25/04/2011

Teia de Aranha.

Um dia qualquer, eu estava sentado no final do corredor da faculdade, curtindo o tedioso tempo vago do intervalo. Puxei meu já sem-graça hollywood preto, saquei do outro bolso meu isqueiro que mais falha do que funciona, e acendi mais uma pequena facada na minha vida. Dentre um trago e outro, comecei a analisar a fumaça do meu pequeno pedaço de veneno. Reparei que ela estava batendo numa aranha que ali no toldo, fazia sua teia. Simples ato complexo, ela ia tecendo uma linda rede. É um belíssimo espetáculo da natureza, sobretudo pela perfeição. Ela não se incomodava com minha fumaça, e continuava lá, tecendo como se nada acontecesse. Aquilo, inconscientemente me deixava feliz, pois, pelo menos para alguma coisa, meus atos ou ações não valiam de nada, visto que a pobre aranha sequer ligava para minha fumaça. Tive ainda a felicidade de ver ela prender um mosquito e o enrolar com sua teia. Foi uma magnífica troca. Eu, ganhei um belo espetáculo, e em troca, ela ganhou um admirador. Um admirador do puro, do belo, do natural. Aquilo de mais simples que ainda exista no mundo. Enquanto eu, pobre ser humano, poluo o ambiente, poluo meu corpo, profano a carne, destruo a vida. Esses são nossos papéis. Humanos destróem a natureza, e a natureza apenas assiste. E mesmo fazendo parte deste time nojento, torço para que no fim, a natureza se vingue de nós, porcos que deveriam estar presos a esta teia.

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