17/08/2016

Som da Fúria.

Grita a pleno pulmões sua cólera visceral.
Não escapa pela boca nenhuma gota desse veneno.
Estes lábios roxos, nervosos, pulsantes.
Certos do que é convicto e pleno.

Perde o foco devagar, cortando sua pele.
Estremece suas pálpebras, tamanha é a febre.
Lágrimas secas, invisíveis, insípidas.
Não há mais nada dentro de ti que se quebre.

Entra dentro de seu baú, revira sem parar.
Não acha nada, nem sabe o que procura.
No seu jardim não há mais pétalas, folhas estão secas.
Sua voz embarga, fica cada vez mais obscura.

É nessa fila de erros que descubro sua dor.
Experimento o amargo som da sua fúria.
Deixa a mercê uma alma infeliz
Rodeada da mais pura penúria.

Mas antes do fim, desse estapafúrdio final.
Dei a tua alma o melhor dos meus gritos.
A minha sinfonia de vida, meu ardor mais puro.
Deixei seus nervos, enfim, fritos.

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