Há algo de fascinante nas experiências que vivemos. Quanto mais aprendemos, mais nos tornamos cascudos, prontos para o próximo round. Temos isso em nós: a capacidade de nos adaptarmos feito camaleões, tornando nossa couraça sentimental (quase filosofal) mais forte. E vamos sorrindo, fingindo existir, fingindo que nem dói, mas como dói não é mesmo? Uma facada aqui, um tapinha ali, três socos seguidos de um gancho de direita e de repente a gente não sabe nem mais quem é.
E não sabemos mesmo.
Pois as porradas nos ensina a sermos duros, inclusive com nós mesmos. E aí cada sorriso se torna mais e mais falso, até que de repente você se torna apenas mais um fantasma na multidão, comprando acenos e fazendo escambo de gentilezas. Um teatro de marionetes onde o mais convincente vence. Virar adulto é tão blasé. E sutilmente a gente sente, até que não sente mais. Pois todo dia que passa, a gente joga uma pá de terra na nossa criança interior. Deveria ser um crime matar crianças assim.
14/11/2018
05/11/2018
VIII: A mágica da bicicleta.
Relacionamentos geralmente duram tempo suficiente para lhes ensinar algo. 1 mês, 20 anos. Uma eternidade. Não importa a medida temporal, algum bem valioso você pode tirar do convívio romântico com alguém, mesmo que você não seja, de fato, romântico.
E nossa história não era exatamente romântica, vamos dizer assim. A gente começou a namorar por que eu disse sem querer "eu te amo". E quando eu falo sem querer, é literal. Você havia feito algo engraçado e eu disse essa frase meio que como um "caramba, eu gosto de vc!". Sei lá, você brilhou tanto os olhos, naquela altura a gente já estava juntos a o que, um mês? Curtindo, se divertindo... E eu gostava bastante de você, de verdade mesmo. Faz parte né? A gente as vezes só sente as coisas.
Divertida, engraçada, não dava pra brigar com você, pois sua cara de raiva era engraçada e eu ria. Aliás, sempre lembro do dia que você deu um chute de kung-fu quando me viu fumando, cumprindo a promessa de "se eu te ver fumando, senhor Fujarra, eu vou bater em você!". Foi tão surreal que minha reação foi de apenas rir.
Não tinha muito romance. Era tudo muito honesto, preto no branco, simples e direto. Quando foi pra transar pela primeira vez, a gente simplesmente conversou e fez. Quantos casais fazem isso? Quando aquela garota deu em cima de mim e eu estava bêbado demais para responder à altura, a gente simplesmente conversou e resolveu os problemas. Nem a nossa "música de casal" foi ao acaso, a gente simplesmente escolheu uma música do Jota Quest. E se tem um indício de que esse relacionamento não daria certo mesmo, é perceber que uma música do Jota Quest era a nossa música.
De fato, não deu certo: Viram você com outro na rua, me contaram. Esperavam de mim uma reação muito ruim, mas a verdade é que naquela altura do campeonato, ser passado pra trás não era nem de longe uma dor. Eu nem fiquei surpreso. Você viajou para longe, e quando voltou, terminamos. Nem um mês depois, você estava namorando com um carinha por quem você se apaixonou. Com quem você parecia realmente apaixonada. Com quem andava de mãos dadas. Nós não éramos muito assim, né?
Você, de longe, foi a pessoa mais fácil de perdoar na minha vida. Eu jamais teria raiva de alguém por ser feliz com alguém que a faz mais feliz. Ao associar que talvez ele fosse o tal carinha de quem me alertaram, ficou mais fácil ainda. E a vida seguiu sem nenhum morto nem ferido. Apenas um contrato rasgado e um desejo de boa sorte.
Mas ficaram boas memórias: Você vindo pegar goiaba no meu quintal, a gente jogando The King of Fighters, o quindão que nunca aconteceu e a famosa piada da bicicleta que só eu e você entendemos e damos risada, mesmo que a gente saiba que ela é a pior piada da humanidade.
Ah, mas eu falava sobre aprender algo com os relacionamentos, né? O que você poderia ter me ensinado, ó jovem oriental?
Você me ensinou a não ligar mais.
E nossa história não era exatamente romântica, vamos dizer assim. A gente começou a namorar por que eu disse sem querer "eu te amo". E quando eu falo sem querer, é literal. Você havia feito algo engraçado e eu disse essa frase meio que como um "caramba, eu gosto de vc!". Sei lá, você brilhou tanto os olhos, naquela altura a gente já estava juntos a o que, um mês? Curtindo, se divertindo... E eu gostava bastante de você, de verdade mesmo. Faz parte né? A gente as vezes só sente as coisas.
Divertida, engraçada, não dava pra brigar com você, pois sua cara de raiva era engraçada e eu ria. Aliás, sempre lembro do dia que você deu um chute de kung-fu quando me viu fumando, cumprindo a promessa de "se eu te ver fumando, senhor Fujarra, eu vou bater em você!". Foi tão surreal que minha reação foi de apenas rir.
Não tinha muito romance. Era tudo muito honesto, preto no branco, simples e direto. Quando foi pra transar pela primeira vez, a gente simplesmente conversou e fez. Quantos casais fazem isso? Quando aquela garota deu em cima de mim e eu estava bêbado demais para responder à altura, a gente simplesmente conversou e resolveu os problemas. Nem a nossa "música de casal" foi ao acaso, a gente simplesmente escolheu uma música do Jota Quest. E se tem um indício de que esse relacionamento não daria certo mesmo, é perceber que uma música do Jota Quest era a nossa música.
De fato, não deu certo: Viram você com outro na rua, me contaram. Esperavam de mim uma reação muito ruim, mas a verdade é que naquela altura do campeonato, ser passado pra trás não era nem de longe uma dor. Eu nem fiquei surpreso. Você viajou para longe, e quando voltou, terminamos. Nem um mês depois, você estava namorando com um carinha por quem você se apaixonou. Com quem você parecia realmente apaixonada. Com quem andava de mãos dadas. Nós não éramos muito assim, né?
Você, de longe, foi a pessoa mais fácil de perdoar na minha vida. Eu jamais teria raiva de alguém por ser feliz com alguém que a faz mais feliz. Ao associar que talvez ele fosse o tal carinha de quem me alertaram, ficou mais fácil ainda. E a vida seguiu sem nenhum morto nem ferido. Apenas um contrato rasgado e um desejo de boa sorte.
Mas ficaram boas memórias: Você vindo pegar goiaba no meu quintal, a gente jogando The King of Fighters, o quindão que nunca aconteceu e a famosa piada da bicicleta que só eu e você entendemos e damos risada, mesmo que a gente saiba que ela é a pior piada da humanidade.
Ah, mas eu falava sobre aprender algo com os relacionamentos, né? O que você poderia ter me ensinado, ó jovem oriental?
Você me ensinou a não ligar mais.
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