16/12/2012

Pikachu no reino de Agumons.

Se sente perdido num mundo que não é o seu? Bobagem, você pode se adaptar.
Mas se mesmo assim não se adaptar, acredite, você vai ser engolido pelos jacarés dorminhocos. Não é exatamente fácil digerir você, mas tente se por no lugar deles: Eles estão com soninho e fominha.
Desemboca então nesse rio aqueronte e procura a morte, senhora gente fina, cheia de papo pra contar. Lembra da fábula dos carneiros de Jesus? Então, ela quem inventou. Acho que estava com fome.
Enfim, puxa tua carteira do bolso e pague pelos serviços dela. Não peça café. A morte não tem café. Talvez chá, mas não café. Sei lá, gosto é gosto.
E lá vai você pisando com seu all-star cano longo verde fluorescente que na verdade já está tão encardido que tudo que ele parece é um pedaço de jeans velho com uma borracha de solado, andando por uma terrinha negra cheia de caveirinhas estranhas e feias, mas não mal cheirosas como possa parecer. Parecem na verdade de plástico. Na verdade são de plástico. Na verdade tudo isso parecia apenas o caminho de uma casa de horrores. Sabe qual? Aquelas que você paga pra ver meia dúzia de monstros de plástico saindo das paredes querendo amedrontar donzelas e criancinhas. Você nem percebe, mas nada disso é amedrontador. Na verdade você não esboça nada além de um sentimento estranho. Algo como "putz que escroto tudo isso aqui". Então Pikachu, por que andas no reino de Agumons? Não faz sentido estar aonde sua mente não perambula. Não tem por que diabos se culpar por não querer pegar o ônibus da meia noite rumo aos Jardins da Babilônia. Procure tua terra de felicidade prometida, o Buraco dos Pikachus. Ai sim, quando andar pela ferrovia desbotada pelo tempo, vai esboçar um sorriso feliz que não é comprado por nada existente nesse mundo, exceto por uma eventual nostalgia perdida nas nuvens de algodão.

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