05/08/2012

Abstrair.

Eu procurei um bom motivo, um nobre método para ser uma fortaleza.
Artilharia, pedras e bolas de ferro.
Estava tudo montado, tudo arranjado. Planejado conforme a planta inicial.
Em volta flores. Dentro, músculos frágeis, mas prontos para guardar o bem mais precioso do seu reino.
Um super homem, num longo caminho.
Errôneo e falho, ele não é tipo príncipe da Inglaterra.
Então ele acaba por abstrair continuamente da sua vida os pequenos pedaços amedrontadores que possam sufocar sua fortaleza íntima.
É assim que sempre foi, é assim que continuará sendo.
Mas ele não entende o que lhe dizem. Ele não absorve os pedidos.
Sua fortaleza range, seus dentes rangem.
As luzes precisam ficar acesas agora.
E então? Ele não enxerga a linha do horizonte.
Mesmo focado, é tudo limpo. O vento bate e tudo que o rosto dele sente, é frio.
Uma noite tirada para deixar de ser uma fortaleza.
Seus aliados limpam sua mente. Os soldados batem em retirada.
Ele precisava bater forte em sua própria cabeça para entender essas coisas.
Um super homem, num caminho neblinado.
Tanta kryptonita, que Lex Luthor ficaria com inveja.
Não consegue entender o sentido das coisas. Os porquês.
Qual é a das trincheiras que foram cavadas?
Dos arames farpados que impedem a fortaleza de andar.
Uma fortaleza que estaria melhor morta.
Talvez o que impede esse nobre homem de ser um nobre homem é ele mesmo.
Mas as trepidações, o choro engolido e seu pulmão frágil, como ficam?
Precisam de uma coluna para sustentar.
Uma mão para acalentar.
Afinal, porquê tem algo de errado em ser errado?
Essa é a maneira que sempre deveria ter sido. Mas ao invés disso, vamos apenas atirar na fortaleza.

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