23/08/2022

Cama.

Nunca fui de deixar coisas na minha cama.
Roupas, toalhas, mochilas, bolsas e bolsos.
Sempre gostei dela impecável, com lençol e tudo.
Sem amassos, sem vincos, sem dobras.
Plena a me esperar, pra que eu a bagunce.
Pra que eu a faça minha.
Alguém tem que ser minha, não é mesmo?
Nem que seja a tão desejada cama.
Cama.
Onde deixo meus sonhos viverem.
Meus pesadelos me comerem.
Em sonecas, os mais profundos caldeirões.
E em algumas noites, o abraço da insônia.
Sempre encarei este como um dos meus ambientes mais particulares.
Seja como for, eu estava sempre ali.
Nu. Vestido. Febril. Esfomeado. Deprimido.
É minha zona final, o meu checkpoint.
A volta antes do próximo round.
O meu habitat. Minha zona de conforto.
Abraçado a meus travesseiros.
Sentindo. Desejando.
Tudo no dia seguinte volta a estaca zero.
E zero a vida antes do próximo dia.
Alguns corpos passaram por esse seu corpo.
Esguios, esbeltos e dispersos.
Meu próprio corpo mudou ali.

Nunca fui de deixar coisas na minha cama.
Mas algo mudou.
Você esteve ali comigo.
Eu senti seu cheiro.
Eu possuí seu corpo.
E gostei desse seu gosto.
Agora eu quero ela desarrumada.
Quero suas roupas em cima dela.
E do lado também.
Eu quero você, morena.
No meu habitat.
No meu lugar mais íntimo.
Na minha cama.

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