27/11/2012

Interpretação.

E mais meia taça de vinho se foi. Um gosto amargo tomava conta de minha boca, e eu já não identificava se era o gosto do vinho ou se era aquele amargo do refluxo. Sem relutar, enchia mais uma taça. Nos goles, encontrava minhas memórias turvas, quase que desconexas. Massageava meu ego com aquelas gotas, seiva rara em momento oportuno. Do outro lado estava ela, sorridente e alterada. Sentia seu coração pulsar pela vibração do sofá. Era inquieto. Arisco, num corpo tão dócil. Território só nosso, sem escapatória para ventilação. "Aliás, está abafado aqui" disse ela. As mãos trêmulas daquela adorável bêbada se encontraram com minhas mãos, pálidas mas firmes. Minha veia pulsou. Mais um gole e foi o suficiente para que a coragem de lhe confessar meus desejos mais sórdidos saltasse de minha boca, com uma frase tão suja aos ouvidos de todos, e tão romântica em nosso mundo.
"Vamos trepar."
"Sim."

E trepamos.

E gozamos.

E dormimos.

E quando acordei, ela estava lá, acariciando meus cabelos. A ressaca me dominava, junto de um sentimento quase febril. Quando estava a me dar conta do que se tratava, ela tocou meus lábios com sua boca e logo após me disse: Eu amo você.

E nos amamos novamente.

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