27/08/2022

Corpo.

Meus olhos ardem
E não veem
Ou que quer que seja
Que eles não creem.

Meu pulso pulsa
Um imenso rancor
Do mais puro sangue
Que move meu motor.

O cérebro pensa
E maquina sem parar
Pensamentos pútridos
Que só querem voar.

Enfim o coração bombeia
Uma dor insuportável
Sem entender o porque
Eu sou tão amável.


23/08/2022

Cama.

Nunca fui de deixar coisas na minha cama.
Roupas, toalhas, mochilas, bolsas e bolsos.
Sempre gostei dela impecável, com lençol e tudo.
Sem amassos, sem vincos, sem dobras.
Plena a me esperar, pra que eu a bagunce.
Pra que eu a faça minha.
Alguém tem que ser minha, não é mesmo?
Nem que seja a tão desejada cama.
Cama.
Onde deixo meus sonhos viverem.
Meus pesadelos me comerem.
Em sonecas, os mais profundos caldeirões.
E em algumas noites, o abraço da insônia.
Sempre encarei este como um dos meus ambientes mais particulares.
Seja como for, eu estava sempre ali.
Nu. Vestido. Febril. Esfomeado. Deprimido.
É minha zona final, o meu checkpoint.
A volta antes do próximo round.
O meu habitat. Minha zona de conforto.
Abraçado a meus travesseiros.
Sentindo. Desejando.
Tudo no dia seguinte volta a estaca zero.
E zero a vida antes do próximo dia.
Alguns corpos passaram por esse seu corpo.
Esguios, esbeltos e dispersos.
Meu próprio corpo mudou ali.

Nunca fui de deixar coisas na minha cama.
Mas algo mudou.
Você esteve ali comigo.
Eu senti seu cheiro.
Eu possuí seu corpo.
E gostei desse seu gosto.
Agora eu quero ela desarrumada.
Quero suas roupas em cima dela.
E do lado também.
Eu quero você, morena.
No meu habitat.
No meu lugar mais íntimo.
Na minha cama.

18/08/2022

Perdoar é uma dádiva.

Passional.
Meio neanderthal.
Um pouco de etc e tal.

Uau.

Quem imaginaria que dois adultos são capazes de se perdoar?
De lembrarem que não adianta se enganar
De que um dia já foram um par.

Ar.

Obrigado por encontrar a força
Pra pedir perdão, moça.
Vou rimar com poça?

Massa!

Enfim posso aposentar a atriz
Que um dia me fez assoar o nariz
E chorar que nem um chafariz.

Sem mais Bellatrix.

02/08/2022

De novo.

Eu quero beijar sua boca de novo.
Segurar sua cintura, trazer você pra perto e sentir o seu calor.
Respirar o seu cheiro, tatear a sua pele, engolir a sua presença.

Eu quero beijar sua boca de novo.
Sentir o seu corpo quente e o pulsar do seu peito.
Lamber cada parte de você de todas as formas que quiser.

Eu quero beijar sua boca de novo.
Desejando desbravar esse mar de curvas que seu corpo faz.
Pecando a cada instante como um erro que eu quero amar errar.

Eu quero beijar sua boca de novo.
E te degustar enquanto rebola na minha cara.
Nua, livre e leve só pra mim.

Eu quero beijar sua boca de novo.
E te fazer minha.