17/11/2013

I'll do my Crying in the Rain.

O coração bateu mais rápido. As mãos suaram, as pernas estremeceram. Os olhos marejaram, a respiração ofegou. Não conseguia fixar os olhos no único lugar que deveria olhar. Sua pele se arrepiou, sua bochecha corou. O vento urrava, mas não atrapalhava. Sua boca tremeu. A barriga revirou como se houvessem borboletas de gelo voando dentro de tão pequenino espaço. Seu corpo não respondia, simplesmente. Aquilo que era lido em gestos do corpo, com olhares e beijos, enfim era dito por lábios molhados. O tempo que demorou para passar, que surrou eles, enfim estava zerado. E talvez não fosse hoje, seria amanhã ou depois. Mas o momento nunca mais se apagará. E essa viagem que começou ensolarada e terminou chuvosa tem para mim uma trilha sonora particular. Uma música que sempre me comoveu, que me acompanhou em diversos momentos tristes da vida. Não sei como, ela passou a ter um novo significado. É engraçado, como consegui deixar minhas últimas dúvidas nos céus limpos e trazer a tona um choro descabido pós-tudo. Eu chorei na chuva sim, e foi de felicidade.

Um comentário:

  1. Escrevendo o comentário pela segunda vez, já que essa bagaça insiste em me sacanear. Bem, gosto desse texto. Não tem como não gostar, afinal, é o meu tipo de texto: descritivo com reflexão. Parte de mim gosta muito desse texto por si só, porque ele é ótimo. Agora, existe uma parte maior de mim que gosta desse texto por vivê-lo todos os dias. :)

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