. Era um ser que vive pra noite, que experimenta o sabor forte desse coquetel de luxúria e volúpia. Tinha medo também dessa vida, mas menos, bem menos. Preferia acordar entre os pedaços de pizza a estar nos braços de um novo romance, pintado de forma esparramada, quase que torto por obrigação. Não. Não era de amor que ele precisava, era de súplicas. Ele queria a atenção do mundo para a sua pobre desilusão, coitado.
Pobre coitado mesmo, ninguém disse que a vida seria fácil, José.
E não foi.
As dores tomavam cada vez mais conta da sua vida. Físicas e sentimentais, nada mais importava. Dor já era passional. Alguns blefes apareciam, clamavam sua atenção. Ele levantava os olhos por cima do horizonte, mas não enxergava futuros, talvez presentes, mas nunca algo necessário para olhar para trás e ver seu passado se apagar. Ele gostava do estrago, da maldição, da vida imaginária de bad boy, com seus alargadores e seus planos para tatuagens, do seu cigarro mata rato e seu vício invasivo por remédios controlados. Aquilo era vida, era a forma perfeita de se sentir útil num mar de inutilidade, para um bando de inúteis que também sofriam do mesmo mal, o de amores fracassados, e olhe só como a vida une os semelhantes! Pena, muitas vezes também os corrompem.
Por algumas vezes tentou abrir seu coração, sua mente, ou qualquer coisa que o valesse, só pra ver se era possível ser feliz. Era, era possível, mas não o suficiente. Ele não queria um amor pra recordar apenas, ele queria uma felicidade pro canto da boca, pro fio dos cabelos da perna, um amor pra aquecer seus pés e incentivador para a jornada que era curar-se de seus vícios. Um amor para alisar seus cabelos e dizer: Você é o cara. Mas não, ele não era o cara. Era professor, mauricinho, pobre, fraco, forte, estranho, normal. Um mero aprendizado para todas por que passava, um sentimento oco que por vezes era bradado como amor só para não fazer mal a quem era interlocutor nessa história toda.
E José, do alto disso tudo, só observava. Maldito era ele por se auto-amaldiçoar, por querer estar lá, por adorar esse maldito estrago que lhe sorvia todo o bem e só lhe entregava o mal.
Não culpemos José. Ele já estava no fundo do poço que jamais quisestes chegar. Era o homem de uma noite só, a maldição de inúmeras meninas que se apaixonavam e não eram correspondidas. Podre por dentro e por fora também. E sempre sorrindo, ele fingia. Adorava ser a marionete do mundo que se representava muito bem com seus blocos de euforias sodomizadas.
E não havia tempo de brincar de ser feliz. Não havia sequer necessidade. Talvez vontade.
Houve um breve instante em que perseguiu isso. Quis tomar um jeito, se enveredar para o lado certo do que achava certo de verdade. Não bastou, e não por ser pouco, e sim por simplesmente não ser, não querer, não necessitar exatamente do que lhe fora oferecido em bandeja de prata.
Ai se fechou de vez. Morreu pra vida, e para a morte também.
Tomou seu último porre, fez a sua última oração, fumou seu último cigarro e limpou o seu interior. Enfim acordou novamente, agora em um quarto limpo. Bateu a poeira do rosto e decidiu que não se doaria a mais ninguém facilmente, e deu a cara a tapa pra esse Deus que só faz sofrer. E meus amigos, José conseguiu.
O curso das águas o trouxe para o topo do morro, quase morto de medo de dar um pequeno passo para a humanidade, mas um grande passo para um homem. E ele, até ali uma prova viva de fraqueza, se tornara um pedaço forte. Agora, já velho, fodido e cheio de maldições nas costas, enfim aprendia a viver.
E como era correto? Não sabia. Só sentia.
Sua afobação pelo certo quase tirou de suas mãos o presente mais valioso que já havia encontrado. E esse hiato de felicidade na sua vida trouxe pra si a tal liberdade em perceber de fato, que felicidade de verdade era estar amarrado com corda invisível no coração da pessoa amada.
Enfim, uma amada. Sem confissões ou popularidade. Apenas sua amada.
É José, você venceu na vida.
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