Há algo de fascinante nas experiências que vivemos. Quanto mais aprendemos, mais nos tornamos cascudos, prontos para o próximo round. Temos isso em nós: a capacidade de nos adaptarmos feito camaleões, tornando nossa couraça sentimental (quase filosofal) mais forte. E vamos sorrindo, fingindo existir, fingindo que nem dói, mas como dói não é mesmo? Uma facada aqui, um tapinha ali, três socos seguidos de um gancho de direita e de repente a gente não sabe nem mais quem é.
E não sabemos mesmo.
Pois as porradas nos ensina a sermos duros, inclusive com nós mesmos. E aí cada sorriso se torna mais e mais falso, até que de repente você se torna apenas mais um fantasma na multidão, comprando acenos e fazendo escambo de gentilezas. Um teatro de marionetes onde o mais convincente vence. Virar adulto é tão blasé. E sutilmente a gente sente, até que não sente mais. Pois todo dia que passa, a gente joga uma pá de terra na nossa criança interior. Deveria ser um crime matar crianças assim.
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