04/02/2013

I: Inocência.

Ele se sentava na carteira nova da escola e pensava apenas em uma coisa: Amor.
Amor, será que é de comer? Será que existe? Será que é algo tangível?
Tantas perguntas para uma pequena cabeça frágil e cheia de escoriações. Algumas superficiais e outras mais internas. Bem internas.
Do outro lado aquilo que ele sempre procurou saber se existia, viajando e pousando em corações desconhecidos. Voando para todos os lados e se dissipando entre dedos juvenis.
Aquele sinal que sempre teimava em tocar nas horas em que seus olhos viajavam no céu azul. Céu azul tão inocente, que nunca trazia respostas para suas perguntas. Nuvens grandes que nunca traziam o céu para suas mãos. E grande era sua dúvida sobre toda a vida que ainda tinha a viver, vida que viveria num futuro bem distante, tão distante mas, do outro lado estava ali, a amostra grátis de inocência, uma teoria cheia de incertezas dentro de uma pequena cartolina marrom em formato de coração, tão mal recortado, e uma frase escrita com caligrafia repleta de garranchos. Mas isso não tirava a candura do presente, tampouco o seu valor. Em pouco tempo nascia um beijo, um abraço, um carícia e um fim em folha de fichário do bruxinho de óculos redondo. Veio rápido e foi rápido, levando consigo um desejo de descobrir o que era amar, junto daquele anelzinho de salgadinho. Mas deixou um outro presente mais significativo: A depressão.

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