Volúpia transborda de seus carnudos lábios, ó donzela fatal. Fatal com seu vestido negro que arrasta no solo, que forma junto de ti uma fusão de preto-e-branco única, que conseguia iluminar todo o recinto mais do que todas aquelas cores dos outros convidados. Naquela noite nem a lua seria capaz de te ofuscar, não é mesmo? No fundo, sabia o seu motivo para estar aqui, tão bem vestida mas ao mesmo tempo sem qualquer vontade de se sentir notada.
Na verdade você sempre esteve lá. Sempre bem vestida, com o melhor aroma natural do mundo. E nunca, nunca quis se mostrar. Sempre de olho, com o mesmo anseio que um biólogo tem em ver o bater de asas de um beija-flor. Ó, beija-flor verde furta cor, qual é seu motivo para roubar a beleza dela e não a trazer? Aliás, porquê foges?
Assim é que se forma essa sinfonia de cores estranha, do monocromático visual da donzela da noite ao arco-íris emblemático do beija-flor gracioso. E despertando ou não, vou encontrando sentido para desistir de meu sórdido orgulho e dar o braço a torcer para torcer por você, mesmo que gire as engrenagens do relógio do juízo final para ver rápido o meu final, ó donzela da noite. Mas lembre-se, feliz ou não, será o meu final.
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